VUNESP – IAMSP/HSPE 2011 – Questão 27

27. Com relação aos exercícios resistidos, assinale a alternativa coerente com as seguintes definições, respectivamente: força, resistência e potência.

(A) Quantidade de tensão, diminuição da fadiga por prolongado tempo e alta intensidade por pequeno período de tempo.

(B) Diminuição da fadiga por prolongado tempo, quantidade de tensão e alta intensidade por pequeno período de tempo.

(C) Alta intensidade por pequeno período de tempo, quantidade de tensão e diminuição da fadiga por prolongado tempo.

(D) Alta intensidade por pequeno período de tempo, diminuição da fadiga por prolongado tempo e quantidade de tensão.

(E) Alta intensidade por pequeno período de tempo, quantidade de tensão e diminuição da fadiga por pequeno período de tempo.

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Opa, opa, pegadinha detected! Por quê? Vamos lá.

Basicamente, precisamos definir aqui o significado de força, tensão e potência.

Força é a capacidade de gerar trabalho, ou tensão, ou energia. No contexto de modalidade de exercício físico, que é o que propõe a questão, força é a quantidade de tensão. Só aqui já dá para responder, alternativa “A”, mas a opção “Alta intensidade por pequeno período de tempo” aparece como primeira escolha nas alternativas de “C” a “E”, o pode fazer muita gente que gosta de seguir receita de bolo para responder questões errar feio. Eis a pegadinha.

Resistência, no contexto dessa questão, é diminuição da fadiga por prolongado tempo.

Vamos para uma definição mais detalhada de força, resistência e potência:

Força muscular

Força muscular, segundo o colégio americano de medicina do esporte (ACSM 2003) pode ser definida como a máxima tensão que pode ser gerada por um músculo específico ou um grupo muscular.

A força é uma capacidade física que pode se manifestar na forma de força absoluta, força máxima, força hipertrófica, força de resistência e força explosica (rápida ou potência).

Força absoluta: É a máxima quantidade de força que um músculo pode gerar. Em geral, ocorre em situações extremas, principalmente em emergências , hipnose ou mediante auxilios ergogênicos.

Força máxima: É a quantidade máxima de tensão que um músculo ou grupo muscular pode gerar durante uma repetição em determinado exercicío. É também a força máxima gerada por uma contração muscular, podendo ser desenvolvida por meio de ações concêntricas (fase positiva), excêntricas (negativa) e isométricas. O meio mais utilizado para se avaliar a força máxima em aparelhos de musculação convencionais é o teste de uma repetição máxima ou 1RM.

Treinamento de força para hipertrofia muscular: Já é bem reconhecido o fato de que o TF (treinamento de força) induz a hipertrofia muscular (aumento da massa muscular). Esse processo de aumento da massa muscular é caracterizado, em resumo, pelo aumento de proteínas contráteis no músculo, sobretudo na musculatura esquelética. Isso se da geralmente pelo estimulo mecânico (contração) imposto ao músculo.

Resistência de força: É quando você consegue manter varias repetições em determinados exercicíos. É uma manifestação da força importante para que a pessoa tenha capacidade física para realizar as tarefas do dia a dia. Também contribui substancialmente para modalidades como lutas, ciclismo, natação e fisiculturismo.

Força explosiva: É o produto da força e da velocidade do movimento [potência= (força x distância)/tempo]. Também é considerada a habilidade de movimentar o corpo e/ou um objeto no menor período de tempo. De modo geral, esse termo é conhecido como potência muscular. É uma forma de manifestação da força determinante para várias modalidades esportivas, como o arremesso de peso, lançamento de dardos e salto em distância, e para idosos que apresentam lentificação de movimentos.

Referência:   PRESTES, Jonato et al. Prescrição e periodização do treinamento de força em academias. Barueri, SP. Manole, 2010.

Resistência muscular

A resistência, também capacidade de resistência ao cansaço, é a capacidade de poder executar, durante o maior tempo possível, um esforço estático ou dinâmico, sem diminuir a qualidade do exercício.

