VUNESP – IAMSP/HSPE 2011 – Questão 53

53. Assinale a alternativa que representa a relação de fatores de risco de infecção hospitalar em UTI pediátrica em ordem decrescente.

(A) Canal arterial patente, intubação orotraqueal e hiperalimentação.

(B) Canal arterial patente, cateter umbilical e baixo peso ao nascer.

(C) Alta FiO2, procedimentos cirúrgicos e intubação orotraqueal.

(D) Hiperalimentação, baixo peso ao nascer e baixa FiO2.

(E) Intubação orotraqueal, baixa FiO2 e cateter nasal.

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Pessoal, ordem decrescente, ou seja, do maior fator de risco pro menor fator de risco entre as 3 opções da alternativa.

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Segundo os dados das investigações registradas na literatura, o parto pré-termo e o baixo peso ao nascer são os determinantes mais importantes da
morbimortalidade infantil nos países desenvolvidos e em desenvolvimento
(LEMONS et al., 2001; MATHEUS et al., 2007; ALMEIDA et al., 2008; ITABASHI
et al., 2009 ; MARIOTONI et al., 2000).

Entre as complicações associadas à prematuridade, destaca-se o canal arterial
(CA) patente, que, se não tratado adequadamente, pode resultar em maior
morbimortalidade, sobretudo entre os recém-nascidos de muito baixo peso ao
nascer (COOKE et al., 2003; MOORE et al., 2008; HUHTA, 1990; NOORI et al.,
2009).

Das duas que oferecem essa condição como principal fator de risco, a alternativa “A” é a mais adequada.

Referência: 2011, CAROLINA ANDRADE BRAGANÇA, Canal arterial patente em recém-nascidos prematuros: perfil de apresentação e eficácia das terapêuticas clínica e cirúrgica. Dissertação Mestrado UFMG.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: A

Alternativa que indico após analisar: A

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VUNESP – IAMSP/HSPE 2011 – Questão 51

51. As encefalopatias metabólicas são a causa mais comum de complicações neurológicas na UTI. Baseado nessa afirmação, assinale a causa mais comum de encefalopatia metabólica nas UTIs.

(A) Encefalopatia hipóxico-isquêmica.

(B) Encefalopatia hepática.

(C) Síndrome séptica.

(D) Hipoglicemia.

(E) Distúrbios da osmolaridade.

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A síndrome séptica, também conhecida como sepse, é a resposta aqui.

Sepse, choque séptico e disfunção de múltiplos órgãos são as maiores causas de morte nas UTIs, apesar dos avanços tecnológicos.

O termo sepse significa decomposição da matéria orgânica por um agente agressor (bactérias, fungos, parasitas, vírus). Os termos infecção e sepse são geralmente utilizados de forma independente; entretanto, a terminologia acaba simplificando uma relação complexa. O termo infecção está relacionado à presença de agente agressor em uma localização (tecido, cavidade ou fluido corporal) normalmente estéril, e o termo sepse está relacionado à consequente manifestação do hospedeiro; isto é, a reação inflamatória desencadeada frente à uma infecção grave.

Referência: 2004, RBTI, Consenso Brasileiro de Sepse.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: C

Alternativa que indico após analisar: C

VUNESP – IAMSP/HSPE 2011 – Questão 50

50. No atendimento hospitalar do bebê com refluxo gastroesofágico, seu posicionamento deve ser

(A) pronado com elevação de 30° com flexão do quadril.

(B) pronado com elevação de 30° sem flexão do quadril.

(C) pronado com elevação de 10° com flexão do quadril.

(D) supinado com elevação de 30° sem flexão do quadril.

(E) supinado com elevação de 10° sem flexão do quadril.

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A resposta da banca surpreende um pouco. Realmente não tenho certeza sobre qual seria a correta aqui, elevação em 30º é correto, mas não iria na “B”. Antigamente existia uma orientação para o bebê dormir deitado de barriga para baixo, pois essa posição ajuda no esvaziamento gástrico do bebê. No entanto os pediatras não fazem mais essa recomendação devido ao risco aumentado de aspiração.

O refluxo pode ser fisiológico ou, em poucas situações, patológico. O fisiológico é comum em bebês porque o esfincter entre o esôfago e o estômago ainda não está maduro o suficiente e, por não ocluir corretamente, permite com que algum conteúdo do estômago volte ao esôfago.

