FCC – SESA/BA 2005 – Questão 49

49. O gás carbônico dos tecidos pode ser transportado até os pulmões

(A) através da PCO2 arterial.

(B) na forma de bicarbonato.

(C) ligado a hemoglobina.

(D) ligado a proteínas plasmáticas.

(E) através da PCO2 venosa.

sistema tampao

Bem legal essa questão. Reparem que a PCO2(Pressão de CO2) é uma medida, um parâmetro da gasometria, não é uma forma de se transportar CO2 aos pulmões. Eliminamos “A” e “E”.

Essa questão envolve um outro tema, que é o sistema tampão, um regulador do pH sanguíneo.

A capacidade de tamponamento (ou “poder tampão”) é uma propriedade importante em sistemas biológicos, para os quais uma alteração rápida de pH pode ter consequências desastrosas. O tampão bicarbonato/ácido carbônico (pKa = 6,1) mantém o pH do sangue numa “faixa segura”  compreendida entre 7,35 e 7,45, resistindo às variações de pH para cima ou para baixo desses valores.

Para saber mais:

http://www.mediafire.com/view/mmui8euulg9vnid/tampoes_biologicos.pdf

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: B

Alternativa que indico após analisar: B

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AOCP – EBSERH – UFGD/MS Respiratória 2014 – Questão 41

41. Analise a espirometria a seguir, referente ao paciente O.G.S, 52 anos, gênero masculino, com história de falta de ar aos médios esforços, e assinale a alternativa correta com base no laudo.

(A) O laudo seria Distúrbio Ventilatório Obstrutivo leve.

(B) O laudo seria Distúrbio Ventilatório Misto.

(C) O laudo seria Distúrbio Ventilatório Obstrutivo grave.

(D) O laudo seria Distúrbio Ventilatório Restritivo leve.

(E) O laudo seria um Distúrbio Ventilatório Obstrutivo moderado.

41

Interpretação do exame:
O exame de espirometria permite o registro de vários volumes e fluxos com importância variada.
A interpretação completa de um exame exige conhecimento de fisiologia e mecânica respiratória, doenças pulmonares e, sobretudo, de espirometria.

1. Capacidade vital forçada (CVF): O seu resultado será expresso em valores absolutos e em percentual de predito. Quando estiver abaixo de 80% do previsto, na presença de VEF1/CVF normal, sugere distúrbio restritivo. A confirmação pode ser feita através da medida da “capacidade pulmonar total” Na impossibilidade destes métodos, os achados radiológicos compatíveis com doença restritiva associados a redução de capacidade vital forçada confirmam a hipótese.

2. Volume expiratório forçado cronometrado de primeiro segundo(VEF1): O VEF1 avalia basicamente os distúrbios obstrutivos. Quando a CVF estiver diminuída por distúrbios restritivos ele diminuirá proporcionalmente.

3. Relação VEF1/CVF: A razão entre estas duas medidas é a que melhor avalia a presença de distúrbios obstrutivos. O valor esperado para determinado indivíduo deriva da equação escolhida. Para indivíduos com até 45 anos espera-se o valor de 75% ou superior. Abaixo deste valor o diagnóstico de obstrução é sugestivo e deverá ser definido através da análise paralela de outros valores como FEF25-75, VEF1 e outros fluxos terminais.

Parâmetros para qualificação dos distúrbios
1. Exame normal: 
VEF1/CVF e maior Limite Inferior (LI)
VEF1/CVF menor LI e CVF supranormal(maior que 120%)

2. Restritivo: 
VEF1/CVF maior que LI e CVF menor que LI. Fef 25-75/CVF >menor que 1,5, com fluxos supranormais, em indivíduo com diagnóstico esperado de restrição.

3. Obstrutivo: VEF1/CVF menor que LI e CVF maior que LI.

4. Distúrbio misto: VEF1/CVF menor que LI e CVF menor que LI. Três situações distintas baseadas na diferença entre o percentual de previsto de CVF menos o percentual de previsto de VEF1.

