FUNRIO – SESDEC/RJ 2008 – Questão 42

42. O equilíbrio estático, assim como também o dinâmico, dependem da interação dos seguintes sistemas:

A) proprioceptivo nociceptivo – auditivo.

B) vestibular visual auditivo.

C) proprioceptivo nociceptivo visual.

D) vestibular visual nociceptivo

E) proprioceptivo vestibular visual.

Equilibrio

Ai, ai, assim a FUNRIO me cansa.

A banca pergunta sobre equilíbrio estático, para se opor ao equilíbrio necessário durante o movimento.

Sistema nociceptivo? Faz referência à percepção, processamento  e resposta a estímulos dolorosos. Eliminamos “A”, “C” e “D”.

Sistema auditivo? Normalmente não daríamos ouvidos a isso e eliminaríamos a alternativa “B”, principalmente por se tratar de equilíbrio estático. Mas a banca diz no enunciado “assim também como o dinâmico”, ignorando completamente a importância do sistema auditivo no equilíbrio dinâmico. Então a alternativa “B”  não estaria errada, apenas incompleta, faltando o sistema somatossensorial.

A banca aponta a “E” como alternativa correta, mas parece que para se fazer uma prova da FUNRIO você não pode aprofundar demais seu raciocínio nas questões. Assim como o sorvete, se colocarmos no sol, algumas questões derretem.

Sobre o sistema proprioceptivo. FUNRIO, sinto informar, mas esse sistema não existe. Três modalidades sensoriais são responsáveis pela orientação postural: a Propriocepção que é responsável pelo senso de posição e movimento de uma parte do corpo relativa à outra parte do corpo; a Expropriocepção, responsável pela sensação de posição e movimento de uma parte do corpo em relação ao ambiente; e a Exterocepção, que é responsável por localizar um objeto no ambiente em relação a outro.  Ah, no lugar de “sistema proprioceptivo”, que na verdade não é um sistema – é uma modalidade sensorial, onde comumente se diz propriocepção sem separar de exterocepção e expropriocepção, deveria se definir sobre o sistema somatossensorial. Vamos a ele.

Sistema Somatossensorial

O sistema somatossensorial é exproprioceptivo e proprioceptivo. Difere dos outros sistemas sensoriais porque seus receptores estão espalhados pelo corpo humano. Estes receptores respondem a diferentes tipos de estímulos como toque, temperatura, posição do corpo e dor. Cabe ao sistema nervoso central interpretar a atividade dos receptores e utilizá-los para gerar percepções coerentes com a realidade.

Sobre os receptores dos pés, vem sendo demonstrado que estes podem interferir no limiar dos neurônios espinhais, nos quais existe uma interação com as informações vestibulares, visuais e proprioceptivas do pescoço. É também reconhecido, que estes mecanorreceptores são capazes de localizar e detectar pequenas mudanças na pressão da sola dos pés para reagir a altas alterações de frequência.

O sistema vestibular

O sistema vestibular é puramente exproprioceptivo. A assimetria da resposta labiríntica, seja pela estimulação excessiva ou pela hipoestimulação, leva a vertigem, nistagmo e reflexo vagal que são sensações conscientes. Funções do labirinto Vestibular:

1) Transformar as forças provocadas pela aceleração da cabeça e da gravidade em um sinal biológico;

2) Informar os centros nervosos sobre a velocidade da cabeça e sua posição no espaço e

3) Iniciar alguns reflexos necessários para a estabilização do olhar, da cabeça e do corpo.

Os receptores vestibulares nos canais semicirculares e otólitos maculares são sensíveis à aceleração angular e linear da cabeça, respectivamente. O sinal do otólito é uma combinação de todas as acelerações lineares agindo sobre a cabeça, incluindo a aceleração constante da gravidade. Assim, os otólitos são estimulados com os movimentos da cabeça com respeito à gravidade.

