FCC – TRE 13 2007 – Questão 23

23. A articulação radio–ulnar proximal é classificada morfologicamente em

(A) condilar.

(B) trocóide.

(C) esferóide.

(D) plana.

(E) gínglimo.

23b

Por dra Isabela Oliveira Guedes Ribeiro

Primeiramente, vamos relembrar as classificações. Isso vai ajudar em qualquer questão sobre os tipos de articulações.

As articulações podem ser classificadas funcionalmente, de acordo com sua mobilidade, em:

– Sinartroses: imóveis. (são as articulações fibrosas).

– Anfiartroses: possuem pouco movimento. (são as articulações cartilaginosas)

– Diartroses: móveis. (são as articulações sinoviais).

23

As articulações também podem ser classificadas de acordo com o tipo de tecido que se interpõe entre as peças em:

– Fibrosas: contém tecido conjuntivo fibroso. Possuem mobilidade muito reduzida, sendo praticamente imóveis. São subdivididas em:

Sindesmoses: possuem grande quantidade de tecido conjuntivo, podendo formar ligamento ou membrana interósseos.

Suturas: possuem menor quantidade de tecido conjuntivo quando comparada às sindesmoses e são encontradas principalmente nos ossos do crânio.

– Cartilaginosas: possuem cartilagem entre as peças. Apresentam pouca mobilidade. São subdividas em:

Sincondrose: possuem cartilagem hialina.

Sínfise: possuem fina camada de cartilagem hialina e se articulam pela interposição de fibrocartilagem espessa. (Ex.: articulação entre os corpos das vértebras: há interposição do disco intervertebral).

– Sinoviais: caracterizam-se pela presença de três elementos: a cápsula articular, a cavidade articular e o líquido sinovial. O principal meio de união entre as peças articulares é a cápsula articular, a qual se prende aos ossos da articulação, formando uma cavidade articular, onde é encontrado o líquido sinovial, o que possibilita mais movimento na articulação.

Há duas classificações das articulações sinoviais:

Funcionalmente, de acordo com seus eixos de movimento, serão classificadas em:

Monoaxial: realiza movimentos apenas em torno de um eixo.

Biaxial: realiza movimentos em torno de dois eixos.

Triaxial: realiza movimentos em torno de três eixos.

Morfologicamente, de acordo com a forma das superfícies articulares, serão classificadas em:

Planas: as superfícies são planas ou ligeiramente curvas. Permitem discreto deslizamento. Ex.: articulação entre os ossos curtos do carpo.

Gínglimo (“dobradiça”): realizam flexão e extensão. São, portanto, monoaxiais. Ex.: articulação do cotovelo (entre a ulna e o úmero).

Trocóide: as superfícies são cilíndricas e permitem apenas movimentos de rotação. Ex.: articulação rádio-ulnar proximal (faz pronação e supinação).

Elipsóide (ou condilar): uma das superfícies é côncava e a outra, convexa, e o contorno da articulação assemelha-se a uma elipse. Permitem flexão e extensão, abdução e adução (são biaxiais). Ex.: articulação radiocarpal, temporomandibular.

Selar: uma das superfícies tem formato de sela, com um lado côncavo e outro convexo, e se encaixa em outra superfície com convexidade e concavidade em sentido contrário. Ex.: articulação carpomatecarpal do polegar (entre o osso trapézio do carpo e o 1º metacarpo).

Esferóide: as superfícies são segmentos de esfera e se encaixam em receptáculos ocos. Permitem movimentos em todos os eixos. Ex.: articulação do ombro (entre úmero e escápula), articulação do quadril (entre cabeça do fêmur e acetábulo).

Agora, voltando à questão, podemos classificar a articulação radio-ulnar proximal como uma diartrose, sinovial, monoaxial e, morfologicamente, como trocóide. Portanto, alternativa B está correta!

Referência: DANGELO, J. G.; FATTINI, C. A. Anatomia humana sistêmica e segmentar. 3. ed. Rio de Janeiro: Atheneu. 2007.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: B.

Alternativa que indico após analisar: B.

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FCC – TRE 13 2007 – Questão 21

21. Os canais de Harvers dos ossos comunicam-se entre si, com a cavidade medular e com a superfície óssea através de

(A) Canais de Hering.

