VUNESP – Prefeitura de São José do Rio Preto/SP 2011 – Questão 44

44. H. S. C., 56 anos, chega ao seu consultório com lombalgia decorrente de erro de movimentação e da postura. Após avaliação, o fisioterapeuta traçou um plano de tratamento, do qual faz parte orientações. Uma das orientações consiste no posicionamento em DD. Nessa posição, o paciente deve colocar um travesseiro ou rolo de espuma para manter os joelhos semifletidos. Assinale a alternativa que apresenta a razão desse posicionamento.

(A) Permite a retroversão da pelve e o aumento da lordose lombar, pois diminui a tensão do músculo iliopsoas.

(B) Permite a anteversão da pelve e a retificação da lordose lombar, pois diminui a tensão do músculo iliopsoas.

(C) Permite a retroversão da pelve e a retificação da lordose lombar, pois diminui a tensão do músculo iliopsoas.

(D) Permite a retroversão da pelve e a retificação da lordose lombar, pois aumenta a tensão do músculo iliopsoas.

(E) Permite a anteversão da pelve e o aumento da lordose lombar, pois aumenta a tensão do músculo iliopsoas.

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Retroversão da pelve em DD. Lembrem-se que esse movimento é denominado pela crista ilíaca anterosuperior, não pelos glúteos. Dessa forma quadril para dentro é retroversão pélvica e quadril para fora(arrebita!) é anteroversão pélvica. Não se confundam, essa dúvida é muito comum.

Na retroversão pélvica, temos como consequência a diminuição da lordose lombar. O iliopsas é um flexor do quadril. Sua contração leva a uma maior anteroversão pélvica. Nessa posição, temos um relaxamento do psoas e esse relaxamento permite a retroversão pélvica.

Onde trabalho é comum recebermos pessoas em crises sérias de lombalgia e lombociatalgia. Restam poucos recursos disponíveis no que se refere a exercícios ativos nesse primeiro atendimento. Essa posição é muito útil, em alguns casos proporciona um alívio imediato. Ela leva o nome de um médico que propôs sua utilização, mas não me recordo no momento.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: C

Alternativa que indico após analisar: C

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VUNESP – Prefeitura de São José do Rio Preto/SP 2011 – Questão 43

43. T. S., homem com 52 anos, experimentou alguma fraqueza em seu lado direito e, em seguida, tombou no solo, enquanto trabalhava na lavoura de sua fazenda. Passaram-se algumas horas antes que fosse encontrado. Ele foi transportado para o hospital local, onde foi determinado que sofreu um acidente vascular encefálico. T. S. evolui com hipertonia flexora em membro superior e extensora em membro inferior direito, e diminuição da sensibilidade desse lado. No caso de T. S., que apresenta hipertonia das manobras utilizadas na massoterapia, é contraindicada(o) a(o):

(A) deslizamento superficial.

(B) amassamento.

(C) cutilada.

(D) deslizamento profundo.

(E) fricção.

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Antes de mais nada, se você gosta de fazer massagens, não se envergonhe disso. Aprimore-se e seja bom com as mãos. É um recurso INSUBSTITUÍVEL! Já fiz curso de Mulligan, Maitland, Osteopatia e tudo que achei que devia fazer, mas fico admirado quando vejo um bom massoterapeuta atuando.

Nessa questão, a manobra que causaria um aumento de tônus muscular seria a cutilada, descrita abaixo. Vou fazer uma panorâmica sobre as técnicas de massoterapia abaixo. Estou pensando em fazer postagens de referência, onde pegaria um tema e faria uma postagem bem explicativa e abrangente, já que eventualmente os assuntos se repetem nas questões.

DESLIZAMENTO

Ideal para o início de uma sequência de massoterapia permitindo que o paciente se acostume com a sensação transmitida pelas mãos do terapeuta e para que o terapeuta possa sentir os tecidos do paciente. É realizado unidirecionalmente com toda a superfície palmar de uma ou das duas mãos.

Deslizamento superficial: lento e suave – efeito relaxante.

