FUNRIO – SESDEC/RJ 2008 – Questão 12

12. O paciente portador de dor crônica é o desafio diário do fisioterapeuta, cuja avaliação sistemática inclui a(o)(s):

A) incursões respiratórias.

B) frequências cardíaca e respiratória.

C) escala de Glasgow.

D) assimetrias posturais.

E) transtornos sensitivo-motores.

dor

Vamos eliminar de cara as alternativas “A”, “B” e “C”. Na dor crônica podemos até avaliar a capacidade respiratória, mas isso é algo secundário nesse quadro. E Glasgow, é a escala utilizada para coma.

Restam as alternativas “D” e “E”.

Na “D”, realmente, isso não pode passar despercebido numa boa avaliação, pois qualquer assimetria em membros inferiores, quadril, coluna ou ombros pode ser indicativa da presença de uma cadeia lesional, como por exemplo uma escoliose que pode ter sua origem na diferença de comprimento de membros inferiores. Alternativa correta.

Na “E”, acredito que esse termo está sendo utilizado para se referir a parestesias, espasticidade e outros sinais de lesões neurológicas que não são relacionadas à dor crônica encontrada comumente na ortopedia. Por isso a julgaria incorreta, mas levando a coisa “Ipsis litteris”, essa alternativa está correta também, porque a dor pode ser considerada um transtorno sensitivo.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: D

Alternativa que indico após analisar:  D.

FUNRIO – SESDEC/RJ 2008 – Questão 11

11. Dentre as várias funções biomecânicas do músculo grande dorsal, não podemos atribuir-lhe a:

A) rotação interna do braço.

B) adução do braço.

C) elevação da pelve.

D) adução da escápula.

E) depressão escapular.

musculo latissimo d dorso

Grande dorsal FUNRIO?

A última atualização da nomenclatura anatômica, ocorreu em fevereiro de 1998, quando a Federação Internacional de Anatomistas reuniu-se na em Mainz, na Alemanha, para apresentar a nova “Nomina Anatômica”. Entre os princípios gerais, estão que o idioma oficial é o latim, podendo ser traduzido para o vernáculo do país. Também foi preconizado a abolição dos epônimos, ou seja, os nomes dados a estruturas permanentes do corpo humano.

Acho isso muito justo, afinal, não é porque eu descrevo em um livro que o cotovelo tem uma ponta que essa ponta deve se chamar “eminência óssea do André”, o nome da estrutura é olécrano e pronto. Abaixo o egocentrismo |o/.

Mas voltando ao tema, desde 1998 o grande dorsal deve ser chamado de latíssimo do dorso.Rápida revisão:

latissimo do dorso

Inserção Medial: Processos espinhosos da 6ª últimas vértebras torácicas e todas lombares, crista do sacro, 1/3 posterior da crista ilíaca e face externa da 4 últimas costelas

Inserção Lateral: Sulco intertubercular do ombro.

Inervação: Nervo Toracodorsal (C6 – C8)

Ação: Adução, extensão e rotação medial(interna) do braço. Depressão do ombro
Desta forma, alternativas “A” e “B” estão OK.

Na alternativa “C”, reparem que ele se insere no terço posterior da espinha ilíaca, logo sua contração gera uma elevação da pelve. Nesse caso, não é o músculo principal, mas tem sua ação nesse movimento. É, ele não é apenas grande. é realmente latíssimo.

A “D” responde bem essa questão, pois não há adução da escápula, pelo contrário, na adução do braço a escápula desliza para fora.

Mas na “E”, não se pode atribuir ao latíssimo do dorso a depressão da escápula, pois a ação é sobre sua inserção no úmero, não na escápula. Se esse movimento ocorre também com a escápula, é por um efeito secundário. Então, strictu sensu, como deve ser toda questão objetiva, essa alternativa está errada também, servindo de resposta à questão. Bola fora da FUNRIO.

Videozinho para dar uma força com a anatomia desse músculo. Do canal “Treino em foco”, recomendo esses vídeos, são ótimos.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: D

Alternativa que indico após analisar: D e E

FUNRIO – SESDEC/RJ 2008 – Questão 10

10. As etapas mecânicas do “trabalho inspiratório” consistem no trabalho da resistência tecidual, no trabalho da resistência das vias aéreas e no trabalho da(os)…

A) complacência (ou elástico).

B) resistência artrocinemática.

C) resistência abdominal.

D) complacência abdominal.

