VUNESP – IAMSP/HSPE 2011 – Questão 41

41. As diretrizes dos exercícios para as gestantes requerem alguns cuidados especiais. Assinale a alternativa correta.

(A) Treinos de equilíbrio unipodais são indicados para estabilização sacroilíaca.

(B) Os alongamentos musculares devem ser feitos de forma a trabalhar grupamentos e não os músculos de forma isolada.

(C) Durante os exercícios aeróbicos, a frequência cardíaca deve ser a mesma de antes da gestação e com duração mínima de 30 min.

(D) O decúbito dorsal é o mais adequado para o posicionamento da coluna após o 4.º mês de gestação e, em caso de desconforto, deve-se colocar uma pequena almofada sob o quadril esquerdo.

(E) Deve ser solicitado o esvaziamento da bexiga antes da realização dos exercícios.

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Na “A”, pela mudança do centro de gravidade treinos unipodais podem ser um perigo, portanto não ia nessa. A “B” é ideal pra gestantes e qualquer outra pessoa. A “C” é confusa, mas temos uma nova condição, é pouco provável que tenhamos a mesma FC. Na “D” a posição de DL E parece a mais indicada por conta da veia cava. A alternativa “E” parece a mais coerente.

Nessa questão em especial é importante estudar as recomendações do Colégio Americano de Ginecologia e obstetrícia para exercícios físicos na gestação, que pode variar de acordo com a fase da gestação. Não consegui acesso a essa guideline no site deles, portanto quem for estudar a fundo é o melhor caminho ter essa guideline.

Na gravidez, o sedentarismo e ganho de peso excessivo têm sido reconhecidos como fatores de risco independentes para a obesidade materna e as complicações relativas associadas à gravidez, incluindo diabetes mellitus gestacional (DMG) (5-7). Alguns pacientes, ginecologistas-obstetras e outros profissionais ficam preocupados que a atividade física regular durante a gravidez possa causar aborto, crescimento fetal inadequado, lesões músculo-esqueléticas, ou parto prematuro. Para gestações sem complicações, estas preocupações não foram comprovadas (8-12). Na ausência de complicações ou contra-indicações obstétricas ou médicas (Quadro 1 e 2) , atividade física durante a gravidez é segura e desejável, e as gestantes devem ser encorajadas a continuar ou iniciar atividades físicas seguras (a lista de indicação de atividades estão no post 2 – clique aqui para ir até o post). Em mulheres que têm co-morbidades obstétricas ou médicas, um programa de exercícios deve ser individualizado. Ginecologistas-obstetras e outros profissionais devem avaliar cuidadosamente as mulheres com complicações médicas ou obstétricas antes de fazer recomendações sobre a participação da atividade física durante a gravidez

Quadro 1. Contra-indicações absolutas para o exercício aeróbico durante a gravidez
doenças cardíaca hemodinâmica significativa
doenças pulmonar restritiva
cerclage ou cérvix incompetente
gestação múltipla com risco de parto prematuro
hemorragia persistente no segundo ou terceiro trimestre
placenta prévia após 26 semanas
trabalho de parto prematuro durante a gravidez atual
ruptura de membranas
pre-eclampsia ou hipertensão induzida pela gravidez
 
Quadro 2. Contraindicações relativas para exercícios aeróbicos durante a gravidez
anemia
arritmia cardíaca materna
bronquite crônica
diabetes tipo 1 não controlada
obesidade mórbida extrema
baixo peso extremo – IMC < 12
histórico de estilo de vida extremamente sedentário
restrição de crescimento intra-uterino na atual gravidez
hipertensão não controlada
limitações ortopédicas
hipertiroidismo não controlado
fumante inveterada

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: E

Alternativa que indico após analisar: E

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VUNESP – IAMSP/HSPE 2011 – Questão 40

40. Com relação à diástase dos retos abdominais após a gestação, está correto afirmar que

(A) nenhum exercício deve ser feito até o fechamento total da diástase.

(B) nenhum exercício deve ser feito até que a separação seja inferior a 4 cm.

(C) somente exercícios corretivos devem ser feitos até que a separação atinja 2 cm.

(D) exercícios abdominais e corretivos devem ser feitos com qualquer tamanho de separação para auxiliar o fechamento.

(E) exercícios abdominais só podem ser feitos quando o fechamento da diástase for total.

