FCC -TRT 15ª Região 2005 – Questão 34

34. Os procedimentos fisioterapêuticos no tratamento de infecções bacterianas na articulação iniciam-se com

(A) posicionamento no leito e reabilitação no quinto dia pós-artrotomia.

(B) reabilitação na fase aguda da patologia.

(C) posicionamento no leito e reabilitação durante a imobilização.

(D) reabilitação no quinto dia pós-artrotomia.

(E) posicionamento no leito e reabilitação após a retirada da imobilização.

Bacteria2

Questão que generaliza patologias que tem em comum a infecção articular. A mais conhecida é a Artrite Séptica.

Para mim é sempre muito complicado definir numa questão os objetivos para um tratamento sem ter a patologia de base e com informações insuficientes.  Como indicar um início para o tratamento sem saber ao certo os sintomas e o estágio em que a patologia se encontra?  Nesses casos, utilizo as informações das alternativas para elucidar as coisas. Temos ali as seguintes informações, que giravam na mente de quem elaborou a questão:

– Posicionamento no leito;

– Reabilitação de quinto dia  pós-artrotomia;

– Reabilitação durante a imobilização;

– Reabilitação após retirar a imobilização e

– Reabilitação na fase aguda.

Então, juntando as peças, imagino que se trata de um paciente acamado, em pós-operatório de artrotomia por infecção articular. Artrotomia e artroscopia são procedimentos utilizados para drenagem de articulação infeccionada.

Nesse quadro, temos que considerar o posicionamento no leito e a reabilitação após retirar a imobilização. Podemos descartar a reabilitação durante a imobilização e a reabilitação na fase aguda, que não surtirá efeito em virtude do quadro infeccioso. Com isso, eliminamos alternativas “B”, “C” e “D”.

Colocaria em xeque apenas a “reabilitação no quinto dia pós-artrotomia”, mas como não há nenhum motivo definido na questão para isso,  é mais seguro pensarmos em procedimentos mais comuns, então descarto esse procedimento e elimino a alternativa “A”. Em casos de artrite séptica, por exemplo, a fisioterapia deve ser iniciada após o período de imobilização, não há motivo para se esperar cinco dias.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: E

Alternativa que indico após analisar: E

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VUNESP – São Paulo/SP 2002 – Questão 13

13. As doenças adquiridas em locais de trabalho mais comumente tratadas em clínicas fisioterápicas são:

(A) diabete e DORT.

(B) DPOC e LER.

(C) osteoartrose primária e LER.

(D) LER e Miastemia grave.

(E) DPOC e pneumotórax.

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Mais uma questão que não cita fonte nem ano da estatística, mas vamos lá.

Questão A: Diabetes Mellitus não é doença ocupacional. Nem a tipo I (infanto-juvenil), nem a tipo II (Adultos, resistente a insulina) e nem a tipo III (gestacional).

Questão B: DPOC e LER. As duas são muito comuns como doença ocupacional.  Entre as principais profissões de risco para DPOC, citam-se as atividades na área da construção, das indústrias extrativas, do couro, da borracha, do plástico, do têxtil, dos produtos alimentícios, da pintura em spray, da soldadura, do trabalho com quartzo, da exposição a poeiras de madeira e o contato com solventes. LER já é reconhecida como doença ocupacional há muito tempo. A questão parece correta, mas vejamos as outras opções.

Questão C: Osteoartrose primária. Como a artrose pode ser resumidamente dividida em primária, que é o que ocorre com o desgaste da cartilagem articular no decorrer do processo de envelhecimento e secundária, que é o desgaste por microtraumatismos ou sobrecarga, fica fácil definir como inadequado atribuir causas ocupacionais para osteoartrose primária. Não podemos dizer o mesmo de artroses secundárias, que podem ser atribuídas a atividades laborais devido à lesão articular por excesso de carga ou microtraumas repetitivos na articulação.

