VUNESP – IAMSP/HSPE 2011 – Questão 43

43. A estabilização látero-lateral da bacia durante a marcha, ou o apoio unipodal, é dada pelos músculos

(A) glúteo médio e mínimo e tensor da fáscia lata.

(B) glúteo máximo e médio e tensor da fáscia lata.

(C) glúteo máximo e mínimo e tensor da fáscia lata.

(D) glúteo médio, tensor da fáscia lata e íleo psoas.

(E) glúteo médio e mínimo e íleopsoas.

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O glúteo médio é o principal estabilizador do quadril. Sua falha é claramente observada quando o teste de Trendelemburg dá positivo. O glúteo mínimo tem ação parecida. O tensor da fáscia lata auxilia na estabilização de pelve/fêmur e também fêmur/tíbia.

O glúteo máximo é um extensor e o iliopsoas um flexor da articulação coxofemoral, estão situados em plano diferente do necessário para a estabilização lateral do quadril.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: A

Alternativa que indico após analisar: A

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VUNESP – IAMSP/HSPE 2011 – Questão 27

27. Com relação aos exercícios resistidos, assinale a alternativa coerente com as seguintes definições, respectivamente: força, resistência e potência.

(A) Quantidade de tensão, diminuição da fadiga por prolongado tempo e alta intensidade por pequeno período de tempo.

(B) Diminuição da fadiga por prolongado tempo, quantidade de tensão e alta intensidade por pequeno período de tempo.

(C) Alta intensidade por pequeno período de tempo, quantidade de tensão e diminuição da fadiga por prolongado tempo.

(D) Alta intensidade por pequeno período de tempo, diminuição da fadiga por prolongado tempo e quantidade de tensão.

(E) Alta intensidade por pequeno período de tempo, quantidade de tensão e diminuição da fadiga por pequeno período de tempo.

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Opa, opa, pegadinha detected! Por quê? Vamos lá.

Basicamente, precisamos definir aqui o significado de força, tensão e potência.

Força é a capacidade de gerar trabalho, ou tensão, ou energia. No contexto de modalidade de exercício físico, que é o que propõe a questão, força é a quantidade de tensão. Só aqui já dá para responder, alternativa “A”, mas a opção “Alta intensidade por pequeno período de tempo” aparece como primeira escolha nas alternativas de “C” a “E”, o pode fazer muita gente que gosta de seguir receita de bolo para responder questões errar feio. Eis a pegadinha.

Resistência, no contexto dessa questão, é diminuição da fadiga por prolongado tempo.

Vamos para uma definição mais detalhada de força, resistência e potência:

Força muscular

Força muscular, segundo o colégio americano de medicina do esporte (ACSM 2003) pode ser definida como a máxima tensão que pode ser gerada por um músculo específico ou um grupo muscular.

A força é uma capacidade física que pode se manifestar na forma de força absoluta, força máxima, força hipertrófica, força de resistência e força explosica (rápida ou potência).

Força absoluta: É a máxima quantidade de força que um músculo pode gerar. Em geral, ocorre em situações extremas, principalmente em emergências , hipnose ou mediante auxilios ergogênicos.

Força máxima: É a quantidade máxima de tensão que um músculo ou grupo muscular pode gerar durante uma repetição em determinado exercicío. É também a força máxima gerada por uma contração muscular, podendo ser desenvolvida por meio de ações concêntricas (fase positiva), excêntricas (negativa) e isométricas. O meio mais utilizado para se avaliar a força máxima em aparelhos de musculação convencionais é o teste de uma repetição máxima ou 1RM.

Treinamento de força para hipertrofia muscular: Já é bem reconhecido o fato de que o TF (treinamento de força) induz a hipertrofia muscular (aumento da massa muscular). Esse processo de aumento da massa muscular é caracterizado, em resumo, pelo aumento de proteínas contráteis no músculo, sobretudo na musculatura esquelética. Isso se da geralmente pelo estimulo mecânico (contração) imposto ao músculo.

Resistência de força: É quando você consegue manter varias repetições em determinados exercicíos. É uma manifestação da força importante para que a pessoa tenha capacidade física para realizar as tarefas do dia a dia. Também contribui substancialmente para modalidades como lutas, ciclismo, natação e fisiculturismo.

