VUNESP – IAMSP/HSPE 2011 – Questão 55

55. O risco ocupacional da equipe multidisciplinar em UTI é proporcional às medidas de prevenção. Com relação aos acidentes pérfuro-cortantes, assinale a alternativa que representa o risco de adquirir infecções por HIV, hepatite C e hepatite B, respectivamente.

(A) 0,1%, 1% e 10%.

(B) 0,2%, 10% e 30%.

(C) 0,3%, 20% e 3%.

(D) 0,3%, 3% e 30%.

(E) 0,4%, 20% e 3%.

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No manual de condutas em exposição ocupacional consta:

HIV
Vários fatores podem interferir no risco de transmissão do HIV. Estudos realizados estimam, em média, que o risco de transmissão do HIV é de 0,3% (IC 95% = 0.2 – 0.5%) em acidentes percutâneos e de 0,09 % (IC 95% = 0.006 – 0.5%) após exposições em mucosas.

HEPATITE C
O vírus da hepatite C (HCV) só é transmitido de forma eficiente através do sangue. A incidência média de soroconversão, após exposição percutânea com sangue sabidamente infectado pelo HCV é de 1.8% (variando de 0 a 7%). Um estudo demonstrou que os casos de contaminações só ocorreram em acidentes envolvendo agulhas com lúmen.

HEPATITE B
O risco de contaminação pelo vírus da Hepatite B (HBV) está relacionado, principalmente, ao grau de exposição ao sangue no ambiente de trabalho e também à presença ou não do antígeno HBeAg no pacientefonte. Em exposições percutâneas envolvendo sangue sabidamente infectado pelo HBV e com a presença de HBeAg (o que reflete uma alta taxa de replicação viral e, portanto, uma maior quantidade de vírus circulante), o risco de hepatite clínica varia entre 22 a 31% e o da evidência sorológica de infecção de 37 a 62%. Quando o paciente-fonte apresenta somente a presença de HBsAg (HBeAg negativo), o risco de hepatite clínica varia de 1 a 6% e o de soroconversão 23 a 37%.

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Os acidentes de trabalho com sangue e outros fluidos potencialmente contaminados devem ser tratados como casos de emergência médica, uma vez que, para se obter maior eficácia, as intervenções para profilaxia da infecção pelo HIV e hepatite B necessitam ser iniciadas logo após a ocorrência do acidente. É importante ressaltar que as profilaxias pós-exposição não são totalmente eficazes. Assim, a prevenção da exposição ao sangue ou a outros materiais biológicos é a principal e mais eficaz medida para evitar a transmissão do HIV e dos vírus da hepatite B e C. Portanto, ações educativas permanentes e medidas de proteção individual e coletiva são fundamentais.

Referência: Manual de condutas em exposição ocupacional, disponível em bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/04manual_acidentes.pdf , acesso em 05jan2018.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: D

Alternativa que indico após analisar: D

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VUNESP – IAMSP/HSPE 2011 – Questão 53

53. Assinale a alternativa que representa a relação de fatores de risco de infecção hospitalar em UTI pediátrica em ordem decrescente.

(A) Canal arterial patente, intubação orotraqueal e hiperalimentação.

(B) Canal arterial patente, cateter umbilical e baixo peso ao nascer.

(C) Alta FiO2, procedimentos cirúrgicos e intubação orotraqueal.

(D) Hiperalimentação, baixo peso ao nascer e baixa FiO2.

(E) Intubação orotraqueal, baixa FiO2 e cateter nasal.

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Pessoal, ordem decrescente, ou seja, do maior fator de risco pro menor fator de risco entre as 3 opções da alternativa.

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Segundo os dados das investigações registradas na literatura, o parto pré-termo e o baixo peso ao nascer são os determinantes mais importantes da
morbimortalidade infantil nos países desenvolvidos e em desenvolvimento
(LEMONS et al., 2001; MATHEUS et al., 2007; ALMEIDA et al., 2008; ITABASHI
et al., 2009 ; MARIOTONI et al., 2000).

Entre as complicações associadas à prematuridade, destaca-se o canal arterial
(CA) patente, que, se não tratado adequadamente, pode resultar em maior
morbimortalidade, sobretudo entre os recém-nascidos de muito baixo peso ao
nascer (COOKE et al., 2003; MOORE et al., 2008; HUHTA, 1990; NOORI et al.,
2009).

