VUNESP – IAMSP/PREVENIR 2011 – Questão 52

52. A incontinência fecal é definida como qualquer perda involuntária de muco ou de fezes líquidas ou sólidas, e representa um problema social e/ou higiênico que afeta significativamente a qualidade de vida, podendo ser uma condição incapacitante que, geralmente, leva ao isolamento social. O objetivo do tratamento nesse caso é restaurar a continência e melhorar a qualidade de vida. A primeira opção de tratamento é a conservadora, que compreende a medicação, alteração da dieta alimentar e fisioterapia. A fisioterapia inclui:

I. reabilitação da musculatura do assoalho pélvico;

II. biofeedback;

III. estimulação elétrica com pulso bifásico;

IV. estimulação elétrica com pulso trifásico.

Das condutas fisioterapêuticas realizadas, nesses casos, pode-se afirmar que

(A) apenas I, II e IV estão corretas.

(B) I, II, III e IV estão incorretas.

(C) apenas I, II e III estão corretas.

(D) apenas II, III e IV estão corretas.

(E) apenas I está correta.

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Essa é uma das áreas pouco conhecidas mas que elevam e enobrecem a fisioterapia. Problema extremamente constrangedor, a incontinência fecal pode levar o indivíduo a se isolar socialmente e a desenvolver outros quadros psicológicos em decorrência direta da disfunção.

As assertivas I e II são na verdade correlatas, uma vez que o biofeedback auxilia no treinamento dos músculos do assoalho pélvico.

A maior dificuldade do treino da MAP(musculatura do assoalho pélvico) é a correta percepção o exercício que está fazendo: se está contraindo a musculatura certa, se está contraindo com força suficiente. O jeito mais moderno e eficiente de se ensinar essa contração é o biofeedback.

Este tipo de treinamento é realizado com instrumentos que monitoram a contração muscular: através de sondas anatômicas, anais ou vaginais, a contração da MAP é mostrada numa tela de computador.

Utilizando sinais sonoros (bipes) ou visuais (gráficos), permitem a percepção do grau da força realizada durante cada contração, seja em sua magnitude ou duração.

Visitem: http://perineo.net/conteudo/index.php

Sobre as alternativas III e IV, é obviamente bifásico.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: C

Alternativa que indico após analisar: C

VUNESP – IAMSP/PREVENIR 2011 – Questão 51

51. Mariana, 3 anos de idade, apresenta diagnóstico de paralisia cerebral espástica diparética. Durante a avaliação fisioterapêutica, foi observado que Mariana senta com retroversão pélvica, flexão da coluna lombar e aumento da cifose torácica, não realiza o semiajoelhado para atingir a posição em pé, deambula com apoio apresentando flexão, adução e rotação medial de quadris, flexão de joelho e pés em equino. Mariana realiza fisioterapia com base no Conceito Neuroevolutivo Bobath. Quais as estratégias que esse conceito utiliza para inibir padrões posturais da atividade reflexa anormal e facilitar padrões posturais de movimento?

(A) Pontos chaves, reflexo de estiramento, co-contração (aproximação articular) e exercícios de fortalecimento muscular com resistência manual.

(B) Pontos chaves, tapping, co-contração (aproximação articular), estimulação das reações de endireitamento e equilíbrio nas diversas etapas do desenvolvimento motor.

(C) Reflexos de estiramento, resistência manual, estimulação das reações de endireitamento e equilíbrio nas diversas etapas do desenvolvimento motor.

(D) Reflexo de estiramento durante o arco de movimento, pontos chaves, tapping e co-contração (aproximação articular).

(E) Pontos chaves associados ao reflexo de estiramentos, estimulação das reações de endireitamento e equilíbrio nas diversas etapas do desenvolvimento motor.

