VUNESP – Sorocaba/SP 2006 – Questão 36

36. Nos quadros de osteoartrose, os exercícios de contração excêntrica devem ser prescritos

(A) na fase aguda.

(B) na fase inicial do programa de reabilitação.

(C) somente na fase aguda, após correções cirúrgicas.

(D) na fase final do programa de reabilitação.

(E) quando os exercícios isométricos estão contraindicados.

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Considerando que em fase aguda o indicado seria o fortalecimento isométrico, dá para eliminar as alternativas “A”, “C” e “E”. Quanto às demais, fica evidente que deve ser realizado na fase final, após a isometria e propriocepção da articulação, principalmente em osteoartrose de joelho.

Vou deixar um texto fabuloso sobre osteoartrose. Acredito que todo profissional de saúde deveria ter conhecimento real sobre o que é osteoartrose, para não ficar no lugar comum de que “depois que gasta não tem mais jeito”. Há muito o que orientar sobre medidas condroprotetoras, o que pode fazer a diferença na qualidade de vida do paciente.

Entenda a Osteoartrose
Dentre todas as patologias que acometem os indivíduos à partir da 4ª década da vida, sem dúvidas, é a OSTEOARTROSE a mais comum delas, estimando-se que ocorra em até 90 % da população adulta . É ela tão antiga como a própria história da Humanidade, acometendo indistintamente todos os vertebrados. Estudos realizados em fósseis de dinossauros demonstraram que esta alteração articular já encontrava-se presente na era pré histórica.

A osteoartrose, também chamada de artrose,processo degradativo articular, processo degenerativo articular etc., resulta de um processo anormal entre a destruição cartilaginosa e a reparação da mesma. Entende-se por cartilagem articular, um tipo especial de tecido que reveste a extremidade de dois ossos justapostos (unidos) que possuem algum grau de movimentação entre eles. São exemplos de articulações os joelhos, os tornozelos, os dedos das mãos, os dos pés, o quadril, as vértebras da coluna, os ombros, os cotovelos, os punhos, a mandíbula etc.. Em todas estas articulações está presente o tecido cartilaginoso.

A função básica da cartilagem articular é a de diminuir o atrito entre duas superfícies ósseas quando estas executam qualquer tipo de movimento, funcionando como mecanismo de absorção de choque quando submetido à forças de pressões (como no caso do quadril, joelho, tornozelo e pé), ou de tração, como no caso dos membros superiores. Para que este movimento de atrito entre dois ossos seja diminuído, outras estruturas também fazem parte da articulação, desempenhando papéis específicos como no caso do líquido sinovial, que lubrifica as articulações e, dos ligamentos, que ajudam a manter unidas e estáveis as articulações.

Uma articulação normal é formada por células chamadas CONDRÓCITOS, cuja função básica é fabricar todas as substâncias necessárias para o bom funcionamento da cartilagem articular. Dentre estas substâncias, encontra-se uma proteína denominada COLÁGENO, cuja finalidade é funcionar como uma malha de sustentação, retendo as demais substâncias existentes dentro da cartilagem (Sulfato de Glicosamina, Sulfato de condroitina, querato sulfato), que funcionam como moléculas que retêm água, ajudando, com isso, a absorção de stress mecânico de compressão e tração.

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Na realidade, a cartilagem articular funciona como uma grande mola, ou uma esponja de silicone embebida em água. O estado de hidratação da cartilagem e a integridade da mesma, é fator preponderante para a não existência de degradação e, a não existência da patologia denominada de OSTEOARTROSE.

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Toda vez que tivermos alterado o estado de equilíbrio entre os constituintes articulares, estaremos sujeitos ao PROCESSO DE DEGRADAÇÃO ARTICULAR e, consequentemente, o desenvolvimento da OSTEOARTROSE.

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A Osteoartrose é, do ponto de vista médico, dividida em dois grandes grupos. O primeiro denominado de Osteoartrose Primária, é formado por aqueles indivíduos que já possuem um patrimônio genético, que faz com que a patologia se desenvolva independentemente de fatores externos.