Se esta diferença for:
menor que 12% : Considera-se distúrbio obstrutivo com provável associação a distúrbio restritivo.
13 a 25%: Considera-se distúrbio obstrutivo com CVF reduzida
maior que 25%: Considera-se distúrbio obstrutivo com diminuição da CVF, por provável hiperinsuflação.

Nestes casos a medida da CV através de pletismografia ou métodos de diluição do Hélio podem definir melhor o distúrbio, pois medem o volume residual, não aferido pela espirometria simples.

Respostas ao broncodilatador
1. Significativa de fluxo: Variação absoluta entre VEF1 pós e pré maior que 200ml e percentual de 12% ou 7% de variação em relação ao VEF1 previsto .

2. Significativa e acentuada (de fluxo): Variação absoluta entre VEF1 pós e pré maior que 300ml e 10% de variação em relação ao VEF1 previsto.

3. Significativa (de volume): Variação positiva de CVF de 400 ml e 15% em relação ao CVF pré BD ou Variação positiva de CI de 300 ml e 15% em relação ao CVF pré BD. Esta resposta de volume poderá acontecer de forma isolada.

Classificação dos distúrbios:
DISTÚRBIO OBSTRUTIVO
GRAU – (VEF 1 – % do previsto – VEF1/CVF (%))
Leve: 60-LI Moderado:41-59 Grave: menor que 40

DISTÚRBIO RESTRITIVO
Grau (CVF – % do previsto)
Leve: 60-LI Moderado: 51-59 Grave: menor que 40

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: E

Alternativa que indico após analisar: E

AOCP – EBSERH – UFGD/MS Respiratória 2014 – Questão 40

40. A ventilação mecânica invasiva altera as pressões fisiológicas do sistema respiratório, e pode causar efeitos deletérios indesejáveis. Sobre o assunto, assinale a alternativa correta.

(A) A pneumonia pode ser causada pela ventilação mecânica, bem como pelo barotrauma.

(B) Elevadas pressões podem causar volutrauma e aumento do débito cardíaco.

(C) O trauma traqueal, quando presente, pode estar associado à intubação, deslocamento do balonete do tubo traqueal e mobilização excessiva da região cervical nas manobras no leito.

(D) A ventilação mecânica prolongada pode causar insuficiência renal crônica, anasarca e aumento do retorno venoso.

(E) A regulagem da PEEP refletirá inversamente proporcional a PIC.

Resuscitation

Lesões traqueais: estas lesões podem ser provocadas por fatores como a alta pressão do cuff ou como o tracionamento dos TOT ou TQT. Pressões elevadas do balonete levam desde à diminuição de atividade do epitélio ciliado, isquemia, necrose até a fístulas traqueais.

Zanei (2010) acrescenta como complicações relacionadas a VMI: resistência de via aérea (quanto maior o comprimento e menor diâmetro da via aérea artificial, maior a resistência e consequentemente maior trabalho respiratório), broncoaspiração, posicionamento inadequado do TOT, lesões orais e aspiração traqueal.

Na história da medicina há vários exemplos de processos de cura muito piores do que a própria doença, com intervenções bem intencionadas, porém em algumas situações produziram mais danos e sofrimentos do que benefícios.

Os primeiros registros destes danos datam de civilizações antigas, no qual os Incas usavam a trepanação craniana para “afastar” as doenças mentais; no império AssírioBabilônico, na Medicina vinculada à concepção religiosa da doença, preponderavam como métodos terapêuticos o exorcismo, sacrifícios e oferendas aos deuses; o famoso Código de Hamurabi, em seu artigo 218, impõe pesado imposto pelo prejuízo causado a alguém; a mitologia grega revelava uma preocupação com o erro e dano, no nascimento da Medicina, quando Apolo ordenou ao Centauro Quiron que ensinasse a Asclépios a cura das doenças, utilizando “fármacos suaves” ou “incisões adequadas” (OLIVEIRA, 1981; CANINEU et al., 2006). Portanto, a medicina costumava ser simples e ineficaz, atualmente ela está complexa, eficaz e potencialmente perigosa. Antes as infecções eram comuns, as gangrenas epidêmicas, a lobotomia generalizada, as sangrias preconizadas e a talidomida o medicamento de escolha. Na atualidade as inovações tecnológicas produzem novos riscos, possibilitam resultados jamais vistos e consequentemente perigos letais (CHANTLER, 1999; SHARPE, FADEN, 1999; VINCENT, 2009).

