Você sabia que o nível medular não é simétrico?

Postei uma resposta no comentário de uma questão mas creio que preciso me explicar melhor.

medula espinhal

Reparem na imagem acima que a raiz nervosa de C1 emerge acima da vértebra C1. Dessa forma, uma lesão nesse segmento significa déficit sensitivo/motor a partir de C1. Isso está correto, sendo inclusive o motivo de lesões medulares acima de C3 serem fatais.

Mas, por caprichos da anatomia, há um nervo cervical a mais, denominado C8. Só que não existem 8 vértebras cervicais. Dessa forma, a partir da transição anatômica da vértebra C7 para a T1, o nervo não está mais acima da vértebra, está abaixo, já que acima da primeira vértebra torácica está a raiz nervosa de C8, Já não temos portanto a mesma organização que existe na cervical, as coisas mudaram.

Creio que por isso exista essa confusão sobre lesão medular, mas dá para simplificar.

Se a lesão ocorreu em segmento cervical, podemos considerar que a lesão é a partir daquele nível. Por exemplo, na lesão medular de C7, teremos sintomas de C7 para baixo.

Se a lesão ocorrer em região medular torácica ou lombar, haverá alteração apenas abaixo daquele nível, o segmento lesionado permanecerá sem alteração. Como exemplo, na lesão medular de L1, teremos sintomas de L2 para baixo.

Você sabia que muitas estruturas recebem seu nome por sua aparência?

Alguns músculos têm em sua aparência o motivo de seu nome.

O músculo deltoide, parece com o símbolo triangular delta, a quarta letra do alfabeto grego. Deltoide significa, portanto, “como o delta”. O bíceps possui duas e o tríceps possui três cabeças, três ventres musculares separados.

O piriforme, por exemplo, significa “formato de pera”(L. pirum, pera + L. forma). Outros músculos são nomeados simplesmente por sua função, como o elevador da escápula e os adutores da coxa.

Legal né? Aaah vai…diz que sim…

Você sabia que doença genética, hereditária, congênita e cromossômica são diferentes?

As distrofias são consideradas doenças genéticas e hereditárias, que são as doenças transmitidas do(s) organismo(s) genitor(es) ao organismo gerado, sem aqui dizer de pai para filho para não ser impreciso.

Não podemos confundir com doenças puramente genéticas, que são aquelas doenças produzidas por alterações no DNA, mas que não têm por que terem sido adquiridas dos progenitores. Reparem que uma doença pode ser considerada genética e hereditária, mas não necessariamente é as duas coisas. Assim ocorre, por exemplo, com a maioria das neoplasias malignas(câncer). As doenças genéticas podem ser de dois tipos: monogênicas ou poligênicas. As doenças monogênicas transmitem-se segundo os padrões hereditários mendelianos como:
Doença autossômica recessiva. Para que a doença se manifeste, precisa-se de duas cópias do gene mutado no genoma da pessoa afetada, cujos pais normalmente não manifestam a doença, mas portam cada um uma cópia do gene mutado, pelo que podem o transmitir à descendência. A probabilidade de ter um filho afetado por uma doença autossômica recessiva entre duas pessoas portadoras de uma só cópia do gene mutado (que não manifestam a doença) é de 25%.
Doença autossômica dominante. Só se precisa uma cópia mutada do gene para que a pessoa esteja afectada por uma doença autossômica dominante. Normalmente um dos dois progenitores de uma pessoa afetada manifesta a doença e estes progenitores têm 50% de probabilidade de transmitir o gene mutado a seu descendente, que manifestará a doença.
Doença ligada ao cromossomo X. O gene mutado localiza-se no cromossomo X. Estas doenças podem transmitir-se por sua vez de forma dominante ou recessiva.

Doenças genéticas poligênicas são um conjunto de doenças hereditárias produzidas pela combinação de múltiplos fatores ambientais e mutações em vários genes, geralmente de diferentes cromossomos. Também se chamam doenças multifatoriais, e entre elas estão Alzheimer, Diabetes Mellitus, Hipertensão arterial, vários tipos de câncer e obesidade.

Também não podemos confundir com doenças congênitas, que são aquelas doenças que se adquirem com o nascimento e se manifestam desde o mesmo. Podem ser produzidas por um transtorno durante o desenvolvimento embrionário ou durante o parto.

Doenças cromossômicas são devidas a alterações na estrutura do cromossomo, como perda cromossômica, aumento do número de cromossomos ou translocações cromossômicas. Alguns tipos importantes de doenças cromossômicas podem-se detectar no exame microscópico. A trissomia 21 ou síndrome de Down  é um transtorno frequente que acontece quando uma pessoa tem três cópias do cromossomo 21 (entre um 3 e um 4% dos casos são hereditários; o resto são congênitos).

Você sabia que o osso é um órgão?

Inicio aqui uma série que irei de assuntos correlatos que irei postar sempre que encontrar alguma curiosidade, e algumas que nem curiosidade são. Mitos são às vezes pura desinformação. Afinal, na ciência nunca uma mentira repetida mil vezes se torna verdade.

O tecido ósseo é o tecido mais abundante em um osso. O osso é composto de vários tecidos diferentes, sendo portanto um órgão. Em um osso, existem tecidos como hematopoiético, cartilaginoso, adiposo, sanguíneo, nervoso, além do tecido ósseo que obviamente é o predominante.

O que pode levar ao erro é sempre vermos os ossos limpos e já fora do corpo. O osso que compõe nosso corpo agora está imerso em vasos sanguíneos e membranas, como um verdadeiro órgão. Claro que a constituição do osso é diferente de órgãos de tecidos moles como os rins, o cérebro ou o fígado, e suas funções não são apenas metabólicas, são também protetivas e funcionais.

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