O segundo grupo, denominado de Osteoartrose Secundária, é formado por pessoas que, em virtude de algum fator agressivo ocorrido em determinado período da sua vida, passam a apresentar a patologia. Fazem parte deste grupo os indivíduos muito obesos, os que sofreram algum traumatismo articular (entorses, fraturas, luxações), os que sofreram algumas alterações hormonais específicas, os que executam esportes com micros traumatismos de repetição, os que executam esportes de desaceleração (saltos) etc…

Estas pessoas fazem parte de um grupo denominado de risco e, sem dúvidas, devem iniciar precocemente um tratamento preventivo, evitando ou minimizando a sintomatologia desagradável da patologia, a qual em fase avançada, é traduzida por dor e incapacidade funcional.

Enquanto antigamente somente a fisioterapia era usada como tratamento, novas drogas no dia de hoje são consideradas CONDROPROTETORAS e possuem papel de grande importância no tratamento e prevenção da OSTEOARTROSE.

Se você acha que faz parte do grupo de risco, consulte seu médico especialista e pergunte a ele qual o tratamento preventivo que pode ser benéfico para você.

A teoria mecânica da Osteoartrose
Quando falamos em uma cartilagem articular normal, estamos falando em um tecido conjuntivo denso, cujas células derivadas de uma célula mãe vão formar os condrócitos , estas sim células produtoras de cartilagem.

No processo de formação da cartilagem, os condrócitos, são responsáveis pela fabricação de uma substância denominada protocolágeno que, por um processo ainda não tão bem conhecido, aglutina-se, formando fibras de colágeno, as quais serão as grandes responsáveis pela resistência mecânica da cartilagem articular.

O colágeno do tipo II é o mais abundante na cartilagem articular e se dispõem de duas maneiras distintas.

1. A primeira, formando verdadeiros arcos de sustentação, que funcionam como molas, ajudando na absorção de impactos diretos sobre a cartilagem.

2. A segunda, funcionando como um verdadeiro sistema hidráulico, formado não somente pelas fibras colágenas mas também por mucopolissacarídeossulfatados como o sulfato de glicosamina e o ácido hialurônico, sendo estes, os responsáveis pela agregação de moléculas de água que darão o caráter hidráulico da cartilagem, funcionando como uma esponja para diminuir o stress mecânico.

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A integridade da cartilagem articular é diretamente proporcional a um mecanismo de neo formação e degradação de todos os constituintes da matriz proteica (colágeno, substância fundamental, sulfato de glicosamina) os quais dependem da capacidade do condrócito em fabricá-los.

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Quando a cartilagem articular é submetida a um macrotrauma ou um microtrauma de repetição, existe, segundo a teoria mecânica, uma quebra de grande número de fibras colágenas, o que produziria um fenômeno inflamatório local, com liberação de enzimas proteolíticas e degradação da cartilagem articular.

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Neste processo de aumento de destruição, o condrócito, único tipo de célula existente na cartilagem articular, não teria capacidade de regenerar aquele excedente destruído, fazendo com que o dano articular persista.

Substâncias que tivessem a capacidade de estimular o condrócito no seu trabalho de neo formação ou, que agregassem algumas das substâncias em falta na cartilagem articular, seriam consideradas substâncias condroprotetoras, e teriam sua utilidade dentro do processo de tratamento e prevenção da osteoartrose.

Nos processos clínicos de agudização da osteoartrose, ou seja quando esta cursar com fenômenos inflamatórios, o uso de anti inflamatórios se impõem, como medida momentânea, não só melhorando a sintomatologia local como bloqueando este processo agudo.

São inúmeros os tipos de anti inflamatórios existentes atualmente no mercado, sendo que o ideal para cada caso, deve ser sempre prescrito por um especialista habituado com o tratamento da patologia. É ele que poderá determinar a droga ideal para aquele momento.