Tipos de Resistência

• Aeróbica (Dinâmica e Estática)
• Anaeróbica (Dinâmica)
• Muscular (Aeróbica, Anaeróbica e Localizada)

Resistência Aeróbica

A resistência “pura”, como capacidade de suportar esforços de enorme duração, evitando a acumulação do ácido láctico, recorrendo à utilização do oxigênio e dos nutrientes para manter a atividade indefinidamente.

Aeróbica Dinâmica

A Capacidade de resistência ao cansaço no esforço dinâmico com o emprego de mais de 1/6 a 1/7 da musculatura total do esqueleto, durante uma intensidade de movimento superior a 50% da capacidade máxima da carga circulatória e com uma duração de carga que oscila entre os três e cinco minutos.

Principais formas de treino: Corrida contínua, corrida com a duração de alguns minutos, corrida intervalada, rampas, treino em circuito.

Aeróbica Estática

Sempre que o exercício estático é feito com o emprego de grande grupo de músculos e uma carga inferior a 15/20% da força máxima numa duração da carga grande, estamos perante um tipo de resistência estática aeróbica.

Resistência Anaeróbica

Resistência anaeróbica é a capacidade de execução de determinada atividade com alta intensidade em curto espaço de tempo.

Anaeróbica Dinâmica

Também resistência de velocidade, ritmo de resistência ou apenas resistência. A exigência surge no exercício anaeróbio com carga dinâmica de intensidade de ritmo máximo, em conseqüência disso, apenas nos movimentos cíclicos ( que se repetem ) , pois nos movimentos acíclicos ( executados uma só vez ) é muito pequena para provocar um cansaço correspondente.

Resistência Muscular Localizada

A Resistência Muscular localizada tem como objetivo desenvolver no indivíduo uma melhor aptidão cardiovascular, seja para executar as tarefas cotidianas, seja para melhor a resistência nos esportes. Como o próprio nome diz, essa capacidade física visa dar uma resistência maior à fadiga.Através desse tipo de treinamento, consegue-se uma definição muscular muito evidente devido ao fortalecimento da musculatura (tônus muscular) e da conseqüente oxidação da camada lipídica subcutânea decorrente do treinamento.

Resistência Muscular Aeróbica

Dinâmica
É exigida quando um trabalho dinâmico com grupos musculares de tamanho pequeno ou médio – por exemplo, de um braço ou perna – é executado de forma aeróbica (hollmann, 1980). Através de um treinamento específico esta capacidade é melhorada de 100 até 1000%.

Estática
É quando a força de contração de um pequeno grupo muscular não alcançar 15% da força máxima isométrica, então a circulação local do músculo em trabalho ainda não está prejudicada. Deste modo, a necessidade de energia pode ser preenchida de forma oxidativa.

Resistência Muscular Anaeróbica

Dinâmica
É exigida quando é executado um trabalho dinâmico, com grupos musculares pequenos e médios – menos de 1/6 a 1/7 da massa muscular total- contra a resistência, que seja de 50% a 70% ou mais da força estática máxima. A sua taxa de treinabilidade está em cerca de 35%.

Estática
Pode ocorrer em duas formas de trabalho:

1) No trabalho de sustentação de um peso de mais de 15% da força máxima de trabalho;

2) Na contração com mais de 50% da força isométrica , onde a duração da carga estática é tão longa que a participação do trabalho dinâmico pode ser desprezado.

Quem Tem Melhor Resistência?

Graças ao poder do hormônio estrógeno, o sexo feminino é menos propenso ao cansaço dos músculos. Um estudo apresentado no último encontro anual da Sociedade Americana de Fisiologia, em Portland, nos Estados Unidos, revelou que a resistência muscular das mulheres seria três vezes superior à dos homens. A pesquisa foi feita na Universidade do Colorado, também localizada nos Estados Unidos, onde um grupo de cientistas americanos avaliou cerca de vinte participantes de ambos os sexos enquanto praticavam atividade física.

