VUNESP – IAMSPE/SP 2009 – Questão 56

56. Os critérios para extubação relacionados à função pulmonar para capacidade vital, volume minuto exalado, complacência do sistema respiratório, frequência respiratória e índice de Tobin são:

(A)Capacidade vital >10 mL/kg de peso ideal; volume minuto exalado <10 L/min; complacência do sistema respiratório > 25 ml/cmH2O; frequência respiratória < 35 incursões por minuto e índice de Tobin < 105

(B)Capacidade vital <10 mL/kg de peso ideal; volume minuto exalado >10 L/min; complacência do sistema respiratório < a 25 ml/cmH2O; frequência respiratória = 35 incursões por minuto e índice de Tobin < 100.

(C)Capacidade vital entre 5 e 8 mL/kg de peso ideal; volume minuto exalado >2 L/min; complacência do sistema respiratório < 3 ml/cmH2O; frequência respiratória entre 10 e 20 incursões por minuto e índice de Tobin < 12.

(D)Capacidade vital = 4 mL/kg de peso ideal; volume minuto exalado = 3 L/min; complacência do sistema respiratório = 12 ml/cmH2O; frequência respiratória = 10 incursões por minuto e índice de Tobin > 105.

(E)Capacidade vital >35 mL/kg de peso ideal; volume minuto exalado <40 L/min; complacência do sistema respiratório > a 80 ml/cmH2O; frequência respiratória < 10 incursões por minuto e índice de Tobin < 155.

respira

Os parãmetros são úteis ao reforçarem a possibilidade do desmame, especialmente nos doentes em que reside a suspeita de desmame difícil (Tabela 1A).

As relações de troca gasosa que usam valores alveolares são úteis mas pouco utilizadas devido à falta de praticidade na resolução prévia de equações, além de não serem suficientemente sensíveis e específicas como preditores de sucesso na retirada do suporte (Tabela 2, Yang e Tobin), especialmente em pacientes graves, autorizando assim a utilização mais prática e também segura da saturação (SaO2) e a equação PaO2/FIO2 como parâmetros avaliativos das trocas gasosas.

O volume corrente (VC) caracteriza um parâmetro tão útil quanto prático, sua mensuração anterior e posteriormente a uma triagem do desmame ou extubação promove maior segurança a equipe na avaliação do desempenho muscular, além de ser um bom indicativo de circunstâncias predisponentes ao fracasso como estados de hipertermia, espaço morto aumentado ou elevação da impedância do sistema; a capacidade vital (CV), assim como o volume corrente, serve como reforço aos dados acima descritos, necessita, no entanto, de total colaboração do doente. Já o volume expiratório final forçado a um segundo (VEF1), a capacidade residual funcional (CRF) e a complacência não são largamente usadas sendo mais úteis em casos específicos em que estes valores podem estar reduzidos.

A pressão inspiratória máxima continua sendo largamente usada por sua capacidade preditiva do insucesso e da detecção precoce da fadiga muscular quando seu valor é inferior a -20 cmH2O.

O espaço morto seria útil como avaliativo de maior necessidade de desempenho muscular para vencê-lo, porém a obtenção de sua medida não é prática, sendo razoável o uso do volume corrente e volume minuto alterados como parâmetros de suspeita (Tabela 1B e 1D).

O PEEP intrínseco geralmente presente nos DPOCíticos rebaixa a cúpula diafragmática e aumenta grandemente o trabalho respiratório, a demanda de oxigênio e a demanda cardíaca, favorecendo a fadiga, seu cálculo também não é prático a menos que se disponha de aparelhos e monitores próprios, a oclusão da válvula expiratória ao final do mesmo ciclo é capaz de detectar a presença de PEEP intrínseco, mas apenas estima seu real valor, sendo útil somente para que medidas sanadoras do PEEP intrínseco sejam tomadas e seus altos valores não prejudiquem o processo de desmame.

