FUNRIO – Coronel Fabriciano/MG 2008 – Questão 25

25. A tração cervical, por quaisquer de seus métodos, está contra-indicada nos casos de:

A) compressão da raiz nervosa.

B) osteoporose.

C) osteofitose difusa.

D) osteoartrite difusa.

E) espasmo muscular cervical.

placa na cervical

A alternativa “A” é uma das melhores indicações para tração cervical.

A alternativa “B” é uma bela contraindicação, recomendo se pensar duas vezes antes de se realizar tração cervical em pacientes com idade avançada. E se for o caso, que seja feita de forma muito suave.

Outro aspecto com relação  à coluna cervical: eu utilizo muito a tração cervical e mobilizações cervicais na prática clínica, mas não gosto de manipulações na cervical. Só faço qualquer procedimento na cervical com a certeza absoluta de não haver nenhum risco. Aconselho isso a todos. Não importa onde você estudou quiropraxia ou osteopatia, procure embasamento (PBE – Prática Baseada em Evidências) sobre manipulações cervicais e você irá se surpreender. Mobilizações sem “thrust” (estalo) não devem ser subestimadas.

As duas principais contraindicações para a tração cervical são a osteoporose severa e a presença de implantes metálicos na coluna cervical.

A “C” osteofitose difusa, são calcificações, vulgo “bico-de-papagaio”. Sem problemas para tração. O mesmo para “D”, que não deve ser confundida com artrite reumatoide. A “E” também sem problemas.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: B

Alternativa que indico após analisar: B

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FUNRIO – Coronel Fabriciano/MG 2008 – Questão 24

24. Qual método é mais eficiente para a redução da contratura em flexão do joelho, no amputado transtibial?

A) exercícios de relaxamento.

B) massoterapia seriada.

C) técnica do alongamento facilitado.

D) uso de prótese mantendo os isquitibiais alongados.

E) termoterapia e relaxamento.

amputação transtibial

Vamos lá. É difícil responder questões assim se você ficar pensando apenas na amputação e no nível. Esqueça um pouco isso! Aqui temos uma palavra-chave, que é conhecida de todo fisioterapeuta: contratura.

A contratura muscular é uma contração involuntária, constante e dolorosa de uma parte ou de todo o músculo. O músculo envolvido fica duro e apresenta hipertonia das fibras musculares limita o movimento das articulações ao qual ele está ligado.

No caso dessa questão em especial, reparem em um aspecto: com exceção da alternativa “D”, todos os procedimentos descritos são utilizados em contraturas e espasmos musculares.

A alternativa “D” cita a utilização de próteses com a finalidade de reduzir a contratura, mas creio que o mais eficiente seria a utilização de órtese de posicionamento e procedimentos para minimizar ao máximo o efeito da contratura antes de iniciar o treino com a prótese.

Mas, enfim, apenas prestando atenção às alternativas dá para resolver esta questão.

Com a perda de parte do corpo, o sujeito pode sofrer uma alteração brusca da imagem corporal, fazendo-se então necessária a reintegração desta imagem ao novo esquema corporal. Uma percepção negativa da própria imagem corporal cria dificuldades para conscientização das atividades musculares e para aquisição de posturas corretas no processo de reabilitação (Benedetto et al. 2002).

Por isso, é fundamental a integração da equipe multidisciplinar no tratamento dos pacientes amputados para identificar, em tempo, qualquer sinal que possa comprometer o resultado do processo de reabilitação (Chamlian; Melo 2008).

A avaliação é cada vez mais recomendada para determinar a validade de técnicas e procedimentos de reabilitação (Calmels 2001). A cuidadosa avaliação de cada indivíduo é parte integral do tratamento pré-protético (Chamlian 1999).

Para avaliar adequadamente as possibilidades funcionais de um indivíduo amputado é preciso registrar a fundo suas características físicas, psíquicas e ambientais (Gabriel et al. 2001).