Força explosiva: É o produto da força e da velocidade do movimento [potência= (força x distância)/tempo]. Também é considerada a habilidade de movimentar o corpo e/ou um objeto no menor período de tempo. De modo geral, esse termo é conhecido como potência muscular. É uma forma de manifestação da força determinante para várias modalidades esportivas, como o arremesso de peso, lançamento de dardos e salto em distância, e para idosos que apresentam lentificação de movimentos.

Referência:   PRESTES, Jonato et al. Prescrição e periodização do treinamento de força em academias. Barueri, SP. Manole, 2010.

Resistência muscular

A resistência, também capacidade de resistência ao cansaço, é a capacidade de poder executar, durante o maior tempo possível, um esforço estático ou dinâmico, sem diminuir a qualidade do exercício.

Tipos de Resistência

• Aeróbica (Dinâmica e Estática)
• Anaeróbica (Dinâmica)
• Muscular (Aeróbica, Anaeróbica e Localizada)

Resistência Aeróbica

A resistência “pura”, como capacidade de suportar esforços de enorme duração, evitando a acumulação do ácido láctico, recorrendo à utilização do oxigênio e dos nutrientes para manter a atividade indefinidamente.

Aeróbica Dinâmica

A Capacidade de resistência ao cansaço no esforço dinâmico com o emprego de mais de 1/6 a 1/7 da musculatura total do esqueleto, durante uma intensidade de movimento superior a 50% da capacidade máxima da carga circulatória e com uma duração de carga que oscila entre os três e cinco minutos.

Principais formas de treino: Corrida contínua, corrida com a duração de alguns minutos, corrida intervalada, rampas, treino em circuito.

Aeróbica Estática

Sempre que o exercício estático é feito com o emprego de grande grupo de músculos e uma carga inferior a 15/20% da força máxima numa duração da carga grande, estamos perante um tipo de resistência estática aeróbica.

Resistência Anaeróbica

Resistência anaeróbica é a capacidade de execução de determinada atividade com alta intensidade em curto espaço de tempo.

Anaeróbica Dinâmica

Também resistência de velocidade, ritmo de resistência ou apenas resistência. A exigência surge no exercício anaeróbio com carga dinâmica de intensidade de ritmo máximo, em conseqüência disso, apenas nos movimentos cíclicos ( que se repetem ) , pois nos movimentos acíclicos ( executados uma só vez ) é muito pequena para provocar um cansaço correspondente.

Resistência Muscular Localizada

A Resistência Muscular localizada tem como objetivo desenvolver no indivíduo uma melhor aptidão cardiovascular, seja para executar as tarefas cotidianas, seja para melhor a resistência nos esportes. Como o próprio nome diz, essa capacidade física visa dar uma resistência maior à fadiga.Através desse tipo de treinamento, consegue-se uma definição muscular muito evidente devido ao fortalecimento da musculatura (tônus muscular) e da conseqüente oxidação da camada lipídica subcutânea decorrente do treinamento.

Resistência Muscular Aeróbica

Dinâmica
É exigida quando um trabalho dinâmico com grupos musculares de tamanho pequeno ou médio – por exemplo, de um braço ou perna – é executado de forma aeróbica (hollmann, 1980). Através de um treinamento específico esta capacidade é melhorada de 100 até 1000%.

Estática
É quando a força de contração de um pequeno grupo muscular não alcançar 15% da força máxima isométrica, então a circulação local do músculo em trabalho ainda não está prejudicada. Deste modo, a necessidade de energia pode ser preenchida de forma oxidativa.

Resistência Muscular Anaeróbica

Dinâmica
É exigida quando é executado um trabalho dinâmico, com grupos musculares pequenos e médios – menos de 1/6 a 1/7 da massa muscular total- contra a resistência, que seja de 50% a 70% ou mais da força estática máxima. A sua taxa de treinabilidade está em cerca de 35%.

Estática
Pode ocorrer em duas formas de trabalho:

1) No trabalho de sustentação de um peso de mais de 15% da força máxima de trabalho;

2) Na contração com mais de 50% da força isométrica , onde a duração da carga estática é tão longa que a participação do trabalho dinâmico pode ser desprezado.

