VUNESP – Câmara de São Paulo/SP 2007 – Questão 31

31. Existe indicação de drenagem intercostal fechada, no pneumotórax espontâneo primário, quando

I. o volume excede 10%;

II. o pneumotórax é bilateral, simultâneo ou não;

III. existe alguma patologia no pulmão oposto;

IV. o pneumotórax é progressivo e recorrente;

V. complica com hidropneumotórax, piopneumotórax ou hemopneumotórax.

Está correto o contido em

(A) I, II, III, IV e V.

(B) I, III, IV, e V, apenas.

(C) I, IV e V, apenas.

(D) II, III, IV e V, apenas.

(E) III, IV e V, apenas.

pneumotorax

Acho melhor eu respirar devagar, esse negócio de pneumotórax espontâneo parece ser perigoso. Mas não é assim…calma!

Todas ali parecem corretas, pois das assertivas II a V os quadros são complicados, lembrando que procedimentos invasivos não costumam ser a primeira escolha de uma equipe médica, mas os quadros são indicativos.

A ressalva fica com a assertiva I, que cita um pneumotórax cujo volume excede de 10%. Não encontrei nada sobre essa porcentagem, mas é certo que não são todos os líquidos que devem ser drenados, assim como, o volume do líquido não é indicador obrigatório da drenagem pleural. Nos líquidos límpidos e estéreis podem ser realizadas punções esvaziadoras.

Pneumotórax
O pneumotórax é classificado em espontâneo (primário ou secundário) e não espontâneo (traumático). O pneumotórax espontâneo primário ocorre em pacientes sem doença pulmonar subjacente ou evidente, enquanto que

o secundário surge como complicação de doença pulmonar previamente conhecida. Tanto no primeiro caso como no segundo caso, não deve existir nenhum fator ou agente causal que esteja diretamente relacionado ao aparecimento do pneumotórax.

O pneumotórax traumático surge como consequência de um trauma de tórax aberto ou fechado, bem como consequência de procedimentos intervencionistas com finalidade terapêutica ou diagnóstica, sendo estes casos, frequentemente, rotulados como pneumotórax iatrogênico.
Condição clínica: paciente estável
Magnitude: pneumotórax grande (> 3 cm)

Com o diagnóstico de pneumotórax de grande magnitude, mesmo se clinicamente estável o paciente deve ser hospitalizado por pelo menos 24 horas e deve ser realizado algum procedimento invasivo que assegure a reexpansão do parênquima pulmonar colapsado.

Dentre os procedimentos indicados para esta situação destacamos a possibilidade de uma simples aspiração do pneumotórax como forma de tratamento inicial, com a justificativa de tratar-se de procedimento simples, de baixa morbidade e com índice de sucesso terapêutico comparável com a drenagem torácica convencional. No caso de recidiva, novas punções aspirativas podem ser realizadas até a manutenção da expansibilidade completa do pulmão.

Outra forma de tratamento inicial é a drenagem torácica, com o objetivo de manter a saída de ar secundária a uma eventual fístula aérea, evitando punções aspirativas seriadas. Tratando-se de drenagem de ar, não há necessidade de colocação de drenos calibrosos. Recomendamos a utilização de drenos finos (12F, tipo “pig tail”), que podem ser colocados na intersecção do segundo espaço intercostal com a linha hemiclavicular, ou
na intersecção do quinto espaço com a linha axilar anterior. Estes drenos podem ser conectados em frasco com sêlo d’água ou válvula de drenagem unidirecional, tipo Heimlich.

A reexpansão do pulmão deve ser assegurada. Caso isto não ocorra após a drenagem, a aspiração contínua controlada (com pressão negativa de até 20 cm de água) pode ser necessária, juntamente com a fisioterapia respiratória.

Pacientes com grandes colapsos pulmonares com mais de 72 horas de evolução podem apresentar edema de reexpansão pulmonar após o procedimento de drenagem. O edema de reexpansão é uma complicação que, conforme a intensidade, acaba por tornar-se um problema de grande gravidade, implicando em insuficiência respiratória, instabilidade hemodinâmica, e até óbito. Para tanto, recomendamos monitorar cuidadosamente os pacientes com pneumotórax e história clínica de duração maior que 48 horas, pelo risco potencial de edema pulmonar de reexpansão pós-drenagem. Na suspeita de edema de reexpansão, a assistência numa unidade de terapia intensiva é fundamental.

Veja mais:
http://www.mediafire.com/view/u4rkt1e0h3o1ova/2014_Pneumotorax.pdf

http://www.mediafire.com/view/csgks669bunoxnb/2006_Pneumotorax.pdf

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: D

Alternativa que indico após analisar: D

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