Carvalho et al. (2000) relatam que as contraturas são comuns em amputados e, para que isso não ocorra, é necessário o posicionamento do paciente já no leito, logo após a cirurgia, e o membro amputado não deve ficar numa posição em que os músculos se encontrem encurtados. O tratamento proposto por orientação postural e cinesioterapia deve ser recomendado a todos os pacientes o mais cedo possível.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora:  D

Alternativa que indico após analisar: D

FUNRIO – Coronel Fabriciano/MG 2008 – Questão 23

23. São sinais de fadiga respiratória, além da rapidez dos ciclos respiratórios e da alteração no padrão toracoabdominal:

A) movimentos acessórios da cintura escapular.

B) movimentos paradoxais.

C) inspiração e expiração bucal.

D) sudorese fria.

E) bradicardia.

Cansaço

Para quem foi direto em respiração paradoxal, reparem que o enunciado diz “além da alteração do padrão toracoabdominal”, ou seja, essa alternativa já foi considerada pela banca!

A banca indica a alternativa “B” como correta, mas ao se responder o que pede o enunciado, devemos reparar que se ela pede um sinal “além da rapidez dos ciclos respiratórios e da alteração no padrão toracoabdominal”, isso deve ser interpretado como “um sinal que não seja uma alteração de aumento do fluxo e não seja uma alteração nos movimentos toracoabdominais”. Dessa forma, a “B”, devido a uma restrição do enunciado, não é uma resposta adequada.

Se a alternativa “A” descrevesse a “utilização de musculatura acessória da inspiração” estaria correta.

Fiquei em dúvida quanto a “C”, já que é típico o “respirar pela boca” após exercícios intensos. Até poderia incorrer no mesmo problema da alternativa “B”, porque já foi considerado o aumento da velocidade do fluxo respiratório no enunciado, mas são ocorrência diferentes, apesar de relacionadas. Essa aqui me parece a que melhor responderia a questão

Alternativas “D “e “E” não tem relação com fadiga inspiratória.

A parede torácica é o conjunto toracoabdominal (TA) que tem como componentes a caixa torácica (CT) e o abdômen (AB), separados pelo diafragma. Dessa forma, o movimento toracoabdominal normal é constituído pela expansão e retração desses compartimentos durante a inspiração e a expiração, respectivamente. Embora CT e AB se movam em unidade, cada um dos compartimentos apresenta indepen­dência de movimento. Quando o deslocamento entre os compartimentos deixa de ser harmônico, o movimento TA torna-se assincrônico. Homens e mulheres saudáveis de diferentes faixas etárias apresentaram simetria entre os movimentos dos lados direito e esquerdo do tórax e abdômen.

O padrão respiratório e o movimento TA podem ser influenciados por vários fatores como posicionamento do indivíduo, idade, sexo, sobrecarga respiratória, doenças neuromusculares, doenças pulmonares associadas ao aumento da resistência da via aéreae doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC). O aumento dos índices de assincronia pode estar relacionado a pior prognóstico e mor­talidade significativamente maior.

A Respiração Paradoxal caracteriza-se pela inversão do movimento ventilatório, sendo realizado pela região abdominal durante a inspiração. O movimento se dá como se a parede torácica “move-se para fora e a parede abdominal para dentro”. Ocorre quando há aumento da carga inspiratória e pode acontecer por patologias obstrutivas, lesões de nervo frênico, paralisias diafragmáticas, traumas torácicos e outros fatores. Pode levar a uma fadiga muscular e posteriormente falência muscular respiratória, caso o quadro persista.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: B

Alternativa que indico após analisar: C

FUNRIO – Coronel Fabriciano/MG 2008 – Questão 22

22. Com relação à doença arterial coronariana, podemos afirmar que os exercícios aeróbicos reduzem vários de seus fatores de risco, exceto a(o):

A) intolerância à glicose.

B) triglicerídeos.

C) HDL e o VO2 máximo.

D) pressão arterial sistêmica.

E) LDL.

 LDL e hdl

Essa banca já tem outras questões bem parecidas.

 Na “C” não precisamos nem pensar se é ou não reduzido com exercícios, já que nem fator de risco são.

hdl e ldl

Concentrações elevadas de LDL podem lentamente se depositar nas camadas internas da parede arterial. Junto com outras substancias presentes no sangue formam a placa aterosclerótica, que é um depósito espesso e firme responsável pela obstrução das artérias. Nesta condição ocorre a aterosclerose.

