Fisiodesafio

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FCC – SESA/BA 2005 – Questão 50

50. Em relação à curva de dissociação da hemoglobina é correto afirmar que

(A) a acidose, a hipertermia e a hipercapnia deslocam a curva para a esquerda, diminuindo a afinidade pelo O2.

(B) a acidose, a hipertermia e a hipercapnia deslocam a curva para a direita, aumentando a afinidade pelo O2.

(C) a acidose, a hipertermia e a hipercapnia deslocam a curva para a esquerda, aumentando a afinidade pelo O2.

(D) a alcalose, a hipotermia e a hipocapnia deslocam a curva para a direita, aumentando a afinidade pelo O2.

(E) a alcalose, a hipotermia e a hipocapnia deslocam a curva para a esquerda, aumentando a afinidade pelo O2.

curva oxihemo

Uma importante característica da hemoglobina é o fato de que, dependendo do ambiente no qual ela está, sua afinidade pelo oxigênio é reversível e agudamente modificada. Ela pode mudar sua conformação tridimensional, esconder o sítio de ligação do radical heme, e diminuir sua afinidade por O2 .

Essa modificação é representada pelo desvio para direita da curva de dissociação da oxiemoglobina, que ocorre nos tecidos periféricos, ou em tecidos com o metabolismo aumentado. Nesses casos, ocorre aumento da temperatura , daPCO2* e diminuição do pH , que são os fatores típicos que desviam a curva para direita. Quando o sangue atinge a extremidade venosa dos capilares, a temperatura já está normalizada, bem como a PCO2 e o pH, o que torna a modificar a afinidade da hemoglobina.

Como pode ser observado na imagem, temos a seguinte relação:

Desvio da curva para a direita: Diminuição do pH (acidose);aumento de temperatura(hipertermia);aumento de CO2(hipercapnia) e aumento do difosfoglicerato*.

Desvio da curva para a esquerda: aumento do pH (alcalose); diminuição de temperatura; diminuição de CO2; diminuição do difosfoglicerato*.

*O difosfoglicerato é um subproduto da respiração anaeróbica.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: E

Alternativa que indico após analisar: E

FCC – SESA/BA 2005 – Questão 49

49. O gás carbônico dos tecidos pode ser transportado até os pulmões

(A) através da PCO2 arterial.

(B) na forma de bicarbonato.

(C) ligado a hemoglobina.

(D) ligado a proteínas plasmáticas.

(E) através da PCO2 venosa.

sistema tampao

Bem legal essa questão. Reparem que a PCO2(Pressão de CO2) é uma medida, um parâmetro da gasometria, não é uma forma de se transportar CO2 aos pulmões. Eliminamos “A” e “E”.

Essa questão envolve um outro tema, que é o sistema tampão, um regulador do pH sanguíneo.

A capacidade de tamponamento (ou “poder tampão”) é uma propriedade importante em sistemas biológicos, para os quais uma alteração rápida de pH pode ter consequências desastrosas. O tampão bicarbonato/ácido carbônico (pKa = 6,1) mantém o pH do sangue numa “faixa segura”  compreendida entre 7,35 e 7,45, resistindo às variações de pH para cima ou para baixo desses valores.

Para saber mais:

http://www.mediafire.com/view/mmui8euulg9vnid/tampoes_biologicos.pdf

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: B

Alternativa que indico após analisar: B

FCC – SESA/BA 2005 – Questão 48

48. A medida de função pulmonar que NÃO pode ser determinada com um espirômetro é:

(A) volume corrente.

(B) volume de reserva inspiratório.

(C) volume residual.

(D) volume de reserva expiratório.

(E) capacidade vital.

fuja-a-morte

Ah, vá! Como medir o volume residual, se é o que permanece após o volume de reserva expiratório? Como medir o volume residual, se sem ele o pulmão colaba?

Ah, vá! Você acertou essa né. Acertou? Ei, você NÃO ACERTOU!?

Peraí que vou ali ter um infarto e já volto tá.

Nãoooooo…… não……..na………n………..

piiiiii
piiiiii
piiiiii

Até tem como calcular o volume residual, mas não é pela espirometria.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: C

Alternativa que indico após analisar: C

FCC – SESA/BA 2005 – Questão 47

47. A ventilação mecânica não invasiva é contraindicada em

(A))fratura de ossos da face, rebaixamento do nível de consciência, pós-operatório imediato de esofagectomia.