O volume minuto é bastante útil na mesma proporção do volume corrente, sua mensuração é mais precisa quando calculada pelo volume corrente a cada minuto, a pressão de oclusão aos 100 milissegundos do início da inspiração (PO1) e a relação de freqüência respiratória pelo volume corrente ou índice de Tobin (f/VT) são dois novos índices, sendo este último bastante útil pela sua especificidade razoável e praticidade na aplicação (Tabela 2, Yang e Tobin). Se ao avaliar o f/VT, este se apresentar elevado, predizendo o insucesso e, se a suspeita residir em uma freqüência exacerbada pelo drive hiperestimulado, o cálculo da relação PO1/Pimáx com valores acima de 8% a 15% confirmariam a suspeita, reforçando a possibilidade de fracasso.

A resistência das vias aéreas seria útil quando usada em doentes com predisposição no controle do trabalho resistivo para que não imponha um trabalho total da respiração elevado.

A ventilação voluntária máxima caracteriza o parâmetro mais prático, pois não necessita de aparelhagem complexa para obtenção, quando há colaboração total do paciente sua mensuração é bastante útil na avaliação do desempenho diafragmático isoladamente. O PO1 tem sido proposto também na relação da PO1 estimulada pelo CO2/PO1 basal para detectar ou confirmar uma suspeita de drive insuficiente.

O trabalho respiratório = trabalho resistivo + trabalho elástico em valores acima do descrito por tempo prolongado leva quase que invariavelmente à fadiga; o índice de pressão pelo tempo (IPT), resultante de um aperfeiçoamento do trabalho respiratório, dá uma estimativa do gasto energético da musculatura, durante o trabalho mecânico funcionando como preditivo de fadiga da mesma maneira que o trabalho respiratório e, finalmente, o índice de complacência, freqüência respiratória, oxigenação e pressão inspiratória máxima (CROP) não é prático, mas quando disponível pode ser usado, preferivelmente após outros mais seguros.

Estes parâmetros têm validade para adultos e crianças acima de sete anos e seus valores podem variar devido à discordância existente entre autores (Carvalho et al).

desmametab1

Yang e Tobin estudaram prospectivamente cerca de 64 pacientes determinando a sensibilidade e especificidade dos índices preditivos à evolução da retirada do suporte mecânico citados anteriormente. A seleção dos índices foi determinada pelo seu sucesso e insucesso respectivamente na retirada do suporte avaliada em 36 pacientes anteriormente. Acompanhe os resultados na Tabela 2.

desmame

A respiração superficial (f/Vc) se mostrou o mais acurado com valores preditivos positivo e negativo, respectivamente, de 0,78 e 0,95, mas mesmo assim isoladamente não caracteriza um parâmetro seguro, além das baixas especificidades dos parâmetros, outra dificuldade reside no fato de que durante a rotina de trabalho se torna excessivamente demorado e muitas vezes impossível cálculos complexos, elegendo os parâmetros à beira de leito e aqueles cuja equipe mais tem intimidade os que deverão ser usados mais comumente, não descartando a possibilidade da exploração de métodos mais complexos para detecção de um problema interrogado e que possivelmente seja o causador de fracasso, não restando dúvidas que o que ditará os parâmetros, a serem avaliados, será a clínica atual e anterior do paciente.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: A

Alternativa que indico após analisar: A

IADES – EBSERH – UFTM/MG 2013 – Questão 50

50. Assinale a alternativa que indica onde o quadríceps realiza uma contração do tipo isotônica excêntrica.

(A) Subir degrau.

(B) Descer degrau.

(C) Extender o joelho.

(D) Fletir o joelho.

(E) Levantar a partir da posição sentado.

cachorro sobre a agua

Última questão dessa prova. A Vunesp tem uma questão bem parecida, só que ela realizou mais de 10 anos atrás.

A “C” é errada, ali é contração isotonica concêntrica de quadríceps. A “D” também é o mesmo tipo, mas da musculatura dos isquiotibiais. Na “E”, ambos os quadríceps realizam contração isotônica concêntrica.