(B) Ductos Coletores.

(C) Canais de Volkemann.

(D) Cristas Espirais.

(E) Canais de Schelmam.

tecido-sseo-8-638

Por dra Isabela Oliveira Guedes Ribeiro

A vascularização e inervação do osso compacto é feita através do Sistema de Harvers. Este sistema é formado por lamelas ósseas concêntricas dispostas ao redor de um canal central, o canal de Harvers, onde que se encontram os vasos sanguíneos que nutrem as células ósseas. Os vasos sanguíneos dos canais de Harvers comunicam com as superfícies ósseas através de canais transversais e oblíquos denominados de canais de Volkmann (alternativa C).

Ductos coletores são partes constituintes do sistema renal, cuja função é coletar urina dos néfrons.

Cristas espirais são estruturas da porção de ejeção do coração. Fazem parte do processo de desenvolvimento cardíaco no estágio embrionário.


Canal de Schlemm é um canal circular do olho. Foi descrito pelo anatomista alemão Friedrich Schlemm, de onde provém o nome do canal.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: C

Alternativa que indico após analisar: C

FCC – SESA/BA 2005 – Questão 33

33. Um paciente vítima de um acidente vascular encefálico decorrente de uma obstrução da artéria cerebral média esquerda pode apresentar hemiplegia

(A) ipsilateral e perturbações visuais espaciais.

(B) contralateral e alterações da linguagem.

(C) ipsilateral sem perturbações visuais espaciais.

(D) contralateral sem perturbações da linguagem.

(E) bilateral e alterações da linguagem.

futuro

Lembrando da decussação das pirâmides, só podemos escolher “B” ou “D”. A pergunta de ouro é: com ou sem alteração da linguagem?

Bom, a artéria cerebral média é responsável pela nutrição sanguínea da área de Wernick, portanto, uma deficiência de aporte sanguíneo nessa região é evidentemente potencialmente lesiva à área da linguagem.

Hoje o blog chegou em 1000 seguidores, sem divulgação nem p*** nenhuma. Curiosamente, a milésima seguidora curtiu a página no facebook hoje mas não solicitou cadastro, portanto não consegue visualizar as postagens. Deve ser esse tigre branco gatão, sei lá, haha. Não entendo o pessoal que curte mas não se cadastra, deve ser complicado entender que o cadastro é gratuito e não tenho segundas intenções, sei lá.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: B

Alternativa que indico após analisar: B

FCC – SESA/BA 2005 – Questão 32

32. O paciente com lesão medular C7 apresenta controle muscular sobre

(A) bíceps braquial, deltóide e manguito rotador.

(B) todos os músculos dos membros superiores, exceto os lumbricais e interósseos.

(C) tríceps braquial, grande dorsal, flexor dos dedos e flexor radial do carpo.

(D) todos os músculos dos membros superiores.

(E) extensores do punho e deltóide.

anatomia da coluna dorsal

Você já errou questões e depois viu que tinha interpretado errado? Pois é, eu também já. Mas não estamos sozinhos. Nessa questão, aconteceu uma coisa bizarra: o elaborador não entendeu a própria questão!

Se a lesão é em C7, o paciente terá déficit motor (e sensitivo) a partir desse nível. Até aqui todos concordamos. Mas a segunda parte do questionamento, que é sobre qual grupo muscular o paciente terá controle, invalida completamente a resposta escolhida pela banca, que é a alternativa “C”.

Provavelmente o elaborador tinha em mente descrever quais grupos musculares dos membros superiores seriam afetados numa lesão em C7, por isso respondeu a alternativa “C” que, no entanto, é o oposto do que se pergunta no enunciado.

A única alternativa que responde exatamente o que se pergunta no enunciado é a alternativa “A”. Para quem ainda não entendeu, vou colocar a questão e a resposta juntos, e vejam se não tenho razão:

“O paciente com lesão medular C7 apresenta controle muscular sobre bíceps braquial, deltóide e manguito rotador”.

Já me disseram uma vez que adoro estar com a razão. Pura verdade! 😛

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: C

Alternativa que indico após analisar: A

FCC – Prefeitura de Santos 2005 – Questão 54

54. Um dos tipos de lesão medular incompleta é a síndrome de Brown-Séquard caracterizada por lesão hemimedular sagital, com paralisia

(A) contralateral e interrupção da coluna anterior, com dor, e perda de sensibilidade térmica contralateral.

