VUNESP – IAMSPE/SP 2009 – Questão 54

54. Os principais fatores que provocam a retinopatia da prematuridade são:

(A) vascularização incompleta da retina em crianças nascidas a termo e diminuição da PAO2. (pressão parcial de oxigênio no gás alveolar).

(B) vascularização incompleta da retina em crianças prétermo e aumento da PaO2.(pressão parcial de oxigênio no sangue arterial).

(C) vascularização incompleta da retina em crianças póstermo e diminuição da PaCO2.(pressão parcial de dióxido de carbono no sangue arterial).

(D) vascularização incompleta da retina em crianças a termo e aumento da PACO2.(pressão parcial de dióxido de carbono no gás alveolar).

(E) vascularização incompleta da retina em crianças prétermo e aumento da ETCO2.(pressão parcial de dióxido de carbono expirado).

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Pessoal, essa questão não é muito sobre fisioterapia, mas é algo que todo profissional de saúde que trabalha com neonatos deve saber. O nome da patologia já exclui todas as alternativas que citam pós-termo ou a termo, restando portando as alternativas “B” e “E”. Nesse ponto, é preciso saber mesmo e, na verdade, se esconde uma pegadinha muito sutil pois para quem nada sabe do assunto o excesso de oxigênio da alternativa “B” parece suspeito e induz o incauto a se aventurar na alternativa “E”. No entanto, a “B” é a alternativa correta.

A retinopatia da prematuridade é uma doença do desenvolvimento da vascularização da retina, que nos bebés que nascem prematuramente se encontra incompletamente desenvolvida. Esse desenvolvimento fora do ambiente uterino pode dar-se de forma anómala, levando a alterações capazes de destruir a estrutura do globo ocular e consequentemente à cegueira.

Quanto menor a idade de gestação e quanto menor o peso ao nascimento, maior o risco de aparecimento da doença, e potencialmente maior a sua gravidade. Estão em risco sobretudo todos os nascimentos com menos de 31 semanas de gestação e/ou com peso inferior a 1250 grs. O risco está também aumentado nos prematuros com maior instabilidade cardio-respiratória no período neo-natal.

As regras para a realização de um rastreio, vigilância e tratamento eficazes estão bem definidas internacionalmente: é obrigatória a observação e vigilância oftalmológica de todas as crianças que nasçam com menos de 32 semanas de gestação e/ou com menos de 1500 gramas.

Os níveis arteriais de oxigênio interferem na formação vascular retiniana do neonato. A terapia de suplementação com oxigênio, geralmente empregada em prematuros, expõe a retina à pressão arterial de oxigênio (PaO2 ) variando de 60 a 100 mmHg.

Normalmente, a vascularização retiniana se processa intra- útero sob baixas pressões de oxigênio – PaO2 igual a 30 mmHg. Numa primeira fase, a hiperóxia provoca obliteração dos vasos já formados e suprime a produção do fator de crescimento endotelial vascular (VEGF), comprometendo a angiogênese e causando hipóxia retiniana.

Num segundo momento, essa hipó- xia estimula um aumento do VEGF e, com isso, provoca uma neovascularização patológica. Ambas as alterações contribuem sobremaneira para o desenvolvimento da doença. O recebimento de transfusão sanguínea também expõe o prematuro ao desenvolvimento da doença. Alguns trabalhos atribuem esse risco às alterações hemodinâmicas durante a transfusão em bebês prematuros que têm volume sanguíneo reduzido.

Além disso, as hemácias adultas, devido a sua menor afinidade pelo oxigênio, poderiam causar toxicidade tecidual pela maior liberação desse elemento no tecido retiniano.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: B

Alternativa que indico após analisar: B

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