VUNESP – Prefeitura de São José do Rio Preto/SP 2011 – Questão 38

38. A artralgia e a artrite podem ser tratadas com laser. As dosagens recomendadas pela WALT (World Association for Laser Therapy), para o laser na faixa de 780 a 820 nm, variam de

(A) 4 a 16 joules.

(B) 1 a 4 joules.

(C) 2 a 6 joules.

(D) 1 a 8 joules.

(E) 2 a 16 joules.

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O Laser (Amplificação da luz por emissão estimulada de radiação) é uma forma de radiação altamente concentrada, que em contato com diferentes tecidos resulta, de acordo com o tipo de Laser, em efeitos térmicos, fotoquímicos e não lineares.

A radiação Laser não é invasiva no comprimento de onda utilizado na fisioterapia.

Nessa questão a resposta correta é a “A”. As recomendações de dosagens terapêuticas podem ser conferidas no site da WALT, no link abaixo:

https://waltza.co.za/documentation-links/recommendations/dosage-recommendations/

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: A

Alternativa que indico após analisar: A

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VUNESP – Prefeitura de São José do Rio Preto/SP 2011 – Questão 37

37. Na fase inflamatória do processo de reparo tecidual, o ultrassom

(A) promove a contração da lesão.

(B) muda o perfil do colágeno tipo III para o tipo I.

(C) intensifica a capacidade funcional dos tecidos.

(D) aumenta a força tensil dos tecidos.

(E) estimula a degranulação dos mastócitos.

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Temos aqui uma questão controversa. Evidências atuais apontam que o US é um recurso contraindicado para reparo tecidual, podendo inclusive atrasar o processo de recuperação. Nesse caso o paciente, se tiver boa evolução, melhorou “apesar” do tratamento. Acontece.

Há um movimento interessante na fisioterapia, que confronta muitos recursos que sempre foram utilizados, mas possuiam evidência fraca. Com estudos bem desenhados, o que lhes conferem respaldo científico, alguns fisioterapeutas estão na linha de frente e de um avanço muito bonito na fisioterapia brasileira. Podemos citar, entre tantos outros de primeira grandeza, a Patrícia Mentges com escoliose, o Leo Costa com dor lombar e pesquisa científica e a Mariana Altomare com fisioterapia em PO de tecidos cicatriciais.

Ultrassom para reparo tecidual; kinesiotape e tens para lombalgia e RPG para escoliose não tem vez em tratamentos que apresentem evidências de alta qualidade.

Participem do grupo “Artigos científicos em fisioterapia” do facebook, há muito a se aprender ali. Claro que numa situação de estágio supervisionado você deve seguir as normas do seu curso, alguns supervisores são abertos a discussões, outros nem tanto. Mas quando você for decidir o que é melhor para o tratamento em que você é o fisioterapeuta, devemos sempre levar isso em consideração.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: E

Alternativa que indico após analisar: E

VUNESP – Prefeitura de São José do Rio Preto/SP 2011 – Questão 36

36. P. G.L., gênero feminino, 4 anos de idade, realiza fisioterapia há um mês devido a entorse grau III do tornozelo esquerdo. O fisioterapeuta fornece a P.G.L os comandos de esquerda e direita, porém, muitas vezes, ela se confunde com a lateralidade. Isso acontece porque o conceito de lateralidade

(A) torna-se estável entre 3 e 4 anos.

(B) já está consolidado desde os 3 anos.

(C) torna-se estável apenas aos 7 anos.

(D) torna-se estável entre 5 e 6 anos.

(E) torna-se estável apenas aos 10 anos.

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A lateralidade é um processo dinâmico que passa por diferentes fases até que, aproximadamente aos 6 – 7 anos termina por se estabelecer definitivamente.

– Fase de indiferenciação (0 a 2 anos): Trata-se de um momento em que a criança não tem definida sua lateralidade. O pequeno descobre que tem duas mãos e que lhe pertencem. É a etapa em que gosta de agarrar e jogar os objetos que manipula e se dá conta que isso lhe permite interagir com o ambiente.