Essa tese de 2013, de onde retirei o texto acima, é bem completa sobre ventilação mecânica:

http://www.mediafire.com/view/t7unq8et8ci2dyc/2013_Eventos-adversos-associados-a-ventila%C3%A7%C3%A3o-mec%C3%A2nica-invasiva-no-peciente-adulto-em-uma-Unidade-de-Terapia-Intensiva.pdf

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: C

Alternativa que indico após analisar: C

AOCP – EBSERH – UFGD/MS Respiratória 2014 – Questão 39

39. Em relação à técnica de desmame que utiliza o tubo T, assinale a alternativa correta.

(A) Deve-se manter a saturação de oxigênio acima de 90% com FiO2 acima 40%.

(B) Pode ser realizada com o auxílio de oxigênio suplementar pelo período de até 2 horas.

(C) Sinais de intolerância não devem ser valorizados, pois esse é o objetivo do teste.

(D) Em caso de falha, uma nova tentativa deve ser realizada o mais breve possível.

(E) Essa técnica somente é usada em caso de desmame difícil.

mamadeira

A alternativa “A” é incorreta, a FiO2 deve estar abaixo de 40%.

Alternativa B correta.

A alternativa “C”, putz grila, desde quando desmame é teste? O teste que se realiza antes do desmame é chamado de “teste de respiração espontânea”, onde se observam os seguintes parâmetros:

1

O teste de respiração espontânea (método de interrupção da ventilação mecânica) é a técnica mais simples, estando entre as mais eficazes para o desmame. É realizado permitindo-se que o paciente ventile espontaneamente através do tubo endotraqueal, conectado a uma peça em forma de “T”, com uma fonte enriquecida de oxigênio, ou recebendo pressão positiva contínua em vias aéreas (CPAP) de 5 cm H2O, ou com ventilação com pressão de suporte (PSV) de até 7 cm H2O.

Na alternativa “D”, bem, ela é duvidosa. Porque se “o mais breve possível” se entender for quando houver segurança para a nova tentativa, então teoricamente essa afirmação estaria certa, pois digamos que ” o mais breve possível” seja um período de 24 horas depois da primeira tentativa. Mas não é essa a intenção da banca, esse tipo de afirmação é um prato cheio para se entrar com recurso, por isso marco essa questão como erro da organizadora. Creio que a frase “o mais cedo possível” foi inserido no lugar da frase “imediatamente depois”, e que, nesse caso, realmente estaria errada a afirmação.

Desmame da ventilação mecânica é um processo de readaptação, em que o paciente reassume a ventilação espontânea sem necessitar da ventilação artificial.

Entre os métodos tem-se o desmame com tubo T em que após ser desconectado da prótese ventilatória inicia-se o desmame com períodos de cinco minutos, crescentes até duas horas, de acordo com a tolerância do paciente.

Os critérios para dar início a retirada da ventilação mecânica até o momento da extubação compreendem avaliações constantes dos fatores fisiológicos da mecânica respiratória e do nível de consciência, estabilidade do quadro hemodinâmico, arritmias cardíacas controladas, nível de consciência normal ou dentro do esperado, padrão radiológico sem observação de pneumotórax, derrames pleurais e atelectasias, infiltrados interticiais e/ ou alveolares, ausência de distúrbios hidroeletrolíticos, nutrição adequada, Pimax >ou = -20cmH2O, Pemax > 60cmH2O, PO2/FiO2 > 200, FR/VC < 100, FiO2 5 ml/kg e FR < 28 3.

