AOCP – EBSERH – UFGD/MS Respiratória 2014 – Questão 34

34. O padrão respiratório em pacientes com TCE deve ser avaliado, pois não só pode servir como sinal de deterioração neurológica, mas indicar medidas protetoras imediatas. Assinale a alternativa correspondente ao padrão caracterizado por “total ausência na regularidade do ritmo, frequência e profundidade respiratória”, que ocorre por lesão no nível do bulbo ou da medula.

(A) Respiração de Cheyne-Stokes.

(B) Respiração apnêustica.

(C) Respiração atáxica.

(D) Respiração de Kussmaul.

(E) Hiperpneia neurogênica central.

vocesufoca

Alguns padrões respiratórios anormais:

– Respiração de Cheyne-Stokes: caracteriza-se por ciclos de hiperventilação e hipoventilação (até apnéia); tal padrão é observado nas lesões hemisféricas bilaterais, principalmente decorrentes de hipoxia. (John Cheyne, médico escocês, 1777-1836)

– Hiperventilação neurogênica central: padrão respiratório rápido (freqüência em torno de 25 incursões/min), regular e profundo; embora tenha um valor localizatórjo específico, descrita em lesões mesencefálicas.

– Respiração apnêustica: há uma fase inspiratória prolongada seguida por apnéia, que pode ser seguida por uma salva inspiratória; este padrão ocorre nas lesões pontinas.

– Respiração de Biot (ou atáxica): ritmo totalmente irregular e sem sincronismo, caracteristicamente observado em lesões bulbares. tipo de respiração curta e rápida com pausas que duram entre 10 a 30 segundos. Pode ser observada em casos de meningite, sendo sinal de mau prognóstico. (Camile Biot, médico francês, 1878-1963)

– Respiração deprimida: consiste num padrão superficial, lento e ineficaz, causado por depressão bulbar geralmente por drogas.

– Respiração Kussmaul: tipo de respiração em que se verifica uma inspiração rápida e profunda, seguida de uma pausa, uma expiração súbita, em geral seguida de nova pausa. Encontra-se nos doentes em coma diabético e é uma respiração com hiperventilação que tenta compensar a acidose diabética.(Adolf Kussmaul, médico alemão, 1822-1902)

E um último vídeo com resumos para ajudar:

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: C

Alternativa que indico após analisar: C

AOCP – EBSERH – UFGD/MS Respiratória 2014 – Questão 33

33.São indicações da Ventilação Não Invasiva (VNI), EXCETO

(A) edema agudo de pulmão cardiogênico.

(B) pneumotórax não drenado.

(C) apneia do sono obstrutiva.

(D) atelectasias.

(E) doença neuromuscular.

VNI

Recomendações para VNI:

– Exacerbação da DPOC (Recomendação A)
– Edema Agudo de Pulmão Cardiogênico (Recomendação A)
– Isuficiência Respiratória Hipoxêmica: Pneumonia, Sindrome do Desconforto Respiratório Agudo ou Lesão Pulmonar Aguda (Recomendação B)
– Exacerbação da Asma (Recomendação B)
– Insuficiência Respiratória Hipoxêmica em condições especiais (Recomendação B): Imunossuprimido, Pós transplante e Pós-ressecção pulmonar.
– Pacientes terminais quando a causa da IrpA for potencialmente resolvida (Recomendação B).
– Período Pós-operatório para tratamento da IrpA (Recomendação B)
– Não deve ser utilizada como método de resgate da insuficiência respiratória pós extubação, pois pode retardar a re-intubação. ( Recomendação A)
– VNI como estratégia de desmame (Recomendação B). O uso da VNI como estratégia para facilitar o desmame da VM invasiva apresenta evidências altamente encorajadoras, principalmente em se tratando de pacientes portadores de DPOC
– Neste momento não podemos recomendar o uso rotineiro de VNI como adjuvante no desmame de pacientes em VM. Sugere-se a sua utilização em pacientes com DPOC e em um ambiente altamente controlado
– Pacientes que não necessitam de intubação de emergência ou que têm uma doença que conhecidamente respondem ao uso da VNI
– Outras situações: Neuro-musculares em insuficiência respiratória, deformidades torácicas, apnéia obstrutiva do sono e apnéia central.
– Seleção de pacientes para VNI requer uma análise cuidadosa de suas indicações e contra-indicações.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: B

Alternativa que indico após analisar: B

AOCP – EBSERH – UFGD/MS Respiratória 2014 – Questão 32

32. Sobre a Ventilação de Alta Frequência (VAF), assinale a alternativa correta.

(A) Quando comparada à ventilação convencional, minimiza o potencial de lesões por diminuir o processo repetitivo de abertura e fechamento alveolar.