Aminoácidos na dieta X Resistência muscular

Os aminoácidos são o produto da digestão das proteínas e só são eficientes quando há uma carência bem determinada.
Já se têm notícias de que existem pesquisas avançadas sobre o uso de aminoácidos na dieta de atletas olímpicos, principalmente nas provas de força e resistência muscular.
O conhecimento das Ciências dos Alimentos e aspectos nutricionais em Fisiologia aplicada ao exercício, ainda são fontes de estudo e pesquisa, se constituindo uma incógnita e um crescente desafio à Medicina e Ciências do Esporte. Tal fato se deve, ainda, por não se conhecer, exatamente, qual o mecanismo que regula a absorção dos aminoácidos pelo organismo e, em que percentagem eles são aproveitados.
O mais sensato seria buscar orientação com profissionais da nutrição e professores de educação física, pois já está provado que o uso indiscriminado acarreta problemas de saúde, principalmente da função renal, com formação de cálculos e, também, favorece o enrijecimento das artérias, acelerando a aterosclerose, isso porque o excesso de aminoácidos no organismo, inibe a regeneração de células da parede dessas artérias.
Sem falar que de nada adiantaria uma complementação nutricional sem um treinamento físico correspondente e compatível com suas exigências metabólicas.
A alimentação que deve ser seguida por atletas ainda deve ser uma dieta equilibrada e balanceada entre carboidratos, proteínas e gorduras dentro da prescrição feita por nutricionista especializado em ciências do esporte E não esquecendo que a alimentação deve seguir uma relação direta com a performance física e níveis de exigência ao esforço individuais.

COSTILL, D. e WILMORE, J.K. Physiology of Sport and Exercise.
Human Kinectics Publishers. 1994.

Potência muscular

Definição: A potência é a capacidade da musculatura de contrair-se vencendo uma resistência que se opõe à aproximação de seus pontos de inserção.

Seu formula é a seguinte: Potencia = Peso x Distância

Tempo

A força explosiva representa a máxima manifestação da potência tendo em conta especialmente à velocidade. Isto indica que a potência é a força em velocidade.

A potência na velocidade motora

Denomina-se à ação de vencer uma resistência à maior velocidade possível. (exemplo: na face de aceleração das carreiras curtas de atletismo, no boxe, em futebol, em básquet, etc.)

O acréscimo na potência dos gestos esportivos não se aperfeiçoa só através do treinamento da coordenação, senão também, pelo acréscimo da força. A potência aparece nos gestos esportivos em forma isolada como nas tomadas e golpes nos desportos de luta e também nos desportos cíclicos: atletismo, remo, ciclismo.

A potência na força motora

Diferenças entre força e potência

Desde o aspeto funcional todos os movimentos nos quais deve ser vencido uma resistência à maior velocidade possível podem ser considerados movimentos de potência (saltos, lançamentos). Com o mesmo critério muitos exercícios de força podem ser transformados em exercícios de potência através do simples expediente de solicitar que em um curto espaço de tempo se trate de realizar o máximo número de repetições possíveis.

A potência só se identifica através de seus efeitos. Quanto maior seja a aceleração que uma pessoa possa imprimir a sua massa corporal em um tempo determinado maior será a potência de que disponha.

Para que um movimento possa ser qualificado de potente devem ser dado duas condições primordiais:

O movimento deve vencer relativamente grandes resistências que o dificultem
Devem ser atingido relativamente grandes acelerações
Potencia Muscular: É a realização de força com uma exigência associada de tempo mínimo. É o caso dos saltos, onde para conseguir um máximo resultado a força deverá ser aplicada velozmente.

Depende da força pura, a coordenação, a velocidade de contração da musculatura e o respeito dos princípios biomecánicos que regem o movimento.

Para o treinamento da potência existem as seguintes possibilidades: acréscimo da força pura e aperfeiçoamento da coordenação.

Força muscular explosiva e força de partida

A força explosiva constitui o limite de desenvolvimento da potência ou velocidade na força. Aqui tem um papel de grande importância a velocidade. Esta qualidade é decisiva no rendimento devido ao tempo que decorre dita manifestação para se conseguir. A força explosiva determina o tempo que decorre para a realização de determinada ação de força, o qual a supedita a outro elemento que intervém: a força de partida ou reação. Esta consiste no tempo que decorre em chegar a se manifestar uma tensão muscular determinada que anteriormente poderá ser concretizado em um trabalho mecânico.