Deslizamento profundo: lento e com uma pressão maior – efeito estimulante para a circulação sanguínea por isso geralmente é realizado na direção do fluxo venolinfático.

EFLLEURAGE (tocar levemente)

É um movimento de deslizamento lento, realizado com pressão crescente e na direção do fluxo venoso e linfático (direção centrípeta). Sempre que possível o movimento termina com uma pausa definida, em um grupo de nodos linfáticos superficiais. É útil para facilitar a circulação e para o acabamento de uma sequência de massagem. É realizada com a superfície palmar de uma ou das duas mãos, alternadamente ou de forma simultânea, sempre de distal para proximal. Ao final de cada movimento, pode-se deixar que as mãos retornem a sua posição inicial por meio de um deslizamento suave, ou podem ser erguidas da superfície do corpo, retornando “pelo ar” até a posição inicial.

PÉTRISSAGE (Pressionar)

Firme pressão aplicada aos tecidos. Abrange diversos movimentos de massagem distintos, entre eles:

Amassamento: músculos e tecidos subcutâneos são alternadamente comprimidos e liberados. O movimento ocorre em um sentido circular. Durante a fase de pressão de cada movimento, a mãos (ou mãos) e a pele se movem conjuntamente sobre as estruturas mais profundas. Durante a fase de liberação (relaxamento), a mãos (ou mãos) desliza suavemente até uma área adjacente, e o movimento é repetido. Visa a mobilização das fibras musculares e de outros tecidos profundos promovendo o funcionamento normal dos músculos. Também tem utilidade na mobilização da tumefação crônica, sobretudo nos locais em que esta tumefação sofreu um processo de organização e está impedindo a movimentação das articulações e do respectivo membro.

Beliscamento: um ou mais músculos são agarrados, erguidos dos tecidos subjacentes, comprimidos e soltos (liberados). O agarramento e a liberação são realizados em um movimento circular, habitualmente na mesma direção das fibras musculares. Visa aumentar a mobilidade muscular, facilitando o movimento articular.

Torcedura: os tecidos são levantados com ambas as mãos e comprimidos alternadamente entre os dedos e o polegar das mãos em oposição. As mãos movimentam-se alternadamente ao longo do eixo longitudinal do músculo, operando transversalmente às fibras musculares e estirando os tecidos. Esta também é uma técnica realizada amplamente em tecido muscular, com a finalidade de mobilização de músculos individuais ou grupos de músculos visando aumentar a mobilidade muscular, facilitando o movimento articular.

Rolamento da pele: os tecidos subcutâneos são rolados sobre as estruturas mais profundas visando a mobilização entre a pele e as estruturas subcutâneas facilitando o movimento articular que possa ter ficado comprometido por uma imobilização excessiva da pele. As mãos repousam completamente, lado a lado, sobre a superfície cutânea, com os polegares esticados e afastados o mais longe possível. Os dedos estendidos arrastam os tecidos na direção dos polegares produzindo uma prega de pele entre os dedos e os polegares. Em seguida, os polegares comprimem os tecidos na direção dos dedos rolando-os em torno daquela parte do corpo em um movimento ondular.

PERCUSSÃO

Abrange vários movimentos distintos de massagem que se caracterizam por partes variadas da mão golpeando os tecidos em uma velocidade bastante rápida. Habitualmente, as mãos operam alternadamente, os pulsos são mantidos flexíveis, de modo que os movimentos são leves, elásticos e estimulantes.

Palmada: as mãos em concha golpeiam rapidamente a superfície cutânea, comprimindo o ar e provocando uma onda de vibração que penetra nos tecidos. As palmadas são realizadas com rapidez visando estimular os tecidos.

Pancada ou batimento: é um movimento em que as mãos fechadas golpeiam, alternadamente, a parte do corpo, de modo que a região dorsal das falanges médias e distais dos dedos e a região tênar e hipotênar da mão entrem em contato com os tecidos. Os objetivos são os mesmos da palmada.

Cutilada ou acutilamento: é um movimento realizado com uma ou duas mãos, em que o bordo ulnar golpeia a superfície da pele em rápida sucessão com o objetivo de criar um efeito estimulante e vigoroso.

