FCC – TRE 13 2007 – questão 28

28. A artéria cerebral posterior origina-se da artéria basilar. A área de irrigação e o tipo de sintomatologia que sua obstrução poderia causar é a área

(A) visual situada no lobo occipital e sua obstrução causaria alteração da movimentação dos olhos.

(B) do cerebelo e sua obstrução causaria alterações do equilíbrio e coordenação.

(C) visual situada no lobo occipital e sua obstrução causaria diminuição da visão em parte do campo visual.

(D) do bulbo e sua obstrução causaria alterações com controle da pressão arterial.

(E) da ponte e sua obstrução causaria alterações da manutenção da postura e diminuição da visão.

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Por dra Isabela Oliveira Guedes Ribeiro

Vamos tentar entender um pouco sobre a vascularização do encéfalo.

O consumo de oxigênio e glicose pelo encéfalo é muito elevado, o que requer um fluxo sanguíneo geralmente intenso. Quedas na concentração de glicose e oxigênio no sangue circulante ou, por outro lado, a suspensão do afluxo sanguíneo ao encéfalo não são toleradas além de um período muito curto.

O encéfalo é irrigado pelas artérias carótidas internas (bifurcação da carótida comum) e vertebrais, originadas no pescoço, onde, entretanto, não dão nenhum ramo importante, sendo, pois, especializadas para a irrigação do encéfalo.

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As artérias carótidas internas (direita e esquerda) perfuram a dura-máter e a aracnoide, projetam alguns ramos e terminam dividindo-se em: artérias cerebrais média e anterior (direitas e esquerdas).

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As artérias vertebrais (direita e esquerda) projetam alguns ramos e, ao nível do sulco bulbo-pontino, fundem-se para constituir a artéria basilar, a qual se bifurca mais adiante em artérias cerebrais posteriores (direita e esquerda).

Na base do crânio estas artérias formam o polígono de Willis, de onde saem as principais artérias para a vascularização cerebral.

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Ao contrário dos ramos profundos, os ramos corticais das artérias cerebrais possuem anastomoses, pelo menos em seu trajeto na superfície do cérebro. Entretanto, estas anastomoses usualmente são insuficientes para a manutenção de uma circulação colateral adequada em casos de obstrução de uma destas artérias ou de seus ramos mais calibrosos. Resultam, pois, nestes casos, lesões de áreas mais ou menos extensas do córtex cerebral com um quadro sintomatológico característico das síndromes das artérias cerebrais anterior, média e posterior. O estudo minucioso destas síndromes exige um conhecimento dos territórios corticais irrigados pelas três artérias cerebrais:

artéria cerebral anterior: ramifica-se na face medial de cada hemisfério desde o lobo frontal até o sulco parieto-occipital. Distribui-se também à parte mais alta da face súpero-lateral de cada hemisfério, onde se limita com o território da artéria cerebral média. A obstrução de uma das artérias cerebrais anteriores causa, entre outros sintomas, paralisia e diminuição da sensibilidade no membro inferior do lado oposto, decorrente da lesão de partes das áreas corticais motora e sensitiva que correspondem à perna e que se localizam na porção alta dos giros pré e pós-central (lóbulo paracentral).

– artéria cerebral média: percorre o sulco lateral em toda a sua extensão, distribuindo ramos que vascularizam a maior parte da face súperolateral de cada hemisfério. Este território compreende áreas corticais importantes, como a área motora, a área somestésica, o centro da palavra falada e outras. Obstruções da artéria cerebral média, quando não são fatais, determinam sintomatologia muito rica, com paralisia e diminuição da sensibilidade do lado oposto do corpo (exceto no membro inferior), podendo haver ainda graves distúrbios da linguagem. O quadro é especialmente grave se a obstrução atingir também ramos profundos da artéria cerebral média (artérias estriadas), que vascularizam os núcleos da base e a cápsula interna.

– artéria cerebral posterior: dirigem-se para trás, contornam o pedúnculo cerebral e, percorrendo a face inferior do lobo temporal, ganham o lobo occipital. A artéria cerebral posterior irriga, pois, a área visual situada no lobo occipital e sua obstrução causa cegueira em uma parte do campo visual. (ALTERNATIVA C!)

Segue um esquema para facilitar o entendimento de parte da vascularização do encéfalo:

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Referências:

Machado, Angelo. Neuroanatomia Funcional. 2.ª edição. São Paulo: Editora Atheneu. 2000.

Netter, Frank. Atlas de Anatomia Humana. 4ª edição. Rio de Janeiro: Editora Elsevier. 2008.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: C.

Alternativa que indico após analisar: C.

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