O tipo de trabalho a realizar, isto é o tipo de força que temos que executar nos determinará que tipos de pesos devemos manejar. Em caso de manejar-se pesos menores, terá principal ingerencia a força em velocidade ou potência enquanto se realizamos trabalhos com pesos máximos, o acento estará sobre a força máxima.

A potência em relacionamento com a velocidade

Quando falamos da velocidade assinalamos a capacidade condicional de realizar ações motoras no menor tempo possível nas condições dadas. A potência é a capacidade d um desportista para vencer uma resistência mediante uma alta velocidade de contração, é falar de força em velocidade. Esta capacidade é decisiva nas disciplinas de sprint. Ademais são importantes para a maioria dos desportos-jogo, fases de arranque e aceleração em remo, canotaje e esquí de velocidade, carreiras ciclísticas em pista. Na velocidade como na potência há prerrequisitos essenciais, como a mobilidade dos processos nervosos, o rendimento em força rápida, a flexibilidade, a elasticidade e a capacidade de relaxação dos músculos, a qualidade da técnica esportiva, a força de vontade e os mecanismos bioquímicos.

1) Mobilidade dos processos nervosos

Uma alta velocidade de movimento e a máxima frequência do mesmo só podem ser atingido se há mudanças muito rápidos entre excitação e inibição, e com as regulações correspondentes do sistema neuromuscular, relacionadas com uma ótima aplicação da força.

2) Força rápida

Sua participação na velocidade reflete-se particularmente nas altas acelerações de saída ou na capacidade de posta em ação (ex: na maioria dos jogos-deporte). Junto da capacidade de realizar altas frequências de movimento, é a base condicional decisiva para os rendimentos de velocidade locomotiva.

A velocidade depende desde o ponto de vista bioquímico especialmente das reservas de ATP e PC, e da velocidade na mobilização da energia química. A Provisão de energia alactácida e lactácida realiza-se quase exclusivamente de acordo à máxima intensidade.

3) Elasticidade muscular

A flexibilidade, a elasticidade e a capacidade de relaxação dos músculos que nos exercícios de velocidade e potência atuam como sinergistas ou antagonistas influem decisivamente em uma correta técnica esportiva e em uma alta frequência de movimento. Se estas capacidades desenvolvem-se inadequadamente, não se conseguirá a necessária amplitude do movimento e os sinergistas devem vencer fortes resistências durante a sequência do movimento, particularmente no ponto de investimento do movimento.

4) Força de vontade

A mais alta aplicação de potência depende da máxima vontade posta no movimento.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: A

Alternativa que indico após analisar: A

IDECAN – EBSERH – HC/UFPE 2014 – Questão 26

26. Segundo REESE (2000), a avaliação de força muscular se baseia em graus para classificar o tipo de força muscular. Assim, tem-se: – Grau zero; – Grau 01; – Grau 02; – Grau 03; – Grau 04; – Grau 05. Com base nessa classificação, assinale a alternativa correta.

A) Grau 01: ligeira contração, nenhum movimento.

B) Grau 03: movimento através da amplitude incompleta com gravidade.

C) Grau zero: mínima evidência de contração muscular pela visão ou palpação.

D) Grau 05: movimento através da amplitude incompleta contra a gravidade, sendo capaz de prosseguir contra uma resistência máxima.

E) Grau 04: movimento através da amplitude incompleta contra a gravidade, sendo capaz de prosseguir contra uma resistência moderada.

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Não chequei esse autor, mas me parece o mesmo Teste Muscular Manual clássico, mencionado em outras bancas. Acertei essa sem me dar o trabalho de verificar o autor, se pensarmos que o nível “0” é nenhuma contração e gradualmente aumentarmos para movimento contra resistência externa, todas possuem erros com exceção da “A”.

O “amplitude incompleta” é o que me parece valer uma pesquisa sobre os termos usados por esse autor para quem for prestar concursos dessa banca.

