FCC – SESA/BA 2005 – Questão 44

44. Paciente de 48 anos, com diagnóstico de Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica, internado por quadro de febre, dispnéia e expectoração purulenta. Apresenta-se consciente, contactuante e colaborativo. Em ar ambiente, SatO2 = 88%. Ausculta Pulmonar: presente bilateralmente com roncos difusos. Mobilidade e expansibilidade preservada, sem déficits motores. A conduta mais adequada é:

(A) manobras de higiene brônquica, manobras de reexpansão pulmonar, RPPI e exercícios respiratórios.

(B) posicionamento, manobras de higiene brônquica e CPAP.

(C) manobras de higiene brônquica, exercícios respiratórios, flutter e oxigenioterapia.

(D) drenagem postural, CPAP e aspiração nasotraqueal.

(E) oxigenioterapia, aspiração nasotraqueal, manobras de reexpansão pulmonar e RPPI.

DPOC

O quadro acima praticamente nos autoriza a usar técnicas de higiene brônquica.

Aspiração não deve ser conduta inicial na maioria dos casos, ainda mais com mobilidade e expansibilidade torácica preservadas em paciente colaborativo. Eliminamos “D” e “E”.

No quadro atual do paciente, exercícios respiratórios podem gerar complicações, vejam que ele está dispneico e secretivo, portanto a alternativa “B” me parece a melhor.

RPPI -Respiração por Pressão Positiva Intermitente
É uma pressão positiva aplicada na fase inspiratória, por intermédio de máscara facial ou bocal, com a expiração retornando a níveis de pressão atmosférica com ou sem retardo. As principais indicações são atelectasias (colapso de parte ou do pulmão inteiro) e expansibilidade reduzida. São contraindicações:
Pneumotórax não tratado (absoluta);

Pressão intracraniana maior do que 15mmHg;

Instabilidade hemodinâmica;

Hemoptise ativa;

Fístula traqueoesofágica;

Cirurgia esofágica recente.

A aplicação da RPPI pode trazer complicações e por isso deve ser bem aplicada e compreendida pelo profissional. Cuidados com o posicionamento e na regulação do equipamento interferem nos resultados da terapia. São complicações principais:

– Alcalose respiratória, quando por algum motivo, seja por má regulação da sensibilidade, ou por má orientação dada ao paciente, este hiperventila, provocando uma redução de CO2 sanguíneo abaixo de 35 mmHg, aumentando o ph sanguíneo. Essa situação de desequilíbrio pode favorecer o aparecimento de arritmias cardíacas.

– Distensão abdominal, quando aplicado em pacientes pouco cooperantes ou crianças, pode haver aerofagia e consequente distensão abdominal, prejudicando a mecânica respiratória e favorecendo o aparecimento de refluxo gastroesofágico. – Barotrauma, que é a ruptura alveolar por excesso de pressão aplicada nas vias aéreas.

– Diminuição do retorno venoso, devido à presença de pressão positiva intratorácica, com a inspiração não há negativação da pressão pleural como durante a – respiração espontânea e consequente incremento do retorno venoso durante a fase inspiratória do ciclo. Essa é uma complicação diretamente relacionada com a volemia do paciente, ou seja, se ele estiver muito hipovolêmico ou desidratado, é prejudicial à aplicação de pressão positiva, do contrário é benéfico para evitar e auxiliar a correção de uma congestão pulmonar.

– Hiperinsuflação pulmonar, no caso do paciente ser mal orientado, ou equipamento mal ajustado, pode acontecer de não dar tempo de o paciente expirar completamente e iniciar uma nova inspiração. Ocorre assim um aumento da CRF cada vez maior e hiperinsuflação do pulmão que é prejudicial ao paciente.
O princípio fisiológico do exercício com RPPI é o aumento da pressão alveolar na inspiração com o objetivo de aumentar a capacidade inspiratória, o fluxo máximo, melhorar parâmetros de oxigenação, imagem radiológica, tosse e eliminação de secreções, e assim, obter uma resposta subjetiva favorável do paciente.

O paciente deve ser bem orientado quanto à terapia e quanto ao posicionamento a ser adotado para otimizar o tratamento. Já o fisioterapeuta deve se preocupar com ajustes e regulagens, como:

– Pressão inspiratória máxima de 35cmH2O;

– A sensibilidade deve permitir o início da inspiração com esforço mínimo;

– Fluxo baixo a moderado, de acordo com cada paciente para permitir um tempo inspiratório mais longo possível.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: B

Alternativa que indico após analisar: B

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