VUNESP – Prefeitura de São José do Rio Preto/SP 2011 – Questão 33

33. É correto afirmar que a fáscia superficial sobre

(A) as nádegas e parede abdominal é fina e ligada ao tecido adiposo.

(B) a pele do dorso da mão, cotovelo e região fascial tem espessura intermediária.

(C) as nádegas e parede abdominal é espessa e ligada ao tecido adiposo.

(D) a pele do dorso da mão, cotovelo e região fascial é espessa.

(E) as nádegas e parede abdominal tem espessura intermediária e é ligada ao tecido adiposo.

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Temos aqui uma questão de anatomia. Vamos rever:

Dos componentes anatômicos do tecido conjuntivo no músculo temos a fáscia Superficial que separa os músculos da pele a Fáscia Muscular, que é uma lâmina ou faixa larga de tecido conjuntivo fibroso, que, abaixo da pele, e circunda os músculos e outros órgãos do corpo.
Epimísio é a camada mais externa de tecido conjuntivo, circunda todo o músculo. Perimísio circunda grupos de 10 a 100 ou mais fibras musculares individuais, separando-as em feixes chamados fascículos. Os fascículos podem ser vistos a olho nu. Endomísio é um fino revestimento de tecido conjuntivo que penetra no interior de cada fascículo e separa as fibras musculares individuais de seus vizinhos.

FÁSCIA

A fáscia é um tipo de tecido conjuntivo fibroso que se espalha por todo o corpo de forma contínua, envolvendo estruturas e formando uma bainha sob a pele.
A fáscia mantém e conecta entre si todas as estruturas do corpo humano, formando uma teia tridimensional que se distribui desde a cabeça até aos pés sem interrupção, envolvendo todo e qualquer tecido do corpo desde grupos musculares, ossos e órgãos. É, por este motivo, também conhecida como tecido conectivo.

É constituída essencialmente por fibras de colagéneo (fibras tipo I, III, IV, V, VI) que lhe conferem resistência, por elastina que lhe confere elasticidade e por uma percentagem de água que lhe confere a viscosidade necessária para deslizar sobre outras camadas de fáscia.
Alguns tipos de fáscia têm nomes específicos, por exemplo ao tecido conjuntivo que reveste os ossos designamos de periósteo e o que reveste um músculo designamos epimísio.
No caso específico dos músculos, a função do tecido conjuntivo é manter juntas as células musculares, conectar os músculos aos tendões e permitir o movimento independente de cada músculo (possível através da viscosidade fascial, que permite os deslizamentos). Os componentes fasciais do músculo são contínuos uns aos outros. Nas extremidades musculares, estes componentes continuam-se com o restante tecido conjuntivo. A fáscia é, por isso mesmo, uma indispensável no desempenho fisiológico de cada ser humano.

As principais funções da fáscia são:
– Serve de bainha elástica de contenção para exercer tração durante a contração,
– Permite fácil deslizamento muscular entre si,
– Separa grupos em compartimentos musculares,
– Serve de meio de suporte para nervos e vasos sanguíneos e linfáticos,
– Permite a movimentação dos tecidos subjacentes uns sobre os outros, fornecendo estabilidade e contorno à estrutura corporal.
– É responsável pelo fluído lubrificante existente entre as estruturas, o que facilita o movimento e a nutrição dos tecidos.

Tipos de fáscias
Mesmo sendo um tecido contínuo conta com diversas camadas, e cada uma delas recebe nomes específicos. São classificados nos três seguintes grupos:

Fáscia superficial: trata-se da camada mais externa, ela comunica-se diretamente com a pele. É essa malha que permite que a pele se movimente em várias direções sobre as estruturas mais profundas. É na fáscia superficial onde se acumulam fluidos e metabólitos, que podem causar alterações de textura notáveis à palpação. Esta contém tecido adiposo, vasos sanguíneos e linfáticos e tecidos nervosos, dos quais se destacam os receptores da pele.

Fáscia profunda: essa é a camada que envolve e separa os músculos e os órgãos viscerais internos e é uma das estruturas responsáveis para a função e contorno corporal. É  a camada que compartimenta o corpo. A sua malha é firme e compacta, com alguma rigidez.

Fáscia sub-serosa: essa fáscia reveste os órgãos viscerais internos. É constituída por tecido conjuntivo de malha laxa de fibras entrelaçadas e possui numerosos canais circulatórios que lubrificam as superfícies das vísceras internas.