Um começo de pesquisa:

http://repositorio.unesp.br/bitstream/handle/11449/97071/cortez_pjo_me_guara.pdf?sequence=1

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: A

Alternativa que indico após analisar: A

Aeronáutica – EAOT 2002 – Questão 18

18 – Com relação ao fortalecimento muscular, é INCORRETO afirmar que o(s)/a

a) ganho de força nas duas primeiras semanas é decorrente do aumento na ativação das unidades motoras.

b) atletas treinados com resistência física possuem predomínio de fibras musculares de contração lenta.

c) área de secção transversa do músculo é inversamente proporcional ao grau de fortalecimento muscular.

d) a especificidade do treinamento permite transferência de aprendizado de uma situação para outra, desde que o treinamento seja feito sob condições idênticas às da situação requerida.

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Questão extremamente interessante. Vamos debulhá-la!

Na alternativa “A” temos a afirmação: “ganho de força nas duas primeiras semanas é decorrente do aumento na ativação das unidades motoras”.

Correto. Temos maior número de unidades motoras recrutadas, não é apenas por isso, mas como a afirmação não exclui as demais alterações fisiológicas, está correta.

Na alternativa “B”, afirma-se que: “atletas treinados com resistência física possuem predomínio de fibras musculares de contração lenta”.

Correto. Fibras de contração lenta predominam em atletas de esportes de “endurance”.

Na alternativa “C” temos a seguinte afirmação: “a área de secção transversa do músculo é inversamente proporcional ao grau de fortalecimento muscular”.

Incorreto. Essa área é diretamente proporcional ao grau de fortalecimento.

Na alternativa “D”: “a especificidade do treinamento permite transferência de aprendizado de uma situação para outra, desde que o treinamento seja feito sob condições idênticas às da situação requerida”.

Correto. Algo bem relativo, já que temos que manter as mesmas condições, mas ainda assim correto.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: C

Alternativa que indico após analisar: C

FCC – TRE 13 2007 – Questão 36

E36. A circuitaria do reflexo de extensão cruzada é a base para a locomoção. A região do sistema nervoso central que encontra disponível esta circuitaria é:

(A) núcleos da base.

(B) córtex cerebral.

(C) tronco encefáfico.

(D) medula espinhal.

(E) cerebelo.

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O Sistema Nervoso Central (SNC) é composto pelo Encéfalo e pela Medula Espinhal.

ENCÉFALO (composto pelo cérebro, cerebelo e tronco encefálico)

– Cérebro (Telencéfalo e Diencéfalo) – onde encontramos Reações de Equilíbrio e Extensão Protetora

-Cerebelo – responsável pelo tônus, pelo equilíbrio e pela coordenação.

– Tronco Encefálico – composto de:

Mesencéfalo – Reações de Retificação

Ponte e Bulbo – Centro Respiratório e Reflexos

Medular:

Reflexo de Extensão Cruzada – presente no nascimento e nos primeiros 10 dias de vida.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: D

Alternativa que indico após analisar: D

FCC – TRE 13 2007 – Questão 35

35. O fuso muscular e o órgão neurotendíneo de golgi são importantes no controle da motricidade voluntária. A função de cada um é respectivamente,

(A) amplitude de movimento e tensão muscular.

(B) comprimento e tensão muscular.

(C) comprimento e velocidade de mudança do comprimento muscular.

(D) amplitude de movimento e comprimento muscular.

(E) tensão muscular e posição das articulações.

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Misturaram propriedades dos dois, mas a única que atende ao enunciado é a “B”. Fiquem com um resuminho aeeeeee povo rumaaaadooo:

Aspectos fisiológicos da flexibilidade

    Para executar um trabalho de alongamento dos músculos efetivo, devemos conhecer as propriedades neurofisiológicas dos músculos que podem afetar um aumento da flexibilidade. Para isso, três receptores principais tem implicações para o alongamento e a manutenção da amplitude de movimento favorável, como o fuso muscular, o órgão tendinoso de Golgi (OTG) e os mecanorreceptores articulares e descritos quatro fenômenos neurofisiológicos importantes, como o reflexo miotático, a coativação/co-contração, inibição autógena e a inibição recíproca (BANDY & SANDERS, 2003).

