FUNRIO – São João da Barra/RJ 2010 – Questão 37

37. Paciente idoso e imobilizado por longo período, após ser submetido à correção cirúrgica de fratura cominutiva no membro inferior, iniciará sessões de fisioterapia preventiva visando, dentre outros efeitos,

A) à hipovolemia e cefaléia cervicogênica.

B) à hipertensão arterial e constipação intestinal.

C) ao dismetabolismo glicídico e arritmias.

D) à hiperpotassemia e aumento do reflexo da tosse.

E) à hipotensão ortostática e cálculos renais.

imobilismo

A imobilização, principalmente em pacientes idosos, pode ocasionar complicações no trato urinário como retenção urinária e perda mineral. A posição dorsal dificulta a drenagem de urina da pélvis para a bexiga. A retenção urinária pode ocasionar uma distensão do músculo da bexiga, aumentando a dificuldade de urinar, causando mais retenção, estase e infecção urinária. O cálcio não utilizado ou perdido dos ossos durante a imobilização predispõe o paciente imobilizado a cálculos renais (Krasnoff, 1999).

O tecido ósseo também sofre com a imobilização prolongada, sendo observadas alterações como a redução da massa óssea total devido ao aumento da atividade osteoclástica, o aumento da excreção urinária de hidroxiprolina e o aumento da excreção de cálcio, com um pico em torno de 16 semanas (Oliveira e col., 1999).
A osteoporose pode ser prevenida ou reduzida durante a imobilização pela manutenção da força e dos movimentos musculares. O stress normal dos ossos pode ser promovido colocando o paciente em pé em pranchas especiais ou com a realização de marcha em barras paralelas.
A excreção de cálcio aumenta no 2° e 3° dias de imobilidade e é máxima na 4a e 5a semanas. A perda de osso e esta é mais significativa no osso trabecular do que no osso cortical. Estes autores ressaltam ainda que para recuperar o osso perdido durante o período de imobilização será necessário de 5 a 10 semanas (NIH ORDB~NRC, 2002).

Efeitos do imobilismo no sistema respiratório
No aparelho respiratório de acordo com Delisa (1993) durante o imobilismo, no que diz respeito a volume de ar corrente, volume minuto, capacidade respiratória máxima, capacidade vital e capacidade de reserva funcional, podem sofrer uma redução de 25 a 50%.
Os músculos respiratórios debilitados podem impedir expansão da parede do tórax e podem impedir a troca adequada de ar. O oxigênio celular reduzindo pode inibir a síntese de colágeno necessário para cicatrização do tecido (Krasnoff, 1999).
Krasnoff (1999) relata que aproximadamente 600cc de fluido extracelular pode ser perdido nas trocas intracelular e extracelular e diurese a partir do segundo dia de repouso na cama e tanto quanto 15% a 20% de perda de volume em duas semanas.
A associação do déficit do mecanismo de tosse e do movimento ciliar pode causar um padrão respiratório superficial, dificultando a eliminação de secreções e criando um terreno propício para o desenvolvimento de infeções como traqueites, e pneumonias e consequentemente atelectasias (Oliveira e col, 1999, Krasnoff, 1999), e quando pode ser agravado pela pouca ingesta de líquidos, desidratação ou uso de medicamentos que podem deixar secreções mais espessas ou interferirem no movimento respiratório.
A ventilação deficiente durante o período de imobilização pode aumentar a concentração de dióxido de carbono venoso ou arterial, podendo ocasionar uma acidose respiratória. Sem intervenção, a acidose respiratória pode levar a falência respiratória ou cardíaca e a morte.
Oliveira e col. (1999) ressaltam que durante o imobilismo há um predomínio do catabolismo com balanço negativo de nitrogênio, cálcio, fósforo, enxofre, sódio e potássio. A perda diária de nitrogênio é de 2g/dia para o indivíduo sadio, sendo que esta taxa aumenta com repouso prolongado, pois há um estado de hipoproteinemia. O aumento desta perda inicia no 5 e 6° dia de imobilização, sendo máxima na 2a semana.

Efeitos do imobilismo no sistema gastrointestinal
No sistema gastrointestinal, de acordo com Oliveira e Col. (1999) Artiles e col. (1997), a imobilização pode provocar alterações como a falta de apetite e constipação. Esta última pode ser resultado da inibição adrenérgica, redução do peristaltismo e baixa ingesta de líquidos.
A falta de apetite pode se ocasionada pelo olfato e deglutição prejudicado pela posição reclinado. Anorexia também pode acontecer como causa da imobilização. Krasnoff (1999) concorda com Oliveira et al (1999) ao ressaltar que a redução do peristaltismo associado com a inatividade, pouca ingesta líquida e trocas de fluidos fisiológicas podem conduzir a constipação, náuseas e vomito, aumentando o déficit de fluido do paciente.

Efeitos do imobilismo no sistema nervoso
O sistema nervoso também é afetado pela imobilização, ocorrendo várias alterações como: ansiedade, depressão, insônia, agitação, irritabilidade, desorientação temporoespacial, diminuição da concentração, incordenação e diminuição da tolerância à dor (Oliveira e col, 1999; MacNeil, 2002).