HDL é o colesterol bom

Cerca de um terço a um quarto do colesterol é transportado por lipoproteínas de alta densidade HDL (high density lipoprotein). Concentrações elevadas de HDL aparentemente protegem o indivíduo contra o infarto do miocárdio. Concentrações  baixas de HDL, inferiores a 40 mg/dl, aumentam o risco de doença cardiovascular. Acredita-se que o HDL remove o excesso de colesterol da placa aterosclerótica, retardando ou inibindo a sua formação, além de transportar o colesterol de volta para o fígado, onde é novamente metabolizado. A elevação das concentrações do HDL é alcançada com exercícios, ausência do fumo e peso adequado. Há ainda evidências que o álcool, em pequenas quantidades, promove discreta elevação da concentração de HDL.

Concentrações adequadas de colesterol

Os níveis do HDL e LDL colesterol são medidas para a avaliação do risco de infarto. Concentrações de LDL colesterol abaixo de 100 mg/dl são considerados ótimos. Menos de 130 mg/dl são quase ótimos para a maior parte das pessoas. Níveis elevados de LDL colesterol mais de 160 mg/dl são indicativos de um risco aumentado de doença cardíaca. Se possuir dois ou mais fatores de risco para doença cardiovascular, considera-se elevados níveis de LDL colesterol acima de 130 mg/dl. No caso de portadores de diabetes, o nível desejado de LDL colesterol é inferior a 100 mg/dl. No caso de portadores de doença coronária previa, os níveis desejados se reduzem ainda mais, para inferiores a 70 mg/dl. Estes são níveis dificilmente atingidos apenas com dieta adequada, muitas vezes necessitado de medicações especificas. Portanto, quanto maior o risco de um evento cardíaco, mais baixos devem ser os níveis de LDL colesterol.

Triglicérides

Triglicéride é uma forma de gordura. É proveniente da alimentação, além de ser formado pelo organismo. Existe uma correlação positiva entre o LDL e os triglicérides. Indivíduos com concentrações elevadas de triglicérides normalmente apresentam concentrações elevadas de colesterol, com prevalência de LDL. Assim, triglicéride elevado é um fator de risco para doença coronariana. Valores até 150 mg/dl são considerados normais; entre 150 -199 mg/dl são considerados limítrofes; e entre 200 – 499 são considerados elevados.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora:  C

Alternativa que indico após analisar: C

FUNRIO – Coronel Fabriciano/MG 2008 – Questão 21

21. De acordo com o “ritmo escapuloumeral” a proporção entre a amplitude de movimento do úmero e da escápula durante a flexão do braço é de:

A) 1 : 1

B) 1 : 2

C) 1 : 3

D) 3 : 1

E) 2 : 1

Ritmo escapulo umeral

Primeira questão de conhecimentos específicos desta banca e questão recorrente na mesma banca. Reposto o texto, apenas a alternativa correta mudou.

Normalmente, a elevação do ombro ocorre em uma série precisamente coordenada de movimentos sincronizados denominada ritmo escapuloumeral. O trabalho clássico por Inman e associados (1944) demonstrou que ambos os segmentos escapular e umeral participam através de toda a movimentação. A fase inicial de abdução foi individualmente variável, mas depois de 30º de abdução, ocorreu uma razão de 2:1 – para cada 15º de movimento entre 30 e 170º de abdução, 10º ocorreram na articulação glenoumeral e 5º ocorreram na articulação escapulotorácica. Outras investigações observaram que os movimentos não são tão lineares quanto implica a razão de 2:1, e que há variação nos padrões. O padrão mais comum, encontrado por Bagg e Forrest (1988), mostrou maior movimentação glenoumeral no começo e término da amplitude e mais movimentação escapular entre 80 e 140º de abdução. A razão média do movimento articular glenoumeral para o escapulotorácico foi 1,25:1, o que é o mesmo que o obtido por Poppen e Walker (1976). Ambos pesquisadores utilizaram o plano da escápula para o movimento de abdução, enquanto Inman usou o plano frontal.