Quem Tem Melhor Resistência?

Graças ao poder do hormônio estrógeno, o sexo feminino é menos propenso ao cansaço dos músculos. Um estudo apresentado no último encontro anual da Sociedade Americana de Fisiologia, em Portland, nos Estados Unidos, revelou que a resistência muscular das mulheres seria três vezes superior à dos homens. A pesquisa foi feita na Universidade do Colorado, também localizada nos Estados Unidos, onde um grupo de cientistas americanos avaliou cerca de vinte participantes de ambos os sexos enquanto praticavam atividade física.

Aminoácidos na dieta X Resistência muscular

Os aminoácidos são o produto da digestão das proteínas e só são eficientes quando há uma carência bem determinada.
Já se têm notícias de que existem pesquisas avançadas sobre o uso de aminoácidos na dieta de atletas olímpicos, principalmente nas provas de força e resistência muscular.
O conhecimento das Ciências dos Alimentos e aspectos nutricionais em Fisiologia aplicada ao exercício, ainda são fontes de estudo e pesquisa, se constituindo uma incógnita e um crescente desafio à Medicina e Ciências do Esporte. Tal fato se deve, ainda, por não se conhecer, exatamente, qual o mecanismo que regula a absorção dos aminoácidos pelo organismo e, em que percentagem eles são aproveitados.
O mais sensato seria buscar orientação com profissionais da nutrição e professores de educação física, pois já está provado que o uso indiscriminado acarreta problemas de saúde, principalmente da função renal, com formação de cálculos e, também, favorece o enrijecimento das artérias, acelerando a aterosclerose, isso porque o excesso de aminoácidos no organismo, inibe a regeneração de células da parede dessas artérias.
Sem falar que de nada adiantaria uma complementação nutricional sem um treinamento físico correspondente e compatível com suas exigências metabólicas.
A alimentação que deve ser seguida por atletas ainda deve ser uma dieta equilibrada e balanceada entre carboidratos, proteínas e gorduras dentro da prescrição feita por nutricionista especializado em ciências do esporte E não esquecendo que a alimentação deve seguir uma relação direta com a performance física e níveis de exigência ao esforço individuais.

COSTILL, D. e WILMORE, J.K. Physiology of Sport and Exercise.
Human Kinectics Publishers. 1994.

Potência muscular

Definição: A potência é a capacidade da musculatura de contrair-se vencendo uma resistência que se opõe à aproximação de seus pontos de inserção.

Seu formula é a seguinte: Potencia = Peso x Distância

Tempo

A força explosiva representa a máxima manifestação da potência tendo em conta especialmente à velocidade. Isto indica que a potência é a força em velocidade.

A potência na velocidade motora

Denomina-se à ação de vencer uma resistência à maior velocidade possível. (exemplo: na face de aceleração das carreiras curtas de atletismo, no boxe, em futebol, em básquet, etc.)

O acréscimo na potência dos gestos esportivos não se aperfeiçoa só através do treinamento da coordenação, senão também, pelo acréscimo da força. A potência aparece nos gestos esportivos em forma isolada como nas tomadas e golpes nos desportos de luta e também nos desportos cíclicos: atletismo, remo, ciclismo.

A potência na força motora

Diferenças entre força e potência

Desde o aspeto funcional todos os movimentos nos quais deve ser vencido uma resistência à maior velocidade possível podem ser considerados movimentos de potência (saltos, lançamentos). Com o mesmo critério muitos exercícios de força podem ser transformados em exercícios de potência através do simples expediente de solicitar que em um curto espaço de tempo se trate de realizar o máximo número de repetições possíveis.

A potência só se identifica através de seus efeitos. Quanto maior seja a aceleração que uma pessoa possa imprimir a sua massa corporal em um tempo determinado maior será a potência de que disponha.

Para que um movimento possa ser qualificado de potente devem ser dado duas condições primordiais:

O movimento deve vencer relativamente grandes resistências que o dificultem
Devem ser atingido relativamente grandes acelerações
Potencia Muscular: É a realização de força com uma exigência associada de tempo mínimo. É o caso dos saltos, onde para conseguir um máximo resultado a força deverá ser aplicada velozmente.