 Classificação da osteoartrose

Forma da   osteoartrose
Exemplos
Primária localizada
Mãos (nódulos de   Heberden e Bouchard, acometimento da primeira carpometacarpal (rizatrtrose),   formas erosiva e inflamatória, pés (primeira metatarsofalângica), quadril,   joelho, coluna (articulações interapofisárias, discos intervertebrais)
Primária   generalizada
osteoartrose nodal   generalizada (doença de Kellegren), osteoartrose nodal erosiva generalizada,   hiperostose esquelética difusa idiopática (DISH)
Secundária   localizada
Lesão articular,   deformidades adquiridas, osteonecrose, artrite reumatoide, doenças por   deposição de cristais (p.ex., gota), condrocalcinose, artrite séptica,   artropatia hemofílica, artropatia neuropática, osteocondrite, doença de Paget
Secundária   generalizada
Hemocromatose,   ocronose, acromegalia, hiperparatireoidismo, doença de Wilson, gota,   condrocalcinose, amiloidose, doença de Ehlers-Danlos

Questão D: Miastenia grave é um problema sério, de característica autoimune, sem relação com doenças ocupacionais.

Questão E: Pneumotórax? Pode ocorrer sim em local de trabalho, por trauma, Mas, pensando sempre em procurar a resposta mais exata à questão proposta pela banca organizadora, devemos considerar que o pneumotórax não está entre “as doenças adquiridas em locais de trabalho mais comumente tratadas em clínicas fisioterápicas”.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: B

Alternativa que indico após analisar: B

VUNESP – São Paulo/SP 2002 – Questão 12

12. Em um teste clássico de força muscular, quando o paciente realiza a contração voluntária e move o segmento, porém não consegue vencer a gravidade, esse músculo tem grau de força

(A) 0.

(B) 1.

(C) 2.

(D) 3.

(E) 4.

força ilusória

Para essa questão. o ideal é ter a tabela decorada, ou melhor ainda, saber a tabela. Como são muitas as tabelas a se decorar, já que concurso para fisioterapeuta pode cair qualquer assunto, às vezes temos problemas com coisas simples como esta tabela. Como a tabela é pequena, fica mais fácil de tentarmos chegar à resposta correta por eliminação.

tabela força muscular

Ora, se pegarmos os dois extremos. que são sem movimento(0) e força normal contra resistência externa(5), fica fácil montarmos  a tabela mesmo sem  a termos decorado. É só ir progredindo a partir de nenhum movimento(0), contração isométrica(1), contração a favor da gravidade(2), contra a gravidade(3), contra pequena resistência externa(4) e resistência externa normal(5). Pouco importa se esta tabela foi elaborada pela Medical Center grading system for motor da Louisiana State University (e foi), afinal é uma tabela que é possível elaborar em uma simples observação das variáveis para teste de força muscular inespecífica.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: C

Alternativa que indico após analisar: C

VUNESP – São Paulo/SP 2002 – Questão 11

11. Ao se avaliar um paciente, devemos nos ater

(A) à patologia.

(B) à incapacidade.

(C) às limitações funcionais.

(D) ao paciente como um todo.

(E) ao comprometimento.

Avaliação psicológica

Essa é a primeira questão de conhecimentos específicos desta prova.

Se analisarmos cada item, veremos que nenhum é incorreto, pois ao avaliarmos um paciente temos que nos preocupar com a patologia, com a incapacidade, com as limitações e com o comprometimento. Mas como a alternativa “D” engloba todas as demais alternativas, ela é a resposta esperada pela banca.

Só como observação, penso que essa questão só apresentaria uma alternativa incorreta se fosse muito gritante, do tipo “apenas com o estado psicológico”, uma vez que devemos nos ater também a questões de ordem psicológica, para orientarmos e encaminharmos o paciente para o profissional da área.

Mas como só pode restar um (highlander?), então só pode ser o paciente como um todo.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: D

Alternativa que indico após analisar: D

FCC -TRT 15ª Região 2005 – Questão 33

33. Durante a fase inflamatória da artrose, o recurso fisioterapêutico contraindicado é:

(A) gelo.

