VUNESP – IAMSPE/SP 2009 – Questão 37

37. A deformidade em botoeira caracteriza-se por:

(A) hiperextensão de articulações interfalangeanas proximais, flexão de articulações interfalangeanas distais e metacarpofalângicas.

(B) flexão de articulações interfalangeanas distais.

(C) hiperextensão de articulações metacarpofalângicas e flexão de articulações interfalangeanas proximais e distais.

(D) paralisia dos músculos extensores do punho e extensores longos dos dedos.

(E) flexão de articulações interfalangeanas proximais e hiperextensão de articulações interfalangeanas distais.

dedos_abracados

A “A” descreve dedo em pescoço de cisne, com o desconto das flexões em metacarpofalangeanas. A “B” dedo em martelo. A “C” descreve um tipo de dedo em “gancho”, se é que existe. Façam na propria mão e confiram. A “D” parou e pronto.🙂
A correta é a “E”.

Deformidade em pescoço de cisne

dedo em pescoço de cisne

A deformidade em pescoço de cisne dos dedos das mãos é basicamente o resultado da hiperextensão da articulação interfalângica proximal ( a articulação do dedo próxima da mão) e da flexão, com incapacidade de extensão, da interfalângica distal  (ultima articulação do dedo) na foto o dedo anular e o Mindinho

Qual a causa da deformidade?
Do ponto de vista anatômico, a deformidade é devida ao desvio dorsal dos tendões extensores laterais na articulação proximal, causado por uma lesão ou simplesmente o afrouxamento das estruturas que seguram a articulação no lugar, principalmente dos ligamentos retinaculares transverso e oblíquo. A deformidade pode também ser devida à lesão do tendão extensor terminal iso faz com que toda força dos tendões laterais seja transferida para a articulação inter falangiana proximal ou por lesão do flexor superficial permitindo a hiperextensão da articulação interfalangiana.

Existem outras causas?
Sim, outra causa da deformidade em pescoço de cisne é a perda do equilíbrio entre os músculos intrínsecos e extrínsecos, como na paralisia cerebral e também na seqüela de lesões no sistema nervoso central.  

Qual a consequência da deformidade?
Mesmo com articulações normais, não degeneradas, pode haver um distúrbio dos movimentos, principalmente nos mais delicados.

Quais patologias evoluem com essa deformidade?
A instalação da deformidade típica é encontrada nas mãos reumatóides, ocasionalmente na síndrome de Volkmann, na paralisia cerebral e em outras causas de disfunção da flexoextensão dos dedos.

Dedo em martelo
Dedo em martelo refere-se a uma situação na qual a articulação final ou distal de um dedo se flexiona ou se dobra e não se estica ou extende por si. Nesta situação, a articulação pode ser esticada com auxílio, mas não mantém esta posição espontaneamente (fig. 1).

Image1
Fig.1: aspecto clínico e radiológico do dedo em martelo
 
O mecanismo que estica a articulação da ponta do dedo foi rompido. Isto usualmente acontece quando o dedo é empurrado para baixo enquanto a pessoa empurra-o para cima com a força do tendão, ocasionando o dedo em martelo (fig. 2).

Image2
Fig. 2: mecanismo que ocasiona o dedo em martelo.
 
O tendão (em azul) que puxa a ponta do dedo o faz em um sentido, e a força na ponta do dedo empurra em sentido oposto, ocasionando a ruptura do tendão que faz o movimento. Usualmente o tendão (em azul), rompe-se de sua inserção ao osso (fig. 3).
 
Image3
Fig. 3: local de ruptura do tendão – denominado dedo em martelo tendinoso.
 
Às vezes, o tendão puxa consigo um pedaço do osso da falange distal (fig 4).
 
Image4
Fig. 4: dedo em martelo com arrancamento ósseo – denominado dedo em martelo ósseo.
 
Todos os dedos em martelo necessitam tratamento. Esta lesão não cicatriza espontaneamente. Na maioria das vezes, nas lesões puramente tendinosas, quando a queda da ponta do dedo não é grande, ao redor de 30 graus, deve ser utilizada uma tala metálica (fig. 5), que mantém o dedo esticado por no mínimo seis semanas.

Image
Fig. 5: tala “splint” para dedo em martelo. Clique a imagem para ver melhor.
 
Se não se consegue manter o dedo esticado, pode ser indicada a utilização de um fio metálico intra-ósseo, que é introduzido sob anestesia local e também mantido por seis à oito semanas.

Em casos crônicos, acima de 30 dias de evolução, o procedimento realizado é a sutura do tendão rompido associado à introdução de um fio metálico para manter a articulação da ponta do dedo esticada. Este fio é retirado em 6 à 8 semanas (fig 6).Clique na imagem para ver melhor.
 

Image6 
Fig 6: tratamento cirúrgico do dedo em martelo.Clique na imagem para ver melhor.

Deformidade Em Botoeira
É uma lesão nos tendões dos dedos, que impede que o dedo extenda totalmente. A articulação interfalângica proximal fica em flexão e a interfalângica distal em hiperextensão levando a deformidade típica.
Causas

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

É geralmente causada por um traumatismo forte com o dedo em flexão ou um corte na parte superior do dedo, que atinge o tendão extensor. Aparece também com frequência em doentes com artrite reumatóide (cerca de um terço dos doentes).

Quadro clínico
Os sinais da deformidade podem desenvolver-se imediatamente após o traumatismo ou surgirem gradualmente (até três semanas) O dedo na articulação interfalângica proximal não pode ser esticado e na distal não pode ser dobrado. Edema e dor nas articulações interfalângicas.

Diagnóstico
Habitualmente evidente ao exame clínico.Estudo radiológico pode ser efectuado para despistar lesão óssea.

Tratamento
Deve ser tratada precocemente para evitar ou minorar limitação da mobilidade digital.
Tratamento conservador
Habitualmente o indicado
Imobilização com talas: A tala será aplicada na articulação interfalângica proximal para a manter em extensão. Nesta posição as extremidades do tendão mantém-se juntas, possibilitando a sua cicatrização. Deverá ser usada 6 semanas (paciente jovem) ou 3 semanas para um paciente idoso. Após este período deverá ser mantida tala nocturna por um período de três a quatro semanas.
Exercícios: Poderão ser recomendados exercícios de alongamento para melhorar a força e a mobilidade digital.
Protecção: Para a prática de actividade desportiva de determinadas modalidades, o uso de tala poderá estar indicado durante várias semanas após a lesão inicial.

botoeira2

Tratamento cirúrgico
Poderá estar indicado:
Em doente tem artrite reumatóide.
Secção tendinosa.
Existe avulsão óssea.
Tratamento conservador se revelou ineficaz.
A cirurgia pode mehorar a dor e a mobilidade, podendo no entanto ser incapaz de corrigir completamente a deformidade, principalmente se esta já tiver mais de 3 semanas.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: E

Alternativa que indico após analisar: E

Um pensamento sobre “VUNESP – IAMSPE/SP 2009 – Questão 37

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s