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Temos aqui três condutas:

– Observação ou nenhuma conduta

– Exercícios abdominais

– Exercícios corretivos

Posto isto, vamos aos fundamentos da bagaça:

A diástase do reto-abdominal é a separação dos músculos retos da parede abdominal, na maioria das vezes ocorrendo no período da gravidez. Apesar de geralmente detectada pela palpação, a diástase pode ser visível através de uma linha separadora definindo a cavidade no abdômen. O maior ponto de abertura é geralmente no umbigo, mas pode se estender pela extensão total da linha alba, como também ocorrer em casos de separação marcada, o que acontece em casos do peritônio ou fáscia atenuada ou gordura subcutânea e ou pele comprimida (POLDEN; MANTLE, 1997).

O músculo reto abdominal na gestante tem a função de expansão e compressão da cavidade abdominal e das vísceras, além de auxiliarem na respiração puxando o esterno para baixo e diminuindo a pressão intra-abdominal. Isso facilita a liberação do ar de dentro do sistema respiratório para a atmosfera, portanto contribuindo para a manutenção do tamanho da cavidade torácica (KISNER; COLBY, 1998).

O músculo reto abdominal na gestante tem a função de expansão e compressão da cavidade abdominal e das vísceras, além de auxiliarem na respiração puxando o esterno para baixo e diminuindo a pressão intra-abdominal. Isso facilita a liberação do ar de dentro do sistema respiratório para a atmosfera, portanto contribuindo para a manutenção do tamanho da cavidade torácica (KISNER; COLBY, 1998).

De acordo com Polden e Mantle (1997, p. 250), uma separação maior que dois (2)cm deve ser considerada. Essa condição não é exclusiva para mulheres grávidas, mas é vista com freqüência nessa população.

Para Kisner e Colby (1998, p. 589), o tratamento da diástase dos retos consiste em testar todas as mulheres grávidas quanto à presença de diástase dos retos antes de realizar exercícios abdominais e realizar exercícios corretivos para diástase dos retos sem outros exercícios abdominais até que a separação tenha diminuído para dois cm ou menos. Quando isso ocorrer, os exercícios abdominais poderão ser retomados, mas a integridade da linha alba deverá ser monitorada para certificar-se que a separação continua a diminuir.

Referência:

2006; Souza, Cintia Borges de; INCIDÊNCIA DE DIÁSTASE DE RETO ABDOMINAL NO PERÍODO DE PÓSPARTO IMEDIATO EM PUÉRPERAS DO ALOJAMENTO CONJUNTO DO HNSCTUBARÃO/SC; acesso em 16 de maio de 2017.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: C

Alternativa que indico após analisar: C

VUNESP – IAMSP/HSPE 2011 – Questão 39

39. Sobre as alterações anatômicas e fisiológicas da mulher na gravidez, assinale a correta.

(A) O útero aumenta em tamanho de 15 a 20 vezes e de 5 a 6 vezes em peso.

(B) O débito cardíaco aumenta de 30 a 60% na gravidez e o aumento é mais significativo quando se deita em decúbito lateral esquerdo.

(C) O débito cardíaco diminui de 30 a 60% na gravidez e o aumento é mais significativo quando se deita em decúbito lateral direito.

(D) A pressão sanguínea diminui no último trimestre da gravidez.

(E) O volume sanguíneo diminui ao longo da gestação.

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O débito cardíaco, que é definido como o produto do volume sistólico pela frequência cardíaca (DC = VS x FC), aumenta progressivamente durante a gestação. Começa a se elevar entre a 10a e a 12a semanas, atingindo de 30% a 50% em relação aos níveis pré-gravídicos até a 32a semana de gestação.

Com relação ao decúbito que ocasiona maior aumento do débito cardíaco, na referência que cito os autores consideram a posição supina em razão do aumento da compressão da veia cava inferior pelo útero gravídico. Como a veia cava se localiza no dimídio esquerdo do corpo humano, podemos concluir que tanto a posição supina como a posição de decúbito lateral esquerdo podem proporcionar aumento do débito cardíaco. Mas essa conclusão é minha, sem maiores referências.

