FCC – TRE 13 2007 – Questão 35

35. O fuso muscular e o órgão neurotendíneo de golgi são importantes no controle da motricidade voluntária. A função de cada um é respectivamente,

(A) amplitude de movimento e tensão muscular.

(B) comprimento e tensão muscular.

(C) comprimento e velocidade de mudança do comprimento muscular.

(D) amplitude de movimento e comprimento muscular.

(E) tensão muscular e posição das articulações.

flexibilidade-aspectos-fisiologicos-e-fatores-limitantes-01.jpg

Misturaram propriedades dos dois, mas a única que atende ao enunciado é a “B”. Fiquem com um resuminho aeeeeee povo rumaaaadooo:

Aspectos fisiológicos da flexibilidade

    Para executar um trabalho de alongamento dos músculos efetivo, devemos conhecer as propriedades neurofisiológicas dos músculos que podem afetar um aumento da flexibilidade. Para isso, três receptores principais tem implicações para o alongamento e a manutenção da amplitude de movimento favorável, como o fuso muscular, o órgão tendinoso de Golgi (OTG) e os mecanorreceptores articulares e descritos quatro fenômenos neurofisiológicos importantes, como o reflexo miotático, a coativação/co-contração, inibição autógena e a inibição recíproca (BANDY & SANDERS, 2003).

Fuso muscular

    O fuso muscular é um receptor que consiste de fibras musculares especiais, como as fibras intrafusais que são distintas das fibras musculares esqueléticas normais (fibras extrafusais) (Figura 1), terminações sensoriais e motoras localizadas nos músculos, tendões e vestíbulo da orelha cujo reflexo está conectado com a locomoção ou a postura (Gordon & Ghez, 1991; Alter, 1999). São numerosos principalmente nos músculos pequenos e delicados da mão e do olho e é o principal órgão sensitivo do músculo.

    Alterações no comprimento do músculo e à velocidade com que o comprimento se altera irão influenciar as terminações sensoriais. No alongamento do músculo, as fibras intrafusais estendem e fazem contato com as fibras extrafusais (BANDY & SANDERS, 2003). O processo de excitação de um músculo acontece quando uma mudança na permeabilidade da extremidade do neurônio sensorial ocorre, resultando em uma transferência de carga por meio da membrana terminal do nervo. Esse fluxo de corrente produz uma despolarização, denominada potencial gerador. Quando a despolarização alcança o limiar, resulta em um potencial de ação conduzido. O fuso muscular mantém um feedback contínuo de informações de cada músculo ao sistema nervoso central, apresentando a situação do músculo em cada momento (Guyton, 1996).

    Os fusos musculares são compostos de três tipos de fibras intrafusais (bolsa nuclear dinâmica, bolsa nuclear estática e cadeia nuclear), que se unem para funcionar como fusos primários e secundários. Os fusos primários são influenciados pela taxa de mudança no comprimento, criando uma resposta dinâmica. Os fusos secundários são influenciados por uma mudança no comprimento estático absoluto, ou seja, quando o estiramento muscular ativa o reflexo do fuso, as fibras extrafusais contraem-se encurtando o músculo (FRONTERA et al., 2001).

Órgão Tendinoso de Golgi

    O OTG é um mecanoreceptor sensível à contração dos músculos esquelético, a pequenas alterações na tensão do tendão e responde a tensão adicional tanto por estiramento passivo de um músculo como por contração muscular ativa (BANDY & SANDERS, 2003; ALTER, 1999). São localizados nas aponeuroses, ou junções músculo-tendinosas, e não dentro dos tendões (Figura 1).

    A principal tarefa do OTG é impedir a atividade excessiva das fibras nervosas que inervam o músculo extrafusal. Se os músculos forem alongados por 15 a 30 segundos em toda a sua extensão, acarreta em tensão no tendão. O OTG responde a essa tensão por meio das fibras nervosas tipo Ib, sendo que essas fibras nervosas têm a capacidade de sobrepor os impulsos provenientes do fuso muscular, acarretando em um relaxamento reflexo. Sendo assim, os músculos relaxam e conseguem alongar-se (Gordon & Ghez, 1991). Sua sensibilidade é tão grande que eles podem responder à contração de uma única fibra muscular (Wilmore & Costill, 2001).

    Percebeu-se que o OTG exibe um limiar mais baixo à contração muscular que ao alongamento passivo do músculo devido a força da contração muscular ser transferida de forma mais eficaz ao OTG do que a força do alongamento muscular (Monteiro, 2006).

Mecanorreceptores articulares

    Todas as articulações sinoviais do corpo humano contem quatro receptores de extremidades nervosas. Esses receptores articulares sentem forças mecânicas nas articulações, tais como pressão de alongamento e distensão. Esses receptores podem ser classificados em quatro tipos de acordo com as suas características morfológicas e comportamentais relacionadas as extremidades nervosas que serão vistas a seguir (Wyke, 1979; Alter, 1999).

Receptores articulares do Tipo I

    Os mecanorreceptores do Tipo I consistem de corpúsculos globulares finamente encapsulados e localizam-se na camada externa das cápsulas fibrosas. Em cada corpúsculo globular é provido de uma fibra mielinizada do grupo II. São mais encontrados nas articulações proximais (quadril) do que articulações mais distais (tornozelo).