O refluxo fisiológico normalmente se resolve com o tempo e não requer medicação, mas para aliviar os sintomas a mamãe deve ser orientada a oferecer menos leite por mamada e aumentar a frequência; manter o bebê sentado por 30 minutos após as mamadas e interromper as mamadas para fazer o bebê arrotar.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: B

Alternativa que indico após analisar: D

FCC – Prefeitura de Santos 2005 – Questão 59

59. Durante o primeiro ano de vida, o bebê apresenta vários reflexos primários ou primitivos, os quais evoluem de forma diferente. São manifestações evolutivas os reflexos

(A) de Moro e de marcha automática.

(B) de Landau I e II.

(C) tônico cervical simétricos e assimétricos.

(D)) de marcha automática, de preensão e de sucção.

(E) de marcha automática, de preensão, tônico labiríntico e de Moro.

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Manifestações evolutivas são aquelas que nascem com a criança(reflexas ou automáticas) e que desaparecem para dar lugar para manifestações cuja atividade é a mesma porém, com caráter evolutivo e que posteriormente tornam-se automáticas como, por exemplo: sucção, apreensão, marcha reflexa.

Vamos analisar os reflexos acima para saber se são evolutivos:

RTCA E RTCS (Tônico-cervical asssimétrico e simétrico) Com o bebê deitado, o médico gira a cabeça do bebê para o lado, a criança tende a estender este braço e dobrar o outro. É chamado de posição de esgrimista. Costuma desaparecer no terceiro mês. Como desaparecem, não são evolutivos.

Reflexo de Moro – O bebê joga a cabeça para trás, estica as pernas, abre os braços e os fecha depois. Surge quando o recém-nascido se sente desequilibrado ou assustado. Some por volta do segundo ou terceiro mês. Como ele desaparece, não demos chamá-lo de evolutivo.

Só aqui, já eliminamos as alternativas “A”, “C” e “E”. Landau também é um reflexo primitivo que desaparece e não é substituído por nenhuma função específica. Vamos analisar os demais:

Marcha reflexa – Colocado em pé, com apoio nas axilas, ele ergue uma perna dando a impressão de estar andando. É o primeiro a desaparecer. Some até o fim do primeiro mês.
Sucção e busca pelo seio – O bebê abre a boca e suga o que aparece à sua frente. Ao tocar qualquer região em torno da boca, ele vira o rosto para o lado estimulado. A busca pelo seio desaparece por volta do segundo mês, quando o reflexo da sucção passa a ser voluntário.

Preensão palmar e plantar – O recém-nascido agarra o dedo da mãe com força. Esse reflexo ocorre nas mãos e nos pés. O da mão costuma desaparecer por volta do terceiro mês. O do pé continua até o sétimo ou oitavo mês.

Como dão lugar a movimentos voluntários, podemos considerá-los como evolutivos. Alternativa “D”.

Mais do mesmo:
Reflexos – Neuropediatria

Estes são um dos pontos a serem considerados numa avaliação de neuropediatria, confiram:
 
REAÇÃO ANFÍBIA: lactente em DV, virar a pelve afastando-a um pouco da mesa de exame. A  manobra leva à flexão e abdução do membro inferior ipsilateral. É uma reação que pode ser desencadeada a partir do nascimento, podendo faltar no RN com lesão cerebral.
 
MARCHA REFLEXA E REAÇÃO POSITIVA DE APOIO: segurar o RN com os pés apoiados sobre a mesa de exame. O bebê reage estendendo as pernas e colocando-se em pé, mas ele precisa ser apoiado. Se inclinado o seu tronco para adiante, ele dará alguns passos com os quadris e os joelhos mantidos em flexão. Encontrado em RN e pode ser desencadeado em alguns lactentes.
 
REAÇÃO DE EXTENSÃO CRUZADA: lactente em DD, o examinador segura uma das pernas em extensão e fricciona a planta do seu pé, em direção do calcanhar aos artelhos. A resposta consiste em flexão e abdução do MI oposto, movimento que é seguido por adução e extensão, como se a criança quisesse afastar o estímulo. Essa prova é positiva desde o nascimento até a idade de 4 a 6 semanas. A sua ausência ou permanência pode ser sinal de algum estado patológico.
 
REFLEXO DE GALANT:  examinado em DV ou com a criança suspensa de barriga para baixo. O examinador passa um dedo paralelamente à coluna, desde a última costela à crista ilíaca. A resposta consiste em flexão lateral na direção do estímulo. Ela está presente desde o nascimento, podendo ser desencadeada durante as primeiras 6 a 8 semanas.
 
REFLEXO DE MORO: o examinador segura a criança apoiando sua cabeça e tronco. Retira a seguir o apoio da cabeça, deixando-a cair para trás, dentro de sua mão. A súbita perda de controle sobre a cabeça assusta o lactente; ele reage estendendo os braços num amplo movimento de abraço, de mãos abertas e dedos em abdução. Os membros inferiores também podem apresentar extensão, mas esta resposta varia; ela se acompanha muitas vezes de choro. O reflexo está presente desde o nascimento até 2 ou 3 meses.
 
