VUNESP – São Paulo/SP 2002 – Questão 35

35. O ossos que mais comumente sofrem fraturas de stress são:

(A) tíbia, fíbula e ossos do carpo.

(B) tíbia, 5o metatarso e ilíaco.

(C) 5o metatarso, fíbula e trocânter maior.

(D) tíbia, 5o metatarso e fêmur.

(E) tálus, tíbia e fêmur.

fraturastress

Continuo querendo que as bancas definam as fontes da estatísticas. Essa questão por exemplo. Sabe-se que a maior incidência é em membros inferiores, mas em quais ossos é que é o problema. Aqui, sem saber a estatística, poderia dizer que tanto a “D” como a “E” estão corretas.

A fratura por stress é um problema que antigamente era restrito aos atletas de alta performance (alto impacto) e militares (marcha por longa distância), mas hoje deve ser lembrado por quem pratica e lida com atividade física.

Com o aumento do número de praticantes de esportes e a sobrecarga extra, que às vezes chegam a ultrapassar a resistência física e histológica do osso (principalmente corrida), além da intensidade dos treinos, as fraturas por stress podem acontecer por causa do esgotamento muscular (esforço excessivo) e a falta de absorção de impactos acumulativos. Invariavelmente, os músculos fadigados transferem a sobrecarga do stress para o osso ocorrendo a fratura por stress.

O que é fratura por stress? As fraturas por stress são fissuras microscópicas dos ossos, causadas por uma soma de quantidade de impacto. Esse esforço físico repetitivo aumenta as solicitações ósseas, que quando ultrapassam a resistência normal, ocorre a substituição da deformação elástica pela deformação plástica, isto é, não há retorno à situação anterior e, caso as exigências continuem, instalam-se microfraturas, prevalecendo então a reabsorção óssea. Nesta fase da evolução, tem-se uma alteração fisiológica, a fratura, no entanto sem aparente comprometimento anatômico (deformidade).

Como acontece? Pode se originar de um aumento muito rápido da intensidade, volume ou mesmo de uma mudança no tipo de treino (troca de calçado, tipo de piso, programa de saltos, etc.). A fadiga muscular pode também ter papel importante na ocorrência de fraturas por stress.

Para cada milha que um corredor percorre, mais de 110 toneladas da força devem ser absorvidas pelos pés. Os ossos não são feitos para absorver muita energia e os músculos agem como absorventes de choque adicionais. Mas, quando os músculos se tornam cansados e param de absorver a maioria da energia, as quantidades mais altas de choque vão para os ossos.

O osso envolvido é submetido a uma carga excessiva sem o devido respeito aos princípios de progressão e repouso, e inicia-se uma fratura da parte mais interna do osso (trabéculas ósseas), que pode, se não tratado, progredir para uma fratura completa (incluindo a cortical).

Qual a incidência? Estudos têm mostrado resultados que indicam que as mulheres têm mais fraturas por stress do que os homens. Muitos ortopedistas atribuem este fato a uma condição conhecida como “a tríade da atleta feminina”:

  • desordem alimentar (bulimia ou anorexia);
  • amenorréia (ciclo menstrual ausente);
  • osteoporose. Quando a massa óssea da mulher diminui, aumentam as chances de ocorrer uma fratura por stress.

As fraturas por stress ocorrem menos freqüentemente nos africanos se comparados aos caucasianos. Isso acontece devido a um BMD mais elevado (densidade mineral do osso). A incidência aumenta provavelmente também com a idade devido às reduções da BMD.

Os ossos dos membros inferiores são os mais acometidos, principalmente os ossos do pé, tíbia, fíbula e fêmur, cuja origem é a sobrecarga de forma intensa, mal realizada ou sem o devido intervalo de recuperação.

Quais são os sintomas? A fratura por stress tem geralmente uma lista estreita dos sintomas.

  • uma área generalizada de dor no membro acometido,
  • enfraquecimento e
  • dor ao pisar (carga);
  • edema e equimose (roxo) são raros.

Como é feito o diagnóstico? Há uma discrepância entre a clínica referida pelo paciente e os achados radiológicos, pois o raio X em geral é normal, (a não ser em fases mais tardias, em torno de 15 dias, onde pode aparecer uma formação de um calo ósseo discreto no local da fratura). Nas fases iniciais, em torno de 80% das fraturas de estresse não são evidentes nas radiografias.

São necessários para confirmação diagnóstica os métodos como ressonância magnética (RM) ou cintilografia óssea, que apresentam uma boa sensibilidade. A cintilografia óssea detecta a fase inicial da patologia, cerca de 95% dos casos em menos de 24h da lesão.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: D

Alternativa que indico após analisar: D e E

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