AOCP – EBSERH – UFGD/MS 2014 – Questão 26

26.A motricidade involuntária está ligada em uma das vias descritas a seguir. Assinale a alternativa correta.

(A) Piramidal.

(B) Extrapiramidal.

(C) Espinotalâmicas.

(D) Espinocorticais anteriores.

(E) Espinocorticais posteriores.

Spinal_cord_tracts_-_English_svg

Essa é a primeira questão de conhecimentos específicos desta prova.

A movimentação de todo ou de parte do corpo pode ocorrer pela ação direta de nossa vontade. Nesse caso trata-se de uma motricidade voluntária.

Na ocorrência de uma crise convulsiva, os movimentos não ocorrem por minha vontade; trata-se então de uma movimentação involuntária, ou melhor, de motricidade involuntária.

Também consigo andar de bicicleta ou dirigir um carro, conversando sobre um assunto que nada tem a ver com aquilo que faço, isto é, não estou me dando conta de que pedalo ou que dirijo o carro. Faço-o automaticamente. É a motricidade automática.

Ordeno a um paciente que relaxe. Mudo então a posição de um de seus membros, que ficará na nova posição. Significa isso que, passivamente, ele admitiu o movimento e acabou por fixar o membro deslocado para nova posição. Estamos, então, diante da motricidade passiva (dependente do tônus muscular).

Estudemos melhor estes aspectos.

Quando executamos um movimento – motricidade voluntária – , a ordem parte da córtex cerebral, área motora e, através dos cilindro-eixos das células nervosas, cruza no bulbo e chega às pontas anteriores da medula. Daí, via nervos periféricos, atinge os músculos próprios onde se efetua a contração. Esta via que preside os movimentos regidos pela nossa vontade é uma via superior, pois ela governa movimentos precisos, discretos, também chamados fásicos e compreende a denominada via motora direta ou via piramidal.

Mas, se ando sem me dar conta do que faço, ou se ao andar balanço os braços sem perceber, automaticamente, estaremos diante da motricidade automática. Para essa movimentação, a via não é mais a piramidal, embora as incitações nervosas também acabem nas pontas anteriores da medula e levados pelos neurônios motores periféricos atinjam os músculos.

Esta forma de funcionamento ocorre, também, com a motricidade estática. Os centros e vias nervosas, cujas incitações não dependem de nossa vontade constituem-se na chamada via motora indireta ou via extra-piramidal.

Concluindo:
Via piramidal: – sob nossa vontade.
Via extra-piramidal:- fora de nossa vontade.

O sistema piramidal, ligado a motricidade voluntária contém, refreia, inibe a ação das motricidades automática e reflexa.

Entendamos melhor.
Na medida em que a criança se desenvolve, percebe-se que pouco a pouco, ela vai realizando movimentos mais precisos, de sorte que um sistema vai sobrepujando o outro e assim, se antes a criança se desequilibrava, passa a andar bem e finalmente, andará de bicicleta e chegará a automatizar seu deslocamento com esse veículo.

O caminho inverso ocorre no acometimento do sistema piramidal por uma patologia qualquer quando então libertam-se os sistemas que lhe são subjacentes, assunto para o qual retornaremos posteriormente. Desse modo, no acidente vascular encefálico por exemplo, o paciente, com o tempo, adquire a espasticidade muscular, a hipertonia, o exagero de reflexos e os sinais que aparecem como consequência da lesão do piramidal são chamado sinais neurológicos de liberação. Na ocorrência de um acidente vascular encefálico o paciente vai mostrar que tem seus movimentos limitados, exatamente porque seu sistema piramidal foi lesado. A tais limitações mostradas pelo paciente chamamos sintomas de déficit.

O estudo da via motora voluntária (piramidal) mostra que as fibras descem desde as células corticais de Betz, cruzam pelas pirâmides bulbares e atingem os núcleos das pontas anteriores da medula.

A lesão do sistema piramidal acarreta:
1) Sintomas neurológicos de déficit;
2) Sintomas neurológicos de liberação.

Quais são esses sintomas?

Veja o quadro abaixo;

1) Sintomas de déficit
a. Atitude de Wernick-Mann
b. Diminuição ou perda, transitória ou permanente, dos reflexos superficiais (abdominais, por exemplo)
c. Hiperextensibilidade muscular
d. Atrofia por desuso

2) Sintomas de liberação
a. Sinal de Babinski
b. Hipertonia
c. Exaltação de reflexos
d. Movimentos associados anormais (sincinesias)

Para ler mais:

http://fabioagertt.files.wordpress.com/2010/09/5-sistema-piramidal-e-extrapiramidal.pdf

http://www.scorpnet.com.br/livro/fundamentosdeclinicaneurologica.pdf

http://www.fmh.utl.pt/anatomo/Slides&Notas08/GD_B1_Aula3.pdf

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: B

Alternativa que indico após analisar: B

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