FCC – TRE 13 2007 – Questão 23

23. A articulação radio–ulnar proximal é classificada morfologicamente em

(A) condilar.

(B) trocóide.

(C) esferóide.

(D) plana.

(E) gínglimo.

23b

Por dra Isabela Oliveira Guedes Ribeiro

Primeiramente, vamos relembrar as classificações. Isso vai ajudar em qualquer questão sobre os tipos de articulações.

As articulações podem ser classificadas funcionalmente, de acordo com sua mobilidade, em:

– Sinartroses: imóveis. (são as articulações fibrosas).

– Anfiartroses: possuem pouco movimento. (são as articulações cartilaginosas)

– Diartroses: móveis. (são as articulações sinoviais).

23

As articulações também podem ser classificadas de acordo com o tipo de tecido que se interpõe entre as peças em:

– Fibrosas: contém tecido conjuntivo fibroso. Possuem mobilidade muito reduzida, sendo praticamente imóveis. São subdivididas em:

Sindesmoses: possuem grande quantidade de tecido conjuntivo, podendo formar ligamento ou membrana interósseos.

Suturas: possuem menor quantidade de tecido conjuntivo quando comparada às sindesmoses e são encontradas principalmente nos ossos do crânio.

– Cartilaginosas: possuem cartilagem entre as peças. Apresentam pouca mobilidade. São subdividas em:

Sincondrose: possuem cartilagem hialina.

Sínfise: possuem fina camada de cartilagem hialina e se articulam pela interposição de fibrocartilagem espessa. (Ex.: articulação entre os corpos das vértebras: há interposição do disco intervertebral).

– Sinoviais: caracterizam-se pela presença de três elementos: a cápsula articular, a cavidade articular e o líquido sinovial. O principal meio de união entre as peças articulares é a cápsula articular, a qual se prende aos ossos da articulação, formando uma cavidade articular, onde é encontrado o líquido sinovial, o que possibilita mais movimento na articulação.

Há duas classificações das articulações sinoviais:

Funcionalmente, de acordo com seus eixos de movimento, serão classificadas em:

Monoaxial: realiza movimentos apenas em torno de um eixo.

Biaxial: realiza movimentos em torno de dois eixos.

Triaxial: realiza movimentos em torno de três eixos.

Morfologicamente, de acordo com a forma das superfícies articulares, serão classificadas em:

Planas: as superfícies são planas ou ligeiramente curvas. Permitem discreto deslizamento. Ex.: articulação entre os ossos curtos do carpo.

Gínglimo (“dobradiça”): realizam flexão e extensão. São, portanto, monoaxiais. Ex.: articulação do cotovelo (entre a ulna e o úmero).

Trocóide: as superfícies são cilíndricas e permitem apenas movimentos de rotação. Ex.: articulação rádio-ulnar proximal (faz pronação e supinação).

Elipsóide (ou condilar): uma das superfícies é côncava e a outra, convexa, e o contorno da articulação assemelha-se a uma elipse. Permitem flexão e extensão, abdução e adução (são biaxiais). Ex.: articulação radiocarpal, temporomandibular.

Selar: uma das superfícies tem formato de sela, com um lado côncavo e outro convexo, e se encaixa em outra superfície com convexidade e concavidade em sentido contrário. Ex.: articulação carpomatecarpal do polegar (entre o osso trapézio do carpo e o 1º metacarpo).

Esferóide: as superfícies são segmentos de esfera e se encaixam em receptáculos ocos. Permitem movimentos em todos os eixos. Ex.: articulação do ombro (entre úmero e escápula), articulação do quadril (entre cabeça do fêmur e acetábulo).

Agora, voltando à questão, podemos classificar a articulação radio-ulnar proximal como uma diartrose, sinovial, monoaxial e, morfologicamente, como trocóide. Portanto, alternativa B está correta!

Referência: DANGELO, J. G.; FATTINI, C. A. Anatomia humana sistêmica e segmentar. 3. ed. Rio de Janeiro: Atheneu. 2007.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: B.

Alternativa que indico após analisar: B.

FCC – TRE 13 2007 – Questão 21

21. Os canais de Harvers dos ossos comunicam-se entre si, com a cavidade medular e com a superfície óssea através de

(A) Canais de Hering.

(B) Ductos Coletores.

(C) Canais de Volkemann.