Drogas condroprotetoras, também possuem efeito anti inflamatório, porém, este se manifesta em um período de tempo mais longo. Via de regra, as crises de agudização dos processos de osteoartrose localizada, ocorrem em virtude de: macro traumas, micro traumas de repetição ou por desequilíbrio hormonal.

São elas auto limitadas, porém, a destruição decorrente deste processo pode ser permanente, sendo frequente por parte do paciente, a preocupação quanto ao tratamento de base da patologia somente quando grandes destruições já estão presentes, e já acarretaram certo grau de incapacidade.

No caso específico da OSTEOARTROSE (patologia degradativa articular), a prevenção é sempre o melhor remédio.

O papel das enzimas e dos fatores de crescimento na Patigênese da Osteoartrose
O Condrócito, tem um papel importante no processo Patofisiológico do aparecimento da Osteoartrose. Dentro deste, outras células como o sinoviócito, (que compõe a cápsula sinovial), também interferem neste processo, com a liberação de enzimas (proteínas solúveis) e seus pares inibidores, os quais, podem ser agonistas de receptores ou inativadores enzimáticos. Outros fatores, como o grupo de hormônios do crescimento (Somatotrofina e Somatomedinas), além dos fatores oncogenes (desestabilizadores do metabolismo protéico), também participam ativamente neste desequilíbrio.

Todas estas substâncias possuem habilidades de degradação e síntese de cartilagem, sendo que, o desequilíbrio entre estas ações culmina com a instalação da OSTEOARTROSE (OA).
Estas substâncias, que possuem capacidade de degradação e neo formação, compõem-se de metaloproteases da matriz e citocinas proinflamatórias, que contribuem com a degradação da cartilagem. Do outro lado, temos como geradores de cartilagem, as metaloproteinases tissulares, citocinas inibidoras, fatores de crescimento e os fatores oncogenes.

Processo de degradação (catabólicas)
Metaloproteinases da matriz (MMPs)
Citocinas – próinflamatórias

MMPs – Metaloproteinas da Matriz
Secretadas por células sinoviais e condrócitos, estas substâncias parecem iniciar o processo de degradação da cartilagem na OSTEOARTROSE(OA). A colagenase, a gelatinase e a estromelisina-1, são enzimas que interagem com os componentes da cartilagem, existindo certa especificidade quanto a degradação, e quanto ao seu arranjo químico.

A síntese de MMP tem sua ativação em vários níveis. Uma vez ativadas e em condições normais, também são ativados os inibidores de MMP derivados do plasma (a 2 – macroglobulina) e, também, o inibidor tissular da MMP (TIMPs – Inibidor Tecidual das Metaloproteases), ambos secretados pelas células sinoviais e condrócitos.

O que caracteriza a OSTEOARTROSE(OA), é o aumento da síntese e liberação das MMPs , sem o correspondente aumento de seus inibidores, predominando, com isso, a degradação cartilaginosa.

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Citocinas
Interleucina-1 (IL-1)
Esta citocina (IL1) é a mais importante no processo de instalação do foco inflamatório. Uma vez liberada, induz as células sinoviais e o próprio condrócito a produzirem as MMPs, além de prostanóides inflamatórios (prostaglandinas). Outro ponto de destaque, é o fato de que a IL-1 deprime as tentativas de reparação da cartilagem articular, inibindo a síntese do colágeno tipo II e dos proteoglicanos; impedindo, ainda, a ação dos fatores de crescimento de transformação beta (somatomedinas), cujo principal é a TGFBeta, que impedem a proliferação dos condrócitos.
A IL-1 também aumenta a produção do óxido-nítrico, o qual induz a apoptose (desarranjo estrutural) dos condrócitos.
Em condições normais, a IL-1 é antagonizada por um agonista de receptor que, uma vez inibido, reduz a produção desta IL-1 equilibrando o processo. No caso da OSTEOARTROSE (OA) isto não ocorre, e a degradação tem predomínio por aumento da IL-1 ou declínio do agonista.