(B) ipsilateral e interrupção da coluna anterior, com dor, e perda da sensibilidade térmica contralateral.

(C) ipsilateral e interrupção da coluna posterior, com dor, e perda da sensibilidade térmica ipsilateral.

(D) ipsilateral e interrupção da coluna posterior, sem dor,e perda da sensibilidade térmica ipsilateral.

(E) ipsilateral e interrupção da coluna posterior, com dor, e perda da sensibilidade térmica contralateral.

brownsequard

Tenho algum cuidado ao selecionar os locais de onde copio alguns textos(vocês não acham que tiro todos os textos da minha cachola, né!?) Esse aqui tirei do wikipedia, que apesar da má-fama, tem coisa boa também. Dei uma editada, mas está 99% como está lá. Para quem tiver dificuldade com os termos, é só ir clicando nos links para os termos lá no wiki mesmo.

A síndrome foi descrita pela primeira vez em 1850 pelo neurologista britânico/mauriciano Charles-Édouard Brown-Séquard (1817-1896), que estudou a anatomia e fisiologia da medula espinhal. Brown-Séquard foi uma figura bastante controversa e excêntrica, e também é conhecido por um relato pessoal próprio de “proezas sexuais rejuvenescidas após a ingestão de extratos de testículos de macacos”. Acredita-se atualmente que a resposta tenha sido devido a um efeito placebo.

É interessante notar que muitas nações reivindicam a nacionalidade de Brown-Séquard, ele foi filho de um capitão maritmo americano e de uma mulher francesa. Ele nasceu nas ilhas Maurício. Ele estudou nos Estados Unidos e na França e trabalhou diversos anos no Reino Unido, Estados Unidos e França. Ele descreveu essa lesão após observar o acontecimento de trauma na medula espinhal em fazendeiros enquanto cortavam cana de açúcar nas ilhas Maurício.

A síndrome de Brown-Séquard é um conjunto de sintomas que surgem a partir de uma hemissecção (secção do lado direito ou esquerdo) da medula espinhal (hemissecção medular).
Já que a medula espinhal é composta tanto por neurônios motores descendentes quanto por neurônios sensitivos ascendentes, que parcialmente cruzam para o outro lado da medula, uma simples lesão medular hemilateral resulta em um quadro clínico com ambos os lados do corpo afetado:

No lado lesado há perda da função motora, da propriocepção (percepção da posição dos membros e articulações) e dasensibilidade epicrítica (percepção de vibração e toque fino).

No lado oposto há perda da sensibilidade protopática (percepção grosseira de dor, temperatura e pressão).

A síndrome ocorre na maioria das vezes com uma ruptura ou lesão da medula espinhal, ocorrendo também, com menor frequência, com tumores no canal vertebral.

Uma síndrome de Brown-Séquard isolada é muito rara. Frequentemente ocorrem outras formas de lesões simultâneas, que, ao invés da hemiparesia esperada, apresentam-se como uma paraparesia.

O diagnóstico da síndrome de Brown-Sequard é clínico, baseado apenas na história médica e exame físico do paciente. O paciente se apresenta inicialmente com sintomas aparentemente difusos:

No lado lesado há perda da função motora, da propriocepção (percepção da posição dos membros e articulações) e da sensibilidade epicrítica (percepção de vibração e toque fino). No lado oposto há perda da sensibilidade protopática (percepção grosseira de dor, temperatura e pressão).

A metade corporal do lado da lesão está paralisada e sem percepção de vibração e toque fino do ponto da lesão para baixo.

O lado corporal oposto à lesão não sente dor, mudanças de temperatura e pressão.

Tratos ascendentes
Os tratos ascendentes realizam as funções de sensibilidade protopática, sensibilidade epicrítica e sensibilidade proprioceptiva.

Nervos aferentes para a sensibilidade protopática (percepção grosseira de pressão, temperatura e dor) penetram na medula espinhal através das raízes nervosas dorsais e cruzam, ainda no mesmo seguimento, para o outro lado (contralateral). A partir de então eles formam o trato espinotalâmico (composto pelo trato espinotalâmico lateral (5a) e pelo trato espinotalâmico anterior (5b)), que vai até o tálamo e depois liga-se com o córtex somatosensorial do cérebro.