REFLEXO PROTETOR DE DESVIO LATERAL CERVICAL: colocar o RN em DV com a cabeça sobre a mesa de exame com a face voltada para baixo, soltando-a em seguida. A resposta consiste em rotação da cabeça para um dos lados e está presente desde o nascimento.
 
REAÇÃO DE RETIFICAÇÃO: o lactente responde às modificações extrínsecas da posição de um dos seus seguimentos corporais mediante deslocamento e alinhamento de outros segmentos.
 
REAÇÃO CERVICAL DE RETIFICAÇÃO: examinar o RN em DD. Parece se tratar de um reflexo proprioceptivo, desencadeado pelo alongamento dos músculos do pescoço. O examinador segura a cabeça do bebê e a vira para um dos lados. O tronco acompanha então a cabeça e o bebê podem virar-se todo para o lado. Encontrada a partir do nascimento mas é mais evidente aos 3 meses, tornando-se depois menos confiável e não podendo ser mais desencadeada depois dos 5 meses.
 
REAÇÀO LABIRÍNTICA DE RETIFICAÇÀO:  é observada a posição da cabeça em relação ao corpo, quando a criança é segurada em posição dorsal e ventral e quando inclinada lateralmente em posição vertical. Quando se puxa o bebê normal para a posição sentada, sua cabeça não consegue acompanhar imediatamente o movimento, a despeito da tentativa de mantê-la ereta. A queda da cabeça chega as vezes a ser acentuada em caso de disfunção cerebral. Aos 4 meses o lactente segura a cabeça na mesma linha do tronco, quando em DD, levanta a cabeça esperando ser levada para a posição sentada. Quando mantido suspenso em DV, o RN deixa sua cabeça cair, assumindo certo grau de flexão. Em torno de 8 semanas, a cabeça é mantida no mesmo alinhamento do tronco. Aos 4 meses, o lactente mantém a cabeça ereta quando em DV.
 
REAÇÕES DE POSICIONAMENTO: segurar o bebê de modo que o dorso de seu pé ou a face anterior da perna entre em contato com a borda do tampo da mesa. A resposta consiste em flexão da perna, o pé é colocado com a planta sobre a mesa. Resposta semelhante pode ser encontrada nas mãos, a mão e colocada sobre a mesa, em resposta ao contato com sua face dorsal. Essas respostas podem ser desencadeadas a partir do nascimento.
 
REFLEXO DE LANDAU: lactente suspenso com abdome para baixo. A partir dos 4 ou 5 meses o bebê normal reage à suspensão ventral com extensão de cabeça e tronco, por volta dos 6 a 8 meses, ele também estende os MMII. O examinador flete a cabeça do lactente, esta é seguida pela flexão do tronco e pernas, quando se solta a cabeça, os membros, a cabeça e o tronco costumam voltar à posição de extensão.
 
REFLEXO DO PÁRA-QUEDISTA: segurar o lactente pelo tronco e o abaixar em direção ao solo, de cabeça para baixo. O lactente responde estendendo os braços e as mãos em direção ao solo. Essa resposta pode ser desencadeada a partir dos 6 meses e tornar-se mais evidente aos 9 meses.
 
REAÇÕES DE EQUILÍBRIO: criança sentada ou em pé, provocar mudança do centro de gravidade para frente, para trás e para os lados. A criança movimenta o tronco e os membros em sentido opostos, a fim de se equilibrar.
 
REFLEXOS TÔNICOS DA CABEÇA:
 
Reflexo Tônico Cervical Assimétrico:  paciente em DD. A resposta parece ser desencadeada pela distensão aplicada sobre a musculatura do pescoço. O examinador vira a cabeça do lactente para um lado, observando e palpando a reação nos membros da criança. Ele observa a extensão de braço e perna, no lado para o qual está voltada a face, enquanto os membros do lado correspondente à região occipital entram em flexão. Presente durante os 2 ou 3 meses de vida, trata-se porém de uma posição transitória e não permanente. Pode ser anormal quando persiste além dos 5 meses.
 
Reflexo Tônico Cervical Simétrico: examinado com a criança em posição genupeitoral. Parece ser desencadeado pelo alongamento dos músculos do pescoço, quando se coloca a cabeça do lactente em extensão, os seus braços entram em extensão e as pernas em flexão. Ao fletir a cabeça,os braços fletem e as pernas estendem. Geralmente é uma reação anormal.

