VUNESP – Câmara de São Paulo/SP 2007 – Questão 20

20. Para obtenção de calor moderado, com aplicação de ultra-som, é recomendada a intensidade de

(A) 4 W/cm2.

(B) 0.1 W/cm2.

(C) 1 W/cm2.

(D) 5 W/cm2.

(E) 2W/cm2.

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Questão que possui inúmeras variáveis que interferem no resultado da temperatura desejada. Por senso comum, tenho que optar pela alternativa que ficaria no meio termo, que é a “E”, mas mesmo ela, aplicada em algumas situações variáveis, pode não aquecer nada. Um pouco sobre esfeito térmico do ultrassom:

Quando se refere de ultrassom terapêutico existem valores de frequências que se situam entre 0,5 a 5 MHz, sendo que as mais utilizadas são as de 1 e 3 MHz (ABNT, 1998). Na Fisioterapia o controle da frequência de saída do ultrassom possibilita ao terapeuta o controle da profundidade a ser atingida pela energia ultrassônica. Assim, quanto maior for à frequência, maior será a sua absorção, sendo mais efetiva para o tratamento de tecidos superficiais, uma vez que seu poder de penetração diminui (GUIRRO et al., 1996; YOUNG,
1998; AGNE, J. E 2004).

Frequências mais altas (3MHz) são absorvidas mais intensamente, tornando-as mais específicas para o tratamento de tecidos superficiais, enquanto que as frequências mais baixas (1MHz) penetram mais profundamente, devendo ser usadas para os tecidos mais profundos (DOCKER, 1987). Assim, como a perda de energia aumenta com a elevação das frequências do ultrassom, as frequências mais baixas penetram mais nos tecidos (LOW & REED, 2001).

A penetração das frequências de 1 MHz, tem sido utilizado para aquecer estruturas a uma profundidade igual ou maior que 2,5 cm, enquanto o ultrassom de 3 MHz tem sido utilizado para aquecer estruturas a uma profundidade menor que 2,5 cm (HAYES, SANDREY & MERRICK, 2001).

A energia em uma onda de ultrassom é caracterizada pela intensidade. A unidade usada para aplicações clínicas no ultrassom é o watts/cm² (KITCHEN, 2003). Quanto às intensidades, o UST pode ser dividido em duas classes: baixa intensidade (0,125 – 3 W/cm²) e alta intensidade (5 W/cm²) (LEUNG, 2004), na terapia por ultrassom a intensidade utilizada situa-se entre 0,1 e 3 W/ cm². Intensidades menores que 0,1 W/cm² são utilizadas para diagnóstico e maiores que 10 W/cm² para destruição tecidual (ABNT, 1998).

A escolha da intensidade está relacionada com objetivo a ser atingido, o UST de baixa intensidade é frequentemente usado para estimulação de respostas fisiológicas normais perante injúrias ou aceleração da absorção transcutânea de drogas pela pele, enquanto que o de alta intensidade é usado na destruição de tecido de uma forma controlada, como durante procedimentos cirúrgicos (LEUNG, 2004). Efeitos térmicos significativos podem ser obtidos usando intensidade entre 0,5 e 1 W/cm², já o uso de intensidade de 0,5 W/cm² e inferiores é
indicado quando se deseja obter efeitos mecânicos para que se acelere o processo de cicatrização em tecidos como pele, tendões e ossos, enquanto que níveis superiores a 1,5 W/cm² exercem um efeito adverso nos tecidos em processo de reparação (KITCHEN; BASIN, 1996).

É possível selecionar a intensidade apropriada, que também deve estar de acordo com a natureza da lesão, ou seja, para lesões agudas e pós-traumáticas, podem ser aplicadas intensidades de superfície na região de 0,25 a 1,0 W/cm2. É necessário lembrar que diferentes tecidos absorvem o ultrassom com graus diferentes de acordo com a presença de proteínas (LOW & REED, 2001), com a natureza do tecido, seu grau de vascularização e frequências empregadas (YOUNG, 1998). Como precaução, a evidência clínica sugere que a subdose é melhor que a superdose, e as intensidades mais baixas são mais efetivas (PIERCY et al., 1994).

Ao ser aplicado em tecido biológico, o ultrassom terapêutico acaba produzindo agitações mecânicas (AMÂNCIO, 2003), consequentemente gerando efeitos classificados como térmicos e mecânicos (AMÂNCIO, 2003; DYSON, 1982).
Os efeitos produzidos pela ação do ultrassom em tecidos biológicos dependem da interação de diversos fatores como, intensidade, frequência, tempo de exposição e estado fisiológico do tecido. Este grande número de variáveis complica a compreensão exata do mecanismo de ação do ultrassom na interação com os tecidos biológicos (SARVAZYAN, 1983). Esta interação acaba provocando alterações fisiológicas que podem ser benéficas ou acarretar em danos aos tecidos (BARNETT et al., 1994). Diante disso ressalta-se a necessidade de completa compreensão sobre o modo de ação dos efeitos biológicos produzidos pelo USt (ROBINSON, SNYDER-MACCKLER, 2001).

