FUNRIO – Coronel Fabriciano/MG 2008 – Questão 37

37. O paciente portador de síndrome cerebelar pode apresentar: hipotonicidade, ataxia, distúrbios do equilíbrio e decomposição dos movimentos. A proposta terapêutica mais indicada nesses casos, são os exercícios de:

A) Margareth Rood.

B) Bobath.

C) Klein-Volgsang.

D) Maitland.

E) Frenkel.

Keep walking

Rood e Bobath são utilizados na fisioterapia neuroinfantil. Klein-Volgsang me parece ser escrito de forma incorreta propositalmente, já que a técnica é Klein-Vogelbach.

Maitland é terapia manual, sem relação com tratamento para disfunções cerebelares.

Só resta Frenkel. Vamos à figura histórica. Estou ficando bom nisso, uma pesquisa simples em inglês nos revela muita informação que ainda parece não disponível em nosso idioma.

Heinrich Sebastian Frenkel(1869-1931) foi um neurologista suíço que num belo dia em 1887, observou que um  paciente com ataxia não conseguia realizar o teste de index-nariz(abaixo). O paciente perguntou o que significava aquele exame, então foi informado que ele não havia passado no teste.

Meses depois, em um novo exame, o paciente mostrou muita habilidade na coordenação dos movimentos. Frenkel ficou impressionado com a evolução, que contradizia o que se pensava sobre o tratamento da ataxia na época. Ao perguntar ao paciente o que havia ocorrido, ele disse que queria passar no teste, e que por isso estava treinando.

Frenkel então imaginou que se um paciente conseguiu, por que não todos eles, ou ao menos parte deles? A partir daí passou a estudar a prática de exercícios na ataxia. Em seu livro, ele descreveu que “a visão é um grande aliado no tratamento”. Isso significa que o paciente deve ver seus movimentos durante os exercícios.

O fato de Frenkel ser judeu fez com que muito de sua obra tivesse sido suprimida pelo regime nazista.

O livro de Frenkel afirma que a melhor maneira de realizar os exercícios é fazê-los por três minutos, usando algum tipo de cronômetro. Em seguida, o paciente deve fazer algo totalmente diferente e não relacionado com os exercícios por quinze minutos , como ler um livro ou conversar. Em seguida, o paciente retorna aos exercícios por mais três minutos, quando ele terá percebido que a habilidade terá melhorado em comparação com os exercícios feitos 15 minutos antes.

Pensa-se que a quebra de 15 minutos permite que as novas conexões neurais sejam criadas. Estas sessões devem ser feitas todos os dias por pelo menos seis semanas. O paciente pode tratar a si mesmo e, obviamente, na ausência de um médico deve fazê-lo. No entanto, é melhor que um fisioterapeuta esteja acompanhando, para motivar e orientar o paciente em como se mover. O fisioterapeuta também pode auxiliar o movimento do paciente quando a força muscular for baixa. É muito importante que o fisioterapeuta também estimule o paciente, porque a apatia, a falta de motivação e a depressão acompanham a maioria dos casos de ataxia cerebelar e são as principais razões para o fracasso do tratamento.

Frenkel observou que os pacientes tinham de estar livre de opiáceos e de álcool para alcançar o foco de atenção necessária.

O método de Frenkel é recomendado para tratar ataxias tendo como objetivo inicial estabelecer o controle voluntário do movimento por meio do uso de qualquer parte do mecanismo sensorial que tenha permanecido intacto, paralelamente a visão, audição e tato, para compensar a perda da sensação cinestésica e com o objetivo final de estabelecer o controle do movimento, de tal modo que o paciente seja capaz e confie em sua habilidade de praticar atividades essenciais para independência na vida diária.

PRÍNCIPIOS DO MÉTODO

Concentração e atenção; Precisão ; Repetição.

DESENVOLVIMENTO TÉCNICO

• Paciente com vestimenta adequada que possibilite a visualização do movimento;

• Ensinar ao paciente a execução correta dos exercícios;

• Velocidade determinada pelo fisioterapeuta por meio da marcação de ritmo, marcação do movimento com a mão ou música;

• Exercícios de grande amplitudes são mais fáceis dos que os de curta amplitude;

• Exercícios mais rápidos requerem menos controle que os lentos;

• A progressão deve ser feita por complexidade e não por potência muscular;

• Para a progressão deve-se respeitar: velocidade, amplitude e complexidade;

• O exercício deve ser repetido até tornar-se fácil e perfeito, sendo substituído por outro mais complexo;

• Não frustrar o paciente com proposta de exercícios iniciais muito complexos;

• Os exercícios progridem do DD, sentado, bipedestação e deambulação.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora:  E

Alternativa que indico após analisar: E

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