VUNESP – IAMSP/HSPE 2011 – Questão 27

27. Com relação aos exercícios resistidos, assinale a alternativa coerente com as seguintes definições, respectivamente: força, resistência e potência.

(A) Quantidade de tensão, diminuição da fadiga por prolongado tempo e alta intensidade por pequeno período de tempo.

(B) Diminuição da fadiga por prolongado tempo, quantidade de tensão e alta intensidade por pequeno período de tempo.

(C) Alta intensidade por pequeno período de tempo, quantidade de tensão e diminuição da fadiga por prolongado tempo.

(D) Alta intensidade por pequeno período de tempo, diminuição da fadiga por prolongado tempo e quantidade de tensão.

(E) Alta intensidade por pequeno período de tempo, quantidade de tensão e diminuição da fadiga por pequeno período de tempo.

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Opa, opa, pegadinha detected! Por quê? Vamos lá.

Basicamente, precisamos definir aqui o significado de força, tensão e potência.

Força é a capacidade de gerar trabalho, ou tensão, ou energia. No contexto de modalidade de exercício físico, que é o que propõe a questão, força é a quantidade de tensão. Só aqui já dá para responder, alternativa “A”, mas a opção “Alta intensidade por pequeno período de tempo” aparece como primeira escolha nas alternativas de “C” a “E”, o pode fazer muita gente que gosta de seguir receita de bolo para responder questões errar feio. Eis a pegadinha.

Resistência, no contexto dessa questão, é diminuição da fadiga por prolongado tempo.

Vamos para uma definição mais detalhada de força, resistência e potência:

Força muscular

Força muscular, segundo o colégio americano de medicina do esporte (ACSM 2003) pode ser definida como a máxima tensão que pode ser gerada por um músculo específico ou um grupo muscular.

A força é uma capacidade física que pode se manifestar na forma de força absoluta, força máxima, força hipertrófica, força de resistência e força explosica (rápida ou potência).

Força absoluta: É a máxima quantidade de força que um músculo pode gerar. Em geral, ocorre em situações extremas, principalmente em emergências , hipnose ou mediante auxilios ergogênicos.

Força máxima: É a quantidade máxima de tensão que um músculo ou grupo muscular pode gerar durante uma repetição em determinado exercicío. É também a força máxima gerada por uma contração muscular, podendo ser desenvolvida por meio de ações concêntricas (fase positiva), excêntricas (negativa) e isométricas. O meio mais utilizado para se avaliar a força máxima em aparelhos de musculação convencionais é o teste de uma repetição máxima ou 1RM.

Treinamento de força para hipertrofia muscular: Já é bem reconhecido o fato de que o TF (treinamento de força) induz a hipertrofia muscular (aumento da massa muscular). Esse processo de aumento da massa muscular é caracterizado, em resumo, pelo aumento de proteínas contráteis no músculo, sobretudo na musculatura esquelética. Isso se da geralmente pelo estimulo mecânico (contração) imposto ao músculo.

Resistência de força: É quando você consegue manter varias repetições em determinados exercicíos. É uma manifestação da força importante para que a pessoa tenha capacidade física para realizar as tarefas do dia a dia. Também contribui substancialmente para modalidades como lutas, ciclismo, natação e fisiculturismo.

Força explosiva: É o produto da força e da velocidade do movimento [potência= (força x distância)/tempo]. Também é considerada a habilidade de movimentar o corpo e/ou um objeto no menor período de tempo. De modo geral, esse termo é conhecido como potência muscular. É uma forma de manifestação da força determinante para várias modalidades esportivas, como o arremesso de peso, lançamento de dardos e salto em distância, e para idosos que apresentam lentificação de movimentos.

Referência:   PRESTES, Jonato et al. Prescrição e periodização do treinamento de força em academias. Barueri, SP. Manole, 2010.

Resistência muscular

A resistência, também capacidade de resistência ao cansaço, é a capacidade de poder executar, durante o maior tempo possível, um esforço estático ou dinâmico, sem diminuir a qualidade do exercício.

Tipos de Resistência

• Aeróbica (Dinâmica e Estática)
• Anaeróbica (Dinâmica)
• Muscular (Aeróbica, Anaeróbica e Localizada)

Resistência Aeróbica

A resistência “pura”, como capacidade de suportar esforços de enorme duração, evitando a acumulação do ácido láctico, recorrendo à utilização do oxigênio e dos nutrientes para manter a atividade indefinidamente.

Aeróbica Dinâmica

A Capacidade de resistência ao cansaço no esforço dinâmico com o emprego de mais de 1/6 a 1/7 da musculatura total do esqueleto, durante uma intensidade de movimento superior a 50% da capacidade máxima da carga circulatória e com uma duração de carga que oscila entre os três e cinco minutos.

Principais formas de treino: Corrida contínua, corrida com a duração de alguns minutos, corrida intervalada, rampas, treino em circuito.