Depende da força pura, a coordenação, a velocidade de contração da musculatura e o respeito dos princípios biomecánicos que regem o movimento.

Para o treinamento da potência existem as seguintes possibilidades: acréscimo da força pura e aperfeiçoamento da coordenação.

Força muscular explosiva e força de partida

A força explosiva constitui o limite de desenvolvimento da potência ou velocidade na força. Aqui tem um papel de grande importância a velocidade. Esta qualidade é decisiva no rendimento devido ao tempo que decorre dita manifestação para se conseguir. A força explosiva determina o tempo que decorre para a realização de determinada ação de força, o qual a supedita a outro elemento que intervém: a força de partida ou reação. Esta consiste no tempo que decorre em chegar a se manifestar uma tensão muscular determinada que anteriormente poderá ser concretizado em um trabalho mecânico.

O tipo de trabalho a realizar, isto é o tipo de força que temos que executar nos determinará que tipos de pesos devemos manejar. Em caso de manejar-se pesos menores, terá principal ingerencia a força em velocidade ou potência enquanto se realizamos trabalhos com pesos máximos, o acento estará sobre a força máxima.

A potência em relacionamento com a velocidade

Quando falamos da velocidade assinalamos a capacidade condicional de realizar ações motoras no menor tempo possível nas condições dadas. A potência é a capacidade d um desportista para vencer uma resistência mediante uma alta velocidade de contração, é falar de força em velocidade. Esta capacidade é decisiva nas disciplinas de sprint. Ademais são importantes para a maioria dos desportos-jogo, fases de arranque e aceleração em remo, canotaje e esquí de velocidade, carreiras ciclísticas em pista. Na velocidade como na potência há prerrequisitos essenciais, como a mobilidade dos processos nervosos, o rendimento em força rápida, a flexibilidade, a elasticidade e a capacidade de relaxação dos músculos, a qualidade da técnica esportiva, a força de vontade e os mecanismos bioquímicos.

1) Mobilidade dos processos nervosos

Uma alta velocidade de movimento e a máxima frequência do mesmo só podem ser atingido se há mudanças muito rápidos entre excitação e inibição, e com as regulações correspondentes do sistema neuromuscular, relacionadas com uma ótima aplicação da força.

2) Força rápida

Sua participação na velocidade reflete-se particularmente nas altas acelerações de saída ou na capacidade de posta em ação (ex: na maioria dos jogos-deporte). Junto da capacidade de realizar altas frequências de movimento, é a base condicional decisiva para os rendimentos de velocidade locomotiva.

A velocidade depende desde o ponto de vista bioquímico especialmente das reservas de ATP e PC, e da velocidade na mobilização da energia química. A Provisão de energia alactácida e lactácida realiza-se quase exclusivamente de acordo à máxima intensidade.

3) Elasticidade muscular

A flexibilidade, a elasticidade e a capacidade de relaxação dos músculos que nos exercícios de velocidade e potência atuam como sinergistas ou antagonistas influem decisivamente em uma correta técnica esportiva e em uma alta frequência de movimento. Se estas capacidades desenvolvem-se inadequadamente, não se conseguirá a necessária amplitude do movimento e os sinergistas devem vencer fortes resistências durante a sequência do movimento, particularmente no ponto de investimento do movimento.

4) Força de vontade

A mais alta aplicação de potência depende da máxima vontade posta no movimento.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: A

Alternativa que indico após analisar: A

VUNESP – IAMSP/HSPE 2011 – Questão 25

25. A perda de função muscular por lesão do nervo supraescapular é esperada nos músculos

(A) subescapular e romboide menor.

(B) infraespinal e romboide maior.

(C) infraespinal e redondo menor.

(D) supraespinal e redondo menor.

(E) supraespinal e infraespinal.

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Boa questão!

Isso é importante demais. Confesso que ainda não tenho a neuroanatomia inteiramente resolvida, mas mesmo clinicamente é importantíssimo dominar, além de estruturas e funções do ombro, sua anatomia de inervação periférica.