Das duas que oferecem essa condição como principal fator de risco, a alternativa “A” é a mais adequada.

Referência: 2011, CAROLINA ANDRADE BRAGANÇA, Canal arterial patente em recém-nascidos prematuros: perfil de apresentação e eficácia das terapêuticas clínica e cirúrgica. Dissertação Mestrado UFMG.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: A

Alternativa que indico após analisar: A

VUNESP – IAMSP/HSPE 2011 – Questão 52

52. Com relação ao paciente com Hipertensão Intracraniana (HIC), o posicionamento e os parâmetros desejados são:

(A) Posicionamento: decúbito lateral esquerdo com 30° de elevação.
Oximetria de pulso: > 95%.
PaCO2: 33 a 37 mmHg (sem hiperventilação).

(B) Posicionamento: decúbito lateral direito com 30° de elevação.
Oximetria de pulso: > 94%.
PaCO2: 25 a 30 mmHg (com hiperventilação).

(C) Posicionamento: decúbito dorsal com 10° de elevação.
Oximetria de pulso: > 93%.
PaCO2: 25 a 30 mmHg (sem hiperventilação).

(D) Posicionamento: decúbito dorsal com 30° de elevação.
Oximetria de pulso: > 94%.
PaCO2: 33 a 37 mmHg (sem hiperventilação).

(E) Posicionamento: decúbito lateral com 10° de elevação.
Oximetria de pulso: > 97%.
PaCO2: 33 a 37 mmHg (com hiperventilação).

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Umas das grandes preocupações com os pacientes internados em UTI é a elevação da Pressão Intracraniana (PIC) e conseqüentemente, alteração do fluxo sanguíneo cerebral, avaliado através da Pressão de Perfusão Cerebral.

A PIC é usualmente conceituada como a pressão do líquido cefalorraquidiano (LCR). A PIC pode variar de acordo com alterações na pressão arterial sistêmica (PA sistêmica), na respiração, na posição determinada pelo paciente e também pelo aumento do volume de um ou mais componentes cranianos.
Adicionado aos parâmetros clínicos, hemodinâmicos, respiratórios e metabólicos, a monitorização da PIC auxilia e orienta a terapêutica dos pacientes neurológicos.

A PIC deve ser mantida abaixo de 20 mmHg por meio de sedação, hiperventilação leve (pCO2 em torno de 35 mmHg). A PIC interfere com o Fluxo Sanguíneo Cerebral (FSC) por ser um determinante da pressão de perfusão cerebral (PPC=PAM-PIC), sendo os valores normais acima de 70 mmH.

A elevação deve ser em DD e em 30º.
As alternativas de “A” a “C” oferecem uma PaCO2 abaixo de 35mmHg, o que não é recomendado.

REFERÊNCIA
Gonçalves PC, Santos ABS. Avaliação da pressão intracraniana durante a aspiração endotraqueal em pacientes neurológicos submetidos à ventilação mecânica invasiva. São Paulo (SP); 2005. Disponível em: www.sobrati.com.br/trabalho24.htm

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: D

Alternativa que indico após analisar: D

VUNESP – IAMSP/HSPE 2011 – Questão 51

51. As encefalopatias metabólicas são a causa mais comum de complicações neurológicas na UTI. Baseado nessa afirmação, assinale a causa mais comum de encefalopatia metabólica nas UTIs.

(A) Encefalopatia hipóxico-isquêmica.

(B) Encefalopatia hepática.

(C) Síndrome séptica.

(D) Hipoglicemia.

(E) Distúrbios da osmolaridade.

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A síndrome séptica, também conhecida como sepse, é a resposta aqui.

Sepse, choque séptico e disfunção de múltiplos órgãos são as maiores causas de morte nas UTIs, apesar dos avanços tecnológicos.

O termo sepse significa decomposição da matéria orgânica por um agente agressor (bactérias, fungos, parasitas, vírus). Os termos infecção e sepse são geralmente utilizados de forma independente; entretanto, a terminologia acaba simplificando uma relação complexa. O termo infecção está relacionado à presença de agente agressor em uma localização (tecido, cavidade ou fluido corporal) normalmente estéril, e o termo sepse está relacionado à consequente manifestação do hospedeiro; isto é, a reação inflamatória desencadeada frente à uma infecção grave.