Efeitos térmicos do ultrassom
Os efeitos térmicos, ou de calor, são produzidos pela fricção criada pelas ondas que passam através do tecido (ARNOULD-TAYLOR, 1999), ou seja a vibração celular e de suas partículas provoca um atrito entre elas, produzindo assim o efeito térmico. Segundo Dyson (1987) a produção de calor é maior nas áreas limítrofe músculo/osso.

O aumento da temperatura induzida pelo Ultrassom terapêutico depende de diversos fatores, como frequência, duração do pulso, intensidade e tempo de exposição, aliados à propriedades do tecido insonado. De maneira geral, o efeito térmico está associado a altas intensidades de onda e ao modo contínuo (DALECKI, 2004); além desses fatores, Williams (1983), cita outros fatores determinantes para a geração de calor, técnica de aplicação (estacionária ou móvel), dimensões do corpo aquecido e a presença de superfícies refletoras na frente ou atrás do tecido de interesse. Agne (2009), completa dizendo que a dose de aplicação e as interfaces que separam os tecidos também interferem no efeito térmico.

Existe uma relação diretamente proporcional entre a absorção do ultrassom e quantidade de proteína no tecido. Ou seja, quanto maior a concentração de proteína, maior será a absorção da onda sonora e maior o calor gerado (JOHNS, 2002) , assim como quanto maior a intensidade, maior a produção de calor nos tecidos (AMÂNCIO, 2003). Tecidos com alto conteúdo de proteína absorvem o ultrassom mais prontamente do que aqueles com conteúdo de gordura mais alto, e quanto maior a frequência maior a absorção (KITCHEN, 2003).

Para que ocorra o efeito exclusivamente térmico é necessário o aumento da temperatura entre 40º a 45º, por no mínimo cinco minutos, acima de 45º, o efeito se torna lesivo ao tecido, podendo causar queimaduras (LOW & REED, 2001). Starkey (2001), relata que, um ultrassom de 3Mhz aquece três a quatro vezes mais rápido que um aparelho de 1MHz, embora os efeitos do US de baixa frequência possam durar mais tempo, o tratamento com intensidades de saída menores exigem uma duração maior para elevar a temperatura do tecido ao nível desejado.
Depois de emitido, o calor é dissipado por difusão térmica e pelo fluxo sanguíneo local, o que pode ser um problema ao tratar locais com restrição de fluxo sanguíneo, tecido de natureza vascular ou uso de prótese metálica, neste último caso a complicação pode ocorrer pela reflexão de 30% que atinge os tecidos moles ao redor (KITCHEN, 2003).

Os efeitos fisiológicos provenientes do aquecimento tecidual incluem: aumento da circulação sanguínea, despolarização das fibras nervosas aferentes, efeitos sobre os nervos periféricos, aumento da extensibilidade em tecidos ricos em colágeno como tendões, ligamentos e cápsulas articulares, redução de espasmos musculares, alivio da dor e a resolução de processos inflamatórios crônicos (FUIRINI & LONGO, 2002; ROMANO, 2001; STARKEY, 2001), Campos (2000), acrescenta como efeitos da ação térmica o relaxamento, aumento do metabolismo tecidual e da permeabilidade das membranas.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: E

Alternativa que indico após analisar: E

3 pensamentos sobre “VUNESP – Câmara de São Paulo/SP 2007 – Questão 20

  1. Efeitos térmicos significativos podem ser obtidos usando intensidade entre 0,5 e 1 W/cm², já o uso de intensidade de 0,5 W/cm² e inferiores é indicado quando se deseja obter efeitos mecânicos para que se acelere o processo de cicatrização em tecidos como pele, tendões e ossos, enquanto que níveis superiores a 1,5 W/cm² exercem um efeito adverso nos tecidos em processo de reparação (KITCHEN; BASIN, 1996).
    Tal referência encontrada no seu referencial teórico não aponta para assinar a letra “C” (1 W/cm²)? Opção que eu teria assinalado caso tivesse feito a prova, já que, como o descrito, níveis superiores a 1,5 W/cm² exercem efeito adverso sobre o tecido.

  2. Sim, dá para considerar, embora a banca utilize o termo “moderado”, ou seja, efeitos térmicos de baixa intensidade estariam em desacordo com o enunciado. No referencial há o termo “significativo”, o que não sei ao certo se podemos considerar ao pé da letra já que o original é em inglês.

    Essa questão é facilmente contestável porque além de tudo é preciso fazer o cálculo da ARE – área de radiação efetiva, que considera variáveis como o tamanho da área e o tipo de tecido.

    Abraço,
    André.

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