Nervo Supraescapular – originado do tronco superior (C5 e C6), inerva os músculos supra-espinhoso e infra-espinhoso.

Lesão do nervo supra escapular

A disfunção do nervo supra escapular foi descrita pela primeira vez em 1936 na literatura francesa. A compressão do nervo supra escapular no sulco supraescapular como causa de dor crônica no ombro foi descrita na literatura inglesa por Thompson e Kopell em 1959,  e no sulco supraglenoidal, por Aiello et al em 1982.(1)

Apesar da lesão isolada do nervo supraescapular não ser comum, esta representa a lesão de ramo periférico mais comum do plexo braquial em atletas. A incidência na literatura varia muito. Alguns esportes ,como o baseball e volleyball, tem uma alta incidência de lesão seletiva do componente infraespinhal do supraescapular.(3) Ferreti et al atribuiram essa lesão à uma tração e fricção causada por uma excursão excessiva do m.infraespinhal durante os jogos e treinos.(4)

Anatomia

O nervo supra escapular se origina do tronco superior do plexo braquial, é formado predominantemente  da porção anterior da quinta e  sexta raizes cervicais, podendo ter contribuição da quarta raiz cervical. Ele passa lateralmente e profundamente aos músculos omoióide e borda anterior do trapézio, atravessa o sulco supraescapular,, inervando o músculo supraespinhal. O nervo passa por baixo do ligamento escapular transverso ( a artéria e a veia passam por cima). Este ligamento pode se encontrar parcial ou totalmente ossificado. Após passar o ligamento transverso o nervo supraescapular emite de um a dois ramos para o m. supraespinhal e recebe diversos ramos sensitivos da articulação glenoumeral, acromioclavicular e do ligamento coracoumeral. Em 15% dos pacientes existe uma variação anatômica, o nervo supraescapular recebe fibras sensitivas cutâneas da face lateral do braço.(5)
O nervo segue obliquamente no assoalho da fossa supra espinhal, se dirige para a borda lateral da base da espinha da escápula, também conhecida como sulco espinoglenoidal, entrando na fossa do m. infraespinhal. No sulco espino glenoidal o nervo pode ser encoberto pelo ligamento espinoglenoidal ou ligamento escapular  transverso inferior.

 Depois que o nervo passa pelo sulco espinoglenoidal, ele emite dois ou mais ramos para o m. infraespinhal.

A distância entre o tubérculo supraglenoidal e o sulco supraescapular é de aproximadamente 3,0cm, a distância entre o tubérculo supraglenoidal e a base da espinha da escápula é de aproximadamente 2,5cm e a distância média entre o ponto médio da borda posterior da glenóide e a base da espinha da escápula é de aproximadamente 1,8cm. Essas medidas são importantes para a abordagem segura da face posterior do ombro.(6)

Fisiopatologia

As possíveis causas de paralisia do n.supraescapular em atletas podem ser: compressão, tração, microtrauma repetitivo, lesão direta, assim como lesões generalizadas do plexo braquial.

O nervo supraescapular é suscetível à compressão devido à sua posição relativamente fixa sob os ligamentos e o manguito rotador. O nervo pode ser comprimido por cistos, lipomas, ligamento escapular transverso ou espinoglenoidal, ou no percurso entre os músculos escaleno anterior e médio, entre os tendões do supra e infraespinhal, entre a fascia do m. subclávio e omoióideo ou entre um músculo supraespinhal hipertrofiado e o coracóide. Os cistos podem se originar de alterações intra-articulares, através de fraquezas ou lesões capsulares ou lesões labrais (mecanismo valvular).

Os locais mais comuns de compressão são o sulco supraescapular e espinoglenoidal.
Estudos têm demonstrado que o ligamento espinoglenoidal se insere na cápsula glenoumeral posterior, e que o ligamento fica estirado com a adução e rotação interna, comprimindo o nervo (esse movimento ocorre na fase final do arremesso- follow through).(7)

Recentemente foi demonstrado que na abdução e rotação externa máximas, as porções mediais do infra e supra-espinhais podem comprimir o nervo supraescapular na borda lateral da espinha da escápula, comprimindo o ramo infraespinhal.(3)
A lesão do nervo pode ocorrer no sulco supraescapular por alteração do formato do sulco ou por compressão do ligamento transverso (variação anatômica ou calcificação).. (1,8)