(B) tens.

(C) calor.

(D) laser.

(E) corrente interferencial.

Choque elétrico

Questão simples. Pensando em dois termos, “fase inflamatória” e “artrose”, podemos então ir por eliminação.

Gelo OK, sem contraindicação para fase inflamatória de artrose. O mesmo para TENS e Corrente Interferencial. Eliminamos as alternativas “A”, “B” e “E”.

Já a alternativa “C”, calor, seja em forma de Infravermelho, Ultrassom, Ondas Curtas, Micro-ondas, Banho de Parafina e outros, é um recurso contraindicado para fase inflamatória. Achamos nossa eleita, faltando analisar a alternativa “D”.

Agora, a pergunta que não quer calar: LASER também pode ser considerado como uma forma de calor? É termoterapia ou fototerapia? E  agora? Então parto do principio que estamos em dúvida na hora da prova e precisamos analisar e escolher  entre ( C ) Calor ou ( D ) LASER.

O LASER seria uma contraindicação se for elevar a temperatura, então podemos pensar que se escolhermos a alternativa “C” – calor, não há como errar, porque se LASER fosse contraindicado por isso, esta alternativa estaria correta pelo mesmo motivo.

Apenas para deixar claro, o LASER de classe 3B, utilizado na fisioterapia, não produz efeito térmico. Isso só acontece em categorias mais altas, como os utilizados pelos dermatologistas.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora:  C

Alternativa que indico após analisar:  C

FCC -TRT 15ª Região 2005 – Questão 32

32. Durante o período perimenopausal, as mulheres apresentam uma prevalência maior de fraturas na região

(A) do punho.

(B) do quadril.

(C) da coluna.

(D) do tornozelo.

(E) do joelho.

Fratura

Para essa questão, temos três palavras-chave, que são “perimenopausal”, “mulheres” e “fraturas”. Nessa questão não há uma patologia em evidência, mas ela está implícita: Osteoporose, e para ser mais específico, Osteoporose primária tipo I (pós-menopausa).

Não encontrei em nenhum artigo sobre osteoporose de 2004 e 2005 dados objetivos que pudessem confirmar a resposta escolhida pela banca. É uma questão em que cabe recurso, principalmente se existirem trabalhos que não confirmem a resposta da região escolhida, que foi “A – do punho”.

Mas de cara podemos eliminar as regiões do joelho e do tornozelo, que não fazem parte de nenhuma lista das fraturas mais prevalentes dessa patologia. A fratura na região do quadril costuma ser a mais grave, o que pode levar muita gente a optar por essa alternativa.

A questão se refere a “…prevalência maior de fraturas na região…”, então entre as fraturas descritas na maior parte dos estudos como mais comuns, estão fraturas por compressão vertebral(região da coluna); fratura de rádio distal(região do punho) e colo do fêmur(região do quadril).

Penso que deveriam ter sido citadas a fonte e o ano, tipo “Segundo dados da Previdência Social, no ano…” , porque é pouco provável que todas as fontes relevantes definam de forma unânime a região do punho como mais prevalente. Caso algum dado mais recente que a bibliografia utilizada pela banca aponte outra região como mais prevalente, essa questão poderia ser anulada, uma vez que não há informação sobre data ou fonte da estatística.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: A

Alternativa que indico após analisar: A

FCC -TRT 15ª Região – 2005 – Questão 31

31. O nervo isquiático é formado pelas raízes:

(A) L1, L2, L3, L4 e L5.

(B) L2, L3, L4, L5 e S1.

(C) L3, L4, L5, S1 e S2.

(D) L4, L5, S1, S2 e S3.

(E) L5, S1, S2, S3 e S4.

Nervo Ciatico

Essa é a primeira questão de conhecimentos específicos desta prova.