(B) rebaixamento do nível de consciência, febre, taquipnéia.

(C) parada cardiorrespiratória, sonolência, cirurgia abdominal.

(D) febre, refluxo gastroesofágico, arritmia.

(E) refluxo gastroesofágico, febre, parada cardiorrespiratória.

vm

Olhem que legal, essa banca postou no mesmo ano, na prova da prefeitura de Santos, a mesma questão. Como devia ser fácil nessa época, era só estudar as provas anteriores hehe, Atualmente, estudar provas anteriores é básico, mas continua sendo uma estratégia válida. Mas não pode ser só isso, é preciso diversificar os estudos, tem bastante sobre isso na seção “dicas”.

Vou postar o link para a questão que falei. Mas tomem cuidado, não sei se esse site abaixo é confiável. 😛

https://questoesdefisiocomentadas.wordpress.com/2015/04/02/fcc-prefeitura-de-santos-2005-questao-49/

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: A

Alternativa que indico após analisar: A

FCC – SESA/BA 2005 – Questão 46

46. Paciente foi internado na UTI acordado, consciente, com diagnóstico de edema agudo de pulmão, taquidispneico, com SatO2 = 88%. Ausculta Pulmonar: MV+ em ambos hemitórax e com estertor creptante bilateral. A melhor conduta para este paciente no momento da internação é:

(A) manobras de higiene brônquica e aspiração.

(B) intubação orotraqueal e manobras de higienebrônquica.

(C) diurético e cinesioterapia respiratória.

(D) ventilação mecânica não invasiva no modo CPAP com PEEP = 10 cm H2O e diurético.

(E) diurético e manter decúbito dorsal.

SAÚDE-NA-UTI

Na “A”, sobre aspirar paciente com edema pulmonar. Não entendo muito de respiratória, mas creio que isso deva dar trabalho e nao ser muito efetivo.

Na “B”, não há motivos suficientes para uma intubação.

Na “C”, entra uma polêmica. Apesar de não podermos determinar intubação ou desmame, precisamos saber sobre isso, mas sobre indicação de medicamentos na UTI, realmente é conduta médica, não sei até que ponto uma prova de concurso pode cobrar esse tema. Ainda assim, considerando que o paciente está taquidispneico, essas condutas me parecem insuficientes para sanar o quadro apresentado. A “E” é insuficiente também.

A “D” é a alternativa correta e me parece a melhor mesmo, mas mantenho minhas dúvidas quanto a indicação de diuréticos em concursos de fisioterapia. Atendo muitos casos de lombalgias lombociatalgias agudas na unidade de urgência em fisioterapia, sei quando um medicamento terá efeito ou não, posso informar o paciente sobre cada medicamento que ele toma, mas não posso prescrever medicamento, mesmo quando não concordo com os medicamentos receitados aos pacientes. É a lei, e lei não se discute, se cumpre.

Portanto, fica em aberto essa questão de condutas de outras profissões indicadas por fisioterapeutas. Não é a toa que há cursos como a microfisioterapia e a medicina psicobiológica, com pouca comprovação e sem artigos em revistas importantes na fisioterapia ortopédica, e que de uma forma muito pretenciosa entram em elementos do subconciente que são melhor trabalhados por psicólogos, não é um curso de um fim de semana que vai nos habilitar a isso.

Médicos estão acostumados com a rotina de serem responsabilizados por seus atos, é uma consequência de ser chamado de “doutor”: a autonomia profissional. Em sua defesa precisam de elementos que os absolvam de acusações de imperícia levadas a tribunal por parte de pacientes insatisfeitos. Nós também temos essa prerrogativa profissional. Com ela, responsabilidades. Antes de estalar pescoços ou perguntar sobre ocorrências na gestação da mãe do paciente ou da propria infância dele, pense que num eventual litígio você precisará justificar o uso de tal técnica e metodologia. Nessa hora, o professor do curso não vai te ajudar, só um advogado mesmo.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: D

Alternativa que indico após analisar: D

FCC – SESA/BA 2005 – Questão 44

44. Paciente de 48 anos, com diagnóstico de Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica, internado por quadro de febre, dispnéia e expectoração purulenta. Apresenta-se consciente, contactuante e colaborativo. Em ar ambiente, SatO2 = 88%. Ausculta Pulmonar: presente bilateralmente com roncos difusos. Mobilidade e expansibilidade preservada, sem déficits motores. A conduta mais adequada é:

(A) manobras de higiene brônquica, manobras de reexpansão pulmonar, RPPI e exercícios respiratórios.

