VUNESP – São Paulo/SP 2002 – Questão 57

57. Topograficamente, a paralisia cerebral é classificada em
(A) atetose.

(B) espástica.

(C) atáxica.

(D) diplégica.

(E) distônica.

Não infantilize os PCs adultos

As alternativas “A”, “B”, “C” e “E”, fazem parte da classificação motora do quadro. A única alternativa que indica uma classificação relacionada a uma região do corpo é a “D”.

Os pacientes diagnosticados com o quadro de Encefalopatia Crônica Não-Progressiva da Infância(ECNPI), que é popularmente definida por Paralisia Cerebral, ou “PC”, possuem principalmente comprometimento motor, influenciando no seu desempenho funcional. Segundo Schwartzman (1993) e Souza & Ferraretto (1998)1, a PC pode ser classificada por tipo de disfunção motora, extrapiramidal ou discinético (Atetoide, coreico e distônico), atáxico, misto e espástico ou pela topografia das lesões (Localização no corpo), o que inclui tetraplegia, monoplegia, diplegia e hemiplegia.

Quanto a topografia da lesão
Tetraplegia (Hemiplegia bilateral ou quadriplegia): Ocorrendo em 9 a 43% dos casos, com lesões difusas bilateral no sistema piramidal apresentando tetraparesia espástica com retrações em semiflexão severas, síndrome pseudobulbar (hipomimia, disfagia e disartria), e até microcefalia, deficiência mental e epilepsia.
Diplegia: Surge em 10 a 30 % dos pacientes, sendo mais comum em prematuros, comprometendo os membros inferiores, podendo apresentar hipertonia dos músculos Adutores, denominado síndrome de Little (Cruzamento dos membros inferiores e marcha “em tesoura”). Existem vários graus para classificar a intensidade do distúrbio, podendo ser pouco afetado (Com um prognóstico bom, sendo capaz de se adaptar à vida diária) ou graves com limitações funcionais. Ao 1º ano de vida, a criança pode se apresentar hipotônica, passando para distonia intermitente, com tendência ao opistótono quando estimulada. Nos casos mais graves a criança pode permanecer num destes estágios por toda a sua vida, porém geralmente passa a exibir hipertonia espástica, inicialmente extensora e, finalmente, com graves retrações semiflexoras.

Hemiplegia: É a mais comum de todas, comprometendo mais o membro superior; acompanhada de espasticidade, hiper-reflexia e sinal de Babinski. O padrão hemiplégico caracteriza-se pela postura semiflexora do membro superior, com o membro inferior hiperestendido e aduzido, e o pé em postura equinovara, podendo aparecer ser encontrado hipotrofia dos segmentos acometidos, hemi-hipoestesia ou hemianopsia.

Quanto a disfunção motora:
Atetoide: Caracterizada por movimentos involuntários, Neste tipo, os movimentos são involuntários devido a um estimulo ineficaz e exagerado que o cérebro envia ao músculo não sendo capaz de manter um padrão.

Coreico: Acomete crianças e jovens do sexo feminino com movimentos involuntários e descoordenados dos membros e dos músculos da face (Dança de S. Guido).

Distônico: Incoordenação do tônus muscular

Atáxico: Dificuldade de coordenação motora (Tremores ao realizar um movimento).

Mistos: Quando apresentam pelo menos dois tipos associados de alteração do movimento (Exemplo: espástico e atetoide)

Espástico: Ocorre uma lesão do córtex cerebral, diminuindo a força muscular e aumentando o tônus muscular. A tensão muscular encontra-se aumentada notada ao realizar algum alongamento da musculatura ou mesmo um estiramento.

 

Associado ao distúrbio motor presente na ECNPI, o quadro clínico pode incluir:

1.Deficiência mental: Ocorre de 30 a 70% dos pacientes. Está mais associada às formas tetraplégicas, diplégicas ou mistas;

2. Epilepsia: Varia de 25 a 35% dos casos, ocorrendo mais associado com a forma hemiplégica ou tetraplégica;

3. Distúrbios da linguagem;

4. Distúrbios visuais: Pode ocorrer perda da acuidade visual ou dos movimentos oculares (estrabismo);

5. Distúrbios do comportamento: São mais comuns nas crianças com inteligência normal ou limítrofe, que se sentem frustradas pela sua limitação motora, quadro agravado em alguns casos pela super proteção ou rejeição familiar;

6. Distúrbios ortopédicos: Mesmo nos pacientes submetidos à reabilitação bem orientada, são comuns retrações fibrotendíneas (50%) cifoescoliose (15%), “coxa valga”(5%) e deformidades nos pés.

Obs: Mais uma vez ocorre uma falha na definição de um termo. Plegia refere-se a perda total do movimento sendo correto utilizá-lo somente quando o paciente não apresentar movimentos algum, quando houver algum esboço de movimento deve-se utilizar o termo: paresia.

Nota – Hemi-hipoestesia: Diminuição da sensibilidade de uma metade do corpo Hemianopsia: Défici visual de um lado Opistótono: Posição assumida pelo corpo, durante os ataques convulsivos, em que ele fica de tal maneira arqueado que pode ficar levantado da cama unicamente pelos calcanhares e pela cabeça.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: D
Alternativa que indico após analisar: D

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