Restam “A” e “B”. Se pensarmos no MI em CCF, a resposta é a alternativa “B”, descer escadas. Ao subirmos uma escada, o MI em CCF está realizando o movimento de contração concêntrica, o que torna esta alternativa incorreta, mas tenho minhas dúvidas quanto ao MI em CCA, que não me parece realizar apenas a contração concêntrica de isquitibiais, mas teria que embasar muito bem um recurso nesse caso.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: B

Alternativa que indico após analisar: B

IADES – EBSERH – UFTM/MG 2013 – Questão 49

49. Para traçar um diagnóstico fisioterapêutico ou cinético funcional e no desenvolvimento de um processo de reabilitação, o fisioterapeuta precisa saber definir e diferenciar deficiência, limitação funcional, incapacidade e invalidez. A respeito dessas quatro situações, assinale a alternativa correta.

(A) Limitação funcional são perdas ou anormalidades da estrutura ou função fisiológica, psicológica ou anatômica.

(B) Deficiências são perdas ou anormalidades da estrutura ou função fisiológica, psicológica ou anatômica.

(C) Incapacidade são perdas ou anormalidades da estrutura ou função fisiológica, psicológica ou anatômica.

(D) Deficiências são restrições da capacidade de realizar uma ação física, uma atividade ou uma tarefa de uma maneira eficiente, tipicamente esperada.

(E) Incapacidade são restrições da capacidade de realizar uma ação física, uma atividade ou uma tarefa de uma maneira eficiente, tipicamente esperada.

deficiencia

A ICIDH propõe uma classificação da conceituação de deficiência que pode ser aplicada a vários aspectos da saúde e da doença, sendo um referencial unificado para a área. Estabelece, com objetividade, abrangência e hierarquia de intensidades, uma escala de deficiências com níveis de dependência, limitação e seus respectivos códigos, propondo que sejam utilizados com a CID pelos serviços de medicina, reabilitação e segurança social. Por essa classificação são conceituadas:

Deficiência: perda ou anormalidade de estrutura ou função psicológica, fisiológica ou anatômica, temporária ou permanente. Incluem-se nessas a ocorrência de uma anomalia, defeito ou perda de um membro, órgão, tecido ou qualquer outra estrutura do corpo, inclusive das funções mentais. Representa a exteriorização de um estado patológico, refletindo um distúrbio orgânico, uma perturbação no órgão.

Incapacidade: restrição, resultante de uma deficiência, da habilidade para desempenhar uma atividade considerada normal para o ser humano. Surge como conseqüência direta ou é resposta do indivíduo a uma deficiência psicológica, física, sensorial ou outra. Representa a objetivação da deficiência e reflete os distúrbios da própria pessoa, nas atividades e comportamentos essenciais à vida diária.

Desvantagem: prejuízo para o indivíduo, resultante de uma deficiência ou uma incapacidade, que limita ou impede o desempenho de papéis de acordo com a idade, sexo, fatores sociais e culturais Caracteriza-se por uma discordância entre a capacidade individual de realização e as expectativas do indivíduo ou do seu grupo social. Representa a socialização da deficiência e relaciona-se às dificuldades nas habilidades de sobrevivência.

Na CIDID evitou-se utilizar a mesma palavra para designar as deficiências, incapacidades e desvantagens.
Assim, para uma deficiência foi adotado um adjetivo ou substantivo, para uma incapacidade, um verbo no infinitivo e para uma desvantagem, um dos papeis de sobrevivência no meio físico e social.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: B

Alternativa que indico após analisar: B

IADES – EBSERH – UFTM/MG 2013 – Questão 48

48. As articulações são classificadas de maneira a identificar a função de cada uma delas, a partir de três tipos: sinartrose, anfiartrose e diartrose. Assinale a alternativa que apresenta, respectivamente, exemplos dessas articulações.

(A) Sínfise púbica, sindesmose radio ulnar e articulação glenoumeral.

(B) Sínfise púbica, sindesmose radio ulnar e articulação costo-esternal.

(C) Sínfise púbica, articulação costo-esternal e articulação glenoumeral.

(D) sindesmose radio ulnar, sínfise púbica e articulação glenoumeral.

(E) sindesmose radio ulnar, sínfise púbica e articulação costo-esternal.

articulações caninas

Questão simples, apenas pelos prefixos dá para resolver. Deixo de mão beijada uma tabela do livro do Kendall sobre classificações de articulações.