Nervos aferentes para a sensibilidade epicrítica (percepção fina de toque e vibração) e para a sensibilidade proprioceptivaconsciente (percepção da posição dos membros e articulações) sobem posteriormente pelo sistema coluna dorsal-lemnisco medialno funículo posterior (composto pelo fascículo grácil (3a) e fascículo cuneiforme (3b)) no mesmo lado (ipsilateral) da medula espinhal até o cérebro, cruzando para o outro lado somente no bulbo raquidiano.

Nervos aferentes para a sensibilidade proprioceptiva inconsciente fazem parte do trato espinocerebelar (composto pelo trato espinocerebelar anterior e trato espinocerebelar posterior). Ambos os tratos anterior e posterior, por fim, transmitem a informação para o cerebelo ipsilateralmente. O trato espinocerebelar anterior realiza um cruzamento duplo, enquanto o trato espinocerebelar posterior não cruza.

Tratos descendentes
Os tratos nervosos descendentes realizam as funções de motricidade (movimento fino e grosseiro) e do sistema nervoso autônomo.

Entre 70 e 90% das fibras nervosas das vias piramidais (responsáveis pela motricidade fina) se cruzam antes da medula espinhal no bulbo raquidiano e descem pelo funículo lateral como trato corticoespinhal lateral (1a). As fibras nervosas restantes descem ipsilateralmente pelo funículo anterior como trato corticoespinhal anterior (1b) e não se cruzam ou se cruzam somente na porção terminal.

Também descem ipsilateralmente as vias extrapiramidais (2a-d), responsáveis pelo movimento grosseiro, e as vias do sistema nervoso autônomo.

Consequências de uma hemilesão
Uma hemissecção da medula espinhal causa danos em muitos tratos nervosos, tanto em tratos que a cruzam quanto em tratos que não a cruzam, tendo como consequência a ocorrência de déficits neurológicos em ambos os lados.

A síndrome de Brown-Séquard é caracterizada então por uma lesão em cada um dos três sistemas neurais principais: no trato corticoespinhal, no fascículo grácil efascículo cuneiforme do sistema coluna dorsal-lemnisco medial, no trato espinotalâmico e no trato espinocerebelar. Os feixes dosistema nervoso autônomo também podem ser lesados.

Sintomas contralaterais
Os sintomas contralaterais são causados por lesões nos tratos que cruzam a medula espinhal. Os tratos que cruzam a medula espinhal são o trato espinotalâmico e o trato espinocerebelar anterior. Como o trato espinocerebelar anterior realiza um cruzamento duplo, primeiro na medula espinhal e depois na ponte, os sintomas contralaterais são consequência exclusiva da lesão do trato espinotalâmico.

A lesão do trato espinotalâmico causa a perda da sensibilidade protopática do lado oposto do corpo: as sensações grosseiras de dor, temperatura e pressão são prejudicadas.

Sintomas ipsilaterais
Os sintomas ipsilaterais são causados por lesões nos tratos que não cruzam a medula espinhal (funículo posterior, trato espinocerebelar posterior, trato corticoespinhal e feixes simpáticos) ou que realizam um cruzamento duplo (como o trato espinocerebelar anterior, que cruza na medula espinhal e depois cruza novamente no mesencéfalo).

A partir do ponto da lesão para baixo, há um dano massivo ipsilateral na propriocepção (sensibilidade profunda) e na sensibilidade epicrítica (sensibilidade de vibração e toque fino).

Além disso há a presença de uma pequena zona anestésica ipsilateral à lesão e um pouco acima dela, que é causada pela destruição da região de entrada das raízes nervosas  posteriores na altura da lesão. No lado afetado pode ocorrer umahiperestesia, na qual um leve toque pode ser sentido como doloroso (hiperalgesia).
Devido à lesão dos tratos motores (tratos piramidais e tratos extrapiramidais) ocorre inferiormente e ipsilateralmente ao local da lesão uma paralisia espástica. No segmento afetado a paresia é, no entanto, flácida, já que nesta região os próprios neurônios motores inferiores e as raízes nervosas do mesmo segmento estão envolvidos na lesão.