Referência:

2005, Picon J.D.; Sá A.N. P. O. A.; Alterações Hemodinâmicas da gravidez, disponível em https://www.google.com.br/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=1&cad=rja&uact=8&ved=0ahUKEwjjgPq7pb7TAhVCG5AKHeKOAGAQFggiMAA&url=http%3A%2F%2Fsociedades.cardiol.br%2Fsbc-rs%2Frevista%2F2005%2F05%2FArtigo01.pdf&usg=AFQjCNHy2DotU0gvmnFuy3LBe1Lo4zbpPA,acesso em 24 de Abril de 2017.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: B

Alternativa que indico após analisar: B

VUNESP – IAMSP/PREVENIR 2011 – Questão 52

52. A incontinência fecal é definida como qualquer perda involuntária de muco ou de fezes líquidas ou sólidas, e representa um problema social e/ou higiênico que afeta significativamente a qualidade de vida, podendo ser uma condição incapacitante que, geralmente, leva ao isolamento social. O objetivo do tratamento nesse caso é restaurar a continência e melhorar a qualidade de vida. A primeira opção de tratamento é a conservadora, que compreende a medicação, alteração da dieta alimentar e fisioterapia. A fisioterapia inclui:

I. reabilitação da musculatura do assoalho pélvico;

II. biofeedback;

III. estimulação elétrica com pulso bifásico;

IV. estimulação elétrica com pulso trifásico.

Das condutas fisioterapêuticas realizadas, nesses casos, pode-se afirmar que

(A) apenas I, II e IV estão corretas.

(B) I, II, III e IV estão incorretas.

(C) apenas I, II e III estão corretas.

(D) apenas II, III e IV estão corretas.

(E) apenas I está correta.

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Essa é uma das áreas pouco conhecidas mas que elevam e enobrecem a fisioterapia. Problema extremamente constrangedor, a incontinência fecal pode levar o indivíduo a se isolar socialmente e a desenvolver outros quadros psicológicos em decorrência direta da disfunção.

As assertivas I e II são na verdade correlatas, uma vez que o biofeedback auxilia no treinamento dos músculos do assoalho pélvico.

A maior dificuldade do treino da MAP(musculatura do assoalho pélvico) é a correta percepção o exercício que está fazendo: se está contraindo a musculatura certa, se está contraindo com força suficiente. O jeito mais moderno e eficiente de se ensinar essa contração é o biofeedback.

Este tipo de treinamento é realizado com instrumentos que monitoram a contração muscular: através de sondas anatômicas, anais ou vaginais, a contração da MAP é mostrada numa tela de computador.

Utilizando sinais sonoros (bipes) ou visuais (gráficos), permitem a percepção do grau da força realizada durante cada contração, seja em sua magnitude ou duração.

Visitem: http://perineo.net/conteudo/index.php

Sobre as alternativas III e IV, é obviamente bifásico.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: C

Alternativa que indico após analisar: C

VUNESP – IAMSP/PREVENIR 2011 – Questão 50

50. Os programas de exercícios realizados durante a gestação e após o parto são elaborados para minimizar os comprometimentos e ajudar a mulher a manter ou recuperar a função,enquanto se prepara para a chegada do bebê. As diretrizes e técnicas para a instrução de exercícios durante a gestação incluem:

I. examinar cada gestante individualmente, para excluir problemas musculoesqueléticos preexistentes e o grau de preparo físico;

II. não há nenhuma contraindicação em relação à permanência em decúbito dorsal após o 4.º mês de gestação;

III. aconselhar o esvaziamento completo da bexiga antes do exercício, pois uma bexiga cheia aumenta a sobrecarga no assoalho pélvico enfraquecido;

IV. indicar exercícios de alongamento muscular em cadeia.

Dentre os tópicos elencados, está correto o contido apenas em

(A) I e III.

(B) I e IV.

(C) I e II.

(D) I, II e IV.

(E) I, III e IV.

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Gestação e exercício físico, essa é legal, vamos lá!!!

A assertiva “I” é destruidoramente correta, qualquer alternativa que a exclua estará errada. Pena que todas as alternativas já consideram essa assertiva, nos privando do recurso de eliminar.

Sobre a assertiva “II”, até respirar fundo pode ser contraindicado. É muito categórica, podemos excluir. O quê!? Acham que estou exagerando? Peçam pra uma pessoa com costela trincada respirar fundo e ela te xinga. 😛

A assertiva “III” é correta.

A assertiva “IV” é um vacilo da VUNESP. Se a omissão foi proposital, dá até pra entrar com recurso, pois o termo “cadeia” pode remeter a cadeia muscular e poderia estar correto. Mas se essa afirmação foi elaborada pensando-se em cadeia cinética, que por não ter definição de aberta ou fechada, faz essa afirmação incorreta. Digo vacilo porque se foi pensada como pegadinha, é uma pegadinha de mau gosto, parece mais um erro e uma questão mal elaborada. Esse tipo de pegadinha dá até agonia na hora de responder. Se ao dizer diretrizes e técnicas a banca citasse uma guideline ou documento do tipo, seria mais sensato.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: A

Alternativa que indico após analisar: A

CESPE – STJ 2015 – Questões de 84 a 89

Uma paciente de trinta e dois anos de idade, com estatura de 1,58 m e 78 kg, histórico de hipertensão, com doze semanas de gestação, procurou uma clínica de fisioterapia para assistência pré-natal, e apresentava diagnóstico clínico de diabetes melito gestacional

Com relação ao caso clínico apresentado, julgue os itens subsequentes.