Porém os sinais dos otólitos sozinhos não são provavelmente responsáveis para o nosso sentido de “verticalidade”.  Os canais semicirculares, como acelerômetros angulares, são sensíveis a altas frequências de movimentos da cabeça, assim como os otólitos. Os canais anteriores e posteriores, os quais detectam as posições pitch e roll são especialmente importantes para detectar a oscilação postural que ocorre com a rápida flexão ou extensão do quadril, mas não para detectar a baixa frequência de oscilação em pé2.

A ausência ou a falha da informação vestibular pode alterar o controle da postura. Para manter o controle da postura ereta, o controle postural seleciona estratégias apropriadas. Duas das estratégias posturais mais estudadas são a estratégia do tornozelo e a estratégia do quadril, que se diferenciam, entre outros aspectos, pelo grupo muscular recrutado durante uma instabilidade postural no plano sagital. A ausência da informação vestibular resulta na ausência da estratégia do quadril e sugere que a informação vestibular é necessária quando a tarefa de equilíbrio dinâmico requer o uso da estratégia do quadril. Também observam que na ausência de informação somatossensorial, o ajuste postural compensatório baseia-se na estratégia do quadril. No entanto, a ausência de um desses sistemas é suficiente para atrasar ou desorganizar a resposta postural.

Pode-se dizer que o sistema vestibular orienta as informações geradas pelos movimentos da cabeça durante as posturas estáticas e dinâmicas do corpo diante da gravidade.

Sistema visual

O sistema visual é influenciado pela interação das três modalidades sensoriais: proprioceptiva  e exproprioceptiva e proprioceptiva. Informa sobre a localização espacial, permitindo que o cérebro conheça a localização do corpo no espaço e a sua relação com os objetos que o rodeiam.

O sistema visual é considerado, entre os sistemas sensoriais, o mais complexo. Seu funcionamento envolve várias estruturas e mecanismos para a obtenção de informações ambientais, que são obtidas através da refração da luz provenientes das superfícies, objetos, plantas, animais e etc. A luz que entra através da córnea é projetada na retina e transformada em sinais elétricos pelos fotorreceptores. Em seguida, é enviada para centros superiores no sistema nervoso central, através do nervo óptico, para ser processada.

A importância do sistema visual para o controle postural é principalmente relacionada à estabilização da oscilação corporal. Vários estudos demonstram que durante a manutenção da postura ereta estática, a oscilação corporal aumenta até mais que o dobro quando a informação visual não está disponíve. Desta forma, essa informação atua como uma fonte de informação sensorial que propicia uma melhora do desempenho do sistema de controle postural. Estudos sugerem que a visão atua como fonte integrante do sistema de controle postural e que diante de conflitos sensoriais, decorrentes de informações ilusórias, a visão domina os canais vestibulares e somatossensoriais.

Sistema Auditivo

O sistema auditivo é exproprio e exteroceptivo. Prejuízos na audição e no equilíbrio, bem como as quedas, são comuns entre as pessoas idosas, e estes, podem se correlacionar, primeiro, porque a audição fornece informação acústica sobre o ambiente, nos habilitando a notar e evitar irregularidades ambientais que possam provocar quedas. Segundo, a estrutura e função do ouvido interno sugerem que tanto o ouvido quanto os órgãos vestibulares podem compartilhar fatores etiológicos em comum. O ouvido e os órgãos vestibulares são anatomicamente localizados próximos uns dos outros, compartilham a circulação sanguínea, são inervados pelo oitavo nervo craniano, e têm mecanorreceptores sensoriais, os quais detectam o som, movimentos da cabeça e orientação espacial.

Agora, vamos à interação entre esses sistemas para a manutenção do equilíbrio. O controle postural está presente em cada movimento realizado, onde contrações musculares apropriadas ocorrem baseadas em informações sensoriais garantindo a posição corporal desejada. Estas informações sensoriais, provenientes dos sistemas visuais, vestibulares, auditivos e somatossensoriais auxiliam o Sistema Nervoso Central na realização de ajustes posturais.