Socamento: é o movimento em que as bordas ulnares das mãos frouxamente cerradas golpeiam alternadamente e em rápida sucessão a superfície corporal.

VIBRAÇÃO

Técnica praticada com uma ou duas mãos em que um delicado movimento de agitação ou tremor é transmitido aos tecidos pela mãos ou pela ponta dos dedos.

AGITAÇÃO

Similar a vibração, porém é feito com mais vigor.

FRICÇÃO PROFUNDA (Fricções de Cyriax)

Consistem de movimentos breves, precisamente localizados e profundamente penetrantes realizados em uma direção circular ou transversal com o objetivo de mobilizar tendões, ligamentos, cápsulas articulares e tecidos musculares particularmente se estiverem presentes inflamações ou aderências crônicas. Para que seja obtido um firme contato com a pele não são utilizados lubrificantes.

Fricção circular: é efetuada com a ponta dos dedos ou com os polegares em movimentos circulares. Os dedos devem ser pressionados obliquamente nos tecidos, em seguida são mobilizados em pequenos círculos se aprofundando ligeiramente a cada círculo sucessivo. Desta forma, os tecidos superficiais são mobilizados sobre os tecidos mais profundos. Ao ser atingida a profundidade necessária (comumente após três ou quatro círculos), a pressão é liberada gradualmente, e os dedos são levantados e pousam numa área adjacente.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: C

Alternativa que indico após analisar: C

VUNESP – Prefeitura de São José do Rio Preto/SP 2011 – Questão 42

42. G. C. C., 30 anos, apresentou uma lesão no LCA em jogo de futebol. O teste especial realizado inicialmente para diagnosticar a lesão é:

(A) gaveta anterior.

(B) gaveta posterior.

(C) MacMurray.

(D) compressão e tração de Apley.

(E) posteriorização passiva da tíbia.

 

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Essa é fácil. Lembrem que o ligamento é cruzado, mas a gaveta desliza reta. Ligamento cruzado anterior, Gaveta anterior.

Só para lembrar quem já sabe e atualizar vocês caros colegas estudantes ou que atuam em outras áreas, esse teste é útil pra confirmar, principalmente quando já há uma ruptura completa de ligamentos. Mas existe também um teste chamado Lelli, que deve ser levado em consideração para fins de diagnóstico. Eu gosto de fazer logo uma varredura e faço vários testes.

O teste de Lelli, manobra inventada pelo cirurgião italiano Alessandro Lelli, é o teste funcional mais fidedigno para avaliação da funcionalidade do LCA. O teste pode confirmar a LESÃO LIGAMENTAR PARCIAL OU TOTAL DO LCA. Nas lesões parciais, detecta se o ligamento é funcional ou não. O teste é eficaz na fase aguda, quando o joelho está muito dolorido, e também na fase crônica da lesão. Além disso, não interfere na existência ou não de lesão em outros ligamentos ou estruturas do joelho.

Além dos links da página “Material de estudo”, recomendo o blog do João Maia, de onde pirateei os textos abaixo.

http://fisioterapiajoaomaia.blogspot.pt/search/label/diagn%C3%B3stico%20em%20fisioterapia

Lachman

Descrição
O teste de Lachman é um teste de movimento passivo acessório do joelho, que é executado para identificar a integridade do ligamento cruzado anterior, ou LCA. O teste foi desenvolvido para avaliar a instabilidade do joelho no plano sagital.

Técnica
Com o paciente deitado de barriga para cima, coloque o joelho do paciente a cerca de 20-30º de flexão e a perna deve ser rodada externamente. O examinador deve colocar uma mão atrás da tíbia e outra na coxa do paciente. É importante que o polegar do examinador esteja na tuberosidade tibial. Puxando anteriormente a tíbia, um LCA intacto deve impedir  movimento de translação para a frente da tíbia sobre o fémur. A translação anterior da tíbia associada com um fim de movimento mole indica um teste positivo.