Fuso muscular

    O fuso muscular é um receptor que consiste de fibras musculares especiais, como as fibras intrafusais que são distintas das fibras musculares esqueléticas normais (fibras extrafusais) (Figura 1), terminações sensoriais e motoras localizadas nos músculos, tendões e vestíbulo da orelha cujo reflexo está conectado com a locomoção ou a postura (Gordon & Ghez, 1991; Alter, 1999). São numerosos principalmente nos músculos pequenos e delicados da mão e do olho e é o principal órgão sensitivo do músculo.

    Alterações no comprimento do músculo e à velocidade com que o comprimento se altera irão influenciar as terminações sensoriais. No alongamento do músculo, as fibras intrafusais estendem e fazem contato com as fibras extrafusais (BANDY & SANDERS, 2003). O processo de excitação de um músculo acontece quando uma mudança na permeabilidade da extremidade do neurônio sensorial ocorre, resultando em uma transferência de carga por meio da membrana terminal do nervo. Esse fluxo de corrente produz uma despolarização, denominada potencial gerador. Quando a despolarização alcança o limiar, resulta em um potencial de ação conduzido. O fuso muscular mantém um feedback contínuo de informações de cada músculo ao sistema nervoso central, apresentando a situação do músculo em cada momento (Guyton, 1996).

    Os fusos musculares são compostos de três tipos de fibras intrafusais (bolsa nuclear dinâmica, bolsa nuclear estática e cadeia nuclear), que se unem para funcionar como fusos primários e secundários. Os fusos primários são influenciados pela taxa de mudança no comprimento, criando uma resposta dinâmica. Os fusos secundários são influenciados por uma mudança no comprimento estático absoluto, ou seja, quando o estiramento muscular ativa o reflexo do fuso, as fibras extrafusais contraem-se encurtando o músculo (FRONTERA et al., 2001).

Órgão Tendinoso de Golgi

    O OTG é um mecanoreceptor sensível à contração dos músculos esquelético, a pequenas alterações na tensão do tendão e responde a tensão adicional tanto por estiramento passivo de um músculo como por contração muscular ativa (BANDY & SANDERS, 2003; ALTER, 1999). São localizados nas aponeuroses, ou junções músculo-tendinosas, e não dentro dos tendões (Figura 1).

    A principal tarefa do OTG é impedir a atividade excessiva das fibras nervosas que inervam o músculo extrafusal. Se os músculos forem alongados por 15 a 30 segundos em toda a sua extensão, acarreta em tensão no tendão. O OTG responde a essa tensão por meio das fibras nervosas tipo Ib, sendo que essas fibras nervosas têm a capacidade de sobrepor os impulsos provenientes do fuso muscular, acarretando em um relaxamento reflexo. Sendo assim, os músculos relaxam e conseguem alongar-se (Gordon & Ghez, 1991). Sua sensibilidade é tão grande que eles podem responder à contração de uma única fibra muscular (Wilmore & Costill, 2001).

    Percebeu-se que o OTG exibe um limiar mais baixo à contração muscular que ao alongamento passivo do músculo devido a força da contração muscular ser transferida de forma mais eficaz ao OTG do que a força do alongamento muscular (Monteiro, 2006).

Mecanorreceptores articulares

    Todas as articulações sinoviais do corpo humano contem quatro receptores de extremidades nervosas. Esses receptores articulares sentem forças mecânicas nas articulações, tais como pressão de alongamento e distensão. Esses receptores podem ser classificados em quatro tipos de acordo com as suas características morfológicas e comportamentais relacionadas as extremidades nervosas que serão vistas a seguir (Wyke, 1979; Alter, 1999).

Receptores articulares do Tipo I

    Os mecanorreceptores do Tipo I consistem de corpúsculos globulares finamente encapsulados e localizam-se na camada externa das cápsulas fibrosas. Em cada corpúsculo globular é provido de uma fibra mielinizada do grupo II. São mais encontrados nas articulações proximais (quadril) do que articulações mais distais (tornozelo).

    São caracterizados como receptores de limiar baixo, de adaptação lenta. Sendo assim, respondem a estresses mecânicos muito pequenos. Mesmo quando a articulação está imóvel, uma proporção desses receptores está sempre ativa (Wyke, 1979; Alter, 1999).