84 O quadro clínico de diabetes melito da paciente é resultado de uma situação temporária que, embora mereça acompanhamento constante, tem duração restrita ao período da gestação.

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85 A massa corporal e o quadro de hipertensão da paciente possuem relação direta com a ocorrência do diabetes melito gestacional.

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86 Deve-se recomendar à paciente que participe de um programa de exercícios físicos, essencialmente em grupos comunitários, para maior socialização, controle dos níveis de glicemia e elevação dos hormônios contrarreguladores.

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87 A gestante em questão deve receber recomendação para realizar exercícios físicos três vezes por semana, com intensidade de 70% da frequência cardíaca máxima e duração de 25 min.

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88 Durante a prática de exercícios físicos, é recomendada a manutenção do tônus da musculatura abdominal, para favorecimento do parto vaginal, por meio da realização de contrações abdominais e uterinas de leve intensidade.

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89 Não havendo intercorrência na gestação, a via de parto preferencial para essa gestante é a via vaginal.

FCC – TRT 3 2009 – Questão 28

28. Durante o trabalho de parto, entre e durante as contrações, a modulação da TENS deve ser respectivamente

(A) alta frequência/alta intensidade e alta frequência/alta intensidade.

(B) baixa frequência/alta intensidade e alta frequência/alta intensidade.

(C) alta frequência/alta intensidade e baixa frequência/baixa intensidade.

(D) baixa frequência/baixa intensidade e baixa frequência/baixa intensidade.

(E) baixa frequência/baixa intensidade e alta frequência/alta intensidade.

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Segundo Firmento (2011) acredita-se ainda que os principais motivos para a ocorrência da dor lombar na gestação sejam as adaptações da coluna vertebral, que se devem, principalmente, à ação do hormônio relaxina e ao aumento considerável do peso do abdômen. O hormônio relaxina é considerado o principal responsável pela frouxidão ligamentar durante a gravidez, o que permite que a sínfise púbica e a articulação sacro-ilíaca tornem-se mais flexíveis para a passagem do feto, levando à redução da estabilidade pélvica.

Para Barbosa (2011) estas alterações são fundamentais para regular o metabolismo materno, ajudar no crescimento fetal e preparar a mulher para o momento de trabalho de parto e para a lactação.

A intervenção fisioterapêutica na assistência obstétrica de baixo risco, como parte da rotina da equipe, valoriza a responsabilidade da gestante no processo, por meio do uso ativo do próprio corpo. A mobilidade corporal durante o processo de parturição, envolve interação de fatores fisiológicos, psicológicos, culturais e, principalmente,o apoio e a orientação da equipe obstétrica. A ação do fisioterapeuta é um fator estimulante para que a mulher se conscientize de que seu corpo ativo pode ser uma ferramenta para facilitar o processo do trabalho de parto e trazer-lhe satisfação com a experiência do nascimento.

Como dica aqui, só posso afirmar que se há contrações e não queremos induzi-las, a intensidade deve ser sempre baixa, para não atingirmos o limiar motor. Só resta a “D”.

Considerando que eletroterapia é contraindicada nos primeiros meses de gestação, e que não creio que haja evidência conclusiva sobre o uso em gestantes, entraria com recurso contra essa questão. Fico muito curioso sobre a bibliografia utilizada pela banca, provavelmente um estudo de caso apenas.

Bibliografia:

2009 Gabriela Zanella Bavaresco; Renata Stefânia Olah de Souza; Berta Almeica; José Hugo Sabatino; Mirella Dias. O fisioterapeuta como profissional de suporte à parturiente.
http://www.scielosp.org/pdf/csc/v16n7/25.pdf

2011. BARBOSA, C. M. S.; SILVA, J. M.N.; MOURA, A. B. Correlação entre o ganho de peso e a intensidade da dor lombar em gestantes. Rev. dor, São Paulo, v. 12, n. 3, set. 2011.

2012. FIRMENTO, Beatriz da Silva et al. Avaliação da lordose lombar e sua relação com a dor lombopélvica em gestantes. Fisioter. Pesqui., São Paulo, v. 19, n. 2, June 2012.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: D

Alternativa que indico após analisar: D