O desmame passa por quatro fases até o paciente ser extubado.
1ª fase: início da respiração espontânea, diminuição da FR, diminuição do Consumo de O2, manutenção da PEEP, alteração da modalidade CMV para IMV/ SIMV com uso da pressão de suporte adequado para que o paciente mantenha o volume corrente exalado e a FR em níveis aceitáveis;

2ª fase: paciente colaborando sem sinais de fadiga respiratória, diminuição da FR até uma respiração por minuto, diminuição do Consumo de O2 a fração menor ou igual a 40%, PEEP igual a 4 cmH2O, pressão de suporte deverá ser diminuída de 5 em 5 cmH2O até atingir o valor de 5 cm H2O;

3ª fase: respiração espontânea, colocar modalidade CPAP com pressão de suporte igual a 5 CPAP simples ou tubo T;

4ª fase: extubação.

Para que esse processo seja realizado com sucesso é necessário que haja uma adequada troca gasosa, interrelação entre quantidade de trabalho respiratório necessária, eficácia da bomba muscular respiratória com fatores psicológicos favoráveis, evitando tentativas mal sucedidas consequentes de falhas na abordagem ou no planejamento do desmame.

A retirada da ventilação artificial pelo tubo T ocorre com períodos de cinco minutos, progressivamente crescentes até duas horas, de acordo com a tolerância do paciente, sendo intercalado com aproximadamente uma hora com ventilação assisto-controlada.

Para a retirada gradual com tubo T: o paciente é conectado a um tubo com uma mistura gasosa aquecida, com uma FiO2 < 0,1 acima daquela utilizada na ventilação pulmonar mecânica e a outra extremidade do tubo com saída livre para desmame. Este método permite que o paciente respire espontaneamente por um período de tempo pré determinado intercalado com o suporte ventilatório total. O tempo que o paciente permanecerá em respiração espontânea vai depender de sua capacidade e da resistência da musculatura respiratória.

Inicia-se com períodos de cinco minutos a cada 30 a 180 minutos aumentando o período gradativamente até que o paciente respire espontaneamente por duas horas consecutivas, quando então será considerada a extubação.

Após permanecer por duas horas consecutivas em ventilação espontânea com tubo T sem sinais de desconforto respiratório, respirando espontaneamente e sem preencher os parâmetros de retorno para ventilação mecânica, extuba-se o paciente.

Entre os parâmetros para retorno à prótese ventilatória é necessário uma SaO2 < 90%; PaO2 50mmhg; frequência respiratória > 35 irpm; frequência cardíaca > 140 bpm; PAS > 180mmhg e redução do nível de consciência.

Os fatores que retardam o processo de desmame são: hipoxemia, falência da bomba muscular respiratória devido hiperinsuflação, atrofia muscular respiratória, disfunção diafragmática, fadiga muscular respiratória e fatores psíquicos.

Deixo aqui um artigo em PDF que complementa as informações acima:
http://www.mediafire.com/view/dxcwg5gdw93f11y/2007_demame_e_ventila%C3%A7%C3%A3o_mec%C3%A2nica.pdf

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: B

Alternativa que indico após analisar: B ou D

AOCP – EBSERH – UFGD/MS Respiratória 2014 – Questão 38

38. A neoplasia é uma massa anormal de tecido cujo crescimento excede aquele dos tecidos normais e não está coordenada com ele, persistindo da mesma maneira excessiva após o término do estímulo que induziu a alteração. De acordo com algumas características morfológicas, é possível diferenciar um tumor maligno de um benigno. Sobre tais características, analise as assertivas e assinale a alternativa correta.

I. Uma célula cancerígena, quando sofre um processo de diferenciação, dizemos que ela se tornou diferente da célula de origem do tecido, assim esta é classificada como maligna.

II. A célula tumoral, quando apresenta um crescimento mais lento, dizemos que apresenta uma característica benigna, enquanto que o contrário é uma característica do tumor maligno.

III. Nos tumores, é possível distinguir o parênquima (constituído por células neoplásicas) e o estroma (tecido de sustentação), assim um tumor que tem um crescimento lento faz com que seu estroma seja mais espesso, o que consequentemente não terá invasão local.