Sensibilidade e fiabilidade

Os três testes mais precisos para a detecção de uma rutura do LCA são o teste de Lachman (sensibilidade de 60 a 100%, média 84%), o teste de gaveta anterior (sensibilidade de 9 a 93%, média 62%), e o teste de pivot-shift (sensibilidade de 27 a 95%, com média de 62%).Se realizado corretamente, um exame completo do joelho para avaliar uma suspeita de lesão do LCA pode ser altamente preciso, com uma sensibilidade e especificidade de 82 e 94%, respectivamente.

Solomon DH, et al. The rational clinical examination. Does this patient have a torn meniscus or ligament of the knee? Value of the physical examination. JAMA. 2001, 286 (13) :1610-1620.

Teste de gaveta anterior

Descrição
O teste de gaveta anterior é comumente usado para testar a integridade do ligamento cruzado anterior (LCA). Este é um dos mais conhecidos e mais utilizados exames especiais em ortopedia e é também um dos mais fáceis de executar.

Técnica
O teste é realizado com o paciente deitado de barriga para cima, com os joelhos dobrados a cerca de 90º. O examinador senta-se em ambos os pés do paciente e coloca suas mãos em torno da tíbia superior da perna a examinar. Os polegares de ambas as mãos devem ficar na tuberosidade anterior da tíbia. A partir desta posição o examinador puxa a tíbia para si. Este teste é considerado positivo se houver translação anterior excessiva e uma sensação de fim de movimento mole, que é indicativo de que o movimento é parado não pelo LCA, mas sim por estruturas secundárias. O examinador deve fazer o mesmo teste com a outra perna como comparação.

Sensibilidade e fiabilidade
Os três testes mais precisos para a detecção de uma rutura do LCA são oteste de Lachman (sensibilidade de 60 a 100%, média 84%), o teste de gaveta anterior (sensibilidade de 9 a 93%, média 62%), e o teste de pivot shift (sensibilidade de 27 a 95%, com média de 62%).
Se realizado corretamente, um exame completo do joelho para avaliar uma suspeita de lesão do LCA pode ser altamente preciso, com uma sensibilidade e especificidade de 82 e 94%, respectivamente.

Solomon DH, et al. The rational clinical examination. Does this patient have a torn meniscus or ligament of the knee? Value of the physical examination. JAMA. 2001, 286 (13) :1610-1620.

Teste de stress em varo do joelho

Descrição
Este teste é usado para avaliar a integridade do ligamento colaterial lateral. O ligamento colateral lateral é importante para resistir à força em varo no joelho devido da sua inserção ao longo do fémur e cabeça do perónio. Como o nervo peronial localizado ao redor da cabeça do perónio, qualquer lesão em varo do joelho poderá lesar o nervo peronial também.

Técnica
O paciente deve estar deitado de barriga para cima, com a perna a testar relaxada. O examinador deve passivamente dobrar a perna a cerca de 30º de flexão. Enquanto palpa a linha lateral da articulação, o examinador deverá aplicar uma força em varo ao joelho do paciente. Um teste positivo ocorre quando se observa dor ou movimento excessivo da articulação (algum deslizamento lateral é normal a 30º de flexão do joelho). O examinador deve certificar-se que não produziu uma rotação da anca durante a aplicação da força. Em seguida, o examinador deve repetir o teste com o joelho na posição neutra (0 º de flexão). O teste  é positivo quando se observa dor ou deslizamento lateral.

Precisão do teste
A sensibilidade do teste de stress em varo do joelho é de 25% para o diagnóstico de lesões no ligamento colateral lateral.

Harilainen A. “Evaluation of knee instability in acute ligamentous injuries.” Ann Chir Gynaecol 1987, 76 (5) :269-273.

Teste de stress em valgo do joelho

Descrição
Este teste é usado para avaliar a integridade do ligamento colateral medial do joelho (LCM). O ligamento colateral medial é importante para resistir à força em valgo no joelho devido à sua inserção ao longo do fémur, menisco e da tíbia. O LCM também desempenha um papel importante na restrição da rotação externa da tíbia.