Questão de anatomia. Questão nada fácil para quem não tem a anatomia deste segmento decorada. Não consigo imaginar uma forma de chegar a esta resposta pela dedução, talvez não exista uma. Podemos até bolar formas diferentes pra recordar a formação deste nervo, como lembrar que são basicamente 5 raízes, lombar a partir da L4 e unindo até sacro S3, então temos 5. 4 e 3 para associar e lembrar da formação do nervo ciático. Mas a melhor forma é estudar os plexos lombar e sacrococcígeo. Saber essa inervação é fundamental para se relacionar a dor relatada pelo paciente à possível disfunção. Lombalgias e lombociatalgias são muitos comuns em clínicas e ambulatórios, talvez sejam as patologias mais frequentemente atendidas na fisioterapia.

Desta forma, mãos e nervos à obra!

PLEXO LOMBAR

Nervo Ciatico Netter

Este plexo está situado na parte posterior do músculo psoas maior, anteriormente aos processos transversos das vértebras lombares. É formado pelos ramos ventrais dos três primeiros nervos lombares e pela maior parte do quarto nervo lombar (L1, L2, L3 e L4) e um ramo anastomótico de T12, dando um ramo ao plexo sacral.

Anastomose, do grego “abertura comunicante”, é uma rede de canais que se bifurcam e recombinam em vários pontos, tais como os vasos sanguíneos ou os veios de uma folha.

L1 recebe o ramo anastomótico de T12 e depois fornece três ramos que são o nervo ìlio-hipogástrico, o nervo ílio-inguinal e a raiz superior do nervo genitofemoral.

L2 se trifurca dando a raiz inferior do nervo genitofemoral, a raiz superior do nervo cutâneo lateral da coxa e a raiz superior do nervo femoral.

L3 concede a raiz inferior do nervo cutâneo lateral da coxa, a raiz média do nervo femoral e a raiz superior do nervo obturatório.

L4 fornece o ramo anastomótico a L5 e em seguida se bifurca dando a raiz inferior do nervo femoral e a raiz inferior do nervo obturatório

PLEXO SACRAL

Os ramos ventrais dos nervos espinhais sacrais e coccígeos formam os plexos sacral e coccígeo. Os ramos ventrais dos quatro nervos sacrais superiores penetram na pelve através do forames sacrais anteriores, o quinto nervo sacral penetra entre o sacro e o cóccix e os coccígeos abaixo do cóccix.

O plexo sacral é formado pelo tronco lombossacral, ramos ventrais do primeiro ao terceiro nervos sacrais e parte do quarto, com o restante do último unindo-se ao plexo coccígeo.

O ramo anastomótico de L4 se une ao L5 constituindo o tronco lombossacral. Em seguida, o tronco lombossacral se une com S1 e depois sucessivamente ao S2, S3 e S4.

Esse complexo nervoso sai da pelve atravessando o forame isquiático maior. Logo após atravessar esse forame, o plexo sacral emite seus ramos colaterais e se resolve no ramo terminal, que é o nervo isquiático.

Para os músculos da região glútea vão os nervos glúteo superior (L4, L5 e S1) e glúteo inferior (L5, S1 e S2). Um ramo sensitivo importante é o nervo cutâneo posterior da coxa, formado por S1, S2 e S3.

Para o períneo, temos o nervo pudendo formado a partir de S2, S3 e S4.

O nervo isquiático é o mais calibroso e mais extenso nervo do corpo humano, pois suas fibras podem descer até os dedos dos pés. Esse nervo é constituído por duas porções, que são os nervos fibular comum (L4, L5, S1 e S2) e tibial, formado por L4, L5, S1, S2 e S3.

Do plexo sacral saem também os nervos para o músculo obturatório interno e músculo gêmeo superior (L5, S1 e S2); para o músculo piriforme (S1 e S2); para o músculo quadríceps da coxa e músculo gêmeo inferior (L4, L5 e S1); para os músculos levantador do ânus, coccígeo e esfíncter externo do ânus (S4); e o nervo esplâncnico pélvico (S2, S3 e S4).

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: D

Alternativa que indico após analisar: D