E) diâmetros torácicos.

mecanica respiratoria

A banca já relacionou dois elementos da mecânica inspiratória básica, sendo eles o trabalho de resistência tecidual que significa superar a viscosidade do pulmão e das estruturas da parede torácica, e listou também o trabalho de resistência das vias aéreas que significa superar a resistência das vias aéreas durante o movimento de ar nos pulmões.

Faltou apenas considerar o trabalho de complacência ou trabalho elástico que significa  o trabalho realizado para expandir os pulmões contra suas forças elásticas. Após esse esforço muscular praticamente nenhum trabalho é feito durante a expiração; os músculos relaxam e  fazem o trabalho para expelir o ar, dissipando a energia gerada na resistência das vias respiratórias.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: A

Alternativa que indico após analisar: A

FUNRIO – SESDEC/RJ 2008 – Questão 09

09. Quanto à marcha pode-se afirmar que:

A) a fase de balanço representa 60% do seu ciclo e contem três subfases.

B) o comprimento do passo é a distância do apoio de um calcanhar até o próximo apoio do mesmo calcanhar.

C) a largura do passo é a distância entre dois passos alternados.

D) a fase de apoio representa 60% do seu ciclo e contem quatro subfases.

E) seu ciclo contém duas fases de apoio e uma fase de balanço.

andando sobre a agua

Pessoal, tive problemas com o windows e não pude postar esses dias, mas já enviei meu computador para um técnico de confiança que irá usar de toda a sua agilidade para prontamente resolver meu problema. Tirei até uma foto do rapaz avaliando meu computador:

tartaruga no computador

Vamos à questão.

Na “A”, pegadinha, a fase de balanço é de 40% de duração do ciclo da marcha. Incorreta.

A “B” descreve o comprimento de uma passada. Incorreta.

A “C”, a largura do passo é a distância entre os membros inferiores durante a marcha, nada a ver com a soma dos passos alternados.

Na “D”, alternativa correta.

Na “E”, incorreta, O certo seria uma fase de apoio, uma fase de balanço e dois períodos de duplo apoio.

Segundo Sullivan (1993), Marsico e colaboradores (2002) e Perry (2005), o ciclo da marcha é dividido em duas fases, apoio e balanço e dois períodos de duplo apoio.

A fase de apoio constitui 60% do ciclo da marcha (toque do calcanhar, apoio inicial, médio apoio, apoio terminal e pré-balanço). (Sobre a divergência com a resposta correta, leia explicações nos comentários desse post). Nessa fase, os músculos eretores espinhais mantêm a postura vertical, os glúteos máximos previnem a flexão de quadril e o tronco não se inclina em direção à coxa e o quadríceps mantém a extensão de joelho.

A fase de balanço constitui 40% do ciclo da marcha (balanço inicial, balanço médio e balanço final).

O período de duplo apoio é a fase em que os dois pés estão em contato com o solo (Marsico e colaboradores, 2002 e Perry 2005).

O comprimento do passo é a distância longitudinal entre o apoio do calcanhar de um membro no solo e o apoio do calcanhar contra-lateral no solo.

O comprimento da passada é a distância entre o apoio do calcanhar de um membro no solo e a volta do apoio desse mesmo calcanhar no solo.

A largura do passo é o distanciamento entre os pés. Estas são as variáveis espaciais. (Sullivan, 1993; Perry, 2005).

A variável temporal da marcha é a velocidade, calculada pela divisão da distância percorrida pelo tempo dispendido.

A cadência é o número de passos dados por minuto (Sullivan, 1993; Perry, 2005).

A velocidade de marcha é uma medida válida e prática da mobilidade e reflete a atividade funcional da vida diária.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: D

Alternativa que indico após analisar: D

FUNRIO – SESDEC/RJ 2008 – Questão 08

08. Respeitadas as técnicas coplanar e bipolar na aplicação de ondas curtas, podemos afirmar que a profundidade da corrente será maior quando:

A) o campo eletromagnético for mínimo.

B) os eletrodos estiverem a pouca distância entre si.

C) os eletrodos estiverem bem acoplados à superfície.

D) os eletrodos estiverem distantes entre si.

E) não houver material metálico no campo eletromagnético

ondas eletromagnéticas

Vamos lá. Formas de colocação do eletrodo:

Contraplanar ou Transversal

Nesta técnica os tecidos são colocados em série, pois os eletrodos estão em faces anatômicas opostas, porém na mesma direção. Estudos de Kebbel e Krause comprovaram que durante a aplicação transversal a produção de calor entre o tecido muscular e o tecido adiposo é de 1:10, também sendo comprovada uma elevada produção de calor entre a pele e o tecido adiposo subcutâneo.