Técnica
O paciente deve estar deitado de barriga par cima, com a perna a testar relaxada. O examinador deve passivamente dobrar a perna a cerca de 30º de flexão. Enquanto palpa a linha articular medial, o examinador deverá aplicar ao joelho do paciente uma força em valgo. Um teste positivo ocorre quando se observa dor ou movimento excessivo da articulação (algum deslizamento lateral é normal a 30º de flexão do joelho). O examinador deve certificar-se que não produziu uma rotação da anca durante a aplicação da força. Em seguida, o examinador deve repetir o teste com o joelho na posição neutra (0 º de flexão). O teste  é positivo quando se observa  dor ou deslizamento lateral. Não deve haver nenhum deslizamento lateral na extensão completa do joelho.

Precisão do teste
A 30º de flexão a sensibilidade do teste de stress em valgo do joelho é de 86-96% para o diagnóstico de lesões no ligamento colateral medial.

Garvin GJ, Munk PL, AD Vellet. “Tears of the medial collateral ligament: magnetic resonance imaging findings and associated injuries.” Assoc Can J Radiol 1993; 44 (3): 199-204.

Harilainen A. “Evaluation of knee instability in acute ligamentous injuries.” Ann Chir Gynaecol 1987, 76 (5): 269-273.

Teste de Apley

Descrição
O teste de Appley é usado para avaliar pacientes com suspeita de lesão nosmeniscos do joelho. O diagnóstico deste tipo de lesões meniscais pode ser difícil por os meniscos serem avasculares e não terem suprimento nervoso nos seus dois terços internos, resultando em muito pouca dor ou inchaço quandoocorre uma lesão.

Técnica
Adendo: Teste de distração de Apley
O ideal é realizar em um tablado, paciente em decúbito ventral, fisioterapeuta apoia o joelho dele na perna do paciente, joelho flexionado, estaremos realizando o teste dos ligamentos colaterais; Puxa para cima a perna e roda para lateral. Medial estaremos testando os ligamentos cruzados, puxa para cima a perna e roda para região medial.
Teste de Apley
Colocar o paciente em decúbito ventral, com o joelho flexionado a 90º. O examinador  roda então a tíbia lateral e medialmente, combinando este movimento primeiro com distração e depois com compressão. Se a rotaçãoacrescida de distracção é mais dolorosa ou mostra amplitude de rotaçãoaumentada em relação ao normal para aquele joelho (testar joelho contralateral), a lesão é provavelmente ligamentosa. Se a rotação acrescida de compressão é mais dolorosa ou mostra rotação diminuída em relação aonormal, a lesão é provavelmente no menisco.

Sensibilidade e fiabilidade
Num estudo prospectivo comparando os sintomas dolorosos pré-operatórios na interlinha articular do joelho com as descobertas de lesões meniscais efectivas por artroscopia nesse joelho, a sensibilidade deste teste foi entre 86% e 92%, com uma taxa de precisão global de 74% a 96% para o menisco medial e lateral, respectivamente.

Scholten RJ, Deville WL, Opstelten W, Bijl D, van der Plas CG, Bouter LM. Theaccuracy of physical diagnostic tests for meniscal lesions Assessing of the knee: a meta-analysis. J Fam Pract. 2001, 50:938-944.

Hegedus EJ, Cook C, Hasselblad V, Goode A, McCrory DC. Physical examinationtests for Assessing the torn meniscus in the knee: a systematic review withmeta-analysis. Journal of Orthopaedic and Sports Physical Therapy, 2007, 37(9), 541-50.

Teste de McMurray

Descrição
O teste de McMurray é usado é usado para avaliar pacientes com suspeita de lesão nos meniscos do joelho.

Técnica
Com o paciente deitado de barriga para cima, o examinador segura o joelho e palpa a linha interarticular com o polegar de um lado e os dedos do outro, enquanto que a outra mão segura a planta do pé e actua de modo a suportar o membro e proporcionar o movimento desejado. Neste caso o examinador em seguida, aplica uma tensão de valgo ao joelho, enquanto que, com a outra mão, roda externamente a perna e estende o joelho. Dor e/ou um estalido enquanto executa esta manobra pode indicar uma rutura do menisco medial. Para examinar o menisco lateral, o examinador repete esse processo mas aplica um uma força para varo no joelho e rotação medial da tíbia antes de estender o joelho mais uma vez.