(B) posicionamento, manobras de higiene brônquica e CPAP.

(C) manobras de higiene brônquica, exercícios respiratórios, flutter e oxigenioterapia.

(D) drenagem postural, CPAP e aspiração nasotraqueal.

(E) oxigenioterapia, aspiração nasotraqueal, manobras de reexpansão pulmonar e RPPI.

DPOC

O quadro acima praticamente nos autoriza a usar técnicas de higiene brônquica.

Aspiração não deve ser conduta inicial na maioria dos casos, ainda mais com mobilidade e expansibilidade torácica preservadas em paciente colaborativo. Eliminamos “D” e “E”.

No quadro atual do paciente, exercícios respiratórios podem gerar complicações, vejam que ele está dispneico e secretivo, portanto a alternativa “B” me parece a melhor.

RPPI -Respiração por Pressão Positiva Intermitente
É uma pressão positiva aplicada na fase inspiratória, por intermédio de máscara facial ou bocal, com a expiração retornando a níveis de pressão atmosférica com ou sem retardo. As principais indicações são atelectasias (colapso de parte ou do pulmão inteiro) e expansibilidade reduzida. São contraindicações:
Pneumotórax não tratado (absoluta);

Pressão intracraniana maior do que 15mmHg;

Instabilidade hemodinâmica;

Hemoptise ativa;

Fístula traqueoesofágica;

Cirurgia esofágica recente.

A aplicação da RPPI pode trazer complicações e por isso deve ser bem aplicada e compreendida pelo profissional. Cuidados com o posicionamento e na regulação do equipamento interferem nos resultados da terapia. São complicações principais:

– Alcalose respiratória, quando por algum motivo, seja por má regulação da sensibilidade, ou por má orientação dada ao paciente, este hiperventila, provocando uma redução de CO2 sanguíneo abaixo de 35 mmHg, aumentando o ph sanguíneo. Essa situação de desequilíbrio pode favorecer o aparecimento de arritmias cardíacas.

– Distensão abdominal, quando aplicado em pacientes pouco cooperantes ou crianças, pode haver aerofagia e consequente distensão abdominal, prejudicando a mecânica respiratória e favorecendo o aparecimento de refluxo gastroesofágico. – Barotrauma, que é a ruptura alveolar por excesso de pressão aplicada nas vias aéreas.

– Diminuição do retorno venoso, devido à presença de pressão positiva intratorácica, com a inspiração não há negativação da pressão pleural como durante a – respiração espontânea e consequente incremento do retorno venoso durante a fase inspiratória do ciclo. Essa é uma complicação diretamente relacionada com a volemia do paciente, ou seja, se ele estiver muito hipovolêmico ou desidratado, é prejudicial à aplicação de pressão positiva, do contrário é benéfico para evitar e auxiliar a correção de uma congestão pulmonar.

– Hiperinsuflação pulmonar, no caso do paciente ser mal orientado, ou equipamento mal ajustado, pode acontecer de não dar tempo de o paciente expirar completamente e iniciar uma nova inspiração. Ocorre assim um aumento da CRF cada vez maior e hiperinsuflação do pulmão que é prejudicial ao paciente.
O princípio fisiológico do exercício com RPPI é o aumento da pressão alveolar na inspiração com o objetivo de aumentar a capacidade inspiratória, o fluxo máximo, melhorar parâmetros de oxigenação, imagem radiológica, tosse e eliminação de secreções, e assim, obter uma resposta subjetiva favorável do paciente.

O paciente deve ser bem orientado quanto à terapia e quanto ao posicionamento a ser adotado para otimizar o tratamento. Já o fisioterapeuta deve se preocupar com ajustes e regulagens, como:

– Pressão inspiratória máxima de 35cmH2O;

– A sensibilidade deve permitir o início da inspiração com esforço mínimo;

– Fluxo baixo a moderado, de acordo com cada paciente para permitir um tempo inspiratório mais longo possível.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: B

Alternativa que indico após analisar: B