VUNESP – IAMSPE/SP 2009 – Questão 29

29. B.D.F., 12 anos, estudante, é encaminhado ao fisioterapeuta para avaliação devido a deformidade da coluna vertebral. Apresenta uma longa curva arredondada, diminuição da inclinação pélvica (<30º) e cifose toraco-lombar; tronco flexionado para frente e diminuição da curva lombar, além de encurtamento dos extensores do quadril e flexores do tronco; flexores do quadril e extensores lombares fracos. Considerando as informações dadas, a deformidade apresentada é

(A) corcunda ou giba.

(B) lordose patológica.

(C) escoliose idiopática.

(D) dorso curvo.

(E) do tipo Swayback.

Ponto de vista

Não há indicações de desvios laterais da coluna. Podemos excluir a escoliose.

Se há uma diminuição na curvatura lombar podemos excluir a lordose patológica.

Uma giba não é exatamente uma longa curva arredondada, deveria estar descrito como uma proeminência em um dos hemicorpos, na coluna torácica, normamente secundária a uma escoliose.

Aqui está um dilema.

Por longa curva arredondada podemos entender que se trata de dorso curvo, ok.

Sobre a postura SwayBack, há uma certa confusão. Qual a diferença entre SwayBack e dorso curvo? Creio que existe um problema com a tradução do termo, porque o fato é que são a mesma coisa. Mas o termo SwayBack parece se aplicar mais à retificação da lordose, e o dorso curvo à acentuação da cifose. No entanto, tanto num caso como no outro, as duas coisas ocorrem simultaneamente. É como uma briga entre quem diz que um número é o 6 e alguém do outro lado que diz que é 9. Cada um vê um lado diferente da mesma coisa.

Normalmente, SwayBack se usa para definir a postura ruim, e dorso curvo pode ser tanto por má postura como uma hipercifose estrutural.Essa é a diferença prática.

O termo “sway” é balanço, balançar, portanto a coluna Swayback é um desequilíbrio posterior da coluna, uma adaptação postural. A postura “sway-back” ou “relaxada” é aquela na qual ocorre um deslocamento posterior da parte superior do tronco e deslocamento anterior da pelve. Uma cifose longa estende-se até a região lombar superior, e a região lombar inferior é retificada. As fibras póstero laterais do músculo oblíquo externo são alongadas. Na posição sentada, a área de contato com os ísquios determina a situação de encurtamento e enfraquecimento da musculatura estabilizadora desta região. Quando há uma centralização, em alinhamento, ocorre um alívio da dor lombar.

Essa descrição bate com a de dorso curvo também.

A mecânica da região lombar é inseparável da mecânica da postura global, especialmente da pelve e dos membros inferiores. A estabilidade e alinhamento da região lombar resultam na correção da pelve com o diafragma. Este facilita a ação do transverso do abdômen, oblíquos e multifídios, que são os estabilizadores da coluna e agem como protetores permitindo o movimento livre.

Os músculos da região lombar e os flexores do quadril trabalham em conjunto para inclinar a pelve anteriormente. Por isto, a importância do alongamento dos flexores do quadril, principalmente o psoas-ilíaco, que quando sofre uma assimetria, muitas vezes é responsável na formação da lordose e da escoliose lombar.

Dois tipos de postura apresentam inclinação pélvica posterior, extensão da articulação do quadril e fraqueza do músculo psoas-ilíaco. A postura com o dorso plano consiste na retificação das áreas lombar e torácica. A postura “sway-back” ou “relaxada” é aquela na qual ocorre um deslocamento posterior da parte superior do tronco e deslocamento anterior da pelve. Uma cifose longa estende-se até a região lombar superior, e a região lombar inferior é retificada. As fibras póstero laterais do músculo oblíquo externo são alongadas. Na posição sentada, a área de contato com os ísquios determina a situação de encurtamento e enfraquecimento da musculatura estabilizadora desta região. Quando há uma centralização, em alinhamento, ocorre um alívio da dor lombar.

Na escoliose existem curvaturas em C e em S. Essas curvaturas normalmente estão envolvidas com uma rotação em uma ou mais vértebras, no ponto da curvatura. O corpo da vértebra rota para o lado da convexidade e o processo espinhoso para o lado da concavidade. O esterno se aproxima do lado da convexidade. Logo os músculos da concavidade estão contraídos, e necessitam de alongamento, e os da convexidade estão alongados e fracos, e necessitam de reforço. A escoliose é resultado do desequilíbrio dos músculos encurtados e alongados. Esses desequilíbrios desenvolvem uma assimetria nos movimentos. Para estes casos, são indicados exercícios unilaterais.

A escoliose funcional é uma mudança estrutural que envolve tecidos como ligamentos, tendões e músculos. Este desvio é causado pelos maus hábitos posturais adquiridos deste a adolescência. Este tipo de curvatura pode ser corrigido com exercícios, quando iniciados cedo. A escoliose idiopática (ou genética) determina mudanças que ocorrem na estrutura ligamentar, óssea e muscular. Exercícios adequados podem melhorar o alinhamento das estruturas, mas não solucionar a patologia. Um exame clínico simplificado da coluna vertebral pode ser realizado por profissionais na área de saúde, para triagem inicial de casos de escoliose idiopática, considerando no exame físico principalmente a manobra de Adams, ângulo de Tales e ângulo inferior da escápula.

A cifose como outras deformidades da coluna vertebral, pode ser classificada como: congênita, associada a doenças sistêmicas adquirida, senil e juvenil. Esta curvatura é considerada fisiológica quando móvel e quando comprimida entre 20 e 40 graus. Excedente a estes valores atribui-se o nome de hipercifose. A determinação do grau da cifose é feita pela técnica de Cobb, mundialmente aceita, e se baseia no ângulo formado por retas traçadas a partir das linhas que tangenciam a superfície superior e a parte inferior da vértebra e que mais se direcionam para o centro da concavidade da curva.

Pessoas fisicamente ativas têm menos chance de desenvolver uma cifose do que as pessoas sedentárias. Os exercícios de extensão da coluna podem diminuir a deformidade ou retardar o progresso de deformação. Exercícios com mais dimensão dos grupos musculares provém uma boa postura. Incluir exercícios de extensão da coluna, em mulheres com essas características, ajuda na diminuição do ângulo da cifose.

Postura e Dor
Quando aumentamos ou eliminamos as curvaturas fisiológicas da nossa coluna, estamos nos pré-dispondo aos riscos de dor nas costas, podendo haver uma contratura muscular. Há múltiplos geradores potenciais de dor nas síndromes de dor de coluna e muitas vezes a estrutura anatômica deficiente não faz a menor diferença. A base do treinamento de estabilização funcional é proporcional à consciência do movimento, conhecimento de posturas seguras, força funcional e coordenação para promover o controle da difusão da coluna.

Para compreender a dor em relação à postura defeituosa, é fundamental o conceito de que efeitos cumulativos de pequenos estresses constantes ou repetidos durante um longo período de tempo podem dar origem ao mesmo tipo de dificuldades que surgem com o estresse súbito e intenso. São variáveis os casos de dor postural no que concerne ao seu início e a gravidade dos sintomas. Em algumas situações, apenas se manifestam sintomas agudos, geralmente como conseqüência de estresse ou de lesão não usual. Em outros, o início é agudo e há sintomas dolorosos crônicos. Outras ainda apresentam sintomas crônicos que se tornam agudos posteriormente.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: D

Alternativa que indico após analisar: D ou E

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