Sinartrose(tecido fibroso).
Sindesmose. Imóvel. Ex. Tibiofibular distal
Sutura. Imóvel. Ex. Suturas do crânio.
Gonfose. Imóvel. Ex. Dente no interior do alvéolo.

Arfiartrose(Tecido cartilaginoso).
Sincondrose. Discretamente móvel. Ex. Primeira esternocostal.
Sínfise. Discretamente móvel. Ex. Sínfise púbica.

Diartrose(Tecido sinovial).
Esferoide. Todos os movimentos. Ex. Quadril e ombro.
Gínglimo. Flexão e extensão. Ex. Cotovelo.
Gínglimo modificado. Flexão, extensão e discreta rotação. Ex. Joelho e tornozelo.
Elipsoide ou condiloide. Todos, exceto rotação e oposição. Ex. Metacarpo e metatarsofalangeanas.
Trocoide ou pivo. Supinação, pronação e rotação. Ex. Atlantoaxial e radioulnar.
Recepção recíproca ou sela. Todos, exceto rotação. Ex. Calcaneocuboide e carpometacarpal.
Plana ou deslizante. Deslizamento. Ex. Tibiofibular proximal.
Combinada – ginglimo e deslizante. Flexão, extensão e deslizamento. Ex. Temporomandibular.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: D

Alternativa que indico após analisar: D

IADES – EBSERH – UFTM/MG 2013 – Questão 47

47. A transmissão de um impulso elétrico, proveniente de um potencial de ação de uma fibra nervosa, chega à fenda sináptica e libera um neurotransmissor, que se liga a um receptor na membrana pós-sináptica e desencadeia um potencial de ação na fibra muscular, promovendo a contração dessa fibra. O neurotransmissor liberado na fenda sináptica é

(A) a adrenalina.

(B) a noradrenalina.

(C) a endorfina.

(D) a serotonina.

(E) a acetilcolina.

Neurotransmisores

A acetilcolina é um neurotransmissor, ou seja, uma substância química produzida pelos neurônios com a função de biossinalização. Por meio deles, envia-se informações a outras células e podem também estimular a continuidade de um impulso ou efetuar a reação final no orgão ou músculo alvo. É o único neurotransmissor utilizado no sistema nervoso somático e um dos muitos neurotransmissores do sistema nervoso autônomo. É também o neurotransmissor de todos os gânglios autônomos. No sistema nervoso somático, a contração muscular ocorre devido à liberação desta substância pelas ramificações do axônio.

As Catecolaminas (norepinefrina, epinefrina e dopamina) são importantes neurotransmissores. Norepinefrina (sinônimo de Noradrenalina) e Epinefrina (sinônimo de Adrenalina) são formadas e secretadas no Sistema Nervoso Central e na medula da glândula Supra-Renal.

A endorfina é um neuro-hormônio produzido pelo próprio organismo na glândula hipófise. Sua denominação se origina das palavras endo (interno) e morfina (analgésico).

A serotonina é um neurotransmissor que atua no cérebro regulando o humor, sono, apetite, ritmo cardíaco, temperatura corporal, sensibilidade a dor, movimentos e as funções intelectuais.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: E

Alternativa que indico após analisar: E

IADES – EBSERH – UFTM/MG 2013 – Questão 46

46. Em relação às contrações isotônicas, podemos observar variações no ventre muscular e na tensão muscular de repouso. A cerca destas propriedades, assinale a afirmativa correta.

(A) Encurtamento com alteração do tônus, na contração isotônica concêntrica.

(B) Encurtamento sem alteração do tônus, na contração isotônica concêntrica.

(C) Encurtamento com alteração do tônus, na contração isotônica excêntrica.

(D) Encurtamento sem alteração do tônus, na contração isotônica excêntrica.

(E) Manutenção do tamanho sem alteração do tônus na contração isotônica.

MUSCULOS

Essa questão é um exemplo de como conceitos básicos não podem ser menosprezados ao se estudar para concursos de fisioterapia.