Receptores articulares do Tipo II

    O receptor do tipo II consistem de corpúsculos maiores espessamente encapsulados e cônicos e localizam-se na cápsula articular fibrosa em camadas subsinoviais profundas. Também são mais localizados em maior densidade nas articulações mais distais do que nas articulações mais proximais.

    Assim como os receptores do tipo I, os receptores do tipo II têm um limiar baixo, porém se adaptam mais rapidamente e não aquecem em repouso, sendo inativos nas articulações imóveis. Também são conhecidos como mecanorreceptores de aceleração ou dinâmicos e sua principal função é medir mudanças rápidas no movimento, como a aceleração e desaceleração (Wyke, 1979; Alter, 1999).

Receptores articulares do Tipo III

    O receptor articular do tipo III são corpúsculos finamente encapsulados, confinados aos ligamentos intrínsecos (dentro da cápsula articular) e extrínsecos (fora da cápsula articular) de muitas articulações. São os maiores dos corpúsculos articulares e são como os órgãos tendinosos de Golgi, comportando-se como mecanorreceptores de alto limiar que se adaptam lentamente. São completamente inativos nas articulações imóveis e respondem somente quando altas tensões são geradas nos ligamentos de cada articulação (Wyke, 1979; Alter, 1999).

Receptores articulares do Tipo IV

    As extremidades nervosas do tipo IV são desencapsuladas, portanto são subdivididas em dois tipos. O receptor do tipo IVa são representadas pelos plexos em forma de treliça, que são encontrados em grandes coxins articulares e por toda a espessura da cápsula articular, porém, com ausência de tecido sinovial, menisco intra-articular e cartilagem articular. Já o do tipo IVb são extremidades nervosas livres, são esparsos e largamente confinados aos ligamentos intrínsecos e extrínsecos (ALTER, 1999).

    Ambos os tipos IVa e IVb constituem o sistema receptor de dor dos tecidos articulares, sendo chamados de nociceptores. Quando ocorre acentuada deformação mecânica ou irritação química, como por exemplo, ácido lático, íons potássio e histaminas, podendo aparecer em situações de isquemia (falta de sangue) e hipóxia (falta de oxigênio) (Wyke, 1979; Alter, 1999).

Reflexo miotático ou de alongamento

    Quando um músculo é alongado, o mecanismo reflexo de alongamento é iniciado, estiram-se as fibras musculares extrafusais e os fusos musculares e os potenciais de ação são estimulados, o que acarretará em um impulso transmitido pelo axônio resultando em uma contração reflexa que pode ser dividida em dois componentes: fásico e tônico (ALTER, 1999).

    A resposta fásica seria uma grande ocorrência de potenciais de ação resultando em uma elevação rápida da tensão muscular, proporcional à velocidade de alongamento, como por exemplo, a contração do joelho ou reflexo patelar. Já a resposta tônica seria uma fase posterior de estimulação lenta persistente por toda a duração do alongamento, sendo proporcional a quantidade de alongamento, como por exemplo, na reação postural ao alongamento na contração do músculo gastrocnêmio (panturrilha) para corrigir um movimento para frente excessivo do centro de gravidade de um indivíduo enquanto se levanta (ALTER, 1999).

Inibição autógena

    Inibição autógena é o relaxamento neurológico de um músculo quando estimulado. Poderá ocorrer quando for ativado o OTG, gerando impulsos que irão proteger os músculos inibindo os neurônios motores α, relaxando os músculos (Gordon & Ghez, 1991; Andrews et al., 2005).

Inibição recíproca

    A inibição recíproca inibe o músculo antagonista quando o músculo agonista move um membro na amplitude do movimento (BANDY & SANDERS, 2003), ou seja, os músculos geralmente atuam em pares, sendo que quando os agonistas contraem, os músculos opostos, os antagonistas, relaxem (ALTER, 1999; ANDREWS et al., 2005). Durante a flexão ativa do quadril, por exemplo, a inibição recíproca relaxa os músculos isquiotibiais. Esse relaxamento possibilita que os flexores do quadril possam realizar o movimento sem serem influenciados pelos músculos isquiotibiais em contração (GORDON & GHEZ, 1991). Em resumo, quando os motoneurônios de um músculo recebem impulsos excitatórios que levam à contração muscular, os motoneurônios do músculo oposto recebem sinais neurais, o que torna menos provável que eles sejam estimulados e produzam contração muscular (inibição).