Além disso ocorre, devido a uma lesão dos feixes simpáticos, que descem através do funículo lateral, uma dilatação dos vasos sanguíneos. Inicialmente a pele se torna vermelha e aquecida, depois ela se esfria e sofre cianose (fica azulada).4 A lesão dos feixeis simpáticos também faz com que a produção de suor na área seja diminuída ou extinta (anidrose). Como os tratos do sistema nervoso autônomo (sistema nervoso simpático e parassimpático) descem em ambos os lados, normalmente uma síndrome de Brown-Séquard isolada não causa danos à bexiga urinária, reto ou potência sexual.

Uma lesão ao nível da junção cervicotorácica (C7/T1) ocasiona adicionalmente uma síndrome de Horner ipsilateral.

Resumindo:

Sintomas contralaterais
Trato espinotalâmico(ascendente): Perda da sensibilidade protopática (dor, temperatura e pressão grosseira) começando um a dois segmentos abaixo do nível da lesão.

Sintomas ipsilaterais
Fascículos grácil e cuneiforme dosistema coluna dorsal-lemnisco medial (ascendentes): Perda da sensibilidade epicrítica (vibração e toque fino) e perda da propriocepção.

Trato espinocerebelar(ascendente): Perda da sensibilidade epicrítica (vibração e toque fino) e perda da propriocepção.

Trato corticoespinhal(descendente): Paralisia espástica com aparecimento do sinal de Babinski. 

Feixe simpático(descendente): Perda do componente simpático (vasodilatação inicial que evolui para hiperemia e cianose da pele; anidrose).

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: E

Alternativa que indico após analisar: E

FCC – Prefeitura de Santos 2005 – Questão 53

53. Um paciente vítima de um acidente vascular encefálico decorrente de uma obstrução da artéria cerebral média direita pode apresentar hemiplegia

(A) ipsilateral e perturbações visuais espaciais.

(B))contralateral e perturbações visuais espaciais.

(C) ipsilateral sem perturbações visuais espaciais.

(D) contralateral sem perturbações visuais espaciais.

(E) bilateral sem perturbações visuais.

cabeça1

Partindo do princípio que temos a decussação das pirâmides, eliminamos “A”, “C” e “E”.

Entre as duas que nos restam a dúvida é quanto às perturbações visuais espaciais.

ACIDENTE VASCULAR ENCEFÁLICO
O ataque vascular encefálico pode ser definido como um déficit neurológico focal súbito devido a uma lesão vascular. Este termo evoluiu nas últimas décadas para incluir lesões causadas por distúrbios hemodinâmicos e da coagulação, mesmo que não se tenha alterações detectáveis nas artérias ou veias (André, 1999).

Aproximadamente 80% dos acidentes vasculares encefálicos são causados por um baixo fluxo sanguíneo cerebral (isquemia) e outros 20% por hemorragias tanto intraparenquimatosas como subaracnóideas (Neto 2002).

O acidente vascular isquêmico consiste na oclusão de um vaso sanguíneo que interrompe o fluxo de sangue a uma região específica do cérebro, interferindo com as funções neurológicas dependentes daquela região afetada, produzindo uma sintomatologia ou déficits característicos (Aspesi e Gobatto,2001).

No acidente vascular hemorrágico existe hemorragia (sangramento) local, com outros fatores complicadores tais como aumento da pressão intracraniana, edema (inchaço) cerebral, entre outros, levando a sinais nem sempre focais (Aspesi e Gobatto,2001).

O grande problema desta patologia não se encontra apenas no elevado índice de mortalidade, mas, sim, na incapacitação que impõe ao indivíduo, como por exemplo, não se alimentar ou locomover sozinho além do problema social (Neto 2002).

Os índices são maiores entre negros provavelmente por maior tendência genética de desenvolver hipertensão arterial sistêmica (André, 1999).

FATORES DE RISCO
1. hipertensão arterial sistêmica (HAS);
2. diabetes;
3. dislipidemia e obesidade;
4. tabagismo;
5. álcool;
6. anticoncepcional oral;
7. doenças associadas que acarretem aumento no estado de coagulabilidade (coagulação do sangue) do indivíduo.

