VUNESP – IAMSPE/SP 2009 – Questão 27

27. Paciente do sexo masculino, 48 anos, pintor de paredes, afastado do trabalho por 15 dias, apresentou-se para avaliação fisioterapêutica com queixas de dor no pescoço e no ombro direito, parestesias que muitas vezes se irradiam medialmente para o braço, o antebraço e quinto dedo da extremidade superior direita. Manobras de Adson, de Allen e teste de compressão costoclavicular positivos. A hipótese diagnóstica para o presente caso é

(A) síndrome do desfiladeiro torácico.

(B) tendinite do supra espinhoso.

(C) contratura de Dupuytren.

(D) síndrome da tensão do pescoço.

(E) síndrome cervicobraquial.

tendinite

A “C” está fora de imediato. Dupuytren dá para eliminar de cara, sem nenhuma relação com o caso apresentado.

Sobre a “B”, uma tendinopatia do Supraespinhoso não causaria essa irradiação específica. O sintoma característico seria dor à abdução resistida ou acima de aproximadamente 60º de abdução.

A “D” não é adequada ao quadro clínico apresentado. A Síndrome Tensional do Pescoço é uma desordem orgânica e funcional, provocada pelo trabalho repetitivo, aumento da carga muscular estática, postos de trabalho inadequado. Deve-se a posição inadequada da cabeça e do membro superior durante uma determinada atividade.

Sobre a “E”, algo interessante. A palavra “síndrome” significa um conjunto de sintomas comumente vistos juntos, mas para o qual não há explicação conhecida. É uma doença do sistema osteomuscular e do tecido conjuntivo, é funcional ou orgânica, resultante da fadiga neuromuscular. Pode ser conseqüência de uma posição fixa ou de movimentos repetitivos dos membros superiores. A síndrome cervicobraquial é um termo que descreve de forma inespecífica alguma combinação de dor, dormência, fraqueza e inchaço na região do pescoço ombro e braços. É uma forma elegante de dizer: “não sei”.

Resumidamente, cheguei à resposta apenas pelos sinais clínicos, sem sequer citar o que é mais definitivo no enunciado, que são os testes.

Teste de Adson

Também conhecido como Manobra de Adson para diagnóstico de Síndrome do desfiladeiro torácico. Para este teste, o paciente é convidado a virar a cabeça em direção ao ombro sintomático enquanto o terapeuta abduz o braço a 30º, realiza posteriormente rotação externa e depois extensão do ombro. Enquanto o paciente respira, verificar o pulso no braço estendido. Se pulso está diminuído ou se os sintomas são reproduzidas durante a manobra o teste é positivo, o que pode indicar a síndrome do desfiladeiro torácico. Falsos positivos ocorrem frequentemente, deve se repetir o teste no lado afetado.

Propedêutica da coluna cervical

Teste de Allen

Técnica
O paciente deve estar sentado. O fisioterapeuta palpa e aplica pressão sobre as artérias radial e cubital no punho, usando três dedos em cada artéria. Isso obstruí o fluxo de sangue para a mão. Deve pedir ao paciente que aperte e abra a mão 10 vezes, terminando com a mão aberta, mas evitando a hiperextensão. A palma da mão deve, então, estar branca/pálida. O examinador então remove a pressão de uma artéria. Um teste positivo ocorre quando demora mais de 5 segundos para a cor (sangue) voltar à palma da mão. Repetir o processo para a outra artéria.

Precisão do teste
O teste de Allen apresenta uma sensibilidade de 75,8% e uma especificidade de 81,7% na avaliação do fluxo sanguíneo arterial na mão.
Allen EV. “Thromboangiitis obliterans: methods of diagnosis of chronic occlusive arterial lesions distal to the wrist with illustrative cases.” Am J Med Sci 1929; 178: 237-244.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: A

Alternativa que indico após analisar: A

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