Longitudinal

Os eletrodos são colocados nas extremidades dos membros, de forma que os tecidos estão na mesma linha de força, ou seja estão em paralelo. O ponto positivo desta técnica é a penetração mais efetiva do eletromagnetismo nos tecidos, pois a resistência oferecida pelos tecidos diminui.

Coplanar

Ambos os eletrodos são dispostos na mesma face anatômica. Está técnica é considerada a mais superficial. Como inicialmente os tecidos são colocados em série, a resistência oferecida pelo tecido adiposo é muito grande produzindo um calor superficial. O campo eletromagnético acompanha o caminho de menor resistência, através dos vasos sangüíneos que contém uma grande parte de íons. Se os eletrodos forem posicionados muito próximos entre si, o campo transitará diretamente entre os eletrodos, e não irá ocorrer o tratamento dos tecidos.

Distância Entre os Eletrodos

Os eletrodos devem ser eqüidistantes e em ângulo reto com a superfície da pele (eletrodo de Schliiephack). Na técnica coplanar, a distância entre um eletrodo e outro, deve ser de no mínimo igual a medida da sua área.

Distância Entre o Eletrodos e a Pele

Quando os eletrodos são aplicados mais longe da pele, a distribuição do campo torna-se mais uniforme, promovendo um alinhamento das linhas de força através dos tecidos, conseguindo com isto uma maior penetração nos tecidos. Se a distância entre o eletrodo e a pele for pequena, haverá um aumento na densidade das linhas do campo na superfície, levando ao aquecimento superficial. Eletrodos como o de Schiliephack já possuem esta distância através da placa de vidro que entra em contato com o paciente, não sendo necessário colocar toalhas afim de aumentar esta distância. Já os eletrodos de placa metálica flexível e o eletrodo em forma de cabo, necessitam de uma camada de toalha seca entre o eletrodo e a pele do paciente. Esta distância varia de 2 a 4 cm.

Nas alternativas “A” e “B”, alternativas claramente incorretas.

A “C” seria correta se não desconsiderasse qualquer informação sobre distância dos eletrodos.

A alternativa “D” é a correta.

A alternativa “E” é terrível, metal gera concentração de energia eletromagnética e consequentemente lesões por queimadura.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: D

Alternativa que indico após analisar: D

FUNRIO – SESDEC/RJ 2008 – Questão 07

07. O apoio dos movimentos da cintura escapular e, que a une a caixa torácica, é a articulação:

A) glenoumeral.

B) esternoclavicular.

C) escápulotorácica.

D) acromioclavicular.

E) articulação de Gillis.

esternoclavicular

Essa é mole, mas enganosa.

A única articulação de união com o arcabouço ósseo do tórax é a esternoclavicular.

Glenoumeral é articulação do úmero com a escápula.

Escapulotorácia pode pegar muita gente, mas lembre que essa articulação é o que Kapandji chama de falsa articulação, já que a escápula desliza no complexo do ombro, dependendo do movimento do braço, não há uma cápsula articular aqui.

Acromioclavicular é a articulação distal da clavícula.

Com relação à articulação de Gillis, não encontrei nada confiável sobre esse epônimo, mas parece ter algo a ver com articulação temporomandibular.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: B

Alternativa que indico após analisar: B

FUNRIO – SESDEC/RJ 2008 – Questão 06

06. O Infravermelho se propaga da camada superficial da pele para as mais profundas, pelos sucessivos fenômenos abaixo listados:

A) conversão, condução e convecção.

B) convecção, condução e conversão.

C) conversão, convecção e condução.

D) condução, conversão e convecção.

E) condução, convecção e conversão.

infravermelho

Estamos acostumados a ver o infravermelho como uma terapia por condução de calor, ou ainda conversão de energia, mas essa questão vai mais longe e busca o que ocorre passo a passo.

O sol é a maior fonte natural de radiação infravermelha, e existem fontes artificiais luminosas e não luminosas, mas vamos nos ater ao infra que conhecemos na prática clínica.

Quando ligamos a lâmpada do Infravermelho, inicialmente ocorre a conversão da energia luminosa em energia térmica. Podemos eliminar as alternativas “B”, “D” e “E”.

Num segundo momento, ocorre a transferência dessa energia da primeira camada da pele e assim sucessivamente, de acordo com a capacidade de absorção dos tecidos. A energia é conduzida. Alternativa “A”.