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Mecanismo reparador (anabólico)
Fatores de crescimento
Fatores Oncogenes

As Somatomedinas locais participam da remodelação da cartilagem mediando somente a reparação. Dentre as somatomedinas tissulares da cartilagem articular, acredita-se que o mais efetivo parece ser o TGF Beta, agindo diretamente no condrócito, estimulando sua duplicação, agindo também, mesmo na célula já envelhecida. Além da duplicação, este fator parece induzir metabolicamente o condrócito, podendo ainda ter mediação dos hormônios tireoidianos na síntese de colágeno e proteoglicanos, contrabalançando os seguintes mecanismos de degradação:
Inibe a degradação pelo “down-regulation” (efeito agonista) no receptor da IL-1;
Aumenta a liberação de agonistas dos receptores da IL-1;
Aumenta a expressão do TIMP ( Inibidor Tecidual das Metaloproteases)
Outros fatores, como o fator de crescimento insulina-like (IGF-1), o fator de crescimento básico do fibroblasto (b-FGF), proteínas oncogênicas (c-MyC, c-FOS e c-JUN) e o bcl-2 tem sido evidenciados na cartilagem osteoartrósica, sem contudo, ser definido claramente seus papéis no processo.

Resumo:
Osteoartrose / Osteoartrite
Predomínio da Degradação cartilaginosa
1. MMPs – aumento da produção.
2. Citocinas proinflamatórias (IL-1) – liberadas em grande quantidade.
3. Inibição em baixa quantidade de Somatomedinas ( Fatores de crescimento tissulares) e os Inibidores MMPs (TIMPs) e citocinas.

Graças a estudos in vitro com cultivos de condrocitos normais e artrósicos e, graças aos atuais modelos experimentais de osteoartrose em animais, os pesquisadores começam a desvendar os mecanismos celulares e bioquímicos desta patologia.

Somente deste modo, poderemos visualizar novas perspectivas de tratamentos mais efetivos, adquirindo novos conhecimentos para diagnósticos mais precisos, tanto qualitativos como quantitativos.
As pesquisas nesta área aumentam a cada dia pois o caminho parece ser promissor.
Somente um especialista atualizado, poderá lhe mostrar o que é melhor para o seu estágio da doença.

Osteoartrose conceito e aspectos epidemiológicos
Conceito – A Osteoartrose (OA) é a mais comum das afecções reumáticas pois, atinge aproximadamente um quinto da população mundial, sendo considerada uma das mais freqüentes causas de incapacidade laborativa, após os 50 anos.

A osteoartrose pode ser definida como uma síndrome clínica que representa a via final comum das alterações bioquímicas, metabólicas e fisiológicas que ocorrem, de forma simultânea, na cartilagem hialina e no osso sub condral, comprometendo a articulação como um todo, isto é, a cápsula articular, a membrana sinovial, os ligamentos e a musculatura peri articular.

Compreende uma variedade de sub grupos com fatores etiológicos distintos tendo, como substrato patológico, a diminuição do espaço articular devido a perda cartilaginosa e formação osteofitária. É considerada uma doença degradativa da cartilagem hialina.

Osteoartrose 10

Aspectos epidemiológicos – A doença é de caráter crônico, de evolução lenta e sem comprometimento sistêmico de outros órgãos, afetando as articulações periféricas e axiais, mais freqüentemente as que suportam peso. Na grande maioria dos indivíduos se desenvolve de maneira silenciosa.
Habitualmente, atinge uma ou mais articulações de forma auto limitada embora, em alguns casos, se apresente de forma generalizada. Tem caráter universal, com algumas diferenças inter raciais, conforme a articulação acometida.

