FUNRIO – SESDEC/RJ 2008 – Questão 44

44. O treinamento físico, tanto o de resistência quanto o de endurance, promove nas fibras musculares, a conversão de:

A) motoneurônias gama em motoneurônios alfa.

B) fibras musculares rápidas em fibras musculares lentas.

C) fibras musculares lentas em fibras musculares rápidas.

D) motoneurônios alfa em motoneurônios gama.

E) nenhuma conversão ocorre entre as fibras musculares ou entre os motoneurônios.

corrida

Aqui é preciso ter em mente algumas características de fibras musculares.

Basicamente, as fibras de contração rápida são utilizadas em atividades de explosão muscular, como numa corrida de 100 metros rasos. Você já reparou como aqueles caras são fortes? Aquilo é pura força muscular de contração rápida. Um corredor magrinho não teria arranque para competir com um  brutamontes daqueles.

Já corredores de longa distância e maratonistas são sequinhos, aparentemente famélicos, mas a musculatura deles tem força suficiente para aquentar sustentar uma corrida por horas sem parar. Isso os fortões dos 100 metros rasos não fazem. Os magrinhos, que são pura fibra de contração lenta, numa eventual maratona com os fortões, poderiam armar a rede e esperá-los na chegada.

A banca quer saber qual tipo de fibra muscular predomina no “endurance” numa eventual conversão de fibras. Basicamente, as fibras rápidas se adaptam e se transformam em lentas.

Espero que tenham gostado da minha analogia, que apesar de ser meio grosseira, ajuda a recordar essa questão. Deixo uma leitura bem legal para quem quiser aprofundar:

O tecido muscular esquelético tem a capacidade de adaptar-se frente aos estímulos recebidos, e essa adaptação também é observada em relação aos tipos de fibras musculares. Assim, um músculo pode tornar-se mais lento ou mais rápido conforme sua demanda funcional, ou seja, o fenótipo da fibra muscular pode ser alterado conforme o estímulo recebido.

A alteração na incidência dos tipos de fibras musculares que compõem um determinado músculo pode ocorrer, por exemplo, devido à alteração na MHC, que altera o tipo histoquímico da fibra muscular, ou também devido a atrofia de determinada população de unidade motora.

Vários fatores podem ser responsáveis pela alteração dos tipos de fibras. Entre eles, podemos citar:

Alteração da demanda funcional

A alteração na porcentagem dos tipos de fibras pode ser observada em músculos antigravitacionais de ratos que, após permaneceram por algum tempo em condições de hipogravidade, tornaram-se rápidos devido à ausência dos estímulos posturais.

Os músculos de indivíduos com lesão medular ou que estão submetidos a qualquer tipo de imobilização também irão sofrer uma transformação no sentido de fibras lentas para fibras rápidas.

Esses resultados mostram que músculos submetidos ao desuso tendem a apresentar maior incidência de fibras rápidas. De modo contrário, atividades de sobrecarga ou aumento da atividade neuromuscular predispõe mudança das fibras no sentido rápida para lenta, como pode ser observado em modelos  de eletroestimulação crônica, hipertrofia compensatória ou alongamento.

Envelhecimento

O envelhecimento é, em geral, acompanhado por uma pronunciada diminuição da atividade física, o que causa uma mudança no tipo de fibra no sentido rápida para lenta. Esse resultado pode parecer contraditório, uma vez que, conforme exposto, a diminuição da atividade neuromuscular promove uma transição do tipo de fibra no sentido oposto. Entretanto, alguns fatores devem ser considerados nessa situação, uma vez que o envelhecimento leva não somente à redução da atividade contrátil, mas também à perda seletiva e remodelamento de unidades motoras. Assim, o maior número de fibras lentas ocorre devido à atrofia das unidades motoras de fibras rápidas, uma vez que atividades de força muscular não são muito praticadas por essa população.

Outro mecanismo relacionado a esse aumento do número de fibras lentas no idoso é a diminuição do número de motoneurônios alfa, o que também reduz o número de unidades motoras. Essas fibras “órfãs”, principalmente do tipo II, receberão brotamentos colaterais, preferencialmente de motoneurônios do tipo I30, aumentando portanto a incidência de fibras lentas.

É questionado se as alterações observadas no envelhecimento são decorrentes de conversões entre os tipos de fibras ou refletem apenas perda particular de um determinado tipo de fibra. Independente do mecanismo envolvido, o número de fibras lentas nessa população aumentará, resultando não somente em músculos mais lentos, mas também em diminuição de sua função, evidenciada pela deficiência de controle motor (devido ao aumento do número de fibras por unidades motoras) e pela diminuição da capacidade de produção de força. Isso reforça a necessidade de realização de exercícios de força em indivíduos idosos, pois a sarcopenia, associada com a maior incidência de fibras lentas nessa população, é a responsável pelo declínio das funções musculares durante o envelhecimento.

Exercícios

Os exercícios podem ser divididos entre os que aumentam a resistência à fadiga, aumentam a velocidade e aqueles que aumentam a força muscular. É bem documentado na literatura que o treinamento que exige uma alta demanda metabólica aumentará a capacidade oxidativa de todos os tipos de fibras do músculo, havendo uma transformação de fibras no sentido rápida para lenta. É importante ressaltar que essas alterações de fibras de rápida para lenta ocorrem, preferencialmente, dentro da população de fibras rápidas: mudanças de fibras do tipo IIB para tipo IIA. Entretanto, a intensidade aumentada de treinamento pode promover mudanças além da população de fibras rápidas, isto é, promove a transição de fibras tipo II para I. A maioria dos relatos da literatura mostra que a alteração de fibras no sentido rápida para lenta ocorre não somente na atividade de resistência, mas também nas atividades de velocidade ou força.

Entretanto, resultados contraditórios, mostrando uma alteração de fibras no sentido oposto tanto após treino de velocidade ou força, também são documentados.

Hormônios

Vários hormônios estão relacionados com a mudança nostipos de fibras, sendo relato comum a influência dos hormônios da tireoide nessas conversões. De modo geral, situação de hipotiroidismo causa transformação de fibras no sentido rápida-lenta, enquanto hipertiroidismo leva a transição no sentido oposto. Outros hormônios, como testosterona, catecolaminas, glicocorticóide, hormônio do crescimento e insulina também estão relacionados com as alterações observadas na incidência dos tipos de fibras.

IMPLICAÇÕES CLÍNICAS

A plasticidade muscular, observada nas propriedades contráteis, metabólicas e morfológicas das fibras em resposta a um determinado estímulo, permite ao indivíduo adaptar-se a diferentes demandas funcionais, o que altera o tamanho ou a composição dos tipos de fibras. Desse modo, a intervenção fisioterapêutica, por meio de exercícios físicos, pode afetar os tipos de fibras musculares, podendo trazer uma contribuição para a melhora da performance muscular.

Conhecendo as respostas de adaptações musculares, o fisioterapeuta pode ter melhor condição para propor intervenções fisioterapêuticas, como os exercícios de resistência e de força, que podem alterar a incidência dos tipos de fibras musculares ou seu tamanho. Além disso, o conhecimento dessas adaptações é importante para direcionar um programa de reabilitação com ênfase nos comprometimentos morfológico e fisiológico do músculo.

Fonte:

http://www.clinicahomeostase.com.br/mensagens/461.pdf

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: B

Alternativa que indico após analisar:B

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