– Fase de alternância (2 a 4 anos): Período em que a criança se torna uma verdadeira exploradora; tudo lhe fascina e por isso necessita ir de um lado para o outro e tocar em tudo o que estiver ao seu alcance. Se o observarmos bem, veremos que ainda utiliza as duas mãos de forma indistinta para fazer qualquer tipo de atividade.

– Fase de automatização (4 a 6 anos): A partir dos 4 anos veremos como pouco a pouco a criança vai automatizando seus gestos. É o momento em que a criança começa a utilizar mais um lado do que o outro. Assim começará a olhar por um buraco pelo olho dominante, usar o fone de ouvido do telefone ao ouvido preferencial, chutar a bola com o pé dominante, pegar o lápis para escrever ou um copo para beber com a mão que finalmente irá usar.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: D

Alternativa que indico após analisar: D

VUNESP – Prefeitura de São José do Rio Preto/SP 2011 – Questão 35

35. A ação que possui nível A de evidência (produzido por resultados consistentes fornecidos por uma revisão sistemática de alta qualidade com vários ensaios clínicos randomizados), fornecida pelo European Guidelines for Prevention in Low back Pain para prevenção de lombalgia, consiste em

(A) prática de exercícios.

(B) uso de cintos e suportes lombares.

(C) uso de adaptações ergonômicas no trabalho.

(D) uso de tapetes antifadiga.

(E) uso de sapatos com palmilhas macias.

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Evidência para tratamento de lombalgia, sempre exercício físico. Esse concurso é de 2011 e da lá pra cá a coisa só pendeu favorável pro lado dos exercícios físicos. Claro que não é qualquer exercício que um indivíduo em crise de dor lombar pode fazer, inclusive muitos deles pioram uma lombalgia aguda. Essa é a arte e a beleza da Fisioterapia: com exercícios simples, mas na medida e no momento adequado, indicados progressivamente, obtemos resultados melhores que se o indivíduo se tratasse apenas com exercícios inespecíficos ou analgésicos e anti-inflamatórios.

Recursos eletro e termo-terapêuticos possuem certa dificuldade em comprovar resultados no que se refere a melhora da função, apesar de muitos mostrarem bom resultado para analgesia de curto prazo. Acupuntura também tem boa evidência. A combinação dos recursos terapêuticos manuais e exercícios físicos individualizados é o que pode garantir o sucesso do tratamento para lombalgias.

No caso dessa questão em especial o que se pede é a prevenção, mas a regra é a mesma. Atividade física regular, controle do stress no trabalho e na vida pessoal, adaptações ergonômicas nas atividades do trabalho e consciência corporal me parecem ser a combinação ideal para prevenção de dores de forma geral.

A guideline europeia que encontrei disponível por aí é de 2004, provavelmente foi a utilizada na época da prova.

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3454541/pdf/586_2006_Article_1070.pdf

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: A

Alternativa que indico após analisar: A

VUNESP – Prefeitura de São José do Rio Preto/SP 2011 – Questão 34

34. De acordo com Elizabeth Uchôa, as contribuições da antropologia para questões relativas à saúde do idoso

(A) relativizaram a visão universalista de envelhecimento, delimitado à dimensão biológica e associado à deterioração do corpo.

(B) tornaram conhecidos estudos realizados em sociedades ocidentais mostrando imagens bem mais positivas da velhice e do envelhecimento.

(C) questionaram a universalidade da visão oriental e ensinaram que uma representação de velhice enraizada nas ideias de deterioração e perda não é universal.

(D) mostraram que estudos realizados em sociedades ocidentais enfatizam o poder, o elevado status e o papel social central atribuídos aos idosos nessas sociedades.

