FCC – Prefeitura de Santos 2005 – Questão 46

46. A técnica da inibição recíproca, utilizada no alongamento muscular, prevê que deve ser realizado

(A) inibição da musculatura agonista do músculo que se quer alongar.

(B) inibição da musculatura antagonista do músculo que se quer alongar.

(C) excitação da musculatura agonista do músculo que se quer alongar.

(D) inibição de agonistas e antagonistas sinérgicos.

(E) excitação de agonistas e antagonistas sinérgicos.

DECIFRAR

As alternativas “D” e “E” obviamente são incorretas, num caso são relaxamento muscular e no outro contração isométrica.

Na inibição recíproca, podemos dizer que ocorre o que está nas alternativas “B” e “C”, mas se for necessário definir numa frase esse termo, sera a “B”, inibição dos antagonistas mesmo.

No entanto a banca aqui, de forma muito inteligente, pergunta especificamente sobre a musculatura que se está alongando, então a inibição recíproca nos ajuda nesse caso específico inibindo a musculatura que alonga, ou seja, inibindo o agonista do movimento, alternativa “A”. Interessante, não!?

Se a banca estivesse se referindo a definições, a alternativa “a” estaria errada. Mas aqui se fala do próprio músculo que alonga.

Essa vai para a categoria “pegadinhas das organizadoras”, com louvor.

Principais estruturas envolvidas no alongamento muscular:

– Fuso muscular: estrutura que pode ser de dois tipo, em cadeia nuclear e bolsa – nuclear; na verdade são receptores “mergulhados” nos músculos e sensíveis à diferença de tamanho no músculo;

– Fibras intrafusais: fibras dispostas nos pólos do fuso;

– Neurônio eferente gama: fibra nervosa eferente que inerva as fibras intrafusais;

– Neurônio eferente alfa: fibra nervosa eferente que inerva as fibras musculares extrafusais.

O fuso muscular é sensível a mudança de comprimento, seja no alongamento ou encurtamento. Este receptor é o principal responsável pelos efeitos neurofisiológicos evidenciados. Ao alongamento, o fuso muscular, sensibilizado, envia ao sistema nervoso central (SNC), através de fibras aferentes, informações sobre o grau de alongamento sofrido pelo músculo. Em contrapartida, informações são enviadas através do neurônio efetor alfa para que haja contração das fibras extrafusais, que estão ao redor do fuso, para devolver o tônus normal ao músculo alongado, fato que parece interferir no alongamento.

Ao mesmo tempo que o neurônio motor alfa é ativado, um outro neurônio também é, o interneurônio, que é inibitório. Sua ação inibitória será exercida no neurônio motor alfa do músculo antagonista, sendo este o reflexo de estiramento ou miotático ou inibição recíproca.

Dessa forma, enquanto o músculo agonista é ativado (em pouca intensidade durante o alongamento) o antagonista é inibido, minimizando assim o reflexo de estiramento.

Outros receptores envolvidos é o órgão tendinoso de golgi (OTG). Estes estão presentes na junção miotendinosa e monitoram a tensão muscular. São do tipo capsulado e transmitem informação através das fibras sensitivas do tipo Ib. Ao alongamento esses receptores são estimulados e, através da sinapse com o interneurônio inibitório, é mediado a cessação do estímulo para o próprio músculo, desencadeando o reflexo miotático ou de estiramento inverso, ou inibição autógena. Em virtude desse fenômeno, o músculo pode sofrer um relaxamento, o que equilibra a ação de aumento de tônus no reflexo de estiramento.

Essas são as explicações pelo qual o flexionamento facilitado pode ser usado de maneira efetiva. Facilitado por se utiliza de efeitos neurofisiológicos mediado pelos receptores musculares e tendinosos, podendo ser denominada de Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva (FNP).

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora:A

Alternativa que indico após analisar: A

FCC – Prefeitura de Santos 2005 – Questão 45

45. Para osteossíntese externa são utilizados os seguintes aparelhos:

(A) Küntscher, Kirschner, Cambras e Wagner.

(B) Steinmann, Küntscher, Kirschner e Cambras.

(C) Ilizarov, Hoffman, Steinmann e Wagner.