SINTOMATOLOGIA
As características geralmente vão depender do tipo de acidente vascular encefálico que o indivíduo sofreu, além da sua localização, idade e fatores adjacentes (Aspesi e Gobatto, 2001).

A circulação cerebral depende fundamentalmente de dois sistemas nutridores: o sistema carotídeo, dominante e responsável pela irrigação dos três quartos anteriores dos hemisférios cerebrais, através das artérias cerebrais anterior e média e da artéria coroideana anterior, e o sistema vertebro basilar, que vasculariza o tronco cerebral, cerebelo, e a porção posterior dos hemisférios cerebrais através da artéria cerebral posterior. A apresentação clínica e a evolução de pacientes com lesões nos territórios destes dois sistemas diferem substancialmente, sendo importante sua distinção precoce (André, 1999).

Por isso, torna-se de suma importância o conhecimento da vascularização cerebral, segue abaixo a anatomia vascular encefálico:

1. Artéria carótida externa (ACE):
arteriassecundarias

Origem: origina-se artéria carótida comum e é muito importante, pois se anastomosa com ramos da carótida interna.
Ramos: artéria esfenopalatina
Artéria maxilar ————–artéria meníngea média
Artéria occipital
Artéria temporal superficial—-RR supretocleares da artéria oftálmica
Artéria facial——————RR supratrocleares da artéria oftálmica

2. Artéria carótida interna (ACI):
arteriassecundarias

Origem: origina-se da artéria carótida comum que passa por trás do ângulo da mandíbula, pela cartilagem tireóide onde se bifurca nas artérias carótida interna e externa.
Ramos supraclinóides: artéria oftálmica
Artéria coroidiana anterior
Artéria comunicante posterior
Ramos intracerebrais: artéria cerebral média
Artéria cerebral posterior
Manifestações principais: síndrome da cerebral média e de Horner ipsilaterais.

3. Artérias do sistema vértebro-basilar:
VERTEBRO-BASILAR

Origem: tem grande variação anatômica, mas na maioria das vezes tem origem das subclávias embora algumas vezes possam de originar do tronco tireocervical.
Composição: artéria vertebral direita e esquerda
Artéria basilar
Relações: entram pelos forames da sexta vértebra e sobem pelos foramens transversos atravessando a dura-máter e penetrando pelo forâmen magno. Une-se na junção do bulbo pontina formando a artéria basilar.
Ramos intracranianos laterais: artéria espinhal anterior
Ramos intracranianos mediais: artéria cerebelar póstero-inferior
Ramos basilar: artéria cerebral posterior

4. Artéria cerebral anterior:
ARTERIASCEREBRAIS_A_M_P

Território: lobo frontal
Superfície superior do hemisfério cerebral
Superfície medial de ambos hemisférios exceto calcarino
Anastomose com ramos da artéria cerebral média
Função: córtex motor de mãos e pés
Córtex sensorial de mãos e pés
Área paracentral da micção
Se em lobo dominante, áreas de função comportamental.
Ramos: artéria recorrente de Heubner
Artéria lentículo estriadas
Principais características: hemiparesia e hipostesia contralaterais (MI>face/MS)

5. Artéria recorrente de Heubner:

Origem: primeira porção da artéria cerebral anterior.
Território: perna anterior da cápsula interna
Cabeça anterior e inferior do núcleo caudado
Porção anterior do globo pálido e putâmen
Região anterior do hipotálamo
Bulbos e feixes olfativos
Fascículo uncinado

6. Artéria coroidiana anterior:

Origem: artéria carótida interna porção supraclinóide.
Território: hipocampo anterior
Uncus e amígdala
Globo pálido
Corpo geniculado e tálamo lateral
Porção inferior da cápsula interna
Principais características: combinações variadas e algo inconsistentes de manifestações contralaterais, sensitivas, motoras e de campo visual, freqüentemente temporárias (linguagem preservada) – simula síndrome da cerebral média.

7. Artéria cerebral média:
foto_irrigacion_cerebro

Origem: artéria cerebral inferior.
Território: superfície lateral dos hemisférios
Putâmen
Cabeça e corpo do núcleo caudado
Superfície cortical do lobo temporal
Fissura de Sylvius
Função: região motora e sensorial cortical
Radiações ópticas e córtex cerebral
Área de Wernick – fala e audição
No hemisfério dominante: área de linguagem motora e sensorial
Principais características: hemiparesia e hipostesia contralaterais, afasia, desorientação espacial e anosognosia.