Depois essa energia continua a ser transferida. Aí então ocorre a convecção. Sobre a definição de convecção.

Convecção é o movimento ascendente ou descendente de matéria em um fluido (i.e. líquidos, gases e rheids). Advecção é o termo empregado para o movimento horizontal, em particular para massas de ar . Ambos não podem ter lugar em sólidos uma vez que, por definição, nem correntes de massa nem taxas de difusão significativos podem ocorrer em sólidos.

A convecção térmica é uma expressão que engloba a soma dos dois fenômenos físicos – convecção e advecção – desde que induzidos por diferença de temperaturas no fluido. Ocorre em função da dependência da densidade do fluido com a temperatura, ou seja, da dilatação térmica, e das regras de flutuabilidade (menos denso ascende; mais denso descende).

Embora usualmente coloque-se em foco a ascensão vertical do fluido, a convecção térmica caracteriza-se de fato por uma corrente fechada de matéria, que por si implica um aumento significativo de calor entre as regiões envolvidas se comparado ao calor entre elas esperado apenas pelo fenômeno de condução térmica. Fala-se em calor por convecção.

Bom, todo site por aí basicamente copia e cola o capítulo 9 do livro da Kitchen, que fala sobre infravermelho. Não vou fazer isso, mas é só dar um Google que você acha em qualquer texto mais longo, que começa com a classificação que descrevo abaixo, pois acho relevante.

A comissão internacional de iluminação (CIE) descreve a radiação infravermelha em termos de três faixas biologicamente significativas, que diferem no grau em que são absorvidas pelos tecidos, e portanto no seu efeito sobre os tecidos:

IV-A: valores espectrais de 0,78-1,4 μm;
IV-B: valores espectrais de 1,4-3,0 μm;
IV-C: valores espectrais de 3,0μm-1,0mm.

Os comprimentos de onda principalmente utilizados na pratica clínica situam-se entre 0,7 μm e 1,5 μm, estando pois concentrados na faixa IV-A.

O infravermelho é uma radiação que age numa frequência, além da capacidade humana de visão. Ela é liberada de todos os corpos que soltam calor e tem esse nome por estar depois da cor vermelha no espectro de cores, realizado por Isaac Newton em 1666. A experiência se baseava num prisma feito de vidro que foi posto numa posição que fosse atingido por um raio de sol e, no lado oposto ao exposto pelo sol, fosse refletida essa luz na parede do cômodo. Ao escurecer o ambiente e colocar o prisma no trajeto de raio de sol, o que foi visto foi o espectro de cores formado pela tonalidades: violeta, anil, azul, verde, amarelo,laranja e vermelho.

Conforme o tempo foi passando mais estudos foram feitos sobre esse mesmo experimento. Entre eles, o de Willian Herschel, que buscava saber qual das cores conseguiria produzir mais calor. O vermelho foi a cor com temperaturas mais altas. No entanto, numa área um pouco escura, situada depois da cor vermelha, conseguiu superar o vermelho e , por não ser visível, e por causa da sua localização no espectro, ficou conhecido como Infravermelho.

O infravermelho, depois de pesquisas a seu respeito, foi ganhando várias utilidades. Talvez o mais famoso seja o aplicativo de celular, em que as ondas de infravermelho são usadas para transmitir informações de um aparelho a outro. Assim como o SMS, MMS e posteriormente o bluetooth, o infravermelho foi uma forma, além das ligações, de passar informações entre dois celulares.

EFEITOS FISIOLÓGICOS

Com o aumento da temperatura, aumenta o consumo de O2, aumenta também a absorção de nutrientes (cada vez que se aumenta 1ºC na temperatura do corpo ou do local, o metabolismo aumenta 10%).

A vasodilatação gera um aumento do fluxo sanguíneo para se manter o aumento do metabolismo.

O aumento da produção de melanina produzida pelos melanócitos, em função da exposição do melanócito a RIV, e isso altera a pigmentação da pele (bronzeamento), essa alteração ocorre com o intuito de proteger a pele de outra radiação, o Ultravioleta.

Ocorre relaxamento muscular, pois o fuso muscular sofre alterações e modifica o tônus muscular; diminuição da pressão arterial, pois a vasodilatação aumenta o calibre e diminui o atrito no vaso, além de diminuir a viscosidade do sangue; aumento da sudorese, pois a RIV estimula a produção da glândula sudorípara e a transpiração ajuda a diminuir a temperatura.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: A

Alternativa que indico após analisar: A