FCC – TRT 23 2007 – Questão 40

40. A sintomatologia do Parkinsonismo provém de uma perturbação da função em duas regiões dos núcleos da base, que são:

(A) globo pálido e estriado.

(B) substância negra e estriado.

(C) substância negra e globo pálido.

(D) substância negra e núcleos subtalâmicos.

(E) globo pálido e núcleos subtalâmicos.

NUCLEOS DA BASE

A Doença de Parkinson é uma doença idiopática caracterizada pela destruição dos neurônios dopaminérgicos da substância negra e que tem como consequência a redução drástica dos níveis de dopamina no corpo estriado dos pacientes; os neurônios dopaminérgicos inervam as principais estruturas dos gânglios da base (corpo estriado, os segmentos externo e interno do globo pálido, o núcleo subtalâmico, substância negra), assim como os alvos das suas projeções (tálamo e córtex motor, por exemplo) servindo como moduladores dos circuitos corticoestriatais.

A perda de dopamina nestas zonas compromete o delicado equilíbrio entre inibição tónica e “desinibição” dos circuitos motores e da seleção consciente de um determinado movimento. Níveis saudáveis de dopamina potenciam a via direta (GO) e impedem a via indireta (NoGO), uma vez que os neurónios da via direta expressam recetores de dopamina D1 (ativadores) e os neurónios da via indireta expressam recetores de dopamina D2 (desactivadores). Por outro lado, baixos níveis de dopamina revertem esse efeito: impedem a via GO e favorecem a via NoGO, resultando numa excessiva inibição tálamo-cortical.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: B

Alternativa que indico após analisar: B

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FCC – TRT 23 2007 – Questão 39

39. Na fase inicial do tratamento após acidente vascular encefálico, o membro superior deve ser posicionado em

(A) abdução de ombro de 45°, extensão do cotovelo e apoio do antebraço sobre um travesseiro, e um rolinho
na mão para prevenir contratura em flexão dos dedos.

(B) abdução de ombro de 90°, extensão do cotovelo e apoio do antebraço sobre um travesseiro, e um rolinho
na mão para prevenir contratura em flexão dos dedos.

(C) adução de ombro, extensão de cotovelo e apoio do antebraço sobre um travesseiro, e um rolinho na mão para prevenir contratura em flexão dos dedos.

(D) adução de ombro, ligeira flexão de cotovelo e apoio do antebraço sobre um travesseiro, e um rolinho na
mão para prevenir contratura em flexão dos dedos.

(E) discreta abdução do ombro, ligeira flexão de cotovelo e apoio do antebraço sobre um travesseiro, e um rolinho na mão para prevenir contratura em flexão dos dedos.

defeitos

A banca não define as sequelas do AVE, embora a esmagadora maioria seja em padrão flexor de MMSS.

Podemos excluir posições que favoreçam o padrão flexor do MS acometido, bem como a abdução exagerada em 90º. Eliminamos “B”, “C” e “D”. Das que restaram, a abdução de 45º da “A” apresar de excessiva até poderia ser relevada, mas o cotovelo em extensão nos joga para a alternativa “E”, que propõe a flexão leve do cotovelo, bem como corrige a abdução para uma angulação menor, o termo “discreta abdução” pode ser até no máximo uns 30º.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: E

Alternativa que indico após analisar: E

FCC – TRT 23 2007 – Questão 38

38. Durante a avaliação da marcha deve-se considerar que um ciclo normal se faz em duas fases, a de apoio e a de oscilação. Cada fase representa, num ciclo, respectivamente,

(A) cerca de 60% e cerca de 40%.

(B) cerca de 40% e cerca de 60%.

(C) 50% e 50%.

(D) cerca de 70% e cerca de 30%.

(E) cerca de 30% e cerca de 70%.

andando sobre a agua de verdade

Segundo Sullivan (1993), Marsico e colaboradores (2002) e Perry (2005), o ciclo da marcha é dividido em duas fases, apoio e balanço e dois períodos de duplo apoio.

A fase de apoio constitui 60% do ciclo da marcha (toque do calcanhar, apoio inicial, médio apoio, apoio terminal e pré-balanço). (Sobre a divergência com a resposta correta, leia explicações nos comentários desse post). Nessa fase, os músculos eretores espinhais mantêm a postura vertical, os glúteos máximos previnem a flexão de quadril e o tronco não se inclina em direção à coxa e o quadríceps mantém a extensão de joelho.

A fase de balanço constitui 40% do ciclo da marcha (balanço inicial, balanço médio e balanço final).