8. Artéria cerebral posterior:
ARTERIASCEREBRAIS_A_M_P

Origem: artéria basilar.
Território da divisão anterior: superfície anterior do lobo temporal
Território da divisão posterior: lobo occipital
Substância negra, pedúnculo cerebelar e hipocampo.
Principais características: hemianopsia homônima superior contralateral.

9. Artéria vertebral:
arteria-vertebral

Território: pirâmides e olivas inferiores
Lemnisco medial e fascículo longitudinal medial
Fibras do nervo hipoglosso
Principais características: hipostesia facial ipsilateral e ataxia, hemiparesia contralateral, alterações dos nervos cranianos ipsilaterais.

10. Feixe longo da vertebral e cerebelar póstero-inferior:

Território: feixes espinotalâmicos
Núcleos vestibulares, sensorial facial, vagais e glossofaríngeo.

11. Artéria cerebelar antero-inferior:
2000px-Circle_of_Willis_pt.svg

Território: lateral da ponte ( 7o e 8o par)
Raiz do trigêmeo
Núcleo coclear e vertebral

12. Artéria cerebelar superior:
anatomia-del-sistema-ventricular-e-irrigacion-sanguinea-del-cerebro-18-728

Território: porção dorsal do mesencéfalo.
Principais características: ataxia de marcha, náuseas, vertigem, cefaléia, disartria, paresia do olhar.

Drenagem venosa

As veias do cérebro não acompanham as artérias. As veias corticais drenam para o seio sagital superior. As estruturas mais profundas drenam para o seio sagital inferior e para a grande veia cerebral ou de Galleno, que se unem ao seio reto. Este corre posteriormente ao longo da intersecção da foice cerebral e do território unindo-se ao seio sagital superior dos quais surgem os dois seios transversos que por sua vez formam o seio sigmóide que drena a jugular interna (Neto,2002).

Sintomas do sistema carotídeo:
– perda da visão de um olho;
– hemi ou homoparesia;
– hemi ou homoplegia;
– disfasia;
– déficits sensitivos em hemicorpo.

Sintomas do sistema vertebral:
– diplopia;
– disartria;
– disfagia;
– desequilíbrio;
– sintomas do território carotídeo.

Com os dados acima podemos seguir demonstrando o que ocorre quando um indivíduo sofre um acidente vascular encefálico:

1. Fraqueza: o início agudo de uma fraqueza em um dos membros ou face é o sintoma mais comum dos AVE. Pode significar isquemia de todo um hemisfério cerebral ou apenas de uma pequena e específica área. Podem ocorrer de diferentes formas apresentando-se por fraqueza maior na face e no braço que na perna. Estas diferenças dependem da localização da isquemia, da extensão e da circulação cerebral acometida.

2. Distúrbios visuais: a perda da visão em um dos olhos, principalmente aguda, alarma os pacientes geralmente os leva a procurar avaliação médica. O paciente pode ter uma sensação de sombra ou cortina ao enxergar ou ainda pode apresentar cegueira transitória (amaurose fugaz).

3. Perda sensitiva: a dormência ocorre mais comumente junto com a diminuição de força, confundindo o paciente; a sensibilidade é subjetiva.

4. Linguagem, deglutição e fala (afasias): é comum os pacientes apresentarem alterações de linguagem e fala, podendo ou não estar afetada a linguagem compreensiva.

5. Convulsões: nos casos de hemorragia intracerebral, do acidente vascular dito hemorrágico, os sintomas podem se manifestar como os já descritos acima, geralmente mais graves e de rápida evolução. Pode ocorrer hemiparesia (diminuição da força do lado oposto ao sangramento), além de desvio de olhar. O hematoma pode crescer causando um edema , atingindo outras estruturas e podendo levar o paciente ao coma. Os sintomas podem desenvolver-se rapidamente em questão de minutos (Neto, 2002).

6. Pacientes com qualquer grau de perturbação da consciência devem ser vistos como exibindo alto risco de vida, as causas dessa perda de consciência devida o AVE podem ser inúmeras.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: B

Alternativa que indico após analisar: B