IV. A partir do momento que uma célula tem a capacidade de invasão local, esta terá a propensão à metástase para outros tecidos e órgãos, o que é uma característica de um tumor maligno.

(A) Apenas I está incorreta.

(B) Apenas I e II estão incorretas.

(C) Apenas II e III estão corretas.

(D) Apenas III e IV estão corretas.

(E) I, II, III e IV estão corretas

CANCER

Sobre a assertiva I, devemos entender o que significa diferenciação celular.

A diferenciação celular constitui um processo biológico complexo e vital, uma vez que regula a expressão de um grande número de genes ligados a funções tecido-específicas e controla a proliferação celular. O processo de diferenciação compreende diversas etapas programadas geneticamente. Dentre elas, destacam-se: a proliferação de células progenitoras ou células-tronco (stem cells), imortais e que respondem a estímulo mitogênico; a ativação e/ou repressão de inúmeros genes; a expressão de proteínas de determinadas linhagens, que mediam funções biológicas específicas; a repressão progressiva da capacidade de responder a fatores mitogênicos; e por fim, a diferenciação terminal completa, associada à perda irreversível do potencial proliferativo.

A carcinogênese, por sua vez, é caracterizada pela produção de clones de células com alterações genéticas e epigenéticas, comumente associadas com a expressão e função anormais de proto-oncogenes e/ou antioncogenes, que resultam, sobretudo, em perda do controle sobre a diferenciação e proliferação celulares. Estes clones exibem propriedades típicas de células que não sofreram diferenciação terminal completa, ou seja, mantêm a imortalidade e capacidade de responder a estímulo proliferativo. Segundo esta perspectiva, considera-se o câncer uma doença de diferenciação.
Portanto a afirmação está inexata e por isso incorreta.

As assertivas II e III são corretas.
Todas as estruturas orgânicas apresentam um parênquima, representado pelas células em atividade metabólica ou duplicação, e um estroma, representado pelo tecido conjuntivo vascularizado, cujo objetivo é dar sustentação e nutrição ao parênquima. Os tumores também têm estas estruturas, sendo que os benignos, por exibirem crescimento lento, possuem estroma e uma rede vascular adequada, por isso que raramente apresentam necrose e hemorragia. No caso dos tumores malignos, observa-se que, pela rapidez e desorganização do crescimento, pela capacidade infiltrativa e pelo alto índice de duplicação celular, eles apresentam uma desproporção entre o parênquima tumoral e o estroma vascularizado. Isto acarreta áreas de necrose ou hemorragia, de grau variável com a velocidade do crescimento e a “idade” tumorais.

A assertiva IV é correta.
As duas propriedades principais das neoplasias malignas são: a capacidade invasivo-destrutiva local e a produção de metástases. Por definição, a metástase constitui o crescimento neoplásico à distância, sem continuidade e sem dependência do foco primário.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: A

Alternativa que indico após analisar: A

AOCP – EBSERH – UFGD/MS Respiratória 2014 – Questão 37

37. Assinale a alternativa correta referente à aplicação de manobras fisioterapêuticas em RNs.

(A) No tratamento de RN pré-termo, as manobras para higiene brônquica mais indicadas são: a tapotagem e a drenagem postural em Trendelemburg.

(B) A manobra de compressão torácica pode ser associada à vibração, objetivando mobilizar secreções e não apresenta contraindicação.

(C) Para os pacientes debilitados que necessitam remover secreções de vias aéreas, indica-se a AFE (aceleração de fluxo expiratório), pois esta dispensa a mudança de decúbito.

(D) Para realização do Bag Squeezing, é necessária, a utilização da bolsa de hiperinsuflação manual e da técnica de percussão pulmonar, onde 2 fisioterapeutas poderão atuar conjuntamente.