A tração do nervo pode ocorrer nas áreas críticas como sua origem no tronco superior e sua fixação distal no m. infraespinhal.
Essas forças de tração e compressão através do percurso sinuoso e com diversos pontos de fixação pode ser exacerbado durante os esportes de arremesso que exigem do ombro extremos de força e velocidade. Os movimentos podem  submeter os nervos e artérias a uma rápida distração. Uma outra hipótese de causa é a lesão por tração da microvasculatura que supre os nervos. (9)
O nervo supraescapular também pode sofrer lesão direta em casos de luxação glenoumeral e fratura do terço proximal do úmero.

Avaliação clínica

Os sintomas são menos intensos quando a compressão ocorre no sulco supragleinoidal. A compressão neste ponto preserva o ramo para o m. supraespinhal. Portanto, o atleta com lesão do n. supraescapular pode ser assintomático ou ter uma grande variedade de sintomas.
Os sintomas são normalmente de início insidioso (se não apresentar história de trauma prévio). O paciente pode ter uma pequena dor localizada na face lateral e posterior do ombro,  normalmente exacerbada pela atividade física. A dor é frequentemente descrita como profunda, difusa ou em queimação. Com o tempo a dor pode se tornar constante, chegando a acordar o paciente à noite. O atleta pode se queixar de fraqueza para rotação externa e abdução durante a atividade esportiva. Eventualmente pode haver uma história de trauma direto ou indireto (como queda com o braço extendido). Os sintomas podem ser vagos e se assemelhar aos sintomas de instabilidade glenoumeral.
O exame fisico depende do tempo de lesão, sendo muito inespecífico no início. Os pacientes que se apresentam com algum tempo de lesão, podem ter dor no local da compressão (sulco supraescapular , sulco espinoglenoidal). Pode ser visível a atrofia dos musculos envolvidos, supraespinhal e infraespinhal, ressalto das saliências ósseas, sendo a atrofia do infraespinhal mais evidente que a do supraespinhal (a atrofia do supraespinhal pode ser mascarada pelo m.trapézio sobre ele).
O teste de adução e rotação interna  (croos arm test ) pode exacerbar a dor na face  posterior do ombro, muitas vezes o atleta pode não ter queixas de fraqueza durante a atividade física devido à compensação do deltóide posterior e rombóides, mas pode ter fraqueza ao exame especifico dos músculos comprometidos. Às vezes o paciente pode ter dor a diversos movimentos, restringindo-os e simulando uma capsulite adesiva.

Referência:

http://www.ortopediaombro.com.br/doenca/?0,0,9,00-LES%C3%83O+DO+NERVO+SUPRA+ESCAPULAR.HTML

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: E

Alternativa que indico após analisar: E

VUNESP – IAMSP/PREVENIR 2011 – Questão 43

Com base na descrição deste caso, responda às questões de números 43 a 45.

JPF, gênero masculino, 52 anos, apresentou fraqueza no hemicorpo D e, em seguida, tombou no sol, enquanto trabalhava na lavoura de seu sítio. Passaram-se algumas horas, antes que fosse encontrado. Ele foi transportado para o hospital local e foi diagnosticado acidente vascular encefálico (AVE). Esse AVE resultou de bloqueio súbito de uma artéria, impedindo o fluxo de sangue para uma região cerebral. Ele foi encaminhado à fisioterapia, e apresentava a face direita alterada, incapacidade de mover seu membro superior e inferior direito e diminuição da sensibilidade no hemicorpo D. Paciente necessita de assistência máxima para se movimentar.

43. Com base na medida de independência funcional, qual o grau de independência funcional do paciente JPF no que se refere à alimentação, locomoção e higiene?

(A) Grau 2, 1 e 2, respectivamente.

(B) Grau 3, 2 e 1, respectivamente.

(C) Grau 2 para todas as atividades.

(D) Grau 2, 1 e 1, respectivamente.

(E) Grau 1 para todas as atividades.

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Casos clínicos são muito legais!