Vamos definir tônus muscular:

Tônus muscular é o estado de tensão leve, porém permanente, existente normalmente nos músculos. Desaparece quando o músculo está privado de sua inervação. Mesmo quando o músculo está em repouso, certa quantidade de tensão frequentemente permanece. Esse grau residual de contração do músculo esquelético denomina-se tônus muscular.

Uma vez que as fibras musculares esqueléticas não se contraem sem que um potencial de ação as estimule, exceto em certas condições patológicas, acredita-se que o tônus da musculatura esquelética resulte, inteiramente, de impulsos nervosos provenientes da medula espinhal. Esses, por sua vez, são controlados em parte por estímulos transmitidos a partir do encéfalo para os neurônios motores anteriores e, em parte, por impulsos que se originam nos fusos musculares localizados no interior do próprio músculo (GUYTON, 1985).

A ativação tônica das células das pontas anteriores da medula é influenciada por impulsos aferentes que vêm da periferia e por impulsos eferentes que descem das estruturas corticais e subcorticais. Quando um músculo é estirado, impulsos aferentes dos fusos musculares ativam os motoneurônios alfa na medula, o que faz aparecer o tônus normal. Contudo, para que os impulsos aferentes ou qualquer outro influenciem o neurônio alfa, é imprescindível que estímulos dos altos centros, principalmente estejam sempre mantendo estes neurônios alfa num estado permanente de alerta, em outras palavras, num estado de serem descarregados. Esse estado varia desde um mínimo, com um indivíduo dormindo, até um máximo com excesso de impulsos excitatórios devido a lesões encefálicas (LIANZA, 1986).

Assim, o circuito periférico do tônus é sempre o mesmo num indivíduo sadio ou com lesão encefálica, e o que faz o tônus ser baixo, normal ou alto é o limiar de excitabilidade das células alfa tônicas, dependendo dos impulsos que vêm de um cérebro normal ou com lesão. O tônus muscular em seu estado normal pode ser hipotônico, com diminuição da resistência a manipulação passiva, ou hipertônica, com aumento da resistência a manipulação passiva.

Encurtamento das fibras ocorre na isotônica concêntrica, podemos eliminar as alternativas “C” e D”. A alternativa “E”, por ser propositalmente incompleta, também podemos excluir.

Como tanto na mobilização passiva como na contração ativa o tônus se modifica, a alternativa “A” é a correta.

http://www.mediafire.com/download/b2ja8hj7bnasm52/fisiologiamusculoestriadoesqueletico.pdf

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: A

Alternativa que indico após analisar: A

IADES – EBSERH – UFTM/MG 2013 – Questão 45

45. Assinale a alternativa que apresenta contraindicações para o alongamento.

(A) Quando um bloqueio ósseo limita a mobilidade articular, quando tecidos moles encurtados estão provendo aumento da estabilidade articular e fraqueza muscular.

(B) Quando um bloqueio ósseo limita a mobilidade articular, na presença de uma evidência de trauma muscular e fraqueza muscular.

(C) Quando um bloqueio ósseo limita a mobilidade articular, na presença de uma evidência de trauma muscular, e quando tecidos moles encurtados estão provendo aumento da estabilidade articular.

(D) Na presença de uma evidência de trauma muscular, quando tecidos moles encurtados estão provendo aumento da estabilidade articular e fraqueza muscular.

(E) Na presença de uma evidência de trauma muscular, quando a restrição da mobilidade pode levar a deformidades estruturais e fraqueza muscular.

chatice

Essa IADES até agora está sendo talvez a presença mais frequente na categoria “Erros das organizadoras”. Ou estou cada vez mais perspicaz e rigoroso com as análises ou são questões mal elaboradas mesmo. Talvez as duas coisas.

Antes de mais nada, vamos descobrir qual o real significado desse termo genérico usado pela IADES, que é o trauma muscular.

Mecanismos de Trauma muscular

O trauma pode ser categorizado como externo ou direto, causando principalmente contusões e – se severo – rupturas; e interno ou indireto, causando distensões e rupturas.