(B) Atualmente, vem sendo utilizada de forma precoce, como recurso de escolha em casos de insuficiência respiratória.

(C) Esta técnica promove ventilação adequada por meio de uma circulação de ar mais amena.

(D) Requer volumes corrente baixos, em torno de 4 a 7 ml/ Kg.

(E) Uma de suas vantagens é que, mesmo na ausência de um recrutamento alveolar efetivo, a VAF é capaz de ventilar com perfeição, atendendo às necessidades do paciente.

pulmao-artificial

Mesmo sem saber o que é essa tal de VAF, dá para perceber que as alternativas “B”, “C” e “E” são incorretas.

Restam “A” e “D” como alternativas possíveis.

A alternativa “A”, apesar de chegar a uma conclusão coerente, tem o erro de dizer que uma técnica que utiliza maior frequencia pode ter menor potencial de causar lesão. Só resta a “D” mesmo.

Mas vamos descobrir o que é essa VAF, que é uma modalidade utilizada na ventilação mecânica.

Ventilação Oscilatória de Alta Frequência (VOAF)

Apesar de não ter sido demonstrada redução de mortalidade com o seu uso, a VOAF é estratégia ventilatória protetora que pode melhorar a oxigenação e reduzir o aparecimento de lesão pulmonar induzida pela ventilação mecânica nas doenças que cursam com redução da complacência pulmonar, nas quais a ventilação convencional protetora falhou ou quando há necessidade do uso de parâmetros lesivos para os pulmões (FiO2 > 0,6 ou pico de pressão >34 cmH2O). Lembrar que a utilização precoce parece ser mais benéfica.

Grau de evidência: A

A Ventilação de alta frequência oscilatória (VAFO) reduz o volume corrente ao mínimo e aplica uma pressão de distensão contínua acima da PEEP, permitindo com o seu uso que sejam alcançados objetivos significantes da estratégia protetora, como a prevenção da lesão pulmonar que ocorre com o fechamento e reabertura cíclica dos alvéolos. Estudos em adultos que incluíram meta-análise e ensaio randomizado controlado, concluíram que em pacientes com LPA, a VOAF não levou à benefícios, mas que pode ter um papel benéfico quando utilizada em casos de SDRA mais severos. Inicialmente, a VOAF foi utilizada como estratégia de resgate quando outros modos de ventilação falhavam. Em 1997, Fort et al. descreveram o uso da VOAF em 17 adultos com SDRA e observaram melhora da relação PaO2/FiO2 e do índice de oxigenação em 13 pacientes, com 53% de mortalidade.
Subsequentemente, vários outros autores publicaram sua experiência com este modo ventilatório. Em 2002, o MOAT (Multicenter Oscillatory Ventilation for Acute Respiratory Distress Syndrome Trial) comparou a alta frequência com ventilação com pressão-controlada. A VOAF associou-se com melhora mais rápida da relação PaO2/FiO2 quando comparada com a ventilação convencional27. Os autores concluíram que a VOAF é segura e efetiva para tratamento da SDRA. Mehta et al.28, em 2004, concluíram que a VOAF tem efeitos benéficos sobre a oxigenação, pode ser tratamento de resgate efetivo na hipoxemia grave e que sua instituição precoce pode ser vantajosa.

Vantagens teóricas:
manter as vias aéreas abertas 
menor volume fásica e mudança de pressão 
troca de gás a pressões significativamente mais baixos das vias aéreas 
menos envolvimento do sistema cardiovascular 
menos depressão da produção de surfactante endógeno.
VAFO é recomendado para reduzir o barotrauma pulmonar e lesão pulmonar conseqüente não-homogênea patologia pulmonar, vazamentos de ar, Pulmonar Persistente Hipertensão do recém-nascido (HPP) e ventilação de bebês prematuros. 

Contraindicações:
obstrução pulmonar de aspiração de mecônio fresco 
displasia broncopulmonar 
RSV bronquiolite 
hemorragia intracraniana.