Referência: 2004, RBTI, Consenso Brasileiro de Sepse.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: C

Alternativa que indico após analisar: C

VUNESP – IAMSP/HSPE 2011 – Questão 49

49. A relação de hipoxemia para definição de SARA é:

(A) PaO2/FiO2 < 300.

(B) PaO2/FiO2 < 250.

(C) PaO2/FiO2 < 200.

(D) PaO2/FiO2 < 150.

(E) PaO2/FiO2 < 100.

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Critérios diagnósticos de lesão pulmonar aguda (LPA) 

1. Início agudo.

2. PaO2/FIO2 entre 200 e 300 mmHg (apesar do uso de pressão positiva na fase final da expiração-PEEP).

3. Radiografia de tórax, mostrando infiltrados alvéolointersticiais, micro e/ ou macronodulares, bilaterais e assimétricos.

4. Pressão capilar pulmonar < 18 mmHg ou ausência de evidências clínicas de hipertensão atrial esquerda

Critérios diagnósticos da síndrome da angústia respiratória aguda (SARA).

1. Mesmos critérios descritos para LPA

2. PaO2/FIO2 < 200 mmHg (apesar do uso de PEEP).

Referência:1998, Antoniazzi, P; Junior G.A.P; Marson, F; Abeid, M; Baldisserotto, S; Basile-Filho, A. SINDROME DA ANGUSTIA RESPIRATORIA AGUDA (SARA), disponível em http://revista.fmrp.usp.br/1998/vol31n4/sindrome_angustia_respiratoria_aguda.pdf .

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: C

Alternativa que indico após analisar: C

VUNESP – IAMSP/HSPE 2011 – Questão 46

46. Após uma cirurgia torácica, exercícios respiratórios reexpansivos são extremamente importantes para reabilitação do paciente. Qual o papel fundamental da equipe multidisciplinar para auxiliar a fisioterapia respiratória?

(A) A analgesia antes e depois da fisioterapia.

(B) Analgesia antes da fisioterapia.

(C) Analgesia após a fisioterapia.

(D) Auxiliar no manejo do paciente.

(E) Manter os parâmetros respiratórios.

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Essa questão… parece que todas podem estar corretas… dá até raiva.

No entanto, a VUNESP elege a alternativa “A” como correta. Atualmente existem, por exemplo, cirurgias torácicas minimamente invasivas. No entanto, a dor é lugar comum em cirurgias nessa região tão delicada.

Eu iria na alternativa “A” também, já que “D” e “E”, manejar o paciente e manter os parâmetros respiratórios, são nossa atribuição.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: A

Alternativa que indico após analisar: A

VUNESP – IAMSP/HSPE 2011 – Questão 45

45. Durante a fisioterapia motora de um paciente pediátrico, quais são os parâmetros de saturação de O2 que devem ser levados em conta antes do uso de suplemento de oxigênio?

(A) SaO2 acima de 98%.

(B) SaO2 acima de 96%.

(C) SaO2 acima de 94%.

(D) SaO2 acima de 92%.

(E) SaO2 acima de 90%.

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Vamos rever algumas definições relevantes pra essa questão.

Saturação de oxigênio, ou mais precisamente saturação de oxiemoglobina arterial, definida pela abreviação “Sa o2”, é a quantidade de oxigênio TRANSPORTADO pela hemoglobina. Seus valores de normalidade são igual ou superior a 97%.

Pressão arterial de 02, definida pela abreviação “Pa02”, é a quantidade de oxigênio EXISTENTE ou DISSOLVIDA no plasma sanguíneo. Seu valores de normalidade estão entre 90 e 100 mmHg.

Alguns autores consideram valores acima de 95% como normal para complicar um pouco.

Mas o caso é que essa questão é uma espécie de pegadinha. Não querem saber valores de normalidade aqui. Querem que você mostre em qual momento usaria suplementação de 02. Não há nenhuma patologia de base ali que justifique suplementar 02 com 96%, por exemplo. Acima de 90%, podemos considerar que é necessário o uso da suplementação de 02 para normalizar a saturação.

Se discordam, dissertem, comentem, citem referências e enriqueçam esse blog. Eu já passei em concursos e não estou mais nessa pegada de estudar pra prestar provas. Estudo para atender e trabalhar. O interesse maior é de vocês.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: E

Alternativa que indico após analisar: E