Sensibilidade e fiabilidade
Uma recente meta-análise relatou valores de sensibilidade e especificidade de 70% e 71%. Este teste foi, por conseguinte, muitas vezes referido como sendo de limitado valor na prática clínica atual. No entanto, se os resultados positivos neste teste forem agrupados com os resultados positivos de outros testes, como o teste de Apley, o teste pode ser mais válido.

Hegedus EJ, Cook C, Hasselblad V, Goode A, McCrory DC. (2007) Physical examination tests for Assessing the torn meniscus in the knee: a systematic review with meta-analysis. Journal of Orthopaedic and Sports Physical Therapy, 37 (9), 541-50

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: A

Alternativa que indico após analisar: A

VUNESP – Prefeitura de São José do Rio Preto/SP 2011 – Questão 41

41. C. F. M., 40 anos de idade, apresentou pela quarta vez nos últimos dois anos síndrome do impacto. Ao exame físico, observa-se que não há diminuição do ritmo escapuloumeral, porém a radiografia indica que há uma alteração óssea congênita do acrômio. A modificação na mecânica do movimento que essa alteração congênita provoca e predispõe à síndrome do impacto é a(o):

(A) diminuição do espaço de deslizamento do tendão supraespinal entre o arco coracoacromial e a cabeça do úmero.

(B) diminuição do espaço de deslizamento do tendão do bíceps entre o arco coracoacromial e a cabeça do úmero.

(C) aumento do espaço de deslizamento do tendão supraespinal entre o arco coracoacromial e a cabeça do úmero.

(D) aumento do espaço de deslizamento do tendão infraespinal entre o arco coracoacromial e a cabeça do úmero.

(E) diminuição do espaço de deslizamento do tendão infraespinal entre o arco coracoacromial e a cabeça do úmero.

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Qualquer alteração que provoque aumento de espaço de deslizamento seria uma ajuda, não uma causa. Eliminamos as alternativas “C” e “D”. Por definição a síndrome do impacto acomete o supraespinhoso de forma mais intensa. Inflamação apenas do tendão do bíceps leva a outra patologia, que é chamada de tendinite biciptal, além disso o tendão do bíceps é intra-articular. O infraespinhoso tem nada com isso.

O supraespinhoso é o cara. Trabalha numa desvantagem terrível, fazendo movimentos repetitivos e não se queixa até que abusam da boa vontade dele. O cara é gente boa, aguenta pancada sem se queixar, mas quando chega no limite… aí complica.

Tendinopatias de ombro são desafios duros para o fisioterapeuta, principalmente quando o individuo precisa trabalhar do jeito que está. Por mais que busquemos proporcionar um alívio para os sintomas de dor ou queimação, temos que atuar também preventivamente, procurando saber como são as atividades do trabalho e onde é possível melhorar, seja ergonomicamente em posturas e posições dos membros superiores, seja na própria natureza do movimento repetitivo que pode estar agravando o problema. Períodos de pausa também são necessários. Bom, isso é uma caso a parte que pretendo desenvolver em outro texto, Mas tenho a sensação que a maior parte dos fracassos terapêuticos que protagonizei são relativos às tendinopatias de ombro em trabalhadores que utilizam os braços de forma repetitiva e contínua.

A dor na articulação do ombro é comumente causada por um impacto entre o arco coracoacromial (formado pela parte anterior do acrômio, pelo ligamento coracoacromial e pelo processo coracoide) e a superfície inferior da articulação acromioclavicular contra a superfície superior da cabeça do úmero, comprimindo as estruturas que se encontram no espaço subacromial como a bolsa subacromial, o tendão do músculo supraespinhal e a porção intra-articular do tendão da cabeça longa do músculo bíceps braquial (KESSEL e WATSON, 1977; NEER e WELSH, 1977; CALIŞ et al., 2000; CURATOLO e BOGDUKE, 2001).