Referências
– Dicionário Médico Enciclopédico Taber; Ed. Manole, 2000.
– Seeley, Stephens, Tate; Anatomia & Fisiologia, Ed. Lusodidacta, 2001.
– Greenman, Philip E.; Princípios da Medicina Manual, Ed. Manole, 2001.
– BIENFAIT, Marcel. Bases da Fisiologia da Terapia Manual.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: C

Alternativa que indico após analisar: C

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VUNESP – IAMSP/HSPE – Questão 37

37. A dor de cabeça referida na disfunção da ATM pode estar relacionada com o espasmo dos seguintes músculos:

(A) masseter, temporal, pterigoideo interno e externo.

(B) masseter, temporal e esternocleidomastídeo.

(C) masseter, pterigoideo e esternocleidomastídeo.

(D) zigomático, temporal, pterigoideo interno e externo.

(E) zigomático, escaleno, pterigoideo interno e externo.

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Oierr, voltei hehe.

A cefaleia referida por disfunções da ATM tem relação com os músculos da mastigação. Óbvio ululante.

Os músculos responsáveis pela mastigação são os seguintes:

1. TEMPORAL

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Origem: Face externa do temporal

Inserção: Processo coronoide da mandíbula e face anterior do ramo da mandíbula

Inervação: Nervo temporal (Ramo mandibular do nervo Trigêmeo – V Par Craniano)

Ação: Elevação (oclusão) e Retração da Mandíbula

2. MASSETER

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Origem: Arco zigomático

Inserção Fascículo Superficial: Ângulo e ramo da mandíbula

Inserção Fascículo Profundo: Ramo e processo coronoide da mandíbula

Inervação: Nervo massetérico (Ramo mandibular do nervo Trigêmeo – V Par Craniano)

Ação: Elevação (oclusão) da Mandíbula

3. PTERIGOIDEO MEDIAL

Origem: Face medial da lâmina lateral do processo pterigoideo do osso esfenoide

Inserção: Face medial do ângulo e ramo da mandíbula

Inervação: Nervo do pterigoideo medial (Ramo mandibular do nervo Trigêmeo – V par craniano)

Ação: Elevação (oclusão) da Mandíbula

4. PTERIGOIDEO LATERAL

Origem Cabeça Superior: Asa maior do esfenoide

Origem Cabeça Inferior: Face lateral da lâmina lateral do processo pterigoide do osso esfenoide

Inserção Cabeça Superior: Face anterior do disco articular

Inserção Cabeça Inferior: Côndilo da mandíbula

Inervação: Nervo do pterigoideo lateral (Ramo mandibular do nervo Trigêmeo – V par craniano)

Ação: Abertura da Boca e Protrusão da Mandíbula. Move a mandíbula de um lado para o outro

Esse arquivo em PDF da UNICAMP está bem completo:

http://w2.fop.unicamp.br/dos/odonto_legal/downloads/pos_especial/especializacao/mod3_musculos_mastigacao.pdf

Esse da UFMG também está ótimo:

http://depto.icb.ufmg.br/dmor/mof011/mastigacao.pdf

E esse vídeo termina de resolver qualquer dúvida sobre o assunto:

 

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: A

Alternativa que indico após analisar: A

FCC – TRE 13 2007 – Questão 24

24. Estão corretamente correlacionados os pares cranianos as suas funções:

(A) III – movimento dos músculos faríngeos e laríngeos, V – tato da face e músculos da mastigação, VII – movimentos da expressão facial.

(B) III – movimento ocular e palpebral, V – movimento ocular, VII – sensibilidade e movimentos da face.

(C) III – movimento ocular e palpebral, V – sentidos da audição e equilíbrio, VII – movimentos da língua.

(D) III – movimento ocular e palpebral, V – tato da face e músculos da mastigação, VII – movimentos da expressão facial.

(E) III – movimento dos músculos faríngeos e laríngeos, V − sentidos da audição e equilíbrio, VII – sensibilidade da face.

prisaodamente

Por dra Isabela Oliveira Guedes Ribeiro

Nervos cranianos são os que fazem conexão com o encéfalo. São 12 pares de nervos cranianos, numerados em sequência crânio-caudal:

I- Olfatório: conduzem impulsos olfatórios das fossas nasais ao bulbo olfatório; é exclusivamente sensitivo.

II- Óptico: conduzem impulsos visuais da retina ao corpo geniculado lateral; é exclusivamente sensitivo.

III- Oculomotor: é um nervo motor dos olhos; controla a maioria dos movimentos oculares extrínsecos, pois inerva quase todos os músculos extrínsecos do bulbo ocular, que são os seguintes: elevador da pálpebra superior, reto superior, reto inferior, reto medial e oblíquo inferior.