Mas nessa primeira questão os detalhes pouco importam. Se você não conhece essa escala, dá um belo chute nessa questão e passa pra próxima, nem adianta cansar os miolos tentando resolver.

Vou deixar pra vocês três links, o primeiro é a validação da escala no Brasil, o segundo a escala e o terceiro é o manual.

Só por curiosidade, quando vocês ouvirem falar em validação, estamos dizendo que a escala passou por um processo para conferir autenticidade na adaptação da escala para o contexto de outro país.

Mas afinal, o que é validação?

Adaptação cultural de uma medida ou escala de saúde, a fim de ser utilizada em um país diferente, para o qual ela foi criada, requer uma metodologia específica a fim de que essa escala ou medida seja válida em um país diferente do qual ela foi validada. Não basta realizar um trabalho de tradução, mas ela deve ser adaptada culturalmente para que mantenha sua validade de conteúdo nessa nova língua e nova população.

A escala MIF tem por objetivo mensurar o que a pessoa realmente faz, independente do diagnóstico, gerando escores válidos de incapacidade, não de deficiência.

A escala MIF é organizada em 2 dimensões, motora e cognitiva, subdivididas em categorias com um total de 18 itens, definidos para avaliar a independência do indivíduo em realizar satisfatoriamente e efetivamente atividades básicas. Estas atividades incluem o mínimo de habilidade para as categorias de cuidados pessoais, controle esfincteriano, transferência e locomoção (dimensão motora), comunicação e cognitivo social (dimensão cognitiva).

A escala MIF é organizada pela classificação do paciente em sua habilidade para executar uma atividade independente versus sua necessidade por assistência de outra pessoa ou recurso de adaptação. Se a ajuda é necessária, a escala quantifica essa necessidade. A necessidade por assistência (carga de cuidado) se traduz pelo tempo ou energia gasta por outra pessoa para atender a necessidade de manter qualidade de vida. Neste instrumento, o escore inclui: 7 pontos representando o nível de completa independência e 1 ponto, a completa dependência. O escore total na escala MIF é calculado a partir da soma de pontos atribuídos a cada item dentro das categorias.

Essa pontuação é estipulada pela escala, através de seu equivalente em funcionalidade, definidos no quadro 2 , com escore mínimo de 18 e máximo de 126.

É importante ressaltar que o escore total da MIF é de 126 pontos, porém é possível obter três classificações que são as condições: sem ajuda (S.A.) – escores 7 e 6, necessitando de ajuda (N.A.) – escores 5, 4, e 3 e dependência completa (D.C.) – escores 2 e 1.

– MIF validação no Brasil: https://toneurologiaufpr.files.wordpress.com/2013/03/mif-validac3a7c3a3o-no-brasil1.pdf
– O Instrumento: MIF: https://toneurologiaufpr.files.wordpress.com/2013/04/mif.doc           – Manual MIF: https://toneurologiaufpr.files.wordpress.com/2013/03/manual-mif.pdf

Referências:

https://toneurologiaufpr.wordpress.com/2013/04/01/medida-de-independencia-funcional-mif/

2008, Helena Brandão Viana, Vera Aparecida Madruga; Diretrizes para adaptação cultural de escalas psicométricas

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: A

Alternativa que indico após analisar: A

VUNESP – IAMSP/PREVENIR 2011 – Questão 42

42. Os objetivos de tratamento de normalizar a marcha, aumentar a ADM e a força, e melhorar a mobilidade da cicatriz, na recuperação pós-operatória de tenorrafia de Tendão de Aquiles, são objetivos propostos para que períodos (semanas) pós-operatórios?

(A) 1.ª a 8.ª.

(B) 9.ª a 16.ª.

(C) 17.ª a 20.ª.

(D) 20.ª a 30.ª.

(E) 30.ª a 40.ª.

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Após o segundo mês já podemos pensar nesses objetivos, alguns dias antes dependendo de quão bem sucedida foi a cirurgia, mas a regra geral é essa, para evitar forçar a barra antes da hora e perder o reparo feito na cirurgia.

Tenorrafia significa sutura no tendão. É um procedimento cirurgico necessário em casos de ruptura total do tendão calcâneo. Há uma opção de tratamento conservador, que consiste em imobilizar o tornozelo com o pé em plantiflexão, mas não é o melhor tratamento, é reservado para os casos em que não é viável o reparo cirúrgico.