Incide, predominantemente, no sexo feminino, na idade adulta entre a 4ª e 5ª décadas e no período da menopausa, sendo que esta incidência aumenta com a idade.
Abaixo dos 40 anos, a freqüência é semelhante, em ambos os sexos sendo, esta patologia, um tanto quanto incomum. Estudos radiológicos demonstraram que a freqüência da Osteoartrose gira em torno de 5% em indivíduos com menos de 30 anos e, atinge 70% a 80% daqueles com mais de 65 anos. Contudo, somente 20% a 30% dos portadores de alterações radiológicas apresentam sintomas da doença.
Particularmente, na articulação do joelho, evidenciou-se, que 52% da população adulta apresenta sinais radiológicos da doença, sendo que, somente 20% destas apresentam alterações consideradas como graves ou moderadas.

A incidência desta patologia aumenta com a idade, estimando-se atingir 85% da população até os 64 anos sendo que, aos 85 anos é ela universal. Seu impacto social e seu grau de incapacidade e tão importante, que motivou a Organização Mundial de Saúde a criar a Década do Osso e da Articulação – Movimento Articular 2000 – 2010.

Osteoartrose – Etiopatogenia e fatores de risco
Etiopatogenia – Apesar dos inúmeros estudos efetuados até os dias atuais, tentando desvendar qual o verdadeiro fator causal e inicial da Osteoartrose, uma teoria única sobre a origem e início da patologia ainda não foi confirmada. Várias hipóteses têm sido formuladas na tentativa de explicar a patologia e, dentre estas, ressalte-se a teoria mecânica, já apresentada anteriormente, na qual propõem-se que sobrecargas repetitivas ou macro traumas podem desestruturar a malha de fibras colágenas e romper as cadeias de proteoglicanos diminuindo, com isso, o efeito de amortecimento de choque (função básica da cartilagem).

Esta alteração no balanço da quantidade de proteoglicanos faz com que haja uma hiper hidratação da cartilagem, com diminuição de suas propriedades viscoelásticas e, como consequência, maior transmissão dos estímulos ao osso subcondral, o qual se hipertrofia e perde complacência, acarretando com isso, o aparecimento de fissuras e fibrilações.

Somente esta teoria não consegue explicar todos os fenômenos existentes no processo de Osteoartrose já que acredita–se ser esta patologia decorrente da interação, também de fatores biológicos, genéticos e bioquímicos, que agiriam sozinhos ou em associação em todos os componentes das articulações (sinovia, cartilagem e osso sub condral).

As propriedades essenciais da cartilagem articular são dependentes de uma população celular específica (CONDRÓCITOS), que é a grande responsável pela produção dos componentes da cartilagem (colágeno + matrix protéica + proteoglicanos).

É o Condrócito o grande responsável, tanto pelo estado anabólico (síntese), quanto catabólico (destruição) da cartilagem articular, desempenhando seu papel específico, dependendo do estímulo existente.

Como já vimos anteriormente, um tecido cartilaginoso eficiente depende do equilíbrio entre formação e destruição, sendo o desequilíbrio entre estes dois estímulos, o causador da patologia.
Fatores de Risco – A pratica médica e os estudos epidemiológicos têm relacionado vários fatores de risco para a osteoartrose, sendo que a idade constitui um destes fatores. Diante desta afirmação e, com o aumento da sobrevida da população mundial, torna-se a osteoartrose uma patologia de importância crucial em termos de saúde pública.

São apontados dois grandes grupos de fatores de risco para esta patologia. O primeiro decorrente da suscetibilidade individual e o segundo derivado dos fatores mecânicos.
São considerados fatores de suscetibilidade individual a:
1. Hereditariedade (filhas de mães com artrose tem mais probabilidade de desenvolver a patologia).
2. Fatores Hormonais (descontroles hormonais propiciam a agudização da doença).
3. Obesidade (indivíduos obesos possuem maior carga articular propiciando os fenômenos degradativos).
4. Massa óssea (alterações de massa óssea interferem no aparecimento da patologia).
5. Hipermotilidade (a hipermotilidade implica em maior stress articular e, como conseqüência, maior facilidade na ruptura da malha colágena)
6. Doenças metabólicas.

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São considerados fatores mecânicos:
1. Macro traumas.
2. Traumas repetitivos localizados.
3. Sobrecargas esportivas.
4. Uso inadequado de aparelhos de musculação.
5. Alteração da biomecânica normal da articulação.

