Caminhos do bacharel em fisioterapia

diploma

Depois de anos, você se forma. É agora fisioterapeuta, um profissional de saúde de nível superior e pode exercer a profissão. Em meio à satisfação do objetivo alcançado, você precisa entrar em um mercado de trabalho que já está saturado há muitos anos. Há alguns caminhos que observei e venho observando há  anos. Não vou me ater à qualidade da formação nem ao grau de interesse pela profissão. Claro que isso importa, mas infelizmente não garantem a entrada no mercado de trabalho.

CAMINHO SUAVE

Situações de quem não vai bater muito a cabeça, como aquele menininho da meme “cara de quem nunca vai precisar comprar em 10 parcelas“.

Quem tem familiar envolvido na área da saúde

Quem possui pai, mãe, esposo, esposa ou familiar próximo que é médico com consultório ou clínica particular. O recém-formado pode se desenvolver na profissão sem pressões por produção e sem estar sendo avaliado a todo instante.

Quem possui situação financeira favorável

Nesse caso, o fisioterapeuta monta uma clínica na área de preferência e pode investir nos mais diversos cursos que existem, a maior parte deles caros e de retorno incerto. Mas o dinheiro não fará falta e algum conhecimento adquirido sempre pode ser utilizado.

Quem possui um QI

Por indicação é possível entrar no mercado de trabalho como terceirizado em prefeituras e em hospitais. Nada mais fácil e independente de mérito.

CAMINHO DO MEIO

Caminhos de quem decididamente tem algumas facilidades mas decidiu que precisa tomar decisões que serão decisivas para decidir seu futuro e decididamente não pode ficar indeciso.

Quem possui contatos e boa formação

Tempos atrás, quem se formava em faculdades públicas e em algumas particulares de renome tinha acesso facilitado ao mercado de trabalho. Atualmente a situação é tão restritiva que muitos fisioterapeutas com boa formação partem para o caminho suave, quando podem. Quando não podem, partem pro jeito mais difícil, que descrevo abaixo, em”caminho árduo”.

Incluo aqui também quem possui contatos que facilitem o prosseguimento a nível de mestrado e doutorado. Não é dos mais fáceis mesmo considerando que não estudamos física nem engenharia, mas ao menos psicologicamente e emocionalmente falando não é dos mais difíceis, já que a certeza de ter um diferencial após o término dos estudos pode permitir ao fisioterapeuta a entrada no meio acadêmico como professor em faculdades particulares, e após concluir o doutorado, em instituições públicas. Nesse último caso é por concurso, ok?

Quem empreende com sacrifícios

Aqui se encaixa quem montou uma clínica com alguma dificuldade, fazendo empréstimos com bancos ou familiares. Precisa de apoio, realizar marketing da clínica e fazer parcerias.

CAMINHO ÁRDUO

Nessa categoria está a grande massa dos recém-formados. Quase todos os que se formaram em faculdades particulares de pouca expressão(e qualidade?) podem ser incluídos nesse bolo. Como a maior parte desses empregos não possuem registro e o fisioterapeuta não ganha grande coisa para poder investir em previdência, então muitos não podem se dar ao luxo de adoecer ou tirar férias.

“Home care” e clínicas ou hospitais particulares

Essas três são de entrada simples e são situações que podem ser boas oportunidades para iniciar um desenvolvimento na profissão, desde que se esteja em mente um outro emprego melhor futuramente. Mas pode ser também pura exploração, com muito estresse e cansaço físico, mental e emocional..

No “home-care”, há muita dificuldade de tempo, dependendo da cidade e de seu trânsito. Boa parte são pacientes acamados, os atendimentos não são tão breves.

A exploração pelos planos de saúde, que pagam uma ninharia para cada atendimento do fisioterapeuta, se converte em exploração dos próprios fisioterapeutas, que acabam atendendo em ritmo de linha de produção em razão do valor final que lhes é destinado.

Consultório particular

Abrir um consultório particular não é muito caro, basicamente aluguel e alguns poucos itens para tratamento, mas como fazer um nome? Como conseguir clientes de forma a bancar as despesas decorrentes do empreendimento e ainda ter um lucro que seja melhor que o salário de um atendente de telemarketing? Nada fácil.

Concursos

Minha opção. Sempre fui um desastre em relações sociais. Optei pelos concursos não apenas pela estabilidade e benefícios. Já era concursado em um cargo de nível médio de uma prefeitura pequena, então vendia o almoço para pagar as parcelas da janta.  Não teria muita facilidade em lidar com a realidade de estar sendo explorado.

A concorrência é difícil, é necessária muita dedicação em aspectos que pouco tem a ver com a realidade prática da profissão. Estudar para concurso é diferente de estudar o conteúdo da graduação.

Creio que abarquei aqui a maior parte das variáveis dos recém-formados em fisioterapia. Acredito até que pelo menos metade dos recém-formados acaba mudando de profissão ou indo trabalhar em cargos de nível médio no comércio antes dos 3 anos após se formar. Alguns outros persistem por um tempo, e alguns poucos realmente conseguem conciliar sucesso financeiro com sucesso profissional e realização pessoal.

 

14 pensamentos sobre “Caminhos do bacharel em fisioterapia

      • Mudei lá. O engraçado ´que se você botar no google “técnico de nivel superior fisioterapia coffito”, aparece um concurso PARA O COFFITO onde eles descrevem todos os cargos de nível superior como “técnico de nível superior”.

  1. Nossa o caminho árduo super me descreveu, e também concordo sobre o comentário do concurso, me formei em 2014 e não foi nem está sendo nada fácil, trabalhei e ainda trabalho com Pilates e home care, graças a Deus também passei em dois concursos esse ano no qual já assumi em um deles, um pena não poder ficar com os dois, não é o emprego dos sonhos mas vamos continuar batalhando! Abraço André e vamos voltar com as questoes kkkkk

  2. Oi André, bacana esse post! Apesar de ser estudante e ter consciência dessa saturação de profissionais, o que me faz absorver o máximo de informação agora, além de fazer o filme com o professores(contatos!!!) é que iremos lidar com responsabilidade da vida de um próximo.

  3. Encontro-me nessa situação de recém formado e não tem sido nada fácil. Sempre gostei dos concursos, pois nem sou de família de médico nem tenho apadrinhamento. O que me deixa triste é sempre a quantidade tão resumida de vagas em concurso para fisioterapia, até mesmo quando comparada as outras aéreas da saúde.

    • isso é verdade Ericksson, mas por outro lado a concorrência é menor, cargos como de enfermeiro têm uns concurseiros profissionais. Se vc tem mobilidade e disponibilidade para mudar de cidade, compensa estudar e viajar para concursos de bancas confiáveis.

  4. Gostei muito desse post, retrata bem nossa realidade! Em 4 anos e meio de formada ainda não alcancei a estabilidade financeira a qual gostaria. Já rodei em varias áreas da fisio, começando pelos hospitais particulares (uma experiência parovosa!), depois clínicas particulares. Em seguida, passei um tempo desempregada estudando para concursos. Há dois anos e meio estou no Pilates, financeiramente falando foi o melhor retorno até hoje. Mas, infelizmente, muitas vezes não me sinto reabilitando pacientes, pois muita gente procura o método apenas para condicionamento físico…Por isso estou na luta novamente pelos concursos pra ver se consigo conciliar as duas coisas: o amor pela profissão e o financeiro.

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