(E) Na drenagem postural, a postura supina, com relação à PRONA, otimiza a mecânica.

trende

A “A” incorreta. A drenagem Trendelemburg é aquela em que o paciente fica de cabeça para baixo. Assim como a tapotagem, deve ser utilizada com critérios em pacientes adultos, não sendo “a mais indicada” jamais para RNs. É, ao contrário, contraindicada a posição de Trendelenburg para RNs, já que no recém-nascido, em particular no prematuro, o controle do fluxo sanguíneo cerebral é limitado e nesta posição ocorrem variações no fluxo sanguíneo sistêmico e cerebral, predispondo a ocorrência tanto de lesões isquêmicas (leucomalácia periventricular) como das hemorrágicas (hemorragia peri/intraventricular). Esta posição está contraindicada também nas situações que cursam com aumento da pressão intracraniana, como na encefalopatia hipóxico-isquêmica, hemorragias intracranianas graves, hidrocefalias não tratadas, pós-operatório de cirurgias intracranianas e oculares. Além disso, essa manobra não é recomendável nos recém-nascidos de extremo baixo peso, na hemorragia pulmonar e devido ao risco de aspiração do conteúdo gástrico nos pacientes que apresentam refluxo gastroesofágico.

Na “B”, cuidado com afirmações categóricas. Toda técnica pode apresentar contraindicação, depende do contexto.

Na “C”, correta.

A “D” mistura duas técnicas no mesmo termo. Embora possam ser utilizadas conjuntamente, não são a mesma técnica.

Na “E”, vários estudos demonstraram vantagens da postura prona com relação à supina no sentido de otimizar a mecânica ventilatória de neonatos com insuficiência respiratória .Nessa posição, a caixa torácica torna-se mais estável e observa-se melhor acoplamento tóraco-abdominal, favorecendo os músculos respiratórios a expandir o tórax, além de minimizar as distorções da caixa torácica que podem ocorrer durante o sono REM. Estes fatos proporcionam aumento do volume corrente com melhora da oxigenação arterial e da complacência pulmonar.

Drenagem postural em recém-nascidos

Tem como pré-requisito o conhecimento da conformação da árvore brônquica, pois para cada área específica do pulmão há um postura de drenagem correspondente a ação da gravidade que, aliada ao posicionamento do bebê, facilita a drenagem das secreções de regiões mais periféricas para brônquios de maiores calibres de onde podem ser mais facilmente removidas.Tal manobra pode ser utilizada isoladamente ou em associação a vibrocompressão. A postura de drenagem para neonatos, além de restrições com a presença de drenos torácicos ou cateter umbilical, deve ser adaptada a cada caso específico:

Assim, recomendam-se os seguintes princípios:

-Procurar inserir as manobras de higiene brônquica dentro de um protocolo de manipulação mínima.

-Está contra-indicado a posição de Trendelenburg, já que no recém-nascido, em particular no prematuro, o controle do fluxo sangüíneo cerebral é limitado e nesta posição , ocorrem variações no fluxo sangüíneo sistêmico e cerebral, predispondo a ocorrência tanto de lesões isquêmicas (leucomalácia periventricular) como das hemorrágicas (hemorragia peri/intraventricular). Esta posição está contra-indicada nas situações que cursam com aumento da pressão intracraniana, como na encefalopatia hipóxico-isquêmica, hemorragias intracranianas graves, hidrocefalias não tratadas, pós-operatório de cirurgias intracranianas e oculares. Além disso, essa manobra não é recomendável nos recém-nascidos de extremo baixo peso, na hemorragia pulmonar e devido ao risco de aspiração do conteúdo gástrico nos pacientes que apresentam refluxo gastroesofágico.

-O decúbito ventral está contra-indicado nos pacientes com distensão abdominal grave (íleo infeccioso, enterocolite necrosante), no pós-operatório de cirurgias abdominais ou cardíacas e nos defeitos de fechamento da parede abdominal onfalocele e gastrosquise).

-A duração de cada posição de drenagem depende da tolerância do paciente. De uma forma geral, o recém-nascido é mantido em cada posição durante 2 a 5 minutos, quando associado a percussão e/ou vibração, ou cerca de 15 minutos se a manobra é aplicada isoladamente.Durante o procedimento, os sinais vitais devem ser monitorados continuamente.

