IADES – EBSERH – UFTM/MG 2013 – Questão 41

41. O processo de cicatrização é um fenômeno complexo que ocorre após uma lesão ou doença. A compreensão deste processo e fundamental, para o fisioterapeuta, na escolha da melhor medida terapêutica a ser aplicada. A respeito do processo de cicatrização, assinale a alternativa correta.

(A) Na cicatrização óssea primária, ou cicatrização cortical primária, o osso de um lado da fratura deve se unir, diretamente, com o osso do lado oposto, para restabelecer a continuidade mecânica.

(B) Na cicatrização óssea secundária, seria o processo no qual ocorre a formação de um calo mole no foco da fratura, que, consequentemente, impede a resolução final do processo de consolidação, levando a pseudoartrose.

(C) O estágio agudo do processo de reparo dos tecidos moles, também conhecido como coagulação e inflamação, dura, em geral, três semanas.

(D) O estágio subagudo do processo de reparo, também conhecido como estágio migratório e proliferativo, é marcado pela migração de células como os neutrófilos e monócitos e, geralmente, dura até seis semanas.

(E) O estágio crônico do processo de reparo, também conhecido como estágio de remodelagem, é marcado pela migração de células como os fibroblastos, responsáveis pela produção e organização do colágeno, e pode durar de seis semanas a 12 meses.

gato e unha

A banca aqui propõe dois temas correlatos mas diferentes. Nas alternativas “A” e “B”, o tema é a consolidação óssea e nas demais alternativas o tema muda para reparação de tecidos moles. Vamos iniciar pelas duas primeiras.

Inicialmente, reparem que a banca escolheu o termo cicatrização, e não consolidação da fratura. Isso significa que ela está se referindo ao processo imediato pós-fratura, considerando que a consolidação é uma etapa posterior desse processo. Para complicar um pouco, basta afirmar que a consolidação indireta ou secundária é a forma mais comum de cicatrização óssea.

Ficou confuso isso?

A consolidação indireta ou secundária faz parte da cicatrização óssea porque diz respeito à formação do calo intermediário anterior à formação do calo ósseo. É literalmente uma cicatrização!

Durante as últimas décadas, os estudos sobre a cicatrização da fratura evoluíram rapidamente. É sabido que o osso é um dos poucos tecidos que podem cicatrizar sem que haja a formação de uma cicatriz fibrosa. Assim, o processo de desenvolvimento e reorganização da fratura pode ser considerado uma forma de regeneração óssea. No entanto, apesar da capacidade regenerativa do tecido ósseo, esse processo às vezes falha e as fraturas podem cicatrizar em posições anatômicas desfavoráveis, ter um atraso no tempo de cicatrização, ou até mesmo desenvolver uma pseudoartrose ou não união óssea O processo de cicatrização indireta é mais comum, uma vez que a cicatrização direta requer redução anatômica e uma estabilização do foco de fratura, que na maioria das vezes é obtida por redução aberta e fixação interna. No entanto, quando tais condições são alcançadas, a cicatrização direta permite uma regeneração anatômica do osso lamelar e dos sistemas de Havers, sem a necessidade da etapa de remodelação. (MARSHELL & EINHORN, 2010).

A consolidação direta não ocorre comumente no processo natural de cicatrização óssea. É caracterizada pela cicatrização do local da fratura sem a formação de um calo periosteal ou endosteal. Isto ocorre quando uma restauração anatômica dos fragmentos da fratura é alcançada e a fixação rígida é fornecida resultando em uma diminuição substancial da tensão interfragmentária. Portanto, este tipo de consolidação é frequentemente o objetivo principal alcançado após uma redução aberta e uma cirurgia de fixação interna. Quando esses requisitos são alcançados, a cicatrização óssea direta pode ocorrer por remodelação direta do osso lamelar, canais de Havers e vasos sanguíneos (RAHN, 2002).

Disso tudo podemos concluir que a “A” é correta e a “B” incorreta, porque o calo mole é um processo natural da cicatrização óssea.

Para ler mais:
http://www.mediafire.com/view/zmjm592wri99m8f/IMPORT%C3%82NCIA_DO_CONHECIMENTO_NAS_FASES_DA_REPARA%C3%87%C3%83O_DA_FRATURA_PARA_O_PROFISSIONAL_DE_FISIOTERAPIA.pdf

As demais alternativas são todas incorretas em algum ponto. Abaixo o breve resumo que já postei sobre o assunto.

Vamos dar uma resumida nesse reparo tecidual, que é algo muito grande que envolve mais eventos do que pode aparentar esse breve resumo.

O Reparo tecidual é uma resposta natural do corpo à  injuria e envolve uma sequência de eventos altamente independentes que  se sobrepõem. O reparo de um tecido pode ser dividido em três  fases: 

Fase Inflamatória: também chamada de exsudativa ou defensiva,  é caracterizada pelo processo inflamatório local com a presença de sinais típicos (dor, calor, rubor e edema, podendo alcançar a perda da função  local). Se inicia no momento que ocorre a agressão ao tecido e se  prolonga por um período de até 7 dias. Objetiva preparar o local para o  novo tecido que crescerá.

Fase Proliferativa: também chamada de reconstrutiva ou  fibroblástica, pode se estender por 3 semanas e é caracterizada pela  mitose celular. A reconstituição da matriz extracelular e o  desenvolvimento do tecido de granulação ocorre devido à deposição de  colágeno, fibronectina e devido a outros componentes.

Fase Reparadora: também chamada de fase de  maturação ou de remodelação, possui início próximo da terceira semana da agressão e seu término pode passar 12 meses. É caracterizada pelas  transformações que ocorrem no tecido de cicatrização, sendo estas devido à diminuição progressiva da vascularização e da quantidade de  fibroblastos e a reorientação das fibras de colágeno. Nesta fase, a  cicatrização torna-se mais plana e macia e podem ocorrer defeitos na  cicatrização, como quelóides, cicatrizes hipertróficas e hipercromias.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: A

Alternativa que indico após analisar: A

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