(D) Ilizarov, Wagner, Steinmann e Küntscher.

(E) Ilizarov, Hoffman, Cambras e Wagner.

fixadores

Os fios de Kirschner são internos, obviamente. Já dá para eliminar as alternativas “A” e “B”.

Mas depois disso complica, só sabendo mesmo. Mas não vou me prolongar muito aqui porque realmente essa questão é uma exceção. Parece mais uma questão tirada de prova para médico ortopedista.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: E

Alternativa que indico após analisar: E

FCC – Prefeitura de Santos 2005 – Questão 44

44. A infecção por estreptococo beta-hemolítico caracteriza a

(A) febre reumática.

(B) artrite reumatóide.

(C) doença de Paget.

(D) artrite psoriásica.

(E) esclerose sistêmica.

Bacteria6

A febre reumática é uma seqüela de infecção na garganta que não foi devidamente tratada e causada pela bactériaStreptococcus beta hemolítico do Grupo A. Pode afetar o coração, o cérebro, as articulações e o tecido subcutâneo.  

A febre reumática pode ocorrer em qualquer idade, mas os mais acometidos  são crianças acima de 5 anos e adolescentes. Para apresentar a febre reumática, é preciso ter predisposição genética e, por isso, apenas cerca de 3% daqueles que tem infecção na garganta pelo Streptococcus apresentam a doença.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: A

Alternativa que indico após analisar: A

FCC – Prefeitura de Santos 2005 – Questão 43

43. No tratamento fisioterapêutico dos pacientes portadores de fibromialgia, é indicado realizar exercícios de

(A) alta intensidade, alongamento muscular, tens, corrente de alta voltagem e laser.

(B) alta intensidade, alongamento muscular, tens, corrente de alta voltagem e massoterapia.

(C) baixa intensidade, alongamento muscular, tens, massoterapia e laser.

(D) baixa intensidade, tens, laser, biofeedback e corrente russa.

(E) alta intensidade, corrente russa, tens, corrente de alta voltagem e laser.

fibromialgia

Os óbvios exercícios de baixa intensidade já limitam para apenas duas alternativas. A corrente russa é fora de propósito. So resta a alternativa “C”.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: C

Alternativa que indico após analisar: C

FCC – Prefeitura de Santos 2005 – Questão 42

42. As patologias classificadas como espodiloartropatias soronegativas incluem as seguintes doenças:

(A) espondilite anquilosante, artrite psoriásica, artrite reumatóide e febre reumática.

(B) lupus eritematoso, esclerose sistêmica, fibromialgia e artrite reumatóide.

(C) artrite reumatóide, artrite reumatóide juvenil, febre reumática, fibromialgia.

(D) espondilite anquilosante, artrite psoriásica, síndrome de Reiter e doenças de Behçet.

(E) lupus eritematoso, esclerose sistêmica, síndrome de Reiter e artrite psoriásica.

BracoMecanico

AR e febre reumaticas são soropositivas. Esclerose sistêmica e fibromialgia são outro grupo de patologias.

Quando se fala em soronegativas ou soropositivas, é em referência à presença ou ausência do fator reumatoide(FR) no exame de sangue.

O conceito das espondiloartropatias soronegativas foi estabelecido em 1974, quando os pesquisadores ingleses Moll e Wright propuseram que se englobassem dentro de um mesmo conjunto algumas doenças até então consideradas completamente distintas entre si, mas que na verdade apresentavam diversas características comuns.

Tais características englobavam aspectos clínicos (dor axial inflamatória, associada à artrite, predominante em grandes articulações de membros inferiores, e entesopatias periféricas), radiológicos (sacroiliíte) e laboratoriais (soronegatividade para o fator reumatoide, pois, até a década de 1970, alguns pesquisadores consideravam a espondilite anquilosante como o componente axial da artrite reumatoide), em indivíduos com predisposição genética (ligada ao antígeno de histocompatibilidade HLA-B27).