    São caracterizados como receptores de limiar baixo, de adaptação lenta. Sendo assim, respondem a estresses mecânicos muito pequenos. Mesmo quando a articulação está imóvel, uma proporção desses receptores está sempre ativa (Wyke, 1979; Alter, 1999).

Receptores articulares do Tipo II

    O receptor do tipo II consistem de corpúsculos maiores espessamente encapsulados e cônicos e localizam-se na cápsula articular fibrosa em camadas subsinoviais profundas. Também são mais localizados em maior densidade nas articulações mais distais do que nas articulações mais proximais.

    Assim como os receptores do tipo I, os receptores do tipo II têm um limiar baixo, porém se adaptam mais rapidamente e não aquecem em repouso, sendo inativos nas articulações imóveis. Também são conhecidos como mecanorreceptores de aceleração ou dinâmicos e sua principal função é medir mudanças rápidas no movimento, como a aceleração e desaceleração (Wyke, 1979; Alter, 1999).

Receptores articulares do Tipo III

    O receptor articular do tipo III são corpúsculos finamente encapsulados, confinados aos ligamentos intrínsecos (dentro da cápsula articular) e extrínsecos (fora da cápsula articular) de muitas articulações. São os maiores dos corpúsculos articulares e são como os órgãos tendinosos de Golgi, comportando-se como mecanorreceptores de alto limiar que se adaptam lentamente. São completamente inativos nas articulações imóveis e respondem somente quando altas tensões são geradas nos ligamentos de cada articulação (Wyke, 1979; Alter, 1999).

Receptores articulares do Tipo IV

    As extremidades nervosas do tipo IV são desencapsuladas, portanto são subdivididas em dois tipos. O receptor do tipo IVa são representadas pelos plexos em forma de treliça, que são encontrados em grandes coxins articulares e por toda a espessura da cápsula articular, porém, com ausência de tecido sinovial, menisco intra-articular e cartilagem articular. Já o do tipo IVb são extremidades nervosas livres, são esparsos e largamente confinados aos ligamentos intrínsecos e extrínsecos (ALTER, 1999).

    Ambos os tipos IVa e IVb constituem o sistema receptor de dor dos tecidos articulares, sendo chamados de nociceptores. Quando ocorre acentuada deformação mecânica ou irritação química, como por exemplo, ácido lático, íons potássio e histaminas, podendo aparecer em situações de isquemia (falta de sangue) e hipóxia (falta de oxigênio) (Wyke, 1979; Alter, 1999).

Reflexo miotático ou de alongamento

    Quando um músculo é alongado, o mecanismo reflexo de alongamento é iniciado, estiram-se as fibras musculares extrafusais e os fusos musculares e os potenciais de ação são estimulados, o que acarretará em um impulso transmitido pelo axônio resultando em uma contração reflexa que pode ser dividida em dois componentes: fásico e tônico (ALTER, 1999).

    A resposta fásica seria uma grande ocorrência de potenciais de ação resultando em uma elevação rápida da tensão muscular, proporcional à velocidade de alongamento, como por exemplo, a contração do joelho ou reflexo patelar. Já a resposta tônica seria uma fase posterior de estimulação lenta persistente por toda a duração do alongamento, sendo proporcional a quantidade de alongamento, como por exemplo, na reação postural ao alongamento na contração do músculo gastrocnêmio (panturrilha) para corrigir um movimento para frente excessivo do centro de gravidade de um indivíduo enquanto se levanta (ALTER, 1999).

Inibição autógena

    Inibição autógena é o relaxamento neurológico de um músculo quando estimulado. Poderá ocorrer quando for ativado o OTG, gerando impulsos que irão proteger os músculos inibindo os neurônios motores α, relaxando os músculos (Gordon & Ghez, 1991; Andrews et al., 2005).

Inibição recíproca

    A inibição recíproca inibe o músculo antagonista quando o músculo agonista move um membro na amplitude do movimento (BANDY & SANDERS, 2003), ou seja, os músculos geralmente atuam em pares, sendo que quando os agonistas contraem, os músculos opostos, os antagonistas, relaxem (ALTER, 1999; ANDREWS et al., 2005). Durante a flexão ativa do quadril, por exemplo, a inibição recíproca relaxa os músculos isquiotibiais. Esse relaxamento possibilita que os flexores do quadril possam realizar o movimento sem serem influenciados pelos músculos isquiotibiais em contração (GORDON & GHEZ, 1991). Em resumo, quando os motoneurônios de um músculo recebem impulsos excitatórios que levam à contração muscular, os motoneurônios do músculo oposto recebem sinais neurais, o que torna menos provável que eles sejam estimulados e produzam contração muscular (inibição).

Coativação ou co-contração

    A coativação ou co-contração é a contração de dois músculos opostos com um alto nível de atividade nos músculos agonistas, simultaneamente com um baixo nível de atividade no músculo antagonista da mesma articulação (Solomonow & D’Ambrosia, 1991; Alter, 1999). Preserva a estabilidade articular, tendo o efeito mecânico de fazer uma articulação mais rígida, tornando o movimento mais difícil (ENOKA, 1988).

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: B

Alternativa que indico após analisar: B

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