(D) Cristas Espirais.

(E) Canais de Schelmam.

tecido-sseo-8-638

Por dra Isabela Oliveira Guedes Ribeiro

A vascularização e inervação do osso compacto é feita através do Sistema de Harvers. Este sistema é formado por lamelas ósseas concêntricas dispostas ao redor de um canal central, o canal de Harvers, onde que se encontram os vasos sanguíneos que nutrem as células ósseas. Os vasos sanguíneos dos canais de Harvers comunicam com as superfícies ósseas através de canais transversais e oblíquos denominados de canais de Volkmann (alternativa C).

Ductos coletores são partes constituintes do sistema renal, cuja função é coletar urina dos néfrons.

Cristas espirais são estruturas da porção de ejeção do coração. Fazem parte do processo de desenvolvimento cardíaco no estágio embrionário.


Canal de Schlemm é um canal circular do olho. Foi descrito pelo anatomista alemão Friedrich Schlemm, de onde provém o nome do canal.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: C

Alternativa que indico após analisar: C

Aeronáutica – EAOT 2002 – Questão 02

02 – Com relação aos ligamentos da coluna vertebral, pode-se afirmar que

a) o ligamento longitudinal anterior é uma banda contínua à  frente dos corpos vertebrais e se prolonga das cervicais as lombares.

b) o ligamento amarelo está situado atrás das apófises espinhosas.

c) entre dois processos transversos superpostos encontra-se o ligamento interespinhal.

d) na flexão do tronco, o ligamento longitudinal posterior recebe uma pressão do núcleo discal.

ligamentos da coluna

Gostei dessas questões da aeronáutica, por isso comecei a comentar essa prova também. As questões contém afirmações detalhistas, quase corretas. E, por isso mesmo, vou deixar de considerar alternativas duvidosas que as bancas indicam como corretas. A alternativa correta deve ser perfeitamente correta, pois se houver erro ela compromete o raciocínio e faz com que se conte com a sorte para acertar.

Na “A”, o erro é que o ligamento longitudinal anterior vai até o sacro, e não até a lombar.

Na “B”, o erro é que o ligamento amarelo recobre a face posterior das lâminas, e não do processo espinhoso.

Na “C”, o erro é que a descrição da alternativa define o ligamento interespinhoso.

A “D” é, se é que existe isso, parcialmente correta. Se pensarmos que na flexão das vértebras o núcleo sofre  pressão na porção anterior, o núcleo desloca-se para trás, sendo contido pelo ligamento longitudinal posterior. Aqui, temos que optar por ela porque as outras são realmente incorretas, mas há dois pontos conflitantes: a banca não indica qual região da coluna supostamente sofre essa pressão posterior na flexão do tronco e a banca também diz que a pressão é do núcleo, o que também não é exatamente correto. Vejam, o núcleo realmente se desloca para trás, mas ele está envolto pelas fibras do disco e não entra em contato direto com estruturas externas, com exceção da ocorrência de uma hérnia de disco.

Revisão:

Ligamento comum vertebral anterior – situado na face anterior do corpo vertebral, na região torácica esse ligamento amplia-se de maneira a cobrir toda a face anterior do corpo vertebral até a cabeça das costelas, a qual está intimamente aderida, na face posterior do ligamento há também a ligação entre o corpo vertebral e o disco intervertebral.

Ligamento comum vertebral posterior – situado na parte posterior dos corpos vertebrais, dentro do canal vertebral, estende-se desde o processo basilar do osso occipital e vai até o sacro, é mais fino que o LCVA e está ricamente inervado pelo nervo Sinus-Vertebral de Luschka. Fonte de dores dorsais.

O ligamento amarelo, ou ligamentum flavum, é um ligamento longitudinal da face posterior da coluna vertebral. Tem um componente superficial e outro profundo. O ligamento amarelo superficial insere-se na margem superior e na superfície póstero-superior da lâmina caudal. O ligamento amarelo profundo insere-se na superfície anterosuperior da lâmina caudal.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: D

Alternativa que indico após analisar: Nenhuma.

FCC -TRT 15ª Região – 2005 – Questão 31

31. O nervo isquiático é formado pelas raízes:

(A) L1, L2, L3, L4 e L5.

(B) L2, L3, L4, L5 e S1.

(C) L3, L4, L5, S1 e S2.