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No método Bobath não há resistência manual, eliminando as alternativas “A” e “C”. Das demais alternativas, a “B” é completa e as alternativas “D” e “E” são propositalmente incompletas. Fácil de resolver essa.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: B

Alternativa que indico após analisar: B

VUNESP – IAMSP/PREVENIR 2011 – Questão 50

50. Os programas de exercícios realizados durante a gestação e após o parto são elaborados para minimizar os comprometimentos e ajudar a mulher a manter ou recuperar a função,enquanto se prepara para a chegada do bebê. As diretrizes e técnicas para a instrução de exercícios durante a gestação incluem:

I. examinar cada gestante individualmente, para excluir problemas musculoesqueléticos preexistentes e o grau de preparo físico;

II. não há nenhuma contraindicação em relação à permanência em decúbito dorsal após o 4.º mês de gestação;

III. aconselhar o esvaziamento completo da bexiga antes do exercício, pois uma bexiga cheia aumenta a sobrecarga no assoalho pélvico enfraquecido;

IV. indicar exercícios de alongamento muscular em cadeia.

Dentre os tópicos elencados, está correto o contido apenas em

(A) I e III.

(B) I e IV.

(C) I e II.

(D) I, II e IV.

(E) I, III e IV.

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Gestação e exercício físico, essa é legal, vamos lá!!!

A assertiva “I” é destruidoramente correta, qualquer alternativa que a exclua estará errada. Pena que todas as alternativas já consideram essa assertiva, nos privando do recurso de eliminar.

Sobre a assertiva “II”, até respirar fundo pode ser contraindicado. É muito categórica, podemos excluir. O quê!? Acham que estou exagerando? Peçam pra uma pessoa com costela trincada respirar fundo e ela te xinga. 😛

A assertiva “III” é correta.

A assertiva “IV” é um vacilo da VUNESP. Se a omissão foi proposital, dá até pra entrar com recurso, pois o termo “cadeia” pode remeter a cadeia muscular e poderia estar correto. Mas se essa afirmação foi elaborada pensando-se em cadeia cinética, que por não ter definição de aberta ou fechada, faz essa afirmação incorreta. Digo vacilo porque se foi pensada como pegadinha, é uma pegadinha de mau gosto, parece mais um erro e uma questão mal elaborada. Esse tipo de pegadinha dá até agonia na hora de responder. Se ao dizer diretrizes e técnicas a banca citasse uma guideline ou documento do tipo, seria mais sensato.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: A

Alternativa que indico após analisar: A

13 de outubro!

Feliz dia colegas fisioterapeutas!

Feliz dia aos futuros colegas fisioterapeutas que também estudam por aqui!

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Um cientista vivia preocupado com os problemas do mundo e estava resolvido a encontrar meios de melhorá-los. Passava dias em seu laboratório em busca de respostas para suas dúvidas.

Certo dia, seu filho de sete anos invadiu o seu santuário decidido a ajudá-lo a trabalhar. O cientista, nervoso pela interrupção, tentou que o filho fosse brincar em outro lugar.

Vendo que seria impossível demovê-lo, o pai procurou algo que pudesse ser oferecido ao filho com o objetivo de distrair sua atenção.

De repente deparou-se com o mapa do mundo, o que procurava! Com o auxílio de uma tesoura, recortou o mapa em vários pedaços e, junto com um rolo de fita adesiva, entregou ao filho dizendo:

— Você gosta de quebra-cabeças? Então vou lhe dar o mundo para consertar. Aqui está o mundo todo quebrado. Veja se consegue consertá-lo bem direitinho! Faça tudo sozinho.

Calculou que a criança levaria dias para recompor o mapa. Algumas horas depois, ouviu a voz do filho que o chamava calmamente:

— Pai, pai, já fiz tudo. Consegui terminar tudinho!

A princípio o pai não deu crédito às palavras do filho. Seria impossível na sua idade ter conseguido recompor um mapa que jamais havia visto. Relutante, o cientista levantou os olhos de suas anotações, certo de que veria um trabalho digno de uma criança.