Efeitos do imobilismo no sistema cardiovascular
Com o imobilismo há também um comprometimento no desempenho do sistema cardiovascular ocasionando um aumento da freqüência cardíaca de repouso, onde o pulso aumenta um batimento por minuto a cada 2 dias. Após 3 semanas, são necessários de 26 a 72 dias de atividade continua para retornar o nível prévio ao repouso, o que corresponde a uma redução de 25% do desempenho cardiovascular. (Oliveira e col, 1999).
Além disso, há uma elevação da pressão arterial sistólica pelo aumento da resistência periférica, e o tempo de ejeção sistólico absoluto e de diástole é encurtado, diminuindo o volume sistólico (Oliveira e col., 1999; Rowland, 2000).
A hipotensão ortostática e a taquicardia podem resultar como tentativas do coração compensar a queda deste volume. A inativação dos barroreceptores, localizados dentro da artéria carótida e aorta e mecanoceptores na parede do coração tentam compensar estas alterações contribuindo para a instabilidade hemodinâmica (Krasnoff , 1999).

Efeitos do imobilismo em crianças
Os efeitos do imobilismo são amplamente conhecidos nos adultos, porém em crianças ainda é um assunto pouco explorado. Rowalnd (2000), estudou os efeitos do imobilismo na função aeróbia em crianças imobilizadas por 10 semanas. E verificou que as crianças perderam apenas uma estimativa de 13% do V02, demonstrando uma perda menor do que em adultos.

Efeitos do exercício físico no imobilismo
As intervenções em pacientes imobilizados podem diminuir as mudanças fisiológicas desfavoráveis e complicações geradas pela imobilidade. A hidratação adequada, atividades físicas diárias são algumas das medidas que podem prevenir descondicionamento musculo-esquelético e complicações de pele.
Muitas destas intervenções, como exercícios para membros inferiores, podem beneficiar vários sistemas ao mesmo tempo, pois estes exercícios não afetam apenas os ossos longitudinais, ajuda a promover o tônus muscular e melhora cardiovascular e redução da perda de cálcio (Krasnoff , 1999). Efeitos do Exercício Físico em Pacientes imobilizados
Todos os dados descritos sobre os efeitos do imobilismo deixam claro o quanto à imobilização é complexa e necessita de cuidados preventivos e intensivos para evitar ao máximo o desenvolvimento das diversas complicações.

Uma forma preventiva de complicação durante o período de imobilização é a realização de exercícios objetivando a manutenção alongamento e flexibilidade global, condicionamento cardiovascular geral, fortalecimento muscular, redução da gordura corporal e relaxamento (Molz e col., 1993; Hanson, 2002; Krasnoff, 1999).
Todas as atividades propostas aos pacientes imobilizados devem ser realizadas de acordo com as possibilidades de cada indivíduo e sempre respeitando os limites da dor e da doença de base.
Oliveira e col. (1999) ressaltam que a fraqueza muscular por desuso é relativamente simples de se prevenir através de contrações musculares isométricas diárias de 20 a 30% da tensão máxima por vários segundos associados a uma contração de 50% do máximo por um segundo. Este esquema também deve ser aplicado inclusive para segmentos corpóreos com imobilização gessada.
MacNeil (2002), Artiles e col. (1997) e Deliza (1992) sugerem que se deve realizar diariamente exercícios para alcançar o arco normal do movimento, até o limite do paciente em todos os segmentos corporais. Estes autores ressaltam ainda que a utilização de exercícios e alongamento podem reverter às contraturas, mas eventualmente as contraturas podem envolver tendões, ligamentos, e cápsula articular, sendo necessário uma intervenção cirúrgica ou mecanismos prolongados de alongamento.
Para prevenir as reduções volumétricas, prevenindo assim a TVP, Oliveira e col. (1999) ressaltaram que os exercícios isotônicos são quase duas vezes mais eficientes que os isométricos, além de exercícios submáximos induzirem ao ganho líquido de proteínas plasmáticas, auxiliando na estabilização volumétrica.
Os exercícios de relaxamento são benéficos para reduzir a ansiedade, hiperatividade, tensão muscular, minimizando assim o stress do período de internação ou da imobilização, melhorando sua qualidade de vida do paciente, mesmo após sua alta hospitalar.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: E

Alternativa que indico após analisar: E

2 pensamentos sobre “FUNRIO – São João da Barra/RJ 2010 – Questão 37

    • Fabiany, apesar de haver aumento na pressão arterial, creio que para se caracterizar a hipertensão é necessário que esse aumento ultrapasse o limite de 140/90mmHg, e isso nem sempre acontece. Aliás, se já houver um quadro de hipertensão grave, o exercício seria contraindicado. Mas creio que o pessoal da FUNRIO nem pensou nisso e podem ter errado mesmo, essa banca é horrível.

      Abraço,
      André.

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