VUNESP – IAMSP/HSPE 2011 – Questão 44

44. A fisioterapia respiratória em pacientes pediátricos com baixo número de plaquetas requer alguns cuidados e prevenções. Com relação às manobras de higiene brônquica nesses pacientes, é correto afirmar:

(A) contagem de plaquetas superior a 100 mil, aceitam-se percussão e vibração; contagens entre 50 e 100 mil somente vibração e posicionamento de drenagem, e contagens abaixo de 50 mil somente drenagem.

(B) contagem de plaquetas superior a 50 mil, aceitam-se percussão e vibração; contagens entre 20 e 50 mil somente vibração e posicionamento de drenagem, e contagens abaixo de 20 mil somente drenagem.

(C) contagem de plaquetas superior a 30 mil, aceitam-se percussão e vibração; contagens entre 10 e 30 mil somente vibração e posicionamento de drenagem, e contagens abaixo de 10 mil somente drenagem.

(D) contagem de plaquetas superior a 50 mil, aceita-se vibração; contagens entre 20 e 50 mil somente percussão e posicionamento de drenagem, e contagens abaixo de 20 mil somente drenagem.

(E) contagem de plaquetas superior a 50 mil, aceitam-se percussão e vibração; contagens entre 20 e 50 mil somente vibração e posicionamento de drenagem, e contagens abaixo de 20 mil somente vibração.

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Questão muito interessante!

Em fisioterapia respiratória neonatal e infantil é preciso inicialmente esquecer essa história de que a criança é um adulto em miniatura. Nada a ver, é outra fisiologia e outra fisiopatologia, é preciso mais atenção a esses pontos e diferenciar essas duas classificações.

Isso posto, temos aqui nas entrelinhas uma condição denominada plaquetopenia ou ainda trobocitopenia. Não é com a gente? Realmente não é diagnóstico fisioterapêutico mas é uma contraindicação para algumas manobras, portanto temos que ficar ligados.

O valor normal de plaquetas é de 150.000 a 400.000. Dois terços desse montante estão permabulando pela circulação corpórea(100.000 a 270.000) e o restante está lá no esquecido baço. Em alguns quadros a criança deve limitar atividade física, antiinflamatórios e medicações contendo aspirina.

O caso é que os sinais e sintomas costumam aparecer quando a contagem está abaixo de 10.000. Por isso a alternativa “B” é a mais acertada entre as alternativas.

Entre as alternativas podemos matar algumas apenas estabelecendo uma hierarquia entre as condutas que podem causar risco de sangramento pela plaquetopenia, que é 1) percussão, 2) vibração e 3) drenagem.

Tinha separado material para referência mas não sei onde está. Se achar apago essa nota e atualizo aqui.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: B

Alternativa que indico após analisar: B

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VUNESP – IAMSP/HSPE 2011 – Questão 43

43. A estabilização látero-lateral da bacia durante a marcha, ou o apoio unipodal, é dada pelos músculos

(A) glúteo médio e mínimo e tensor da fáscia lata.

(B) glúteo máximo e médio e tensor da fáscia lata.

(C) glúteo máximo e mínimo e tensor da fáscia lata.

(D) glúteo médio, tensor da fáscia lata e íleo psoas.

(E) glúteo médio e mínimo e íleopsoas.

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O glúteo médio é o principal estabilizador do quadril. Sua falha é claramente observada quando o teste de Trendelemburg dá positivo. O glúteo mínimo tem ação parecida. O tensor da fáscia lata auxilia na estabilização de pelve/fêmur e também fêmur/tíbia.

O glúteo máximo é um extensor e o iliopsoas um flexor da articulação coxofemoral, estão situados em plano diferente do necessário para a estabilização lateral do quadril.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: A

Alternativa que indico após analisar: A

VUNESP – IAMSP/HSPE 2011 – Questão 42

42. Na reabilitação do ombro, tanto a amplitude de movimento passiva como a ativa são de extrema importância. Considerando o movimento ativo de abdução do ombro, assinale a alternativa que representa os músculos essencialmente envolvidos na amplitude de 0 a 90°.

(A) Deltoide e trapézio.

(B) Deltoide e serrátio maior.

(C) Supraespinal e trapézio.

(D) Supraespinal e serrátio maior.

(E) Deltoide e supraespinal.

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Essa é fácil. De forma geral, podemos dividir as ações musculares do ombro em três amplitudes principais para abdução. Lembrando sempre que nenhum músculo trabalha isoladamente, e que o movimento articular voluntário é sempre resultado de uma ação coordenada de agonista, antagonista, estabilizadores e sinergistas.

Podemos dividir a abdução do ombro em 3 tempos.

No primeiro tempo, até 90º de ADM, os músculos principais agonistas são o deltoide e o supraespinhoso.