Para sua surpresa, o mapa estava completo. Todos os pedaços haviam sido colocados nos devidos lugares. Como seria possível? Como o menino havia sido capaz?

Então ele perguntou:

— Você não sabia como era o mundo, meu filho, como conseguiu?

— Pai, eu não sabia como era o mundo, mas quando você tirou o papel da revista para recortar, eu vi que do outro lado havia a figura de um homem. Quando você me deu o mundo para consertar, eu tentei mas não consegui. Foi aí que me lembrei do homem, virei os recortes e comecei a consertar o homem que eu sabia como era.

Quando consegui consertar o homem, virei a folha e vi que havia consertado o mundo.

Recebi este texto por e-mail.
Autor: desconhecido.

VUNESP – IAMSP/PREVENIR 2011 – Questão 49

49. João Manuel, 60 anos, após infarto do miocárdio, iniciou um programa de exercícios intra-hospitalar; isto diminuiu os dias de internação, minimizou os sentimentos de invalidez e insegurança, e permitiu a João Manuel recuperar sua autoconfiança e retornar as suas atividades. Em relação ao quadro de João Manuel, é correto afirmar que

(A) de maneira interdisciplinar, na fase intra-hospitalar, deve-se oferecer ao paciente: conhecimento básico sobre a patologia, identificar os fatores de risco do paciente para doença cardiovascular, iniciar a conscientização e modificação do paciente para prevenção secundária.

(B) deve-se considerar que, durante um protocolo de exercícios para cardiopatas, o gasto energético deve ser estimado em medida energética catabólica.

(C) apesar dos efeitos benéficos do exercício físico, mesmo sendo realizado de forma regular, não reduz a reincidência de infarto agudo do miocárdio.

(D) se durante a realização de um programa de exercícios o paciente referir angina, deve-se pedir calma ao paciente e não há necessidade de interromper o exercício.

(E) na fase intra-hospitalar, durante a realização de um protocolo de exercícios, não é necessário determinar a intensidade e a frequência por ser uma fase de curta duração.

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O caso clínico já deixa bem evidente como as questões psicológicas são determinantes para a boa evolução do quadro ao referir os sentimentos de invalidez e insegurança percebidos do paciente. Ao nos depararmos com um suicida numa janela, por mais que possamos olhar pra cima e dizer que a vida é bela, só o psicólogo tem os mecanismos para tratar adequadamente esses pacientes. Boa parte das teorias mais modernas sobre dor deixam claro a importância de não catastrofizar os problemas dos pacientes sob a pena de agravar suas dores. Um fisioterapeuta afoito pode fazer o paciente sentir mais dor sem nem tocar no corpo dele. Um fisioterapeuta mais experiente, ao sentir que a patologia está controlada e transmitir isso ao paciente, pode melhorar muito o quadro álgico. Isso pouco tem a ver com ser simpático ou descontraído. Nada disso vale sem uma base sólida. A alternativa “A” é perfeita nisso.

A “B” se aplica a grupos de pesquisa. Pouco viável de se aplicar na prática clínica e de necessidade duvidosa fora de um escopo acadêmico.

A “C” começa bem mas falseia no final.

As alternativas “D” e “E” pecam ambas por imprudência.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: A

Alternativa que indico após analisar: A

VUNESP – IAMSP/PREVENIR 2011 – Questão 48

48. Sobre a técnica denominada de pressoterapia, utilizada em pacientes com queimaduras, é correto afirmar:

(A) é um curativo compressivo que modela a cicatriz.

(B) realiza drenagem linfática no membro tratado.

(C) possui ação desfibrosante em cicatrizes aderidas, promovendo seu remodelamento.

(D) estimula a angiogênese na região tratada.

(E) estimula a fibroplasia na região tratada.

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Apesar da alternativa “B” não estar exatamente incorreta, no contexto a “C” é o caminho.