(E) evidenciaram que o envelhecimento deixa, então, de ser encarado como um estado ao qual os indivíduos se submetem ativamente para ser encarado como um fenômeno biológico, ao qual os indivíduos reagem a partir de suas referências pessoais e culturais.

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Apesar da entrada tardia no campo de estudos sobre o envelhecimento, a antropologia já deu algumas contribuições fundamentais para inovar a abordagem das questões relativas à saúde do idoso. A primeira delas refere-se à relativização da visão universalista, usualmente adotada em estudos sobre o envelhecimento. Delimitado inicialmente a partir de sua dimensão biológica, o envelhecimento foi associado à deterioração do corpo e, em conseqüência, tratado como uma etapa da vida caracterizada pelo declínio (Corin, 1985; Debert, 1999). Cristalizou-se, assim, uma visão orgânica do envelhecimento.

Entretanto, estudos realizados em sociedades não ocidentais tornaram conhecidas imagens bem mais positivas da velhice e do envelhecimento, questionando a universalidade da visão ocidental e ensinando que uma representação de velhice enraizada nas idéias de deterioração e perda não é universal.

UCHOA, Elizabeth; Contribuições da antropologia para uma abordagem das questões relativas à saúde do idoso; disponível em https://www.nescon.medicina.ufmg.br/biblioteca/imagem/0432.pdf, acesso em 13 de janeiro de 2018.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: A

Alternativa que indico após analisar: A

VUNESP – Prefeitura de São José do Rio Preto/SP 2011 – Questão 33

33. É correto afirmar que a fáscia superficial sobre

(A) as nádegas e parede abdominal é fina e ligada ao tecido adiposo.

(B) a pele do dorso da mão, cotovelo e região fascial tem espessura intermediária.

(C) as nádegas e parede abdominal é espessa e ligada ao tecido adiposo.

(D) a pele do dorso da mão, cotovelo e região fascial é espessa.

(E) as nádegas e parede abdominal tem espessura intermediária e é ligada ao tecido adiposo.

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Temos aqui uma questão de anatomia. Vamos rever:

Dos componentes anatômicos do tecido conjuntivo no músculo temos a fáscia Superficial que separa os músculos da pele a Fáscia Muscular, que é uma lâmina ou faixa larga de tecido conjuntivo fibroso, que, abaixo da pele, e circunda os músculos e outros órgãos do corpo.
Epimísio é a camada mais externa de tecido conjuntivo, circunda todo o músculo. Perimísio circunda grupos de 10 a 100 ou mais fibras musculares individuais, separando-as em feixes chamados fascículos. Os fascículos podem ser vistos a olho nu. Endomísio é um fino revestimento de tecido conjuntivo que penetra no interior de cada fascículo e separa as fibras musculares individuais de seus vizinhos.

FÁSCIA

A fáscia é um tipo de tecido conjuntivo fibroso que se espalha por todo o corpo de forma contínua, envolvendo estruturas e formando uma bainha sob a pele.
A fáscia mantém e conecta entre si todas as estruturas do corpo humano, formando uma teia tridimensional que se distribui desde a cabeça até aos pés sem interrupção, envolvendo todo e qualquer tecido do corpo desde grupos musculares, ossos e órgãos. É, por este motivo, também conhecida como tecido conectivo.

É constituída essencialmente por fibras de colagéneo (fibras tipo I, III, IV, V, VI) que lhe conferem resistência, por elastina que lhe confere elasticidade e por uma percentagem de água que lhe confere a viscosidade necessária para deslizar sobre outras camadas de fáscia.
Alguns tipos de fáscia têm nomes específicos, por exemplo ao tecido conjuntivo que reveste os ossos designamos de periósteo e o que reveste um músculo designamos epimísio.
No caso específico dos músculos, a função do tecido conjuntivo é manter juntas as células musculares, conectar os músculos aos tendões e permitir o movimento independente de cada músculo (possível através da viscosidade fascial, que permite os deslizamentos). Os componentes fasciais do músculo são contínuos uns aos outros. Nas extremidades musculares, estes componentes continuam-se com o restante tecido conjuntivo. A fáscia é, por isso mesmo, uma indispensável no desempenho fisiológico de cada ser humano.