O período de duplo apoio é a fase em que os dois pés estão em contato com o solo (Marsico e colaboradores, 2002 e Perry 2005).

O comprimento do passo é a distância longitudinal entre o apoio do calcanhar de um membro no solo e o apoio do calcanhar contra-lateral no solo.

O comprimento da passada é a distância entre o apoio do calcanhar de um membro no solo e a volta do apoio desse mesmo calcanhar no solo.

A largura do passo é o distanciamento entre os pés. Estas são as variáveis espaciais. (Sullivan, 1993; Perry, 2005).

A variável temporal da marcha é a velocidade, calculada pela divisão da distância percorrida pelo tempo dispendido.

A cadência é o número de passos dados por minuto (Sullivan, 1993; Perry, 2005).

A velocidade de marcha é uma medida válida e prática da mobilidade e reflete a atividade funcional da vida diária.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: A

Alternativa que indico após analisar: A

FCC – TRT 23 2007 – Questão 37

37. O reflexo de estiramento envolve um receptor periférico, vias neuronais aferentes e eferentes. Esses elementos são, respectivamente,

(A) órgão neurotendíneo de golgi, via aferente Ia e II e motoneurônio gama.

(B) fuso muscular, via aferente Ib e motoneurônio alfa.

(C) órgão neurotendíneo de golgi, via aferente Ib e motoneurônio alfa.

(D) fuso muscular, via aferente Ia e II e motoneurônio alfa.

(E) fuso muscular, via aferente Ib e motoneurônio gama.

leao-gato

Essa parece muito difícil, mas não é não.

Segundo alguns autores o reflexo miotático pode ser considerado um reflexo proprioceptivo.

Os reflexos miotáticos são característicos da musculatura esquelética controlados por órgãos receptores presentes nos músculos esqueléticos e nos tendões.

Existem 2 tipos de reflexo miotático: o reflexo miotático de estiramento e o reflexo miotático inverso.

O reflexo miotático de estiramento é controlado pelo receptor Fuso Muscular presente nos músculos esqueléticos. O arco reflexo do reflexo miotático de estiramento é composto por uma fibra aferente do tipo Ia que provem do fuso muscular. Na medula espinhal a fibra se ramifica e atinge a substância cinzenta medular.

Algumas ramificações fazem sinapses diretamente com neurônios motores alfa que inervam o músculo e seus sinergistas (pode-se concluir que este reflexo é monossináptico). A única maneira de serem gerados potenciais de ação ao longo de nervo sensorial do fuso é por estiramento das fibras musculares intrafusais, com isso são gerados potenciais de ação ao longo do nervo sensorial do fuso em proporção direta ao grau de alongamento do músculo intrafusal.

Esses nervos sensoriais podem detectar não apenas uma alteração no comprimento durante a fase de estiramento muscular, mas também o comprimento do músculo estacionário quando o animal mantém a articulação fixa. Os potencias de ação são transmitidos para a medula (onde fazem conexão monossináptica) excitando as fibras motoras alfas provocando a contração da musculatura agonista e relaxamento da antagonista (inervação recíproca). Esse sistema permite que o SNC perceba quando um determinado músculo é alongado por alteração na posição do corpo.

O reflexo miotático de estiramento pode ser dividido em Reflexo miotático dinâmico e reflexo miotático tônico. O reflexo miotático dinâmico é provocado por um estiramento rápido do músculo originando um sinal potente transmitido pelas terminações nervosas aferentes que causam uma contração reflexa do mesmo músculo que originou o sinal. O reflexo miotático tônico contribui para o tônus muscular. Quando um animal está de pé, de forma inconsciente um grupo de músculos é estendido e outro grupo de músculo é flexionado dando origem ao reflexo miotático tônico de modo que mantém o animal na posição desejada.

Dando a devida atenção ao termo respectivamente, vamos por os pingos nos “i”s:

Receptor periférico: fuso muscular

Vias neuronais aferentes: via aferente Ia e II

Vias neuronais eferentes: motoneurônio alfa.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: D

Alternativa que indico após analisar: D

FCC – TRT 23 2007 – Questão 36

36. Com relação à presença de circuitaria na medula espinhal, no mecanismo de inervação recíproca, é correto afirmar:

(A) Quando há contração do músculo agonista ocorre a contração do músculo antagonista.

(B) Quando que há estiramento do músculo agonista há estiramento do músculo antagonista.

(C) A contração do músculo agonista gera o relaxamento reflexo desse mesmo músculo.

(D) Quando um estímulo doloroso é aplicado há a contração de músculos em várias articulações.