No segundo tempo, de 90º a 150º, os músculos principais agonistas são o trapézio e o serrátil anterior.

No terceiro tempo, de 150º a 180º, há a participação dos músculos paravertebrais. Se apenas um ombro está em abdução acima de 150º ocorre inclinação lateral na coluna por contração unilateral dos paravertebrais. Se os dois ombros entram em abdução acima de 150º ao mesmo tempo, ocorre um lordotização ou diminuição da cifose vertebral.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: E

Alternativa que indico após analisar: E

VUNESP – IAMSP/HSPE 2011 – Questão 41

41. As diretrizes dos exercícios para as gestantes requerem alguns cuidados especiais. Assinale a alternativa correta.

(A) Treinos de equilíbrio unipodais são indicados para estabilização sacroilíaca.

(B) Os alongamentos musculares devem ser feitos de forma a trabalhar grupamentos e não os músculos de forma isolada.

(C) Durante os exercícios aeróbicos, a frequência cardíaca deve ser a mesma de antes da gestação e com duração mínima de 30 min.

(D) O decúbito dorsal é o mais adequado para o posicionamento da coluna após o 4.º mês de gestação e, em caso de desconforto, deve-se colocar uma pequena almofada sob o quadril esquerdo.

(E) Deve ser solicitado o esvaziamento da bexiga antes da realização dos exercícios.

amorintenso

Na “A”, pela mudança do centro de gravidade treinos unipodais podem ser um perigo, portanto não ia nessa. A “B” é ideal pra gestantes e qualquer outra pessoa. A “C” é confusa, mas temos uma nova condição, é pouco provável que tenhamos a mesma FC. Na “D” a posição de DL E parece a mais indicada por conta da veia cava. A alternativa “E” parece a mais coerente.

Nessa questão em especial é importante estudar as recomendações do Colégio Americano de Ginecologia e obstetrícia para exercícios físicos na gestação, que pode variar de acordo com a fase da gestação. Não consegui acesso a essa guideline no site deles, portanto quem for estudar a fundo é o melhor caminho ter essa guideline.

Na gravidez, o sedentarismo e ganho de peso excessivo têm sido reconhecidos como fatores de risco independentes para a obesidade materna e as complicações relativas associadas à gravidez, incluindo diabetes mellitus gestacional (DMG) (5-7). Alguns pacientes, ginecologistas-obstetras e outros profissionais ficam preocupados que a atividade física regular durante a gravidez possa causar aborto, crescimento fetal inadequado, lesões músculo-esqueléticas, ou parto prematuro. Para gestações sem complicações, estas preocupações não foram comprovadas (8-12). Na ausência de complicações ou contra-indicações obstétricas ou médicas (Quadro 1 e 2) , atividade física durante a gravidez é segura e desejável, e as gestantes devem ser encorajadas a continuar ou iniciar atividades físicas seguras (a lista de indicação de atividades estão no post 2 – clique aqui para ir até o post). Em mulheres que têm co-morbidades obstétricas ou médicas, um programa de exercícios deve ser individualizado. Ginecologistas-obstetras e outros profissionais devem avaliar cuidadosamente as mulheres com complicações médicas ou obstétricas antes de fazer recomendações sobre a participação da atividade física durante a gravidez

Quadro 1. Contra-indicações absolutas para o exercício aeróbico durante a gravidez
doenças cardíaca hemodinâmica significativa
doenças pulmonar restritiva
cerclage ou cérvix incompetente
gestação múltipla com risco de parto prematuro
hemorragia persistente no segundo ou terceiro trimestre
placenta prévia após 26 semanas
trabalho de parto prematuro durante a gravidez atual
ruptura de membranas
pre-eclampsia ou hipertensão induzida pela gravidez
 
Quadro 2. Contraindicações relativas para exercícios aeróbicos durante a gravidez
anemia
arritmia cardíaca materna
bronquite crônica
diabetes tipo 1 não controlada
obesidade mórbida extrema
baixo peso extremo – IMC < 12
histórico de estilo de vida extremamente sedentário
restrição de crescimento intra-uterino na atual gravidez
hipertensão não controlada
limitações ortopédicas
hipertiroidismo não controlado
fumante inveterada

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: E

Alternativa que indico após analisar: E

VUNESP – IAMSP/HSPE 2011 – Questão 40

40. Com relação à diástase dos retos abdominais após a gestação, está correto afirmar que

(A) nenhum exercício deve ser feito até o fechamento total da diástase.

(B) nenhum exercício deve ser feito até que a separação seja inferior a 4 cm.

(C) somente exercícios corretivos devem ser feitos até que a separação atinja 2 cm.

(D) exercícios abdominais e corretivos devem ser feitos com qualquer tamanho de separação para auxiliar o fechamento.

(E) exercícios abdominais só podem ser feitos quando o fechamento da diástase for total.