Complicações:
hiperinsuflação pulmonar em doenças pulmonares obstrutivas 
hemorragias intracranianas; Redução da frequência cardíaca atribuída ao aumento da atividade vagal; displasia broncopulmonar devido a ventilação pulmonar não homogênea necrotizante; traqueobronquite, aumento da permeabilidade do epitélio do pulmão e umidificação insuficiente de traqueo-brônquicas secreções.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: D

Alternativa que indico após analisar: D

IADES – EBSERH – UFTM/MG 2013 – Questão 50

50. Assinale a alternativa que indica onde o quadríceps realiza uma contração do tipo isotônica excêntrica.

(A) Subir degrau.

(B) Descer degrau.

(C) Extender o joelho.

(D) Fletir o joelho.

(E) Levantar a partir da posição sentado.

cachorro sobre a agua

Última questão dessa prova. A Vunesp tem uma questão bem parecida, só que ela realizou mais de 10 anos atrás.

A “C” é errada, ali é contração isotonica concêntrica de quadríceps. A “D” também é o mesmo tipo, mas da musculatura dos isquiotibiais. Na “E”, ambos os quadríceps realizam contração isotônica concêntrica.

Restam “A” e “B”. Se pensarmos no MI em CCF, a resposta é a alternativa “B”, descer escadas. Ao subirmos uma escada, o MI em CCF está realizando o movimento de contração concêntrica, o que torna esta alternativa incorreta, mas tenho minhas dúvidas quanto ao MI em CCA, que não me parece realizar apenas a contração concêntrica de isquitibiais, mas teria que embasar muito bem um recurso nesse caso.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: B

Alternativa que indico após analisar: B

IADES – EBSERH – UFTM/MG 2013 – Questão 49

49. Para traçar um diagnóstico fisioterapêutico ou cinético funcional e no desenvolvimento de um processo de reabilitação, o fisioterapeuta precisa saber definir e diferenciar deficiência, limitação funcional, incapacidade e invalidez. A respeito dessas quatro situações, assinale a alternativa correta.

(A) Limitação funcional são perdas ou anormalidades da estrutura ou função fisiológica, psicológica ou anatômica.

(B) Deficiências são perdas ou anormalidades da estrutura ou função fisiológica, psicológica ou anatômica.

(C) Incapacidade são perdas ou anormalidades da estrutura ou função fisiológica, psicológica ou anatômica.

(D) Deficiências são restrições da capacidade de realizar uma ação física, uma atividade ou uma tarefa de uma maneira eficiente, tipicamente esperada.

(E) Incapacidade são restrições da capacidade de realizar uma ação física, uma atividade ou uma tarefa de uma maneira eficiente, tipicamente esperada.

deficiencia

A ICIDH propõe uma classificação da conceituação de deficiência que pode ser aplicada a vários aspectos da saúde e da doença, sendo um referencial unificado para a área. Estabelece, com objetividade, abrangência e hierarquia de intensidades, uma escala de deficiências com níveis de dependência, limitação e seus respectivos códigos, propondo que sejam utilizados com a CID pelos serviços de medicina, reabilitação e segurança social. Por essa classificação são conceituadas:

Deficiência: perda ou anormalidade de estrutura ou função psicológica, fisiológica ou anatômica, temporária ou permanente. Incluem-se nessas a ocorrência de uma anomalia, defeito ou perda de um membro, órgão, tecido ou qualquer outra estrutura do corpo, inclusive das funções mentais. Representa a exteriorização de um estado patológico, refletindo um distúrbio orgânico, uma perturbação no órgão.

Incapacidade: restrição, resultante de uma deficiência, da habilidade para desempenhar uma atividade considerada normal para o ser humano. Surge como conseqüência direta ou é resposta do indivíduo a uma deficiência psicológica, física, sensorial ou outra. Representa a objetivação da deficiência e reflete os distúrbios da própria pessoa, nas atividades e comportamentos essenciais à vida diária.

Desvantagem: prejuízo para o indivíduo, resultante de uma deficiência ou uma incapacidade, que limita ou impede o desempenho de papéis de acordo com a idade, sexo, fatores sociais e culturais Caracteriza-se por uma discordância entre a capacidade individual de realização e as expectativas do indivíduo ou do seu grupo social. Representa a socialização da deficiência e relaciona-se às dificuldades nas habilidades de sobrevivência.