Em muitos destes fatores de risco há como se intervir, através de uma correção ou tratamento precoce, tentando evitar o aparecimento desta patologia.

Perda de peso, equilíbrio e controle hormonal, orientação esportiva correta, uso de calçados adequados, correção de posturas, são medidas úteis e que podem ser adotadas precocemente.

Um especialista habituado com o tratamento desta patologia poderá ser consultado ajudando-o na maneira adequada. Previna-se.

A Osteoartrose Nodal
De todas as formas de osteartrose, talvez a forma periférica e nodal seja aquela que mais preocupe as mulheres, em uma determinada fase da vida. Frases como: “Minha mão está horrível!”, “Meus dedos estão entortando!”, “Meus anéis não servem mais!”, são comuns nos consultórios de Reumatologistas e Ortopedistas.

A Osteoartrose nodal vem a ser um acometimento periférico da osteoartrose, sendo mais comuns em mulheres do que em Homens em uma proporção de 10 para 01, tendo seu início por volta da 4ª e 5ª década da vida. Via de regra, seu início coincide com as alterações hormonais próprias da menopausa.

Normalmente o acometimento de mãos é do tipo simétrico e bilateral, podendo ocorrer tanto em articulações interfalangianas distais quanto as proximais. O acometimento das interfalangianas pode ser, por vezes, indolor, sendo que algumas pacientes só se dão conta da importância e da gravidade desta doença quando as deformidades já estão instaladas.

Quando o comprometimento articular é das Interfalangianas proximais com formação de nodosidades, são estas chamadas de nódulos de Bouchard enquanto, o acometimento de inter falangianas distais tem suas nodosidades denominadas nódulos de Heberden.

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Na grande maioria das vezes o aparecimento destas nodosidades se faz de maneira gradual e, com uma sintomatologia pouco dolorosa, ou mesmo sem sintomatologia dolorosa. Por vezes, em casos mais agudos, pode existir o aparecimento de cistos dolorosos, gelatinosos, com um conteúdo de ácido hialurônico e que, via de regra, regridem quando de terapêutica medicamentosa adequada, associada a procedimentos fisioterápicos de rotina como banhos de parafina e contraste, os quais são de grande valia na complementação terapêutica.

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Dentro da própria Osteoartrose nodal, parece existir subtipos e padrões diferentes de acometimentos, muitas vezes acompanhados de sintomatologia sistêmica, sendo comum em mulheres o acometimento simultâneo de mãos e joelhos.

Tornam-se importantes na investigação desta doença à pesquisa e correção de fatores agregados, que podem influenciar negativamente na evolução. Fatores de ordem familiar, distúrbios tireoidianos, hiperuricemia, diabetis, alterações hormonais da menopausa devem sempre ser pesquisados e tratados conjuntamente.

Em um primeiro momento, é impossível determinar como se dará a evolução desta doença. Por vezes, observamos formas iniciais mais erosivas (mais destrutivas) e, por vezes, outras mais brandas.
Um acometimento específico da articulação trapézio/metacarpiana ouescafo/trapeziana denominada de Rizartrose ou artrose da base do polegar, também é uma variação de importância quanto ao fator dor e incapacidade.

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A importância deste acometimento resulta no fato de ser o polegar o grande responsável pelo movimento de apreensão em pinça, que corresponde a 50% da capacidade funcional das mãos, segundo as mais diversas tabelas de seguradoras. Atividades por vezes comuns no dia a dia tais como esfregar roupa com a ponta dos dedos, tricotar, fazer crochet etc, devem ser avaliadas para cada caso pois podem influenciar negativamente na evolução das deformidades.

A instituição de um tratamento adequado tanto do ponto de vista articular com drogas específicas, quanto do ponto de vista Hormonal, associado a procedimentos fisioterápicos específicos, com certeza, são decisivos na modificação da evolução desta doença.