Trauma Direto

Trauma externo direto pode ser causado a um músculo por qualquer objeto virtualmente contundente. Durante atividades atléticas, as causas de trauma direto incluem colisões entre dois jogadores ou entre um jogador e um objeto estacionário, como um mastro ou estaca, ou até o próprio chão. Os músculos das extremidades inferiores são os mais expostos. Num trauma, o músculo envolvido é esmagado contra o osso subjacente. As lesões resultantes podem variar de uma contusão a um hematoma intramuscular de expansão rápida, requerendo uma cirurgia de emergência. Quando o músculo está sob tensão na ocasião do trauma, a contusão pode resultar em franca ruptura muscular.

Qualquer afecção que cause isquemia das fibras musculares, inclusive compressão prolongada ou trauma direto extenso, pode resultar em rabdomiólise, na qual a integridade das membranas celulares é suficientemente alterada a ponto de permitir liberação do conteúdo intracelular para o líquido extracelular.

Trauma Indireto

Trauma indireto (ou interno) não envolve um agente externo; é comum em atividades atléticas. O trauma indireto pode afetar atletas de alto nível que excedam as limitações fisiológicas, bem como em não-atletas que ponham um stress de intensidade normal sobre músculo enfraquecido ou não treinado.

No trauma indireto, o músculo é tensionado além de seus limites através de alongamento passivo excessivo ou, mais freqüentemente, através de súbita hiperextensão durante contração. Tal hiperextensão pode resultar de súbito bloqueio de um movimento normal (perder a bola e, em seu lugar, chutar o solo, no futebol) ou pela realização de um movimento em posição mal alinhada. Diferentes grupos de músculos estão envolvidos, dependendo do esporte. Por exemplo – os músculos mais frequentemente lesados no futebol são o quadríceps – em particular o reto femoral – e os flexores do joelho, enquanto o gastrocnêmio medial é mais frequentemente lesado nos saltadores em altura e em distância e também no voleibol, basquetebol e no tênis.

Pronto. Agora vamos às contraindicações dos alongamentos:

Algumas contra-indicações para a prática de alongamentos são: bloqueio ósseo limitando a mobilidade articular; inflamação ou infecção nas estruturas envolvidas; em caso de dor aguda, cortante, com o movimento articular ou com o alongamento muscular; integridade óssea ou vascular comprometida; presença de hematomas ou outras indicações de traumatismos teciduais; limitação da ADM por alterações, que não sejam por retração muscular; quando as contraturas ou tecidos moles encurtados forem a base de habilidades funcionais, particularmente em pacientes com paralisia ou fraqueza muscular intensa (KISNER e COLBY, 1998; ALTER, 1999).

Durante a realização dos exercícios de alongamento algumas precauções devem ser tomadas: não forçar as articulações além da amplitude normal de movimento; estabilizar as fraturas recém consolidadas; evitar alongamentos vigorosos após uma imobilização prolongada, devido a perda de tensão sofrida pelos tendões e ligamentos podendo resultar em ruptura; ter os devidos cuidados em pacientes com osteoporose, repouso prolongado no leito e idade avançada; cessar o alongamento na presença de dor acentuada durante sua realização (KISNER e COLBY, 1998).

Nas alternativas “A” e “C”, esse aumento de estabilidade é proporcionado pelos músculos encurtados, e não é desejável. Portanto.´podemos alongar aqui. Alternativas incorretas, mas a banca diz que a correta é a “C”. Não preciso consultar nenhum livro para saber disso, músculos encurtados. são disfuncionais, e esse aumento de estabilidade pode ser interpretado mais como uma restrição. Com a exceção de haver contraindicação por patologia previamente estabelecida, fica difícil entender os motivos de quem elaborou a prova. Uma das possibilidades é o encurtamento ser a base de movimentos funcionais. Mesmo isso sendo algo que eu considero discutível e que deve ser analisado em cada caso, essa alternativa só estaria correta se fosse mencionado que esse encurtamento além de aumentar a estabilidade é a base de movimentos funcionais, e isso não acontece.

Então, ou a banca realmente errou, ou haviam informações que não foram fornecidas pelo enunciado e que justificariam essa escolha, o que também é um erro. Portanto, temos duas possibilidades, ou banca errou ou ela errou mesmo. ;P

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: C

Alternativa que indico após analisar: Nenhuma.