-A alternância periódica dos decúbitos, além de ser benéfica na melhora da função pulmonar e favorecer o desenvolvimento neurossensorial e psicomotor, propicia maior conforto ao bebê e previne a formação de escaras de decúbito. Por exemplo, vários estudos demonstraram vantagens da postura prona com relação à supina no sentido de otimizar a mecânica ventilatória de neonatos com insuficiência respiratória .Nessa posição, a caixa torácica torna-se mais estável e observa-se melhor acoplamento tóraco-abdominal, favorecendo os músculos respiratórios a expandir o tórax, além de minimizar as distorções da caixa torácica que podem ocorrer durante o sono REM. Estes fatos proporcionam aumento do volume corrente com melhora da oxigenação arterial e da complacência pulmonar.

-Evitar que o neonato fique na mesma posição por período prolongado. Por exemplo, normalmente o RN é mantido em decúbito dorsal por dias. Nesta posição somente a porção anterior dos segmentos superiores é drenada e, com o tempo, progressivamente, os lobos inferiores sofrem hipoventilação.

-A decisão de qual segmento ou lobo pulmonar deve ser drenado e conseqüentemente a escolha da postura correta é baseada na avaliação clínica cuidadosa e na análise dos raios X de tórax.

-No decúbito lateral em recém-nascidos observa-se diminuição da ventilação no pulmão dependente. Tal recurso tem sido utilizado para promover a hipoventilação localizada, colocando o neonato em decúbito lateral com o lado comprometido na posição dependente, nos casos de enfisema intersticial localizado, pneumotórax unilateral não hipertensivo, enfisema lobar congênito unilateral, e para diminuir o fluxo de gases na fistula bronco-pleural. Além disso, nas situações de atelectasia pode-se posicionar o bebê em decúbito lateral com a região comprometida do lado não dependente para favorecer a ventilação e insuflar o pulmão ou segmento pulmonar atelectático.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: C

Alternativa que indico após analisar: C

AOCP – EBSERH – UFGD/MS Respiratória 2014 – Questão 36

36.A ventilação mecânica tem sido relacionada a diversas complicações, dentre elas, tem-se o atelectrauma. Assinale a alternativa correspondente à definição desta complicação.

(A) Lesões pulmonares secundárias a repetidas distensões e pressurização do tórax, causando dano alveolar difuso, reações inflamatórias e alteração da permeabilidade vascular.

(B) Ocorre em consequência da abertura e fechamento cíclico das unidades aéreas, bem como pelas altas pressões que promovem lesão do epitélio com liberação de mediadores inflamatórios e alteração da permeabilidade vascular.

(C) Lesão do epitélio bronquiolar decorrente da abertura e fechamento cíclicos.

(D) Presença de ar extra-alveolar induzido pela ventilação mecânica, consequente da ruptura alveolar gerada pelo aumento na pressão intra-alveolar.

(E) Alterações inflamatórias promovidas pelas citocinas e outros mediadores inflamatórios em decorrência de lesões celulares provocadas pela ventilação mecânica.

atelectrauma

Atelectrauma é um mecanismo de estiramiento mecânico lesivo do parênquima pulmonar, com recrutamento e desativação de unidades pulmonares instáveis durante cada ciclo ventilatorio. Esta situação ocorre quando se utiliza baixos volumes inspiratórios e níveis inadequados de PEEP durante a ventilação de pacientes com SDRA. Nestas circunstâncias, os alvéolos tendem a abrir em inspiração e a fechar em expiração. Este ciclo repetitivo de abertura e fechamento alveolar induz três tipos de lesão pulmonar: desprendimento alveolar por stress na interface existente entre os alvéolos distendidos e colapsados; alteração do surfactante e lesão do endotélio microvascular com saída de hemácias para os espaços intersticial e alveolar. A aplicação de um nivel adequado de PEEP evita que ocorra Este ciclo repetitivo de abertura e fechamento alveolar, ajudando a manter o recrutamento pulmonar ao final da expiração.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: B

Alternativa que indico após analisar: B