É necessário que a escápula esteja fixa durante os movimentos do braço para servir de apoio aos músculos que o movimentam. Esta fixação se faz por uma dupla de músculos, o trapézio e o serrátil anterior, que agem em direção oposta atuando como uma força de um binário – duas forças paralelas não-coincidentes e em direções opostas que tendem a causar rotação.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: E

Alternativa que indico após analisar: E

FUNRIO – SESDEC/RJ 2008 – Questão 50

50. Deve-se estar atento à “degeneração walleriana” nas neuropatias periféricas que se caracterizam por:

A) edema no neurilema ao nível da lesão.

B) sensações de dormência no segmento corporal lesado.

C) hipotrofia do tecido nervoso no filamento patológico.

D) desmielinização axonal distalmente à lesão..

E) acentuada hiperrreflexia distalmente à lesão.

NERVOS

Degeneração Walleriana é o termo empregado para degeneração de axônios e suas bainhas de mielina após secção do nervo, geralmente traumática. O material resultante da degeneração da mielina e dos axônios tende a formar enovelados de membranas conhecidas como figuras de mielina. Estas são encontradas tanto no citoplasma das células de Schwann como em macrófagos que afluem ao local para auxiliar na remoção dos debris.

Quando um neurônio é lesado há degeneração da extremidade distal e da lesão da extremidade proximal até o nível do primeiro nódulo de Ranvier.

Conjunto de possíveis eventos que podem ocorrer quando uma fibra é seccionada (acompanhe observando a figura abaixo):

degeneração walleriana

A- refere-se a uma fibra nervosa motora normal
B- quando a fibra sofre lesão, o núcleo do neurônio desloca-se para a periferia e a parte distal da fibra degenera.
C- A proliferação das células de Schwann dá origem a um cilindro, que é penetrado pelos axônios em crescimento (note que devido a falta de uso, a fibra muscular estriada se atrofia).
D- No exemplo dado a regeneração foi bem sucedida e a fibra muscular voltou ao seu diâmetro normal.
E- Quando o axônio não encontra um cilindro de células de Schwann, seu crescimento é desordenado formando muitas vezes uma dilatação muito dolorosa na extremidade do nervo chamada de “neuroma de amputação”.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: D

Alternativa que indico após analisar: D

FUNRIO – SESDEC/RJ 2008 – Questão 49

49. Denomina-se “pata-de ganso” a estrutura tendinosa medial da coxa, constituída pelos músculos:

A) bíceps semimembranoso grácil.

B) bíceps sartório grácil.

C) semitendinoso sartório grácil.

D) bíceps sartório semimembranoso.

E) bíceps semitendinoso semimembranoso.

Ganso-indiano

Esse nome ainda é um mistério para mim. Deve ter algo a ver com o desenho que a estrutura dos tendões faz quando se observa sem a pele, numa dissecação, porque sobre a pele esses tendões não lembram em nada a pata de um ganso.

Grácil

gracil Inserção Proximal: Sínfise púbica e ramo inferior do púbis

Inserção Distal: Superfície medial da tuberosidade da tíbia (pata de ganso)

Inervação: Nervo Obturatório (L2 L3)

Ação: Adução da coxa, flexão e rotação medial do joelho

Semitendíneo

semitendineo

Inserção Proximal: Tuberosidade isquiática

Inserção Distal: Superfície medial da tuberosidade da tíbia (pata de ganso)

Inervação: Nervo Isquiático (L5 S2)

Ação: Extensão do quadril, flexão e rotação medial do joelho

Sartório

sartorio

Inserção Proximal: Espinha ilíaca ântero-superior

Inserção Distal: Superfície medial da tuberosidade da tíbia (pata de ganso)

Inervação: Nervo Femoral (L2 – L3)

Ação: Flexão, abdução e rotação lateral da coxa e flexão e rotação medial do joelho

 

 

 

Essa questão é bem comum, devemos ter essas matérias decoradas. Para facilitar, lembrem que temos dois joelhos, então lembrem de GanSoS. Facilita, né!?

Para estudar um pouco, um link rápido:

http://movite.com.br/uploads/artigos/3_21052013142725.pdf

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: C

Alternativa que indico após analisar: C