FCC – Prefeitura de Santos 2005 – Questão 59

59. Durante o primeiro ano de vida, o bebê apresenta vários reflexos primários ou primitivos, os quais evoluem de forma diferente. São manifestações evolutivas os reflexos

(A) de Moro e de marcha automática.

(B) de Landau I e II.

(C) tônico cervical simétricos e assimétricos.

(D)) de marcha automática, de preensão e de sucção.

(E) de marcha automática, de preensão, tônico labiríntico e de Moro.

kids

Manifestações evolutivas são aquelas que nascem com a criança(reflexas ou automáticas) e que desaparecem para dar lugar para manifestações cuja atividade é a mesma porém, com caráter evolutivo e que posteriormente tornam-se automáticas como, por exemplo: sucção, apreensão, marcha reflexa.

Vamos analisar os reflexos acima para saber se são evolutivos:

RTCA E RTCS (Tônico-cervical asssimétrico e simétrico) Com o bebê deitado, o médico gira a cabeça do bebê para o lado, a criança tende a estender este braço e dobrar o outro. É chamado de posição de esgrimista. Costuma desaparecer no terceiro mês. Como desaparecem, não são evolutivos.

Reflexo de Moro – O bebê joga a cabeça para trás, estica as pernas, abre os braços e os fecha depois. Surge quando o recém-nascido se sente desequilibrado ou assustado. Some por volta do segundo ou terceiro mês. Como ele desaparece, não demos chamá-lo de evolutivo.

Só aqui, já eliminamos as alternativas “A”, “C” e “E”. Landau também é um reflexo primitivo que desaparece e não é substituído por nenhuma função específica. Vamos analisar os demais:

Marcha reflexa – Colocado em pé, com apoio nas axilas, ele ergue uma perna dando a impressão de estar andando. É o primeiro a desaparecer. Some até o fim do primeiro mês.
Sucção e busca pelo seio – O bebê abre a boca e suga o que aparece à sua frente. Ao tocar qualquer região em torno da boca, ele vira o rosto para o lado estimulado. A busca pelo seio desaparece por volta do segundo mês, quando o reflexo da sucção passa a ser voluntário.

Preensão palmar e plantar – O recém-nascido agarra o dedo da mãe com força. Esse reflexo ocorre nas mãos e nos pés. O da mão costuma desaparecer por volta do terceiro mês. O do pé continua até o sétimo ou oitavo mês.

Como dão lugar a movimentos voluntários, podemos considerá-los como evolutivos. Alternativa “D”.

Mais do mesmo:
Reflexos – Neuropediatria

Estes são um dos pontos a serem considerados numa avaliação de neuropediatria, confiram:
 
REAÇÃO ANFÍBIA: lactente em DV, virar a pelve afastando-a um pouco da mesa de exame. A  manobra leva à flexão e abdução do membro inferior ipsilateral. É uma reação que pode ser desencadeada a partir do nascimento, podendo faltar no RN com lesão cerebral.
 
MARCHA REFLEXA E REAÇÃO POSITIVA DE APOIO: segurar o RN com os pés apoiados sobre a mesa de exame. O bebê reage estendendo as pernas e colocando-se em pé, mas ele precisa ser apoiado. Se inclinado o seu tronco para adiante, ele dará alguns passos com os quadris e os joelhos mantidos em flexão. Encontrado em RN e pode ser desencadeado em alguns lactentes.
 
REAÇÃO DE EXTENSÃO CRUZADA: lactente em DD, o examinador segura uma das pernas em extensão e fricciona a planta do seu pé, em direção do calcanhar aos artelhos. A resposta consiste em flexão e abdução do MI oposto, movimento que é seguido por adução e extensão, como se a criança quisesse afastar o estímulo. Essa prova é positiva desde o nascimento até a idade de 4 a 6 semanas. A sua ausência ou permanência pode ser sinal de algum estado patológico.
 
REFLEXO DE GALANT:  examinado em DV ou com a criança suspensa de barriga para baixo. O examinador passa um dedo paralelamente à coluna, desde a última costela à crista ilíaca. A resposta consiste em flexão lateral na direção do estímulo. Ela está presente desde o nascimento, podendo ser desencadeada durante as primeiras 6 a 8 semanas.
 
REFLEXO DE MORO: o examinador segura a criança apoiando sua cabeça e tronco. Retira a seguir o apoio da cabeça, deixando-a cair para trás, dentro de sua mão. A súbita perda de controle sobre a cabeça assusta o lactente; ele reage estendendo os braços num amplo movimento de abraço, de mãos abertas e dedos em abdução. Os membros inferiores também podem apresentar extensão, mas esta resposta varia; ela se acompanha muitas vezes de choro. O reflexo está presente desde o nascimento até 2 ou 3 meses.
 