Aeróbica Estática

Sempre que o exercício estático é feito com o emprego de grande grupo de músculos e uma carga inferior a 15/20% da força máxima numa duração da carga grande, estamos perante um tipo de resistência estática aeróbica.

Resistência Anaeróbica

Resistência anaeróbica é a capacidade de execução de determinada atividade com alta intensidade em curto espaço de tempo.

Anaeróbica Dinâmica

Também resistência de velocidade, ritmo de resistência ou apenas resistência. A exigência surge no exercício anaeróbio com carga dinâmica de intensidade de ritmo máximo, em conseqüência disso, apenas nos movimentos cíclicos ( que se repetem ) , pois nos movimentos acíclicos ( executados uma só vez ) é muito pequena para provocar um cansaço correspondente.

Resistência Muscular Localizada

A Resistência Muscular localizada tem como objetivo desenvolver no indivíduo uma melhor aptidão cardiovascular, seja para executar as tarefas cotidianas, seja para melhor a resistência nos esportes. Como o próprio nome diz, essa capacidade física visa dar uma resistência maior à fadiga.Através desse tipo de treinamento, consegue-se uma definição muscular muito evidente devido ao fortalecimento da musculatura (tônus muscular) e da conseqüente oxidação da camada lipídica subcutânea decorrente do treinamento.

Resistência Muscular Aeróbica

Dinâmica
É exigida quando um trabalho dinâmico com grupos musculares de tamanho pequeno ou médio – por exemplo, de um braço ou perna – é executado de forma aeróbica (hollmann, 1980). Através de um treinamento específico esta capacidade é melhorada de 100 até 1000%.

Estática
É quando a força de contração de um pequeno grupo muscular não alcançar 15% da força máxima isométrica, então a circulação local do músculo em trabalho ainda não está prejudicada. Deste modo, a necessidade de energia pode ser preenchida de forma oxidativa.

Resistência Muscular Anaeróbica

Dinâmica
É exigida quando é executado um trabalho dinâmico, com grupos musculares pequenos e médios – menos de 1/6 a 1/7 da massa muscular total- contra a resistência, que seja de 50% a 70% ou mais da força estática máxima. A sua taxa de treinabilidade está em cerca de 35%.

Estática
Pode ocorrer em duas formas de trabalho:

1) No trabalho de sustentação de um peso de mais de 15% da força máxima de trabalho;

2) Na contração com mais de 50% da força isométrica , onde a duração da carga estática é tão longa que a participação do trabalho dinâmico pode ser desprezado.

Quem Tem Melhor Resistência?

Graças ao poder do hormônio estrógeno, o sexo feminino é menos propenso ao cansaço dos músculos. Um estudo apresentado no último encontro anual da Sociedade Americana de Fisiologia, em Portland, nos Estados Unidos, revelou que a resistência muscular das mulheres seria três vezes superior à dos homens. A pesquisa foi feita na Universidade do Colorado, também localizada nos Estados Unidos, onde um grupo de cientistas americanos avaliou cerca de vinte participantes de ambos os sexos enquanto praticavam atividade física.

Aminoácidos na dieta X Resistência muscular

Os aminoácidos são o produto da digestão das proteínas e só são eficientes quando há uma carência bem determinada.
Já se têm notícias de que existem pesquisas avançadas sobre o uso de aminoácidos na dieta de atletas olímpicos, principalmente nas provas de força e resistência muscular.
O conhecimento das Ciências dos Alimentos e aspectos nutricionais em Fisiologia aplicada ao exercício, ainda são fontes de estudo e pesquisa, se constituindo uma incógnita e um crescente desafio à Medicina e Ciências do Esporte. Tal fato se deve, ainda, por não se conhecer, exatamente, qual o mecanismo que regula a absorção dos aminoácidos pelo organismo e, em que percentagem eles são aproveitados.
O mais sensato seria buscar orientação com profissionais da nutrição e professores de educação física, pois já está provado que o uso indiscriminado acarreta problemas de saúde, principalmente da função renal, com formação de cálculos e, também, favorece o enrijecimento das artérias, acelerando a aterosclerose, isso porque o excesso de aminoácidos no organismo, inibe a regeneração de células da parede dessas artérias.
Sem falar que de nada adiantaria uma complementação nutricional sem um treinamento físico correspondente e compatível com suas exigências metabólicas.
A alimentação que deve ser seguida por atletas ainda deve ser uma dieta equilibrada e balanceada entre carboidratos, proteínas e gorduras dentro da prescrição feita por nutricionista especializado em ciências do esporte E não esquecendo que a alimentação deve seguir uma relação direta com a performance física e níveis de exigência ao esforço individuais.

COSTILL, D. e WILMORE, J.K. Physiology of Sport and Exercise.
Human Kinectics Publishers. 1994.

Potência muscular

Definição: A potência é a capacidade da musculatura de contrair-se vencendo uma resistência que se opõe à aproximação de seus pontos de inserção.

Seu formula é a seguinte: Potencia = Peso x Distância

Tempo

A força explosiva representa a máxima manifestação da potência tendo em conta especialmente à velocidade. Isto indica que a potência é a força em velocidade.