Consulte o seu especialista e informe-se. Quanto mais precoce é instituída a terapêutica, melhores são os resultados.

O que se entende por Condroproteção
Todos nós já sabemos que o aparecimento da OSTEOARTROSE e, com isso, a perda da integridade da cartilagem articular , depende do equilíbrio entre os fatores formadores e os degradadores da cartilagem, que são mediados pela células denominadas CONDRÓCITOS.

Qualquer atitude tomada no sentido de minimizar o estado degradativo da articulação pode ser considerada uma medida CONDROPROTETORA. Assim sendo, medidas de ordem gerais como: perder peso, evitar macro traumatismos e micro traumatismos de repetição, fazer contrôle hormonal, praticar exercícios periódicos e suaves, amenizar desvios posturais, quer cirurgicamente, quer com o uso de órteses etc., podem ser consideradas medidas CONDROPROTETORAS pois, todas elas visam diminuir o stress sobre a cartilagem articular.
Do ponto de vista medicamentoso, amplo arsenal terapêutico já existe, no sentido de aliviar os efeitos dolorosos da OSTEOARTROSE em sua fase inflamatória (veja lista de medicamentos antiinflamatórios anexada), diminuindo, também, a produção de enzimas proteolíticas (substâncias químicas) que, quando presentes e em atividade, aumentam o estado degradativo articular.

Atualmente, já existem no mercado substâncias químicas como o SULFATO DE GLICOSAMINA , o Ácido CONDROITIN, a DIACEREINA e os INSAPONIFICADOS DE SOJA e ABACATE que poderiam ser consideradas drogas com atividade condroprotetora.

Particularmente, no caso do SULFATO DE GLICOSAMINA, esta substância já foi aprovada nos Estados Unidos, como uma droga SADOA (SLOW ACTING DRUGS for TREATMENT of OSTEOARTHRITIS – DROGA DE AÇÃO LENTA PARA O TRATAMENTO DA OSTEOARTROSE).

Na Europa, especialmente na França, uma outra classe de substâncias, osINSAPONIFICADOS DE SOJA e ABACATE (chamadas de substâncias fitoterápicos ou naturais), já são usados há vários anos quer preventivamente, quer sintomatológicamente para o tratamento da OSTEOARTROSE.
Resumidamente , poderiamos dizer que: qualquer medida que vise alterar a curva de evolução da OSTEOARTROSE, deve ser considerada uma medida deCONDROPROTEÇÃO. Estas medidas podem ser de ordem geral , ou específicas como no caso dos medicamentos citados.

Consulte o seu médico especialista, e se oriente no que há de melhor no seu caso.

Dr. Antonio Carlos Novaes (Reumatologista)
Assistente Estrangeiro da Fac. de Med. de Paris

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: D

Alternativa que indico após analisar: D

2 pensamentos sobre “VUNESP – Sorocaba/SP 2006 – Questão 36

  1. Quando a cartilagem articular é submetida a um macrotrauma ou um microtrauma de repetição, existe, segundo a teoria mecânica, uma quebra de grande número de fibras colágenas, o que produziria um fenômeno inflamatório local, com liberação de enzimas proteolíticas e degradação da cartilagem articular…
    Boa tarde André, me ajuda nessa, no último concurso que fiz errei uma questão aparentemente simples sobre esse assunto, entrei com recurso e foi indeferido.
    Na questão em si eles afirmaram que a osteoartrite não é uma doença inflamatória, isso procede? O sufixo ite já não denomina uma patologia de caráter inflamatório? É correto generalizar assim a osteoartrite, como puramente mecânica?
    Abraço

    • Não é apenas mecânica, se estiver escrito assim está errado. Tem que ver a questão inteira, se tiver outra que se encaixa melhor talvez por isso eles tenham indeferido.Sinceramente não sei o que fazer quando a banca não aceita um recurso bem feito, quando não reconhecem o erro. Se você for prejudicado por essa questão a ponto de perder a vaga, talvez juntar toda a papelada e consultar um advogado para saber para onde recorrer.

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