Coativação ou co-contração

    A coativação ou co-contração é a contração de dois músculos opostos com um alto nível de atividade nos músculos agonistas, simultaneamente com um baixo nível de atividade no músculo antagonista da mesma articulação (Solomonow & D’Ambrosia, 1991; Alter, 1999). Preserva a estabilidade articular, tendo o efeito mecânico de fazer uma articulação mais rígida, tornando o movimento mais difícil (ENOKA, 1988).

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: B

Alternativa que indico após analisar: B

FCC – TRE 13 2007 – Questão 34

34. A unidade motora é formada por um neurônio motor alfa e todas as fibras musculares que ele inerva. As unidades motoras são divididas em unidades motoras rápidas e lentas. Caracteriza cada tipo de unidade motora:

(A) unidades motoras rápidas e lentas não diferem nos tipos de fibra muscular I, IIa, IIb, mas sim no número de fibras musculares determinando a entrada em fadiga.

(B) unidades motoras rápidas são compostas por fibras musculares do tipo I e entram em fadiga rapidamente; unidades motoras lentas são compostas por fibras musculares do tipo IIa ou IIb e entram em fadiga lentamente.

(C) unidades motoras rápidas ou lentas são compostas por fibras do tipo I, IIa e IIb, assim não entram rapidamente em fadiga.

(D) unidades motoras rápidas são compostas por fibras musculares do tipo I e entram em fadiga lentamente; unidades motoras lentas são compostas por fibras musculares do tipo IIa ou IIb e entram em fadiga rapidamente.

(E) unidades motoras rápidas são compostas por fibras musculares do tipo IIa ou IIb e entram em fadiga rapidamente; unidades motoras lentas são compostas por fibras musculares do tipo I e entram em fadiga lentamente.

neuronio-motor

Fácil, parece até pegadinha, mas é isso mesmo.

A unidade motora é composta pelo grupo de fibras musculares que são coordenadas por um único neurônio motor. Este neurônio motor é responsável por transmitir a informação ao cérebro de que o músculo precisa de contrair ou de relaxar.

Uma vez que existem muito mais fibras musculares do que neurônios motores, os axônios – parte do neurônio responsável pela condução dos impulsos elétricos – ramificam-se de forma a comunicarem com as diferentes fibras musculares.

Tanto as unidades motoras como os neurônios motor que as inervam podem variar em tamanho. Neurônios motores pequenos inervam relativamente poucas fibras musculares, formando unidades motoras capazes de gerar menos força. Já neurônios motores grandes inervam uma quantidade maior de fibras musculares, formando unidades motorasmaiores e mais potentes.

As unidades motoras também diferem quanto ao tipo de fibras musculares que inervam. Na maioria do músculo esquelético, as unidades motoras pequenas inervam as fibras musculares “vermelhas”, que contraem de forma lenta e geram uma força relativamente menor.

Por outro lado, por causa do seu conteúdo abundante em mioglobina, mitocôndrias e capilares, estas fibras vermelhas são mais resistentes à fadiga. São, por isso, importantes para as atividades que exigem uma contração muscular regular, tal como caminhar ou manter uma postura ereta.

Os neurônios motores de maior dimensão inervam as fibras musculares brancas, que contraem de forma mais rápida e geram mais força. No entanto, essas fibras têm escassas mitocôndrias e, como tal, fatigam-se mais rápido. São especialmente importantes para atividades breves que necessitam de uma grande quantidade de energia e força, como sprintar ou saltar.

Uma terceira classe de unidades motoras possui propriedades que se situam entre as duas que abordamos anteriormente. Estas unidades motoras são de tamanho médio e não geram força de forma tão rápida como as que descrevemos no parágrafo anterior.

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Estas distinções entre os diferentes tipos de unidades motoras revelam a forma como o sistema nervoso produz movimentos adequados para diferentes circunstâncias. Elas também explicam as diferenças estruturais entre os grupos musculares.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: E

Alternativa que indico após analisar: E