Este conjunto incluiu a espondilite anquilosante, a artrite psoriásica, a artrite reativa e a síndrome de Reiter, e as artropatias enteropáticas (associadas às doenças inflamatórias intestinais). Nos últimos 20 anos, em virtude do crescente número de pacientes que apresentam um diagnóstico provável, mas que não conseguem preencher os critérios diagnósticos para uma doença definida dentro do grupo, criou-se o conceito das espondiloartropatias indiferenciadas. Recentemente, especialistas internacionais propuseram a mudança de nome para espondiloartropatias, suprimindo o termo soronegativas.

As Espondiloartropatias Soronegativas correspondem a um grupo de doenças que apresentam as seguintes manifestações clínicas em comum:
1 – artrite, com preferência ao acometimento das articulações sacroilíacas e da coluna vertebral;
2 – pesquisa negativa para o fator reumatóide (FR: exame de sangue);
3 – inflamação nos tendões e ligamentos que se ligam ao osso (entesites);
4 – marcador genético semelhante (HLA-B27.

Fazem parte deste grupo de doenças:

Espondilite Anquilosante,

Espondiloartropatias Indiferenciadas (indivíduos que não desenvolvem a doença completamente),

Artrite Reativa (associada a doenças infecciosas),

Artrite Psoriásica (associada à Psoríase) e

Artrites enteropáticas (associadas à doença de Crohn, Retocolite Ulcerativa, doença de Whipple, entre outras)

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: D

Alternativa que indico após analisar: D

FCC – Prefeitura de Santos 2005 – Questão 41

41. As doenças do trabalho mais incidentes, em ordem decrescente, de acordo com o Anuário Estatístico do Ministério da Previdência e Assistência Social de 2003 são:

(A) dorsalgia, sinovite e tenossinovite, perdas auditivas, problemas no ouvido interno e lesões em ombro.

(B) sinovite e tenossinovite, lesões em ombro, perdas auditivas, problemas no ouvido interno e dorsalgia.

(C) perdas auditivas, dorsalgia, sinovite e tenossinovite, problemas no ouvido interno e lesões em ombro.

(D) lesões em ombro, perdas auditivas, dorsalgia, sinovite e tenossinovite e problemas no ouvido
interno.

(E) problemas no ouvido Interno, dorsalgia, sinovite e tenossinovite, perdas auditivas e lesões em ombro.

LEI

Gosto de questões assim, que citam a referência utilizada. Se estava no edital era só estudar o documento.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: B

Alternativa que indico após analisar: B

FCC – Prefeitura de Santos 2005 – Questão 40

40. Em pacientes que apresentam condições normais de saúde, a coagulação dos vasos que se rompem após uma lesão aguda, tipo entorse de tornozelo, ocorre dentro de

(A) 5 minutos.

(B) 15 minutos.

(C) 30 minutos.

(D) 40 minutos.

(E) 120 minutos.

paula

Se a coagulação demorasse duas horas ou mais de meia hora seria um problema sério. Hilárias essas alternativas. A grande duvida deve ficar entre 5 ou 15 minutos.

Em um indivíduo normal, a coagulação é iniciada dentro de 20 segundos após a lesão ocorrer ao vaso sanguíneo causando dano às células endoteliais. As plaquetas formam imediatamente um tampão plaquetário no local da lesão. Essa é a chamada hemostasia primária. A hemostasia secundária acontece quando os componentes do plasmachamados fatores de coagulação respondem (em uma completa cascata de reações) para formar fios de fibrina, que fortalecem o tampão plaquetário. Ao contrário da crença comum, a coagulação a partir de um corte na pele não é iniciada pelo ar ou através da secagem da área, na verdade ocorre através das plaquetas que se aderem e que são ativadas pelo colágeno do endotélio do vaso sanguíneo que fica exposto, quando cortado o vaso. As plaquetas ativadas então liberam o conteúdo de seus grânulos, que contém uma grande variedade de substâncias que estimulam uma ativação ainda maior de outras plaquetas e melhoram o processo hemostásico.

Valores normais: Tempo de coagulação 5 a 15 minutos.Retração: inicia 1 hora após haver coagulado, observando se uma retração de 50 %. Henry: Clinical Diagnosis and Management by Laboratory Methods, 20th ed., 2001

Apesar de 15 minutos ser um tempo limítrofe, a ressalva de “condições normais de saúde” pressupõe uma boa coagulação, então temos que ir de “A”.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: A

Alternativa que indico após analisar: A