Engatinhar – De bruços, o bebê estica as pernas, como se tentasse rastejar, quando alguém lhe dá apoio nos pés. Some por volta do quinto mês.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: D

Alternativa que indico após analisar: D

FCC – Prefeitura de Santos 2005 – Questão 56

56. Uma criança com luxação de quadril congênita apresentará à avaliação, Teste de Barlow

(A) e manobra de Ortolani negativos.

(B) negativo e manobra de Ortolani negativos.

(C) negativo e manobra de Ortolani positiva.

(D) positivo e manobra de Ortolani negativa.

(E)) e manobra de Ortolani positivos.

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(clique na imagem para visualizar a descrição da carga no quadril no uso de bengalas)

Ambos os testes tem como finalidade avaliar a luxação do quadril em crianças. Quando um teste é dito positivo, confirma uma suspeita diagnóstica.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: E

Alternativa que indico após analisar: E

VUNESP – IAMSPE/SP 2009 – Questão 54

54. Os principais fatores que provocam a retinopatia da prematuridade são:

(A) vascularização incompleta da retina em crianças nascidas a termo e diminuição da PAO2. (pressão parcial de oxigênio no gás alveolar).

(B) vascularização incompleta da retina em crianças prétermo e aumento da PaO2.(pressão parcial de oxigênio no sangue arterial).

(C) vascularização incompleta da retina em crianças póstermo e diminuição da PaCO2.(pressão parcial de dióxido de carbono no sangue arterial).

(D) vascularização incompleta da retina em crianças a termo e aumento da PACO2.(pressão parcial de dióxido de carbono no gás alveolar).

(E) vascularização incompleta da retina em crianças prétermo e aumento da ETCO2.(pressão parcial de dióxido de carbono expirado).

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Pessoal, essa questão não é muito sobre fisioterapia, mas é algo que todo profissional de saúde que trabalha com neonatos deve saber. O nome da patologia já exclui todas as alternativas que citam pós-termo ou a termo, restando portando as alternativas “B” e “E”. Nesse ponto, é preciso saber mesmo e, na verdade, se esconde uma pegadinha muito sutil pois para quem nada sabe do assunto o excesso de oxigênio da alternativa “B” parece suspeito e induz o incauto a se aventurar na alternativa “E”. No entanto, a “B” é a alternativa correta.

A retinopatia da prematuridade é uma doença do desenvolvimento da vascularização da retina, que nos bebés que nascem prematuramente se encontra incompletamente desenvolvida. Esse desenvolvimento fora do ambiente uterino pode dar-se de forma anómala, levando a alterações capazes de destruir a estrutura do globo ocular e consequentemente à cegueira.

Quanto menor a idade de gestação e quanto menor o peso ao nascimento, maior o risco de aparecimento da doença, e potencialmente maior a sua gravidade. Estão em risco sobretudo todos os nascimentos com menos de 31 semanas de gestação e/ou com peso inferior a 1250 grs. O risco está também aumentado nos prematuros com maior instabilidade cardio-respiratória no período neo-natal.

As regras para a realização de um rastreio, vigilância e tratamento eficazes estão bem definidas internacionalmente: é obrigatória a observação e vigilância oftalmológica de todas as crianças que nasçam com menos de 32 semanas de gestação e/ou com menos de 1500 gramas.

Os níveis arteriais de oxigênio interferem na formação vascular retiniana do neonato. A terapia de suplementação com oxigênio, geralmente empregada em prematuros, expõe a retina à pressão arterial de oxigênio (PaO2 ) variando de 60 a 100 mmHg.

Normalmente, a vascularização retiniana se processa intra- útero sob baixas pressões de oxigênio – PaO2 igual a 30 mmHg. Numa primeira fase, a hiperóxia provoca obliteração dos vasos já formados e suprime a produção do fator de crescimento endotelial vascular (VEGF), comprometendo a angiogênese e causando hipóxia retiniana.

Num segundo momento, essa hipó- xia estimula um aumento do VEGF e, com isso, provoca uma neovascularização patológica. Ambas as alterações contribuem sobremaneira para o desenvolvimento da doença. O recebimento de transfusão sanguínea também expõe o prematuro ao desenvolvimento da doença. Alguns trabalhos atribuem esse risco às alterações hemodinâmicas durante a transfusão em bebês prematuros que têm volume sanguíneo reduzido.

Além disso, as hemácias adultas, devido a sua menor afinidade pelo oxigênio, poderiam causar toxicidade tecidual pela maior liberação desse elemento no tecido retiniano.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: B

Alternativa que indico após analisar: B