(D) L4, L5, S1, S2 e S3.

(E) L5, S1, S2, S3 e S4.

Nervo Ciatico

Essa é a primeira questão de conhecimentos específicos desta prova.

Questão de anatomia. Questão nada fácil para quem não tem a anatomia deste segmento decorada. Não consigo imaginar uma forma de chegar a esta resposta pela dedução, talvez não exista uma. Podemos até bolar formas diferentes pra recordar a formação deste nervo, como lembrar que são basicamente 5 raízes, lombar a partir da L4 e unindo até sacro S3, então temos 5. 4 e 3 para associar e lembrar da formação do nervo ciático. Mas a melhor forma é estudar os plexos lombar e sacrococcígeo. Saber essa inervação é fundamental para se relacionar a dor relatada pelo paciente à possível disfunção. Lombalgias e lombociatalgias são muitos comuns em clínicas e ambulatórios, talvez sejam as patologias mais frequentemente atendidas na fisioterapia.

Desta forma, mãos e nervos à obra!

PLEXO LOMBAR

Nervo Ciatico Netter

Este plexo está situado na parte posterior do músculo psoas maior, anteriormente aos processos transversos das vértebras lombares. É formado pelos ramos ventrais dos três primeiros nervos lombares e pela maior parte do quarto nervo lombar (L1, L2, L3 e L4) e um ramo anastomótico de T12, dando um ramo ao plexo sacral.

Anastomose, do grego “abertura comunicante”, é uma rede de canais que se bifurcam e recombinam em vários pontos, tais como os vasos sanguíneos ou os veios de uma folha.

L1 recebe o ramo anastomótico de T12 e depois fornece três ramos que são o nervo ìlio-hipogástrico, o nervo ílio-inguinal e a raiz superior do nervo genitofemoral.

L2 se trifurca dando a raiz inferior do nervo genitofemoral, a raiz superior do nervo cutâneo lateral da coxa e a raiz superior do nervo femoral.

L3 concede a raiz inferior do nervo cutâneo lateral da coxa, a raiz média do nervo femoral e a raiz superior do nervo obturatório.

L4 fornece o ramo anastomótico a L5 e em seguida se bifurca dando a raiz inferior do nervo femoral e a raiz inferior do nervo obturatório

PLEXO SACRAL

Os ramos ventrais dos nervos espinhais sacrais e coccígeos formam os plexos sacral e coccígeo. Os ramos ventrais dos quatro nervos sacrais superiores penetram na pelve através do forames sacrais anteriores, o quinto nervo sacral penetra entre o sacro e o cóccix e os coccígeos abaixo do cóccix.

O plexo sacral é formado pelo tronco lombossacral, ramos ventrais do primeiro ao terceiro nervos sacrais e parte do quarto, com o restante do último unindo-se ao plexo coccígeo.

O ramo anastomótico de L4 se une ao L5 constituindo o tronco lombossacral. Em seguida, o tronco lombossacral se une com S1 e depois sucessivamente ao S2, S3 e S4.

Esse complexo nervoso sai da pelve atravessando o forame isquiático maior. Logo após atravessar esse forame, o plexo sacral emite seus ramos colaterais e se resolve no ramo terminal, que é o nervo isquiático.

Para os músculos da região glútea vão os nervos glúteo superior (L4, L5 e S1) e glúteo inferior (L5, S1 e S2). Um ramo sensitivo importante é o nervo cutâneo posterior da coxa, formado por S1, S2 e S3.

Para o períneo, temos o nervo pudendo formado a partir de S2, S3 e S4.

O nervo isquiático é o mais calibroso e mais extenso nervo do corpo humano, pois suas fibras podem descer até os dedos dos pés. Esse nervo é constituído por duas porções, que são os nervos fibular comum (L4, L5, S1 e S2) e tibial, formado por L4, L5, S1, S2 e S3.

Do plexo sacral saem também os nervos para o músculo obturatório interno e músculo gêmeo superior (L5, S1 e S2); para o músculo piriforme (S1 e S2); para o músculo quadríceps da coxa e músculo gêmeo inferior (L4, L5 e S1); para os músculos levantador do ânus, coccígeo e esfíncter externo do ânus (S4); e o nervo esplâncnico pélvico (S2, S3 e S4).

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: D

Alternativa que indico após analisar: D