Referência:

2013, Ferreira, Fernanda Guerra. ESTUDO RADIOGRÁFICO DO ÍNDICE ACROMIAL E DO TIPO DE ACRÔMIO E SUA RELAÇÃO COM AS; LESÕES DO MANGUITO ROTADOR, acesso em 20Jan2018, disponível em http://www.ufjf.br/facfisio/files/2013/09/TCC-Fernanda-Guerra-Ferreira.pdf .

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: A

Alternativa que indico após analisar: A

VUNESP – Prefeitura de São José do Rio Preto/SP 2011 – Questão 40

40. R. S., 40 anos, obeso, sedentário, relata dor na região lombar, porém não possui nenhuma alteração de ordem musculoesquelética ou de outra origem para tal dor. Foi encaminhado à clínica interdisciplinar, especificamente ao fisioterapeuta e ao educador físico. Após avaliação, os profissionais envolvidos optaram inicialmente por um programa de exercícios aeróbicos para auxiliar na perda de peso e, consequentemente, na melhora da dor lombar. Para tal programa, deve-se estabelecer o seguinte:

I. frequência cardíaca alvo e frequência cardíaca máxima;

II. fazer um aquecimento gradual de 15 a 20 minutos, incluindo alongamento e movimentos repetitivos em baixa velocidade, aumentando gradualmente o esforço;

III. iniciar um programa de atividade que não desencadeie uma resposta cardiovascular acima da frequência cardíaca de exercício;

IV. a atividade aeróbica deve ser feita no mínimo três vezes na semana.

Dentre os tópicos elencados, está correto o contido em

(A) I, II e III, apenas.

(B) I, II e IV, apenas.

(C) I, III e IV, apenas.

(D) II, III e IV, apenas.

(E) I, II, III e IV.

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Considero essa uma outra pegadinha e inclusive errei quando fiz essa prova.

Aqui nós lemos o enunciado com total atenção, buscando qualquer detalhe que influencie na escolha da resposta. Depois vamos analisar as 4 assertivas. Tudo certo. Tudo parece correto….. mas….. não está!

As assertivas II e III são conflitantes. Ou se decide iniciar os exercícios de forma gradual, ou se decide com exercício. Entra as duas, a assertiva II parece mais indicada pro perfil do paciente e de pacientes sedentários ou idosos em geral. No entanto, no enunciado é bem claro que o paciente em questão “não possui nenhuma alteração de ordem musculoesquelética ou de outra origem para tal dor.”. Portanto, devemos desconsiderar essa assertiva II.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: C

Alternativa que indico após analisar: C

VUNESP – Prefeitura de São José do Rio Preto/SP 2011 – Questão 35

35. A ação que possui nível A de evidência (produzido por resultados consistentes fornecidos por uma revisão sistemática de alta qualidade com vários ensaios clínicos randomizados), fornecida pelo European Guidelines for Prevention in Low back Pain para prevenção de lombalgia, consiste em

(A) prática de exercícios.

(B) uso de cintos e suportes lombares.

(C) uso de adaptações ergonômicas no trabalho.

(D) uso de tapetes antifadiga.

(E) uso de sapatos com palmilhas macias.

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Evidência para tratamento de lombalgia, sempre exercício físico. Esse concurso é de 2011 e da lá pra cá a coisa só pendeu favorável pro lado dos exercícios físicos. Claro que não é qualquer exercício que um indivíduo em crise de dor lombar pode fazer, inclusive muitos deles pioram uma lombalgia aguda. Essa é a arte e a beleza da Fisioterapia: com exercícios simples, mas na medida e no momento adequado, indicados progressivamente, obtemos resultados melhores que se o indivíduo se tratasse apenas com exercícios inespecíficos ou analgésicos e anti-inflamatórios.

Recursos eletro e termo-terapêuticos possuem certa dificuldade em comprovar resultados no que se refere a melhora da função, apesar de muitos mostrarem bom resultado para analgesia de curto prazo. Acupuntura também tem boa evidência. A combinação dos recursos terapêuticos manuais e exercícios físicos individualizados é o que pode garantir o sucesso do tratamento para lombalgias.