O teste para diagnóstico desse problema é simples e sempre cai em concursos, é o teste de Thompson. Juntamente com o quadro clínico característico de edema, dor e do “gap” ou “lacuna” na região, temos um diagnóstico.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: B

Alternativa que indico após analisar: B

VUNESP – IAMSP/PREVENIR 2011 – Questão 40

40. Em um paciente hipertenso, a diminuição da pressão arterial durante a hidrocinesioterapia pode ser justificada por

(A) supressão do hormônio vasopressina e do sistema renina-angiotensina e progesterona e do peptídeo natriurético atrial.

(B) aumento do hormônio vasopressina e do sistema renina- -angiotensina e aldosterona e estimulação do peptídeo natriurético atrial.

(C) supressão do hormônio vasopressina, aumento do sistema renina-angiotensina e aldosterona e estimulação do peptídeo natriurético atrial.

(D) supressão do hormônio vasopressina e do sistema renina- -angiotensina e aldosterona e supressão do peptídeo natriurético atrial.

(E) supressão do hormônio vasopressina e do sistema renina- -angiotensina e aldosterona e estimulação do peptídeo natriurético atrial.

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Esqueçam a “hidrocinesioterapia”. Vamos pensar em ação hormonal.

Vasopressina elevada = maior pressão arterial
Vasopressina reduzida = menor pressão arterial

“A vasopressina, também conhecida como arginina vasopressina (AVP) ou argipressina ou hormônio antidiurético (HAD, em inglês ADH, antidiuretic hormone), é um hormônio humano secretado em casos de desidratação e queda da pressão arterial; fazendo com que os rins conservem a água no corpo, concentrando e reduzindo o volume da urina. Este hormônio é chamado de vasopressina, pois aumenta a pressão sanguínea ao induzir uma vasoconstrição moderada sobre as arteríolas do corpo. O ADH atua no néfron, favorecendo a abertura dos canais de água (aquaporinas) nas células do túbulo de conexão e túbulo coletor”. (By wiki)

A “B” tá fora. Prosseguindo com seu intimamente relacionado sistema renina-angiotensina:

“A lógica fundamental que preside o funcionamento do sistema é responder a uma instabilidade hemodinâmica e evitar a redução na perfusão tecidual sistêmica. Atua de modo a reverter a tendência à hipotensão arterial através da indução de vasoconstricção arteriolar periférica e aumento na volemia por meio de retenção renal de sódio (através da aldosterona) e água (através da liberação de ADH-vasopressina). Portanto, o sistema renina-angiotensina-aldosterona se soma ao sistema simpático e ao ADH, compondo o trio de sistemas neuro-hormonais de compensação cardiovascular. O aumento de atividade desse sistema eleva a pressão arterial”.

A “C” tá fora. A alternativa “A” enfiou sorrateiramente um progesterona no meio desse sistema, estando fora também.Entre as alternativas “D” e “E”, a elevação do PNA promove a redução da pressão arterial.

“Além dessa importante função na regulação da pressão arterial e controle do equilíbrio hidroeletrolítico , o SRAA também atua na estruturação e função cardiovascular. A ativação excessiva desse sistema acarreta sérias consequências, como a Hipertensão Arterial, a Hipertrofia Ventricular Esquerda e a Insuficiência Cardíaca Congestiva, dentre outras. Para os indivíduos hipertensos, a hiperatividade desse sistema pode ser bastante perigosa de modo que foi preciso buscar meios de reduzir os seus efeitos ou até de interromper o funcionamento dele.

Um mecanismo fisiológico de controle da pressão arterial é realizado pelo coração através da liberação do Peptídeo Natriurético Atrial(PNA) -além desse, existem outros peptídeos que atuam em conjunto com o PNA. Algumas ações desses peptídeos natriuréticos são: vasodilatação, redução da liberação de Aldosterona e inibição do SRAA. O resultado dessas ações é a redução da pressão arterial. Por conseguinte, trata-se de um mecanismo anti-hipertensivo”.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: E

Alternativa que indico após analisar: E