FUNRIO – Itaboraí/RJ 2007 – Questão 31

31. A Contratura de Volkmann é uma importante complicação das fraturas de membro superior, as quais resultam da:

A) contratura no ombro

B) contratura no cotovelo

C) neuropraxia dos nervos radial e mediano

D) isquemia da musculatura da mão

E) isquemia da musculatura do antebraço

volkmann

Duas informações importantes aqui. O nome completo da patologia é “Contratura isquêmica de Volkmann”. O “isquêmica” foi omitido, acredito que propositalmente. A segunda informação que devemos ter em mente é que neste enunciado se busca as causas da patologia.

Essa contratura, que é uma conhecida complicação de fraturas supracondilianas do úmero, por exemplo, é causada pela isquemia dos músculos do antebraço por oclusão da artéria braquial. Portanto, alternativa “E”.

Para ler mais sobre lesões no cotovelo, recomendo esse documento da faculdade de medicina de Coimbra, é um dos mais completos disponíveis na net em português. Só reparem que alguns termos são ligeiramente diferentes, mas não comprometem a compreensão. Aliás, um abraço para os colegas portugueses que visitam este blog regularmente.

http://rihuc.huc.min-saude.pt/bitstream/10400.4/1202/1/Extremidade%20Superior.pdf

Recomendo também esse vídeo, em inglês. A forma como esse médico fala me lembra muito os joguinhos de fliperama “Street figther” que eu jogava quando criança \o/. Esse canal é muito bom, já assisti muitos vídeos dele.

Um pouco mais sobre essa patologia.

Richard Von Volkmann(1830-1889) foi um médico alemão considerado como um dos melhores cirurgiões de sua época. Além de professor universitário, sob o psudônimo de Richard Leander, ele escrevia obras de poesia e ficção.

As consequências da isquemia compartimental foram descritas pela primeira vez por Volkmann em 1881 e atribuídas à insuficiencia arterial e à estase venosa resultantes de bandagem compressiva de extremidade. O termo “contratura isquêmica de Volkmann” foi atribuido por Hildebrand em 1906, que associou a transudação para o interior do compartimento como a responsável pelo aumento da pressão.

A Síndrome Compartimental aguda dos membros pode ser definida como a condição em que aumento da pressão dentro de um espaço limitado compromete a circulação e a função dos tecidos desse compartimento, ou ainda o local onde o aumento da pressão reduz a perfusão capilar abaixo dos limites necessários para permitir a viabilidade tecidual local e distal. É habitualmente descrita em associação com trauma, fratura e a insuficiência vascular aguda. Outras associações, como queimaduras, bandagens compressivas, fechamento cirúrgico de aponeurose com redução do compartimento, infecção, distúrbios de coagulação e cisto de Backer roto, tem sido descritos.

O quadro clínico inicial é caracterizado por dor importante e edema, ocorrendo manifestações tardias como a ausência de pulsos distais, parestesias de extremidade, e hipoestesia. Os compartimentos mais afetados são aqueles que possuem uma menor capacidade elástica de seus ossos e fáscia. No corpo humano há 46 compartimentos, preenchidos por musculatura, nervos e vasos, sendo nove encontrados no tronco enquanto o restante está nas extremidades.

Aproximadamente 45% dos casos de SC são causados por fraturas dos ossos da perna. Outras causas além das fraturas incluem lesões vasculares, traumatismos por esmagamento e lesões por overuse. A prevalência da SC não é bem definida, pois muitas vezes o diagnóstico não é feito. Quando ocorre nos membros inferiores, os músculos do compartimento anterior da perna são os mais afetados, entretanto a loja posterior também pode ser acometida. No diagnóstico diferencial deve-se pensar em: claudicação intermitente, aprisionamento da artéria poplítea, miosites, tendinites, fraturas e neuropatias.

Nos membros superiores, a síndrome ocorre mais em antebraço por trauma musculoesquelético e vascular. Uma compressão exagerada, como numa síndrome por esmagamento, pode afetar também o braço.

O diagnóstico da síndrome compartimental é clínico, porém existem diversos métodos para monitorizar a pressão intracompartimental. Dentre eles: técnica de Whitesides, Stryker, cateter de Wick, cateter de Slit. Laboratorialmente pode-se ter um aumento da creatina-quinase (CK) num valor de 1000-5000 U/mL demonstrando uma mioglobinúria que pode sugerir o diagnóstico.

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: E

Alternativa que indico após analisar: E

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s