REFLEXO PROTETOR DE DESVIO LATERAL CERVICAL: colocar o RN em DV com a cabeça sobre a mesa de exame com a face voltada para baixo, soltando-a em seguida. A resposta consiste em rotação da cabeça para um dos lados e está presente desde o nascimento.
 
REAÇÃO DE RETIFICAÇÃO: o lactente responde às modificações extrínsecas da posição de um dos seus seguimentos corporais mediante deslocamento e alinhamento de outros segmentos.
 
REAÇÃO CERVICAL DE RETIFICAÇÃO: examinar o RN em DD. Parece se tratar de um reflexo proprioceptivo, desencadeado pelo alongamento dos músculos do pescoço. O examinador segura a cabeça do bebê e a vira para um dos lados. O tronco acompanha então a cabeça e o bebê podem virar-se todo para o lado. Encontrada a partir do nascimento mas é mais evidente aos 3 meses, tornando-se depois menos confiável e não podendo ser mais desencadeada depois dos 5 meses.
 
REAÇÀO LABIRÍNTICA DE RETIFICAÇÀO:  é observada a posição da cabeça em relação ao corpo, quando a criança é segurada em posição dorsal e ventral e quando inclinada lateralmente em posição vertical. Quando se puxa o bebê normal para a posição sentada, sua cabeça não consegue acompanhar imediatamente o movimento, a despeito da tentativa de mantê-la ereta. A queda da cabeça chega as vezes a ser acentuada em caso de disfunção cerebral. Aos 4 meses o lactente segura a cabeça na mesma linha do tronco, quando em DD, levanta a cabeça esperando ser levada para a posição sentada. Quando mantido suspenso em DV, o RN deixa sua cabeça cair, assumindo certo grau de flexão. Em torno de 8 semanas, a cabeça é mantida no mesmo alinhamento do tronco. Aos 4 meses, o lactente mantém a cabeça ereta quando em DV.
 
REAÇÕES DE POSICIONAMENTO: segurar o bebê de modo que o dorso de seu pé ou a face anterior da perna entre em contato com a borda do tampo da mesa. A resposta consiste em flexão da perna, o pé é colocado com a planta sobre a mesa. Resposta semelhante pode ser encontrada nas mãos, a mão e colocada sobre a mesa, em resposta ao contato com sua face dorsal. Essas respostas podem ser desencadeadas a partir do nascimento.
 
REFLEXO DE LANDAU: lactente suspenso com abdome para baixo. A partir dos 4 ou 5 meses o bebê normal reage à suspensão ventral com extensão de cabeça e tronco, por volta dos 6 a 8 meses, ele também estende os MMII. O examinador flete a cabeça do lactente, esta é seguida pela flexão do tronco e pernas, quando se solta a cabeça, os membros, a cabeça e o tronco costumam voltar à posição de extensão.
 
REFLEXO DO PÁRA-QUEDISTA: segurar o lactente pelo tronco e o abaixar em direção ao solo, de cabeça para baixo. O lactente responde estendendo os braços e as mãos em direção ao solo. Essa resposta pode ser desencadeada a partir dos 6 meses e tornar-se mais evidente aos 9 meses.
 
REAÇÕES DE EQUILÍBRIO: criança sentada ou em pé, provocar mudança do centro de gravidade para frente, para trás e para os lados. A criança movimenta o tronco e os membros em sentido opostos, a fim de se equilibrar.
 
REFLEXOS TÔNICOS DA CABEÇA:
 
Reflexo Tônico Cervical Assimétrico:  paciente em DD. A resposta parece ser desencadeada pela distensão aplicada sobre a musculatura do pescoço. O examinador vira a cabeça do lactente para um lado, observando e palpando a reação nos membros da criança. Ele observa a extensão de braço e perna, no lado para o qual está voltada a face, enquanto os membros do lado correspondente à região occipital entram em flexão. Presente durante os 2 ou 3 meses de vida, trata-se porém de uma posição transitória e não permanente. Pode ser anormal quando persiste além dos 5 meses.
 
Reflexo Tônico Cervical Simétrico: examinado com a criança em posição genupeitoral. Parece ser desencadeado pelo alongamento dos músculos do pescoço, quando se coloca a cabeça do lactente em extensão, os seus braços entram em extensão e as pernas em flexão. Ao fletir a cabeça,os braços fletem e as pernas estendem. Geralmente é uma reação anormal.

Engatinhar – De bruços, o bebê estica as pernas, como se tentasse rastejar, quando alguém lhe dá apoio nos pés. Some por volta do quinto mês.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: D

Alternativa que indico após analisar: D

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