FCC -TRT 15ª Região 2005 – Questão 36

36. Uma criança com fratura supracondiliana de úmero apresenta-se para realizar fisioterapia após a retirada do gesso. Os recursos fisioterapêuticos que podem ser utilizados, sem restrições, no tratamento são:

(A) contraste, banho de imersão, infravermelho e alongamentos.

(B) contraste, ultra-som, infravermelho e alongamentos.

(C) banho de imersão, laser, infravermelho e gelo.

(D) banho de imersão, infravermelho, ultra-som e alongamentos.

(E) gelo, banho de imersão, laser e ondas-curtas.

caindo da escada

As palavras-chave aqui são “criança”, “supracondiliana” e “restrições”.

Modalidades de calor profundo possuem contraindicações absolutas para epífise óssea em crescimento, que é a região da fratura. Então, eliminamos as alternativas “B”, “D” e “E”.

É muito importante saber as contraindicações de todos esses recursos de eletro e termoterapia. Não só para concursos! Para montar um tratamento isso é fundamental, jamais devemos colocar o paciente em risco. É melhor admitir estar em dúvida sobre um procedimento e não utilizá-lo.

Restam alternativas “A” e “C” para analisar. Como banho de imersão e infravermelho são comuns às duas alternativas, vou focar nas outras condutas.

Na alternativa “C”, não há restrições para o uso de LASER. O gelo é a única conduta passível de se atribuir restrições, como é proposto no enunciado da questão.

Na alternativa “A”, alongamentos OK, restando apenas “contraste” como conduta duvidosa.

Contraste ou gelo não causarão lesões se utilizados, mas o contraste terá melhor resultado que a crioterapia nessa fase de retirada de imobilização. Por quê?

A ocorrência de edema após a retirada da imobilização é conhecida como “edema de estase”, que é um inchaço de origem vascular que ocorre quando o membro fica muito tempo parado. O edema residual após uma fratura ou imobilização pode ser também causado por lesão nos vasos linfáticos. Em várias situações esse edema residual está relacionado a alterações neurológicas transitórias que causam vasoplegia ( os vasos sanguíneos se contraem menos e tendem a permitir que o liquido que deveria ficar dentro do vaso saia para o espaço entre as células). Isso em geral é temporário e melhora muito com o tratamento fisioterapêutico associado a movimentação ativa do membro acometido.

Para mais informações sobre a fratura supracondiliana, sugiro a leitura do “Projeto diretrizes”.

http://www.projetodiretrizes.org.br/7_volume/25-Fratura_Supra.Um.Cria.pdf

Também desse artigo, de 2002, antigo mas bem esclarecedor:

http://www.scielo.br/pdf/aob/v10n2/v10n2a04.pdf

E para fraturas em crianças, um resumo bem legal, em slide:

http://www.anm.org.br/img/Arquivos/Aulas%20Curso%20Capacita%C3%A7%C3%A3o%20em%20Urg%C3%AAncia%20e%20Emerg%C3%AAncias/Ter%C3%A7a/Fratura%20na%20Inf%C3%A2ncia.pdf

Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: A

Alternativa que indico após analisar: A

Um pensamento sobre “FCC -TRT 15ª Região 2005 – Questão 36

  1. O trecho abaixo foi extraído do artigo postado acima, claramente realizado por médicos:
    “Embora a literatura seja escassa, o estudo
    acima mostra que as crianças com Fratura Supracondiliana do úmero não
    necessitam de encaminhamento para tratamento
    fisioterápico, sendo suficiente a realização de
    exercícios domiciliares e de atividades infantis
    para ganho de amplitude do arco de movimento
    em curto espaço de tempo.”
    Como a Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia afirma isso? Baseando-se em artigos escritos por eles, aposto!

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