Cada sistema sensorial fornece informações com características únicas, pois cada classe de receptores opera de maneira ótima em frequência e amplitude específicas.

Sistemas desta natureza, como todos os sistemas neurológicos, implicam a existência de:

1. captores de informação; 2. vias neurológicas aferentes, capazes de transportar a informação; 3. centros de recepção e tratamento e 4. vias eferentes, capazes de transportar a ordem proveniente dos respectivos centros.

Os captores de informação principais.

Os receptores cutâneo: plantares , localizam-se ao nível da pele e são capazes de enviar informações sobre assimetrias de pressão.

Os fusos neuromusculares : localizados fundamentalmente nos músculos de todo o organismo, com predominância de fibras tónicas. Apresentam uma estrutura espiraliforme e funcionam como sensores capazes de informar o cérebro sobre o estado de contractilidade de cada músculo.

Sistema de Golgi: corresponde a um conjunto de sensores, localizados a nível das formações tendinosa e são capazes de informar o cérebro sobre o estado de estiramento de cada músculo

Receptores articulares : localizam-se ao nível dos ligamentos articulares e permitem informar, sobre a relação entre os segmentos corporais que integram essa articulação

Ouvido interno : dividido em labirinto anterior e posterior. Na sua componente de equilíbrio é capaz de informar o cérebro sobre a estática e dinâmica corporais. Sistema visual : Neste tipo de localização o papel fundamental é desempenhado pela percepção a nível cerebral da tonicidade relativa do conjunto dos músculos oculomotores.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: E

Alternativa que indico após analisar: Nenhuma.

Um pensamento sobre “FUNRIO – SESDEC/RJ 2008 – Questão 42

  1. Caros colegas observo a qualidade do apoio plantar e da fisiologia dos movimentos dos pés, para fazer meus comentários sobre as explicações desta matéria que trata muito bem da : Expropriocepção, Exterocepção, Propriocepção, Sistema auditivo e o equilíbrio, Sistema de manutenção do equilíbrio, Sistema proprioceptivo ou propriocepção?, Sistema somatossensorial, Sistema vestibular, Sistema visual e o equilíbrio.Para mim os entendimento que se tem atualmente sobre a integração destes sistemas ,é algo que obriga todos os profissionais da área da saúde repensarem suas metodologias de trabalho em relação a reabilitação das alterações que ocorrem nestes sistemas .Tendo em vista que todos estes sistemas são sustentados fisicamente pela base do pé humano ,e que por vias neurais são altamente estimulados pelos precisos movimentos reflexos que partem deste importante órgão no momento que sua base plantar toca ao solo. Esta condição justifica que base do trabalho de reabilitação dos sistemas acima ,venha começar com o pé humano, justamente com a inclusão da ergonomia do calçado que deve ser fundamenta nos princípios do designer ergonômico (desenho do calçado compatível com a morfologia do pé e usabilidade deste acessório ),(capacidade volumétrica da câmara de calce compatível com o perfil antropométrico do pé e usabilidade deste acessório ),(componentes compatíveis com a ambientação do pé e usabilidade deste acessório ).A visão integrada funcional destes sistemas indica que sem a inclusão de um bom plano de ergonomia para o pé humano ,que seja capaz de preservar a qualidade e a fisiologia do apoio plantar e dos movimentos plantares, tanto na dinâmica quanto na estática ,sentado ou em pé ,qualquer tipo de trabalho no âmbito terapêutico ,que visam reabilitar os outros sistemas designados aqui fica mais difícil para o profissional e para o paciente ,ou seja apresenta resultados médios de curta duração .A ergonomia integrada do pé humano ,fundamentada na condição ergonômica do calçado é a chave para o sucesso do tratamento que muitos pacientes precisam ,e não a indicação criminosa e comercial de palmilhas .Ou aprendemos a começar com a orientação ergonômica do calçado ,ou continuamos errando com a indicação indiscriminada de palmilhas para serem colocadas em calçados ante ergonômicos que mal cabem o pé humano.

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