A potência na velocidade motora

Denomina-se à ação de vencer uma resistência à maior velocidade possível. (exemplo: na face de aceleração das carreiras curtas de atletismo, no boxe, em futebol, em básquet, etc.)

O acréscimo na potência dos gestos esportivos não se aperfeiçoa só através do treinamento da coordenação, senão também, pelo acréscimo da força. A potência aparece nos gestos esportivos em forma isolada como nas tomadas e golpes nos desportos de luta e também nos desportos cíclicos: atletismo, remo, ciclismo.

A potência na força motora

Diferenças entre força e potência

Desde o aspeto funcional todos os movimentos nos quais deve ser vencido uma resistência à maior velocidade possível podem ser considerados movimentos de potência (saltos, lançamentos). Com o mesmo critério muitos exercícios de força podem ser transformados em exercícios de potência através do simples expediente de solicitar que em um curto espaço de tempo se trate de realizar o máximo número de repetições possíveis.

A potência só se identifica através de seus efeitos. Quanto maior seja a aceleração que uma pessoa possa imprimir a sua massa corporal em um tempo determinado maior será a potência de que disponha.

Para que um movimento possa ser qualificado de potente devem ser dado duas condições primordiais:

O movimento deve vencer relativamente grandes resistências que o dificultem
Devem ser atingido relativamente grandes acelerações
Potencia Muscular: É a realização de força com uma exigência associada de tempo mínimo. É o caso dos saltos, onde para conseguir um máximo resultado a força deverá ser aplicada velozmente.

Depende da força pura, a coordenação, a velocidade de contração da musculatura e o respeito dos princípios biomecánicos que regem o movimento.

Para o treinamento da potência existem as seguintes possibilidades: acréscimo da força pura e aperfeiçoamento da coordenação.

Força muscular explosiva e força de partida

A força explosiva constitui o limite de desenvolvimento da potência ou velocidade na força. Aqui tem um papel de grande importância a velocidade. Esta qualidade é decisiva no rendimento devido ao tempo que decorre dita manifestação para se conseguir. A força explosiva determina o tempo que decorre para a realização de determinada ação de força, o qual a supedita a outro elemento que intervém: a força de partida ou reação. Esta consiste no tempo que decorre em chegar a se manifestar uma tensão muscular determinada que anteriormente poderá ser concretizado em um trabalho mecânico.

O tipo de trabalho a realizar, isto é o tipo de força que temos que executar nos determinará que tipos de pesos devemos manejar. Em caso de manejar-se pesos menores, terá principal ingerencia a força em velocidade ou potência enquanto se realizamos trabalhos com pesos máximos, o acento estará sobre a força máxima.

A potência em relacionamento com a velocidade

Quando falamos da velocidade assinalamos a capacidade condicional de realizar ações motoras no menor tempo possível nas condições dadas. A potência é a capacidade d um desportista para vencer uma resistência mediante uma alta velocidade de contração, é falar de força em velocidade. Esta capacidade é decisiva nas disciplinas de sprint. Ademais são importantes para a maioria dos desportos-jogo, fases de arranque e aceleração em remo, canotaje e esquí de velocidade, carreiras ciclísticas em pista. Na velocidade como na potência há prerrequisitos essenciais, como a mobilidade dos processos nervosos, o rendimento em força rápida, a flexibilidade, a elasticidade e a capacidade de relaxação dos músculos, a qualidade da técnica esportiva, a força de vontade e os mecanismos bioquímicos.

1) Mobilidade dos processos nervosos

Uma alta velocidade de movimento e a máxima frequência do mesmo só podem ser atingido se há mudanças muito rápidos entre excitação e inibição, e com as regulações correspondentes do sistema neuromuscular, relacionadas com uma ótima aplicação da força.

2) Força rápida

Sua participação na velocidade reflete-se particularmente nas altas acelerações de saída ou na capacidade de posta em ação (ex: na maioria dos jogos-deporte). Junto da capacidade de realizar altas frequências de movimento, é a base condicional decisiva para os rendimentos de velocidade locomotiva.

A velocidade depende desde o ponto de vista bioquímico especialmente das reservas de ATP e PC, e da velocidade na mobilização da energia química. A Provisão de energia alactácida e lactácida realiza-se quase exclusivamente de acordo à máxima intensidade.

3) Elasticidade muscular

A flexibilidade, a elasticidade e a capacidade de relaxação dos músculos que nos exercícios de velocidade e potência atuam como sinergistas ou antagonistas influem decisivamente em uma correta técnica esportiva e em uma alta frequência de movimento. Se estas capacidades desenvolvem-se inadequadamente, não se conseguirá a necessária amplitude do movimento e os sinergistas devem vencer fortes resistências durante a sequência do movimento, particularmente no ponto de investimento do movimento.

4) Força de vontade

A mais alta aplicação de potência depende da máxima vontade posta no movimento.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: A

Alternativa que indico após analisar: A

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