No caso dessa questão em especial o que se pede é a prevenção, mas a regra é a mesma. Atividade física regular, controle do stress no trabalho e na vida pessoal, adaptações ergonômicas nas atividades do trabalho e consciência corporal me parecem ser a combinação ideal para prevenção de dores de forma geral.

A guideline europeia que encontrei disponível por aí é de 2004, provavelmente foi a utilizada na época da prova.

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3454541/pdf/586_2006_Article_1070.pdf

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: A

Alternativa que indico após analisar: A

VUNESP – IAMSP/HSPE 2011 – Questão 57

57. Na avaliação fisioterapêutica da marcha na criança, é normal a verificação de variados graus de pé chato por vota de 2 anos de idade. Isso se deve ao fato

(A) da hipermobilidade articular característica da idade e ao coxim adiposo medial do bebê.

(B) da hipermobilidade articular característica da idade e ao coxim adiposo lateral do bebê.

(C) da postura de pé em base estreita da criança para melhor equilíbrio.

(D) de o arco plantar desenvolver-se a partir dos 6 anos de idade na maioria das crianças.

(E) da rotação lateral dos pés juntamente com a flexão de joelhos durante a marcha da criança.

Alternativas “C” e “E” absurdas. A “D” diz que é a partir de, quando aos 6 anos esse desenvolvimento de arco de pé normalmente se encerra.

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Entre as alternativas “A” e “B”, a “A” é a correta.

Vou melhorar esse post durante a semana e retire essa frase. Por enquanto fiquem com algo pra ler sobre isso:

Há três tipos de arco plantar, que são formados pelos ossos tarsicos e metatársicos: arco transverso que é responsável pela sustentação de grande parte do peso corporal, longitudinal medial (contribui dinamicamente na absorção dos choques) e lateral que dá apoio à sustentação do peso. O pé é dividido em dois arcos, um longitudinal (constituído por um arco medial e um lateral) e outro transverso (constituído por um arco proximal e um distal). Existem três tipos de pé: pé normal, pé plano ou chato e pé cavo.

O arco longitudinal medial se forma mais tardiamente em crianças obesas, sofrendo maiores alterações na passagem dos 8 para os 9 anos de idade, o que demonstra atraso nesse desenvolvimento quando comparado a crianças não obesas, as quais apresentam maior alteração dos 5 para os 6 anos de idade. A detecção da alteração do arco pode apresentar pé plano, supino, varo, valgo associados com alterações nos joelhos e tornozelos, ás vezes alterações posturais.

Como se forma o arco plantar

Todas as crianças nascem com os pés planos. Na primeira infância os pés possuem um coxim de gordura sob a sola o qual diminui gradualmente com o passar do tempo. É justamente este coxim que faz os pés parecerem chatos. O arco longitudinal do pé não está presente ao nascimento e seu desenvolvimento é mais evidentemente a partir dos 5 anos de idade. Este é um processo que ocorre ao longo do crescimento e não é afetado pela presença ou ausência de apoio do arco externo (ou seja: não adianta comprar botinha ortopé).

Portanto, após os 6 anos de idade, muitas das crianças cujos pais identificaram o pé-chato, irão formar o arco longitudinal medial do pé como consequência do desenvolvimento normal do sistema musculoesquelético.

Um  jeito fácil de comprovar que a maioria das crianças pequenas tendem ater o pé chato é ir a uma festa infantil dessas que são feitas em mega salões de festa. Nestes aniversários as crianças tendem a correr descalças pra cima e pra baixo. Você poderá constatar que existe uma epidemia de pés-chatos!!!

http://fisioterapiahumberto.blogspot.com.br/2012/03/

http://www.efdeportes.com/efd187/alteracoes-do-arco-plantar-em-criancas.htm

https://www.estesl.ipl.pt/sites/default/files/ficheiros/pdf/st5_art1.pdf

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: A

Alternativa que indico após analisar: A