Quando a pele foi gravemente queimada a pressão da camada superior deixa de se exercer; a camada inferior vai então crescer de uma forma desordenada, anárquica, formando nódulos, espirais, etc., o que vai dar à cicatriz o aspecto hipertrófico – mais alta, mais vermelha, menos elástica – e anormal que ela apresenta se não for tratada.

A Pressoterapia baseia-se em um sistema de compressão controlada através de computador, que é operado com a utilização de bombas de insuflar.
O aparelho possui cinco câmaras separadas, que são posicionadas em redor dos membros. Estes centram-se em mover o fluxo venoso e linfático, a partir dos tornozelos , aumentando progressivamente para a parte superior das coxas.
Como é projetada para aumentar a circulação do sangue e fluxo linfático, a pressoterapia consegue um aumento no apuramento do líquido celular, reduz a inflamação e o edema, alivia a fadiga nas pernas e melhora o fluxo de oxigênio pelo corpo.

Vejam este arquivo sobre tratamento e algumas características que diferenciam cicatriz hipertrófica de queloide.

http://www.mediafire.com/view/l3kd4gpbntmz1e6/2009_Cicatriz_hipertrofia_e_queloide.pdf

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: C

Alternativa que indico após analisar: C

VUNESP – IAMSP/PREVENIR 2011 – Questão 47

47. Paciente portador de artrite reumatoide, com fenômeno de Raynaud associado, teve um trauma na extremidade do dedo anelar. Nessa fase aguda da lesão, o fisioterapeuta deve evitar a utilização de que recurso terapêutico?

(A) Gelo.

(B) TENS.

(C) Laserterapia de baixa intensidade.

(D) Ultrassom pulsado de baixa intensidade.

(E) Corrente interferencial.

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Essa questão é uma cilada, uma armadilha. Em breve pretendo elaborar material sobre essas estratégias que as bancas utilizam e que a gente se mata de raiva quando confere o gabarito. Sim, já cai em várias dessas e ainda caio.

O ponto principal aqui é o fenômeno de Raynaud, apesar da controvérsia do US Pulsado em fase aguda, o que temos de mais acertado é que não se deve usar crioterapia em patologia arterial.

“O fenômeno de Raynaud é uma condição na qual ocorre um exagero na resposta à temperatura fria. As manifestações clínicas do fenômeno de Raynaud são causadas pela vasoconstrição (estreitamento) dos vasos sanguíneos (artérias e arteríolas), que resulta na redução do fluxo sanguíneo para a pele (isquemia), enquanto a cianose (arroxeamento da pele) é causada pela diminuição da oxigenação nos pequenos vasos sanguíneos (arteríolas e capilares) da pele. A pele fica fria e gera uma área empalidecida bem demarcada ou uma cianose em dedos de mãos e pés. Algumas pessoas também sentirão a pele pálida e fria em orelhas, nariz, face, joelhos, e qualquer área exposta.

O fenômeno de Raynaud tipicamente se inicia após exposição ao frio ou após situação de estresse intenso em um ou vários dedos e depois progride simetricamente para todos os dedos das mãos. Sensação de formigamento ou amortecimento pode acompanhar as alterações de coloração dos dedos. Dor não é geralmente referida, a menos que o evento seja intenso e duradouro, com prolongada diminuição do fluxo sanguíneo para os dedos. O ataque geralmente termina com a normalização do fluxo sanguíneo para as extremidades. Um ataque geralmente termina 15 minutos após deixar uma área fria. A ocorrência de ulcerações digitais é um sinal de gravidade do fenômeno de Raynaud, e necessita de atenção médica.”

Referência:

Panfleto da Scleroderma Foundation, elaborado com o auxílio do Dr. Fredrick Wigley (Johns Hopkins University, Baltimore – EUA); tradução do Dr. Percival D. Sampaio-Barros (Universidade de São Paulo, São Paulo – SP).

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: A

Alternativa que indico após analisar: A