Na CIDID evitou-se utilizar a mesma palavra para designar as deficiências, incapacidades e desvantagens.
Assim, para uma deficiência foi adotado um adjetivo ou substantivo, para uma incapacidade, um verbo no infinitivo e para uma desvantagem, um dos papeis de sobrevivência no meio físico e social.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: B

Alternativa que indico após analisar: B

IADES – EBSERH – UFTM/MG 2013 – Questão 48

48. As articulações são classificadas de maneira a identificar a função de cada uma delas, a partir de três tipos: sinartrose, anfiartrose e diartrose. Assinale a alternativa que apresenta, respectivamente, exemplos dessas articulações.

(A) Sínfise púbica, sindesmose radio ulnar e articulação glenoumeral.

(B) Sínfise púbica, sindesmose radio ulnar e articulação costo-esternal.

(C) Sínfise púbica, articulação costo-esternal e articulação glenoumeral.

(D) sindesmose radio ulnar, sínfise púbica e articulação glenoumeral.

(E) sindesmose radio ulnar, sínfise púbica e articulação costo-esternal.

articulações caninas

Questão simples, apenas pelos prefixos dá para resolver. Deixo de mão beijada uma tabela do livro do Kendall sobre classificações de articulações.

Sinartrose(tecido fibroso).
Sindesmose. Imóvel. Ex. Tibiofibular distal
Sutura. Imóvel. Ex. Suturas do crânio.
Gonfose. Imóvel. Ex. Dente no interior do alvéolo.

Arfiartrose(Tecido cartilaginoso).
Sincondrose. Discretamente móvel. Ex. Primeira esternocostal.
Sínfise. Discretamente móvel. Ex. Sínfise púbica.

Diartrose(Tecido sinovial).
Esferoide. Todos os movimentos. Ex. Quadril e ombro.
Gínglimo. Flexão e extensão. Ex. Cotovelo.
Gínglimo modificado. Flexão, extensão e discreta rotação. Ex. Joelho e tornozelo.
Elipsoide ou condiloide. Todos, exceto rotação e oposição. Ex. Metacarpo e metatarsofalangeanas.
Trocoide ou pivo. Supinação, pronação e rotação. Ex. Atlantoaxial e radioulnar.
Recepção recíproca ou sela. Todos, exceto rotação. Ex. Calcaneocuboide e carpometacarpal.
Plana ou deslizante. Deslizamento. Ex. Tibiofibular proximal.
Combinada – ginglimo e deslizante. Flexão, extensão e deslizamento. Ex. Temporomandibular.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: D

Alternativa que indico após analisar: D

IADES – EBSERH – UFTM/MG 2013 – Questão 47

47. A transmissão de um impulso elétrico, proveniente de um potencial de ação de uma fibra nervosa, chega à fenda sináptica e libera um neurotransmissor, que se liga a um receptor na membrana pós-sináptica e desencadeia um potencial de ação na fibra muscular, promovendo a contração dessa fibra. O neurotransmissor liberado na fenda sináptica é

(A) a adrenalina.

(B) a noradrenalina.

(C) a endorfina.

(D) a serotonina.

(E) a acetilcolina.

Neurotransmisores

A acetilcolina é um neurotransmissor, ou seja, uma substância química produzida pelos neurônios com a função de biossinalização. Por meio deles, envia-se informações a outras células e podem também estimular a continuidade de um impulso ou efetuar a reação final no orgão ou músculo alvo. É o único neurotransmissor utilizado no sistema nervoso somático e um dos muitos neurotransmissores do sistema nervoso autônomo. É também o neurotransmissor de todos os gânglios autônomos. No sistema nervoso somático, a contração muscular ocorre devido à liberação desta substância pelas ramificações do axônio.

As Catecolaminas (norepinefrina, epinefrina e dopamina) são importantes neurotransmissores. Norepinefrina (sinônimo de Noradrenalina) e Epinefrina (sinônimo de Adrenalina) são formadas e secretadas no Sistema Nervoso Central e na medula da glândula Supra-Renal.

A endorfina é um neuro-hormônio produzido pelo próprio organismo na glândula hipófise. Sua denominação se origina das palavras endo (interno) e morfina (analgésico).

A serotonina é um neurotransmissor que atua no cérebro regulando o humor, sono, apetite, ritmo cardíaco, temperatura corporal, sensibilidade a dor, movimentos e as funções intelectuais.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: E

Alternativa que indico após analisar: E