IV- Troclear: inerva o músculo oblíquo superior do olho (um dos músculos extrínsecos do bulbo ocular); é motor.

V- Trigêmeo: é um nervo misto (sensitivo e motor). A raiz sensitiva é dividida em 3 ramos: oftálmico, maxilar e mandibular, os quais são responsáveis pela sensibilidade geral de grande parte da cabeça. As fibras da raiz motora inervam os músculos mastigadores (temporal, masséter, pterigoideo lateral, pterigoideo medial, milo-hiódeo e o ventre anterior do músculo digástrico), sendo responsáveis pelo controle da mastigação.

VI- Abducente: inerva o músculo reto lateral do olho (um dos músculos extrínsecos do bulbo ocular); é motor.

VII- Facial: é misto: controla os músculos da expressão facial, as glândulas lacrimal, sublingual e submandibular, e recebe a sensação gustativa dos dois terços anteriores da língua. Este é o nervo acometido na paralisia de Bell ou paralisia facial periférica.

VIII- Vestibulococlear: é exclusivamente sensitivo. É constituído de duas porções: a porção coclear relacionada com a audição, e a porção vestibular relacionada com o equilíbrio.

IX- Glossofaríngeo: é misto: as fibras sensitivas são responsáveis por receber percepções gustativas no 1/3 posterior da língua e sensoriais da faringe, da úvula, tonsila, tuba auditiva, além do seio e corpo carotídeos; as fibras motoras inervam indiretamente a glândula parótida.

X- Vago: também chamado de nervo pneumogástrico, é o maior dos nervos cranianos. É misto: responsável pela inervação parassimpática de grande parte das vísceras torácicas e abdominais, e pela invervação de músculos da laringe e faringe; conduz impulsos sensitivos originados na faringe, laringe, traqueia, esôfago, vísceras do tórax e abdome.

XI- Acessório: é motor: inerva os músculos trapézio e esternocleidomastóideo (ECOM), além de músculos da laringe e vísceras torácicas em conjunto com fibras do nervo vago.

XII- Hipoglosso: é motor, responsável pela motricidade da língua, pois inerva os músculos intrínsecos e extrínsecos da língua.

Diante de toda essa explicação, fazer a questão fica fácil, está correta a alternativa “D”. Só não é fácil memorizar cada nervo e sua função, mas é preciso ler várias vezes e tentar entender cada trajeto do nervo, isso ajuda a memorizá-los.

A imagem abaixo resume os pares de nervos cranianos:

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Referência: Machado, Angelo. Neuroanatomia Funcional. 2.ª edição. São Paulo: Editora Atheneu. 2000.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: D.

Alternativa que indico após analisar: D.

FCC – TRE 13 2007 – Questão 22

FCC – TRT 13 2007 – Questão 22

22. O endomísio envolve

(A) o dendrito.

(B) o feixe de fibras musculares.

(C) o conjunto das fibras musculares.

(D) o axônio.

(E) a fibra muscular.

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Por dra Isabela Oliveira Guedes Ribeiro

Ao ler a questão, podemos eliminar de imediato as alternativas “A” e “D”, pois dendrito e axônio são componentes do sistema nervoso, e no termo “endomísio”, a parte “misio” é referente a “músculo”.

Restaram as alternativas B, C e E.

As fibras musculares esqueléticas quase sempre formam feixes ou fascículos que se reúnem a outros feixes, formando os músculos esqueléticos.

As fibras, os feixes e o músculo são envolvidos por tecidos conjuntivos de diferentes tipos.

Endomísio: tecido conjuntivo frouxo que envolve cada fibra muscular. Nele se encontram vasos sanguíneos, vasos linfáticos e nervos destinados a estas fibras. (Portanto, alternativa E está correta!)

Perimísio: tecido conjuntivo denso não-modelado que envolve um grupo de fibras musculares esqueléticas formando os fascículos ou feixes.

Epimísio: tecido conjuntivo denso modelado que envolve todos os fascículos formando o músculo.

O tecido conjuntivo mantém as fibras musculares unidas, permitindo que a força de contração gerada por cada fibra individualmente atue sobre o músculo inteiro. Além disso, é através do tecido conjuntivo que a força de contração do músculo é transmitida a outras estruturas como tendões e ossos.

Referência: JUNQUEIRA, L.C.U. & CARNEIRO, J. Histologia Básica. 11ª Ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2008.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: E.

Alternativa que indico após analisar: E.