(E) Quando há contração de um músculo agonista há relaxamento do músculo antagonista.

inibição

Muito fácil essa, já temos outras questões sobre isso por aqui.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: E

Alternativa que indico após analisar: E

FCC – TRT 23 2007 – Questão 35

35. Sobre o Lúpus Eritematoso Sistêmico é correto afirmar:

(A) Os primeiros sintomas ocorrem geralmente entre a 4a e a 6a década de vida.

(B) Não existem anticorpos específicos para a doença.

(C) A presença de eritema malar pode ser um dos sintomas da doença.

(D) A sorologia para anti-HPV é positiva.

(E) Apresenta distribuição igual entre os sexos.

lupus

Moleza. Sem mistérios aqui.

O Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) é uma doença inflamatória crônica de caracter auto-imune, pois apresenta a produção de vários auto-anticorpos devido a uma disfunção do sistema imune. De acordo com o local do envolvimento do seu processo inflamatório, pode se apresentar com diversos sinais e sintomas, o que pode dificultar o seu diagnóstico nas fases iniciais da doença. Por isso, infelizmente, ainda hoje existe o falso conceito de que a doença é intratável.

O LES acomete aproximadamente uma em cada 1000 pessoas da raça branca e uma em cada 250 pessoas negras, sendo muito mais freqüente no sexo feminino, com proporção de 10 mulheres para cada 1 homem. A doença se inicia principalmente entre a segunda e terceira década de vida, embora possa aparecer em crianças e idosos.

Cerca de 10 a 20 % dos pacientes com LES apresentam algum familiar com quadro reumatológico ou de doença auto-imune (tireóide, hepática), o que mostra o componente genético no aparecimento da doença. Existe também a participação de hormônios, pois o LES é freqüente na população fértil feminina, aparecendo durante ou após o parto. Além disso, é bem demonstrado que a exposição a luz solar pode facilitar o aparecimento ou piorar a doença.

No sentido de facilitar o seu diagnóstico, foram propostos critérios para a definição da doença (Tabela 1), onde é necessário ter 4 ou mais destes critérios para definir que um paciente tem lúpus eritematoso sistêmico. No seu início a doença acomete com maior freqüência a articulação e a pele (“rash” malar = lesão avermelhada que acomete as bochechas e dorso do nariz de forma simétrica), e de forma mais grave, o rim e o sistema nervoso. Como qualquer outra doença, quanto antes for feito o seu diagnóstico melhor o seu tratamento e sua evolução.

Tabela 1: CRITÉRIOS REVISADOS PARA A CLASSIFICAÇÃO DE LÚPUS ERITEMATOSO SISTÊMICO (1982)

1. RASH MALAR

2. LESÃO DISCÓIDE

3. FOTOSSENSIBILIDADE

4. ÚLCERAS ORAIS

5. ARTRITE
Não erosiva de 2 ou mais articulações

6. SEROSITE
Pleurite
Pericardite

7. RENAL
Proteinúria maior que 0,5 g / d
Cilindros

8. NEUROLÓGICO
Convulsão
Psicose

9. HEMATOLÓGICO
Anemia hemolítica
Leucopenia menor que 4.000 / mm3
Linfopenia menor que 1.500 / mm3
Plaquetopenia menor que 100.000 / mm3

10. ALTERAÇÕES IMUNOLÓGICAS
Anticorpos Anti-DNA
Anticorpos Anti-Sm
Anticorpos Antifosfolípides

11. ANTICORPOS ANTI-NUCLEARES (FAN)
Arthritis Rheum (1997)

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: C

Alternativa que indico após analisar: C

FCC – TRT 23 2007 – Questão 34

34. Na fase aguda da Artrite Reumatóide é indicado:

(A) gelo, laser, ultra-som contínuo e FES.

(B) gelo, laser, ultra-som pulsado e TENS.

(C) laser, ultra-som pulsado e corrente russa.

(D) ultra-som contínuo, TENS, FES e corrente russa.

(E) ultra-som pulsado, TENS e infravermelho.

luz off

Cadê as técnicas de fisioterapia manual, dona FCC? Fisioterapia não é só aparelho não! Se acaba a luz da clínica como é que faz, sem fisioterapia porque acabou a luz?

Das alternativas, teria que optar pela “B”, mas nem todo paciente tolera a crioterapia na fase aguda de AR, então a “E” também me parece boa, US não gosto de usar para crise de dor na AR, os estudos que li não me animaram muito.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: B

Alternativa que indico após analisar: Nenhuma