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Temos aqui três condutas:

– Observação ou nenhuma conduta

– Exercícios abdominais

– Exercícios corretivos

Posto isto, vamos aos fundamentos da bagaça:

A diástase do reto-abdominal é a separação dos músculos retos da parede abdominal, na maioria das vezes ocorrendo no período da gravidez. Apesar de geralmente detectada pela palpação, a diástase pode ser visível através de uma linha separadora definindo a cavidade no abdômen. O maior ponto de abertura é geralmente no umbigo, mas pode se estender pela extensão total da linha alba, como também ocorrer em casos de separação marcada, o que acontece em casos do peritônio ou fáscia atenuada ou gordura subcutânea e ou pele comprimida (POLDEN; MANTLE, 1997).

O músculo reto abdominal na gestante tem a função de expansão e compressão da cavidade abdominal e das vísceras, além de auxiliarem na respiração puxando o esterno para baixo e diminuindo a pressão intra-abdominal. Isso facilita a liberação do ar de dentro do sistema respiratório para a atmosfera, portanto contribuindo para a manutenção do tamanho da cavidade torácica (KISNER; COLBY, 1998).

O músculo reto abdominal na gestante tem a função de expansão e compressão da cavidade abdominal e das vísceras, além de auxiliarem na respiração puxando o esterno para baixo e diminuindo a pressão intra-abdominal. Isso facilita a liberação do ar de dentro do sistema respiratório para a atmosfera, portanto contribuindo para a manutenção do tamanho da cavidade torácica (KISNER; COLBY, 1998).

De acordo com Polden e Mantle (1997, p. 250), uma separação maior que dois (2)cm deve ser considerada. Essa condição não é exclusiva para mulheres grávidas, mas é vista com freqüência nessa população.

Para Kisner e Colby (1998, p. 589), o tratamento da diástase dos retos consiste em testar todas as mulheres grávidas quanto à presença de diástase dos retos antes de realizar exercícios abdominais e realizar exercícios corretivos para diástase dos retos sem outros exercícios abdominais até que a separação tenha diminuído para dois cm ou menos. Quando isso ocorrer, os exercícios abdominais poderão ser retomados, mas a integridade da linha alba deverá ser monitorada para certificar-se que a separação continua a diminuir.

Referência:

2006; Souza, Cintia Borges de; INCIDÊNCIA DE DIÁSTASE DE RETO ABDOMINAL NO PERÍODO DE PÓSPARTO IMEDIATO EM PUÉRPERAS DO ALOJAMENTO CONJUNTO DO HNSCTUBARÃO/SC; acesso em 16 de maio de 2017.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: C

Alternativa que indico após analisar: C

VUNESP – IAMSP/HSPE 2011 – Questão 39

39. Sobre as alterações anatômicas e fisiológicas da mulher na gravidez, assinale a correta.

(A) O útero aumenta em tamanho de 15 a 20 vezes e de 5 a 6 vezes em peso.

(B) O débito cardíaco aumenta de 30 a 60% na gravidez e o aumento é mais significativo quando se deita em decúbito lateral esquerdo.

(C) O débito cardíaco diminui de 30 a 60% na gravidez e o aumento é mais significativo quando se deita em decúbito lateral direito.

(D) A pressão sanguínea diminui no último trimestre da gravidez.

(E) O volume sanguíneo diminui ao longo da gestação.

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O débito cardíaco, que é definido como o produto do volume sistólico pela frequência cardíaca (DC = VS x FC), aumenta progressivamente durante a gestação. Começa a se elevar entre a 10a e a 12a semanas, atingindo de 30% a 50% em relação aos níveis pré-gravídicos até a 32a semana de gestação.

Com relação ao decúbito que ocasiona maior aumento do débito cardíaco, na referência que cito os autores consideram a posição supina em razão do aumento da compressão da veia cava inferior pelo útero gravídico. Como a veia cava se localiza no dimídio esquerdo do corpo humano, podemos concluir que tanto a posição supina como a posição de decúbito lateral esquerdo podem proporcionar aumento do débito cardíaco. Mas essa conclusão é minha, sem maiores referências.

Referência:

2005, Picon J.D.; Sá A.N. P. O. A.; Alterações Hemodinâmicas da gravidez, disponível em https://www.google.com.br/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=1&cad=rja&uact=8&ved=0ahUKEwjjgPq7pb7TAhVCG5AKHeKOAGAQFggiMAA&url=http%3A%2F%2Fsociedades.cardiol.br%2Fsbc-rs%2Frevista%2F2005%2F05%2FArtigo01.pdf&usg=AFQjCNHy2DotU0gvmnFuy3LBe1Lo4zbpPA,acesso em 24 de Abril de 2017.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: B

Alternativa que indico após analisar: B