As principais funções da fáscia são:
– Serve de bainha elástica de contenção para exercer tração durante a contração,
– Permite fácil deslizamento muscular entre si,
– Separa grupos em compartimentos musculares,
– Serve de meio de suporte para nervos e vasos sanguíneos e linfáticos,
– Permite a movimentação dos tecidos subjacentes uns sobre os outros, fornecendo estabilidade e contorno à estrutura corporal.
– É responsável pelo fluído lubrificante existente entre as estruturas, o que facilita o movimento e a nutrição dos tecidos.

Tipos de fáscias
Mesmo sendo um tecido contínuo conta com diversas camadas, e cada uma delas recebe nomes específicos. São classificados nos três seguintes grupos:

Fáscia superficial: trata-se da camada mais externa, ela comunica-se diretamente com a pele. É essa malha que permite que a pele se movimente em várias direções sobre as estruturas mais profundas. É na fáscia superficial onde se acumulam fluidos e metabólitos, que podem causar alterações de textura notáveis à palpação. Esta contém tecido adiposo, vasos sanguíneos e linfáticos e tecidos nervosos, dos quais se destacam os receptores da pele.

Fáscia profunda: essa é a camada que envolve e separa os músculos e os órgãos viscerais internos e é uma das estruturas responsáveis para a função e contorno corporal. É  a camada que compartimenta o corpo. A sua malha é firme e compacta, com alguma rigidez.

Fáscia sub-serosa: essa fáscia reveste os órgãos viscerais internos. É constituída por tecido conjuntivo de malha laxa de fibras entrelaçadas e possui numerosos canais circulatórios que lubrificam as superfícies das vísceras internas.

Referências
– Dicionário Médico Enciclopédico Taber; Ed. Manole, 2000.
– Seeley, Stephens, Tate; Anatomia & Fisiologia, Ed. Lusodidacta, 2001.
– Greenman, Philip E.; Princípios da Medicina Manual, Ed. Manole, 2001.
– BIENFAIT, Marcel. Bases da Fisiologia da Terapia Manual.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: C

Alternativa que indico após analisar: C

VUNESP – Prefeitura de São José do Rio Preto/SP 2011 – Questão 32

32. Assinale a alternativa correta sobre o código de Ética Profissional de Fisioterapia.

(A) O fisioterapeuta e o terapeuta ocupacional prestam assistência ao homem, participando do diagnóstico, da promoção, do tratamento e da recuperação de sua saúde.

(B) O fisioterapeuta e o terapeuta ocupacional zelam pela provisão e manutenção de adequada assistência ao cliente, sob supervisão de um médico responsável.

(C) A responsabilidade do fisioterapeuta e/ou terapeuta ocupacional, por erro cometido em sua atuação profissional, é diminuída quando cometido o erro na coletividade de uma instituição ou de uma equipe.

(D) O fisioterapeuta e o terapeuta ocupacional avaliam sua competência e somente aceitam atribuição ou assumem encargo quando capazes de desempenho seguro para o cliente.

(E) O fisioterapeuta e o terapeuta ocupacional são responsáveis pelo desempenho técnico do pessoal sob sua direção, supervisão e orientação, coordenados por um médico responsável.

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Resolução nº 424 novamente. Vou utilizar o código de ética de 2013, mas na ocasião desta prova estava em vigor o código de ética anterior, que era comum a fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais.

Artigo 5º – O fisioterapeuta avalia sua capacidade técnica e somente aceita atribuição ou assume encargo quando capaz de desempenho seguro para o cliente/paciente/usuário, em respeito aos direitos humanos.

Alternativa que assinalei quando fiz a prova: D

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: D

Alternativa que indico após analisar: D