VUNESP – Câmara de São Paulo/SP 2007 – Questão 37

37. Pacientes portadores de cardiomiopatia que apresentam insuficiência cardíaca, compensados clinicamente, têm indicação para participarem de programas de reabilitação cardiovascular, devendo ser excluídos aqueles com

(A) doenças pulmonares obstrutivas crônicas.

(B) revascularização do miocárdio.

(C) cardiomiopatia obstrutiva hipertrófica.

(D) infarto agudo do miocárdio com boa evolução.

(E) hipertensão arterial sistêmica controlada.

coraçaoflexivel

Essa questão não é difícil, as alternativas “A”, “D” e “E” são claramente incorretas. A dúvida fica entre “B” e “C”.

A “C” é o quadro onde devemos excluir de exercícios e são casos a se discutir o tratamento com o cardiologista responsável. Cardiomiopatia hipertrófica ou miocardiopatia hipertrófica é uma doença do miocárdio na qual uma porção do miocárdio está hipertrofiada  sem nenhuma causa óbvia. É a causa mais comum de morte súbita em atletas jovens.

É a segunda forma mais comum de miocardiopatia, caracterizada por hipertrofia idiopática (não decorrente de outra causa cardíaca) assimétrica do ventrículo esquerdo e/ou do ventrículo direito, com predomínio de acometimento septal (HSA – hipertrofia septal assimétrica); essa hipertrofia pode ser assimétrica em outro local ou global. Em muitos pacientes com a doença, a hipertrofia pode não se desenvolver completamente antes da adolescência.

Sobre a “B”, vou deixar um texto bem legal:

Cirurgia de revascularização do miocárdio – Ponte de safena
Definição
A cirurgia de revascularização do miocárdio cria uma nova rota para o sangue e o oxigênio chegarem ao coração. Ela é realizada para resolver problemas causados por doença na artéria coronária, na qual a artéria está parcial ou totalmente bloqueada.
 
Ponte_de_safena_1

Descrição
Para que o paciente não sinta dor durante o procedimento, ele será anestesiado antes da cirurgia.
Uma vez anestesiado, o cirurgião cardíaco fará uma incisão no tórax do paciente, para poder abrir o osso esterno e, desta forma, ter acesso ao coração e à aorta (o principal vaso sanguíneo que sai do coração e vai ao resto do corpo).
 
A maioria das pessoas que se submetem a uma cirurgia de revascularização são conectadas a um sistema de circulação extracorpórea:
É uma máquina que faz o trabalho do coração enquanto o coração do paciente está parado para cirurgia. A máquina adiciona oxigênio ao sangue, e faz com que ele circule através do corpo.
O coração do paciente está parado enquanto ele estiver ligado à máquina.
Há um novo método que não utiliza a máquina que faz a oxigenação e a circulação do sangue do paciente. A revascularização do miocárdio é criada enquanto o coração bate. É um método utilizado em pacientes que poderiam ter problemas se estivem ligados a este sistema de circulação extracorpórea.
 
Durante a cirurgia, o médico retira uma veia ou artéria de uma outra parte do corpo do paciente e a utiliza para criar um enxerto (ou desvio) da área bloqueada na artéria do paciente:
 
O médico poderá decidir usar uma veia chamada de safena, (por isso, o nome ponte de safena) localizada na perna. Para alcançar esta veia, uma incisão é feita na parte interna da perna, entre o tornozelo e a virilha. Uma das pontas do enxerto se suturará na artéria coronária e a outra se suturará em uma abertura feita na aorta.

A artéria mamária interna, no peito do paciente, também pode ser empregada para realizar o enxerto. Uma das pontas da artéria mamária já está ligada à aorta, então apenas uma das pontas será necessária ligar à artéria coronária.

Outras artérias já estão sendo utilizadas para a realização de cirurgia de revascularização do miocárdio. A mais comum é a artéria radial localizada no punho.
Depois que o enxerto foi criado, o osso esterno será unido novamente com um fio de aço, e a incisão será suturada. O fio de aço permanecerá no corpo do paciente.
 
A cirurgia pode levar de 04 a 06 horas, após o seu encerramento o paciente será encaminhado a uma unidade de tratamento intensivo – UTI.

ponte_de_safena_2

Riscos
Os riscos de qualquer cirurgia são:
 
Coágulos sanguíneos nas pernas que podem chegar aos pulmões;
Problemas respiratórios.
Infecções, incluindo os pulmões, as vias urinárias e o tórax.
Perda de sangue.
Possíveis riscos de se realizar uma cirurgia de revascularização do miocárdio são:
 
Ataque do coração.
AVC.
Infecção do esterno, o que é mais comum de acontecer em pessoas obesas, diabéticas ou as que já realizaram esta cirurgia.
Síndrome pós-pericardiotomia, que é caracterizada por uma febre baixa com dor torácica. Ela pode durar por até 06 meses.
Algumas pessoas reportam perda de memória e perda da clareza mental.
Problemas no ritmo cardíaco.
Prognóstico
 
A recuperação da cirurgia é demorada e, possivelmente, o paciente não verá os benefícios completos da operação durante 03 a 06 meses. Na maioria das pessoas que se submetem a este procedimento cirúrgico, os enxertos permanecem abertos e trabalhando bem durante muitos anos.
 
Porém, esta cirurgia não previne a reaparição de bloqueios na artéria coronária. Pode-se fazer muito para reduzir este risco. Não fumar, ter uma dieta saudável para o coração, fazer exercícios físicos, tratar a hipertensão arterial, não exceder o consumo de açúcar (principalmente os diabéticos) e controlar o colesterol; estas medidas são muito importantes.
 
Há uma maior probabilidade de se ter problemas com os vasos sanguíneos se o paciente padece de enfermidade renal ou algum outro problema médico.
 
Tradução revisada de: MD Consult: Heart bypass surgery: Patient Education

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: C

Alternativa que indico após analisar: C

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